Flor da ameixieira (baika)
テーマ:花と自然
Tout ce que je connais de moi c'est ce que me raconte le vent: la médiunnité des branches qu'il agite. Natália Correia
Flor da ameixieira (baika)
テーマ:花と自然
O Inverno tem descido rigoroso. Pesado. Já basta não se poder sair de casa. Nem há horizonte para se mergulhar o olhar. Só nuvens espessas, embrenhadas no nevoeiro.
Se por um lado obriga as pessoas a ficarem em casa, por outro, a vitamina sol faz falta. E a tristeza, o desconforto descem.
Bem gostaria de estar na varanda a olhar o mar lá longe em dias de horizonte limpo. Luminoso. Mesmo com Sol de Inverno.
A minha rua está cheia de carros estacionados, adormecidos, como que sem dono. Não há crianças nas ruas. Nem por trás das janelas. Não há os risos de adolescentes, vozes de adultos. Silêncio absoluto na praceta.
Não vejo a luz ao fundo do túnel perdida no nevoeiro denso que não deixa vislumbrar um pouco de azul. Como criar beleza sem azul?
Gosto muito de estar em casa. Adoro o meu cantinho, tiro proveito dele, faço o que me apetece. E por vezes nada. Não tem sido fácil.
Lá me entrego ao meu treino dentro de casa. A minha prática de yoga. Não posso deixar que a falta de vontade supere o que tanto gosto de fazer.
Venha o Sol, meu Deus! Criação divina.
Miosótis (pseudónimo)
28.01.2021
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* Obras de Ana Hatherly sem referência de origem.
New York
créditos: Vivienne Gucwa
Pensava eu, há quase um ano, por esta altura de Natal, estar confiante no novo ano que se adentrava, poucos dias depois.
Pensava eu, sinceramente, que 2020 iria ser um ano cheio de coisas positivas.
Pois é. Mas estava enganada. 2020 ficará, sem dúvida, inscrito na história da Humanidade. Por motivos não positivos.
Um ano que ninguém esquecerá. Um ano de receios, incertezas, tristeza para muitos. Luto para tantos outros.
Nunca pensámos algum dia viver, o que só conhecíamos de filmes de ficção científica.
Um ano que nos pôs à prova. Um ano que, no meio da insegurança, da ansiedade gerada pela solidão a que fomos obrigados, nos deu a esperança que o ser humano iria mudar para melhor. Mas não. Na sua maioria.
Comparável a um raio de sol que fura a tempestade, e nos engana, pensamos que está tudo bem. De repente, o raio de sol se esconde. E o temporal vem. Com mais força.
Foi um ano que testou os nossos limites, a nossa capacidade de adaptação, a nossa resiliência.
Foi um ano de perdas para muitos. Mas de reinvenção para outros.
Não me devo queixar. Não fui afectada pela pandemia, graças ao ente superior que nos rege.
Continuo a ter a minha família bem. E eu também.
Foi um ano que reforçou a minha coragem, clareza. Resiliência.
Foi o primeiro ano sem praia, sobretudo sem mar. Oh! Tristeza!
Foi um ano sem cinema. Um dos meus hobbies favoritos.
De repente, pus-me em Nova Iorque! Sentada imaginariamente, neste banco tão cinematograficamente conhecido. Filmes de Woody Allen.
E deixei correr o fio da vida, das pequenas coisas boas que frui, apesar de tudo, ao longo de 2020. Da beleza que podemos ver em tanta coisa à nossa volta.
E, num toque de magia, a neve tombou docemente na paisagem. Em Nova Iorque.
Miosótis (pseudónimo)
25.12.2020
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O Melodioso Sistema da Universo
O melodioso sistema do Universo, O grande festival pagão de haver o sol e a lua E a titânica dança das estações E o ritmo plácido das eclípticas Mandando tudo estar calado. E atender apenas ao brilho exterior do Universo. Álvaro de Campos27 - 11 - 1914 In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002 |