Sunday, January 21, 2018

Dolores O'Riordan : para sempre !






Sem dúvida! Dolores O'Riordan, a vocalista de uma das minhas bandas de referência desde os anos 90, The Cranberries, a banda indie irlandesa tinha esse carisma que punha em cada canção que interpretava. Sem deixar nunca a sua pronúncia irlandesa.




Dolores O’Riordan

Dolores O'Riordan vai a enterrar esta terça-feira. Tinha 46 anos. Centenas de pessoas de todas as idades, reúnem-se junto à igreja St Josephem Limerick para prestar a sua homenagem à voz que deu vida a The Cranberries.

A cantora, morreu de repente em Londres, na última segunda-feira, 15 Janeiro.



Dolores O’Riordan
credits: Getty Images

Foi em 1990 que O’Riordan se tornou a voz de The Cranberries. E com que garra ela interpretava as músicas da banda indie.

O'Riordan, de Friarstown, County Limerick, era conhecida por sua voz bem distinta de The Cranberries que foi uma das mais bandes de maior sucesso na década de 90, com temas como Zombie e Linger.




"Earlier this week, the body of Cranberries singer Dolores O’Riordan was found in a London hotel room. While police have yet to establish a cause of death for the 46-year-old musician, her bandmates and family have been absorbing it all and requesting privacy. "My friend, partner, and the love of my life is gone," O'Riordan's partner Olé Koretsky said in a statement. "My heart is broken and it is beyond repair."

Rolling Stones, David Brownie




O’Riordan with the Cranberries at the Festival Jardins de Pedralbes 
Barcelona, 2016

Lembro ter escrito algures, neste espaço, em laia de desabafo, o quanto The Cranberries, pela voz de Dolores O'Riordan me embalou nas noites frias, distantes, de uma Holanda inóspita, em viagem de estudo. O tema que não lembro mais o nome, algo parecido com 'I'm going home' (não consegui encontrar no YouTube).

Pessoas distantes, noites solitárias no meio de uma família que se entregava à  bebida, talvez para se sentir mais quente. Não havia diálogo, péssimo acolhimento. 

Subia então para o quarto que me fora dispensado, e ouvia, incessantemente, até adormecer, ao estilo lullabay, a voz de Dolores O'Riordan nessa canção que permanece na minha memória afectiva.

Foi um choque saber da sua morte. Ouvia o seu último video, Ordinary Day, nestes últimos tempos, um trabalho a solo.  Continuava a prender-me a alma.






A cantora irlandesa atingiu a fama na década de 90 com The Cranberries, que vendeu milhões de álbuns em todo o mundo, devido em grande parte, ao seu estilo vocal apaixonado e quase assustador.




Dolores O'Riordan em palco na 23a edição do Cognac Blues Passion festival 
Cognac, France, Julho 2016. 
credits: Guillaume Souvant/AFP/Getty Images

Talvez Dolores nunca tivesse lidado bem a fama. Era profundamente católica. Começou a cantar na igreja de Limerick.

O pai de um jovem morto num bombardeamento, no tempo do IRA, elogiou a cantora, depois da gravação de Zombie (1994) em homenagem a seu filho, Tim12 anos, morto em 1993, quando duas bombas explodiram em Warrington, Cheshire.

Suponho que a última fotografia de Dolores. Postada na sua conta pessoal, Twitter, no dia 4 Janeiro 2018, onde se pode ler: bye bye Gio. We're off to Ireland 🍀



Dolores

Poderão ouvir o concerto live no Olympia, Paris, Maio 2017 que inclui o alinhamento.

Deixo então, na impossibilidade de encontrar o tema que tanto me prende, um outro tema que sempre me seduz. Zombie!








Dolores O'Riordan despede-se no final do concerto 
San Remo's Ariston Theatre, Italy, Março 2002
credits: Claudio Papi/Reuters

"She was so gracious and sweet – shy and reflective, but also quite effusive and funny."

Hard Rock, Jim Leatherman

É assim que prefiro lembrar Dolores O'Riordan, sorridente, e cheia de vida. Até sempre, Dolores!

Never Grow Old
Analyse
Time Is Ticking Out
Dying Inside
This Is The Day
The Concept
Wake Up And Smell The Coffee
Pretty Eyes
I Really Hope
Every Morning
Do You Know
Carry On
Chocolate Brown

Roses (album), 2012

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

21.01.2017
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Saturday, December 30, 2017

Novo Ano : em dias de luz perfeita !





créditos : Casa


Ano Novo! O que é? Uma convenção calendarizada? Ou um ritual ancestral que faz nascer em nós a esperança de um ano mais feliz? 

Tentamos, então, renovar a nossa caminhada, pedindo ao Sol para seja bem luminoso, nesse novo dia que se abre à meia-noite, que tudo transforme para melhor.

No entanto, é simplesmente mais uma meia-noite que bate as doze badaladas. E cada badalada, a renovação da nossa secreta esperança. 

Pedimos, seguindo a tradição, e a nossa fé mais intimista, um desejo a cada uma das badaladas com vagas de uva ou de româ. Nesses desejos incluimos o agradecimento das coisas boas que atravessaram o ano 2017, e tentamos esquecer, nem que por segundos, os acontecimentos que nos feriram.

Somos pequenas nuvens que se movem levadas pela briza, ou pelo orvalho das manhãs de Inverno.

Que os nossos sonhos sejam briza doce que nos levam mais alto. Que nunca percamos esse imenso dom. Sonhar. 

Que ao começar a tomar notas no livro em branco do Novo Ano, possamos dar relevância à beleza das pequenas coisas que talvez se tranformem em sonhos. E que, ao encerrá-lo no final do ano que vai entrar, sorriamos do balanço harmonioso.

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas. (...)

Alberto Caeiro, Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Bom Ano Novo !

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
30.12.2017
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Saturday, December 09, 2017

Rosas de Dezembro





December



"God gave us memories that we might have roses in December."

J. M. Barrie

E entrou Dezembro. De repente se fez frio. E o firmamento se mostrou carrancudo. Deixou de nos aquecer o olhar. Vestem-se agasalhos. 

Cada espaço envolvente é mais árido, mais frio. Transformam-se as emoções em pequenas partículas de chuva, suaves, escondidas na mancha cinza-rato. A paisagem até há dias azul, luminosa, acolhedora, desapareceu.

Deu-se, agora sim, o início de uma nova estação. O Inverno. A natureza já está em hibernação. Os pássaros não se ouvem. As gaivotas, aqui nascidas, dificilmente voltam.

As árvores nuas. As iluminações de Natal tentam dar-lhes cor e algum movimento. 

Depois do café bem fumegante da manhã, olho lá fora. Já sinto falta dos retalhos verde-esperança. 

Os dias são curtos. Tristes. O peso das nuvens sente-se. Desapareceram aqueles cambiantes amarelo-ocre, vermlhos-tijolo e castanhos-terra. Era Outono. Agora tudo é cinzento. Voltou o Inverno.

Os sons já não entram, trazidos pelo cântico da brisa. Dezembro, mês de  eternidade. Dezembro recolhe com seu manto os seres frágeis. E já foram alguns, os que partiram. Rosas de Dezembro.

Miosótis (pseudónimo)

08.12.2017
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Sunday, November 05, 2017

Olá Novembro ! Já ?






Autumn
créditos: Julian Stratenschulte

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mario Quintana
in Pensador

Já chegamos a Novembro? Como assim? Ainda mal se sente o Outono. Embora muito bela, quando não chove, não é a minha estação favorita. Traz-me demasiado melancolia. 

A chuva é precisa. Eu sei. Mas confesso. Adoro este sol que me faz saltar da cama, em dia de domingo e me deixa, logo pela manhã, colher a luminosidade de um céu azul, dificilmente manchado de nuvens.

Adoro o mar de Outono. Doce, deixando passsar tranquilidade. Apazigua-me num mês sempre doloroso. Novembro.

Um tempo assim, limpa alma, deixa-me respirar. Profundamente.

E, no entanto, as noites já pedem, por vezes, a manta no sofá. E o aroma de hortelã que se solta da chávena de chá de gengibre, fumegante, que saboreio devagar enquanto espreito as novidades culturais ou mindfulness (não encontro expressão adequada em português) nas notícias ou redes sociais.

Enquanto aguardo que o Outono chegue, apesar de já se sentir nas manhãs frescas e nas noites frias, vou fruindo dos dias, agora mais curtos devido à mudança da hora - malfadada! - apreciando as noites de solstício, olhando da pela janela a lua cheia destas últimas noites. Leio, passeio, medito. E, por vezes, vou ao cinema ou a um concerto.

Miosótis (pseudónimo)

05.11.2017
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Monday, October 16, 2017

Meu País, dói mesmo !






Um pesadelo destruidor arremessa as suas almas. Sopro de vida desfeito. Destruição. Morte. 


Se eu agora inventasse o mundo 
criaria a luz da manhã já explicada 
sem o luto que pesa 
na sombra dos homens 
- conspiração da noite 
com as pedras. (...)

José Gomes Ferreira, Se Eu Agora Inventasse o Mundo
in Elegia Fria com Lírios Inventados


Miosótis (pseudónimo)

16.10.2017
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Sunday, October 01, 2017

Celebro a Música !





Violin and Candlestick, 1910
Georges Braque
créditos: San Francisco Museum of Modern Art

Um dia especial! Dia Internacional da Música. Embora todos os dias sejam dias de música. Para mim e para a maioria das pessoas.

Dia Internacional da Música, comemorado anualmente 
a 1 de Outubro, foi instituído em 1975 pelo International Music Council, instituição fundada em 1949 pela UNESCO e que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música.

Há quanto tempo não celebrava este dia. Por esquecimento? Suponho que não. Apenas porque a celebro todos os dias. A Música.

Cada dia é dia de música, não é mesmo? Sem música, seríamos tão perdidos na vida. Música é o som da alma. Música apazigua os momentos mais tormentosos. Todos os dias de desassossego.

Celebro a música, portanto. Inspiradora da Vida.

Sem a música, a vida seria um erro."

Fiedrich Nietzsche 

Miosótis (pseudónimo)

01.10.2017
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Sunday, September 17, 2017

Um dia de domingo em Setembro






E voltou Setembro. Despeço-me com tristeza do verão. A minha estação favorita. Não aprecio o Outono, apesar das tonalidades lindas que nos traz. 

As manhãs estão muito mais frescas, embora o solinho ainda ande por aqui. As noites já pedem um agasalho.

De manhã, acordei com a ideia de dar um passeio, mas ao sair para a varanda, um arrepio me percorreu. Que frio! Nem pensar em tomar pequeno almoço na varanda, como me habituara.

Voltei para dentro. Preparei alguma fruta. E fiz então uma curta prática de Ashtanga yoga.

Sinto-me bem logo pela manhã a praticar yoga. Aproximo-me da janela. Abro-a. Respiro profundamente. Inspiro, expiro com lentidão. Fecho os olhos, deixo o pensamento passar sem o deter. Até que ele quase se esfuma.

Medito um pouco, conecto-me comigo, com a minha respiração. Então numa das dessas inspirações, dei comigo a ter consciência da enorme gratidão pelo momento.

Gratidão por poder respirar. Gratidão por ter saúde. Gratidão por poder observar as manhãs. 

Gratidão, por ver o sol no céu dando inicio a mais um dia. Dando inicio a mais uma oportunidade de Ser.  

Gratidão por ter Tempo. Gratidão por poder sentir o calor do sol, mesmo que mais ténue. Gratidão por poder observar as gaivotas que definitivamente vêm fazer seus ninhos na cidade, nos nossos telhados. Os pássaros voltam ao entardecer. E â noite ouvem-se entre o arvoredo.

Ao longo dos dois últimos meses assisti ao nascer, crescer, aprender a voar de duas crias de gaivota. Um casal de gaivotas veio aqui poisar seu ninho. Os filhotes ganharam asas para a liberdade, mesmo em frente aos meus olhos. Gratidão por ver. Eram o meu bom dia! 

Até que quase no final de Agosto, tomaram o rumo da liberdade. Fiquei grata por elas.

E depois sim. Preparei pequeno almoço, primeiro ritual, fruta. Enquanto se prepara a máquina para um bom café. Bom, o aroma do café que perdura. 

Sentei-me a degustar o meu pequeno almoço. Enquanto isso, fui passando os olhos por algumas redes sociais. Ler notícias do dia. E visitar alguns amigos virtuais ou não. Fiz zapping por alguns instantes.

E andei por aí. Agora no final de tarde, com o sol a entrar pela janela virada para o arvoredo que persiste e bem, reflicto.

Por vezes, queremos muito algo, ficamos presos a isso. E não nos apercebemos que a vida nos traz muitas outras coisas. Aprendi isso e cada vez mais, nestes últimos dois anos. 

A perda de familiares, de amigos, em circunstâncias dolorosas me fizeram tomar a vida de outro jeito.

A alegria de encontrar um grupo de prática de Ashtanga yoga ao ar livre num jardim público, onde reinava a serenidade e o arvoredo entre pássaros e pavões, trouxe-me a cura energética que parecisava, depois daquele triste acontecimento de Julho

Fiquei grata ao grupo, à oportunidade que me foi dada de o encontrar, de partilhar momentos de muita serenidade, bem estar, paz.

Se confiarmos no Universo, as coisas que se cruzam no nosso caminho, são sempre melhores do que pensámos! 

Aceito as leis do Universo. Aceito que existe um plano maior para nós. E deixo fluir a Vida e o que ela te traz no momento.

"A vida não está por ordem alfabética como há quem julgue. Surge... ora aqui, ora ali, como muito bem entende, são miga­lhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém?"

António Tabuchi, Tristano Muore, 2004

Miosótis (pseudónimo)

16.09-2017
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