Saturday, February 16, 2019

A mudança é inevitável ?





créditos: Portal Raízes

(Re)começar .... a vontade de mudar alguma coisa. Adoro a sensação do sentimento positivo que me envolve. Os (re)começos.

Encerrar ciclos anteriores. Saber que houve muita reflexão, e algum desapego.

Muitas vezes a vida nos leva a (re)começar. Repensar.

E voltar a sonhos escondidos, não esquecidos. Luminosos. O dia de hoje? Irresistível. (Re)começar é quase inevitável. Este céu azul-claro, inspirador. Tão suave!

Todos os (re)começos provocam uma certa ansiedade. Receio. Será que vou mesmo (re)começar? Respiro. Profundamente!

Abraçar a paixão de (re)começar, mesmo que me pareça desconfortável. A vida dá-nos esses (re)começos... 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

16.02.2019

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Wednesday, January 23, 2019

Dolores O'Riordan : para sempre !






Dolores O'Riordan despede-se no final do concerto 
San Remo's Ariston Theatre, Italy, Março 2002
credits: Claudio Papi/Reuters

Sem dúvida! Dolores O'Riordan, a vocalista de uma das minhas bandas de referência desde os anos 90, The Cranberries, a banda indie irlandesa tinha esse carisma que punha em cada canção que interpretava. Sem deixar nunca a sua pronúncia irlandesa.





Dolores O’Riordan

Dolores O'Riordan vai a enterrar esta terça-feira. Tinha 46 anos. Centenas de pessoas de todas as idades, reúnem-se junto à igreja St Josephem Limerick para prestar a sua homenagem à voz que deu vida a The Cranberries.

A cantora, morreu de repente em Londres, na última segunda-feira, 15 Janeiro.




Dolores O’Riordan
credits: Getty Images

Foi em 1990 que O’Riordan se tornou a voz de The Cranberries. E com que garra ela interpretava as músicas da banda indie.

O'Riordan, de Friarstown, County Limerick, era conhecida por sua voz bem distinta de The Cranberries que foi uma das mais bandes de maior sucesso na década de 90, com temas como Zombie e Linger.




"Earlier this week, the body of Cranberries singer Dolores O’Riordan was found in a London hotel room. While police have yet to establish a cause of death for the 46-year-old musician, her bandmates and family have been absorbing it all and requesting privacy. "My friend, partner, and the love of my life is gone," O'Riordan's partner Olé Koretsky said in a statement. "My heart is broken and it is beyond repair."

Rolling Stones, David Brownie




O’Riordan with the Cranberries at the Festival Jardins de Pedralbes 
Barcelona, 2016

Lembro ter escrito algures, neste espaço, em laia de desabafo, o quanto The Cranberries, pela voz de Dolores O'Riordan me embalou nas noites frias, distantes, de uma Holanda inóspita, em viagem de estudo. O tema que não lembro mais o nome, tinha algo de parecido com 'I'm going home' (não consegui encontrar a canção). Tinha o CD que levei comigo, mas não sei onde o deixei.


Pessoas distantes, noites solitárias numa família que se entregava à bebida, talvez para se sentir mais quente. Não havia diálogo. Péssimo acolhimento. Prefiro esquecer.

Subia então para o quarto que me fora dispensado, e ouvia, incessantemente, até adormecer, ao estilo lullabay, a voz de Dolores O'Riordan nessa canção que permanece na minha memória afectiva.

Foi um choque saber da sua morte. Ouvia o seu último video, Ordinary Day, nestes últimos tempos, um trabalho a solo.  Continuava a prender-me a alma.






This is just an ordinary day
Wipe the insecurities away
I can see that the darkness will erode
Looking out the corner of my eye
I can see that the sunshine will explode
Far across the desert in the sky

(...)

Dolores O'Riordan, Ordinary Day


A cantora irlandesa atingiu a fama na década de 90 com The Cranberries, que vendeu milhões de álbuns em todo o mundo, devido em grande parte, ao seu estilo vocal apaixonado e quase assustador.





Dolores O'Riordan em palco na 23a edição do Cognac Blues Passion festival 
Cognac, France, Julho 2016. 
credits: Guillaume Souvant/AFP/Getty Images

Talvez Dolores nunca tivesse lidado bem a fama. Começou a cantar na igreja de Limerick. Era profundamente católica. 

O pai de um jovem morto num bombardeamento, no tempo do IRA, elogiou a cantora, depois da gravação de Zombie (1994) em homenagem a seu filho, Tim12 anos, morto em 1993, quando duas bombas explodiram em Warrington, Cheshire.

Suponho que a última fotografia de Dolores. Postada na sua conta pessoal, Twitter, no dia 4 Janeiro 2018, onde se pode ler: bye bye Gio. We're off to Ireland 🍀




Dolores O'Riordan

Poderão ouvir o concerto live no Olympia, Paris, Maio 2017 que inclui o alinhamento.

Deixo então, na impossibilidade de encontrar o tema que tanto me prende, um outro tema que sempre me seduz. Zombie!








"She was so gracious and sweet – shy and reflective, but also quite effusive and funny."

Hard Rock, Jim Leatherman

É assim que prefiro lembrar Dolores O'Riordan, sorridente, e cheia de vida. Até sempre, Dolores!





Fez um ano no dia 15 Janeiro que Dolores O'Riordan, vocalista de The Cranberries morreu. 

A data foi marcada pelo lançamento de All Over Now, primeiro single do álbum In the End, o último do grupo - que os colegas de Dolores consideram como uma homenagem ao trabalho que fizeram juntos. 






"O álbum celebra o trabalho que Dolores fez e retribui todo o apoio que os fãs deram à banda ao longo dos anos", (...) "É como um pequeno presente que ela deixou para trás".

Fergal Lawler, baterista The Cranberries

Bonita e sensível homenagem da banda que fez as delícias dos anos 80 de muitos de nós.  

Never Grow Old
Analyse
Time Is Ticking Out
Dying Inside
This Is The Day
The Concept
Wake Up And Smell The Coffee
Pretty Eyes
I Really Hope
Every Morning
Do You Know
Carry On
Chocolate Brown

Roses (album), 2012

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

21.01.2017

actualizado 23.01.2019
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Sunday, January 06, 2019

Dia dos Três Reis Magos





Dia de Reis
créditos: Assinatura de imagem

É difícil resistir. Acordo e vejo este sol esplendoroso. Dia de Reis! Simbologia apelativa.  É o dia da veneração aos Reis Magos. A tradição surgida no século VIII, convertida em Melquior, Gaspar e Baltazar.

Acredita-se que no dia 6 de Janeiro os pedidos aos três Reis Magos tragam sorte, e prosperidade. Entra aqui a tradição da romã de sete bicos.

Olho para trás. Dia Ano NovoNão tenho resoluções ambiciosas para o ano que apenas começou. Alguns pensamentos livres. O mais importante de tudo, é ter consciência do que temos e do que precisamos. 

Tenho reduzido a lista. E adaptá-la àquilo que depende apenas de mim. Do meu esforço e perseverança, sobretudo!

Voltando ao Dia de Reis. Para já um passeio a pé - resolução um - que tentarei que seja diária, nestes dia de Inverno. Pelo menos nos dias de sol.

À noite, lá comerei as bagas de romã que tem sete bicos. Sim, este ano, consegui, mesmo, a romã com sete bicos, no turbilhão das compras de Natal. E tive todo o cuidado para que nenhum bico se partisse até chegar a esta noite. Ceia de Reis.

A tradição da romã é milenar. Faz parte da cultura de vários povos. Para os Gregos, era símbolo do amor e da fecundidade. Para os Romanos, símbolo de ordem e riqueza. 

A tradição diz que a romã deverá ter os sete bicos. Para que, segundo os mias supersticiosos, o dinheiro não falte ao longo do ano. Quanto baste. Apenas.

Simbolismos à  parte, a romã é riquíssima em propriedades medicinais. Precisa de mais algum motivo para ter a romã nas festas de fim de ano?

Fruir da última noite em que as decorações de Natal se espalham pela casa. A árvore ecológica - sim, este ano comprei uma árvore de material reciclado, arame, e bambu - que abrilhantei com luzes e múltiplos enfeites vermelhos, laços doirados, pequenos objectos natalícios. Instala-se já uma pequenina nostalgia no olhar. É que amanhã, tudo se desfaz.
É um tanto ou quanto tristonho. É como o desfazer de um sonho que durará até este noite, Dia de Reis.
Miosótis (pseudónimo)

06.01.2019
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Saturday, October 20, 2018

Outubro Rosa





Pink October
créditos: Sabine Pieper


E, mais uma vez, desde 2018, aqui estou para apoiar uma cause que me é muito querida. Outubro Rosa.

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 90, para estimular a participação da população no controlo do cancro da mama.

A data é celebrada anualmente com o objectivo de promover a consciencialização sobre a doença e partilhar informações sobre o cancro de mama. 




Um pouco por todo o mundo, durante este mês, a cor rosa alastra-se de modo a permitir sensibilizar a população para a temática da prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

O Mês de Outubro é assinalado com duas efemérides: a 15 de Outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde da Mama e a 30 de Outubro o Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama. 

É no período compreendido entre estas datas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro desenvolve o movimento Onda Rosa procurando incentivar à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

(...)
Musa ensina-me o canto
Onde o mar respira
Coberto de brilhos
Musa ensina-me o canto
Da janela quadrada
E do quarto branco

Que eu possa dizer como
A tarde ali tocava
Na mesa e na porta
No espelho e no corpo
E como os rodeava (...)

Sophia de Mello Breyner, Musa, Ensina-me o Canto
in Livro Sexto, Obra Poética II, Editorial Caminho, 1991

Miosótis (pseudónimo)

20.10.2018

fragmentos de Outubro com flores Rosa
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Monday, October 01, 2018

Charles Aznavour : tributo no Dia Internacional da Música






Charles Aznavour
crédits: Getty Images

Morreu Charles Aznavour, o poeta da canção. O último dos grandes nomes da canção francesa morreu no Dia Mundial da Música.
O artista francês regressara de uma digressão no Japão e foi forçado a cancelar concertos devido a uma queda. Mas outras complicações se seguiram.


O cantor, actor, compositor francês de origem arménia, era uma lenda viva da ‘chanson française'. O último de uma geração de chansonniers/ paroliers de enorme talento.
Para mim, vêm lembranças da minha adolescência. Em Paris, para onde viajara com meus, estes me levaram ao Olympia ouvir Charles Aznavour. Sala cheia. Público em silêncio. E entrou uma figura franzina, de baixa estatura, no palco. 
Mas quando começou a cantar, a sala estremeceu de emoção.


Os anos passaram. Foi em Paris, de novo, numa breve viagem, que o voltei a ouvir. Desta vez, num filme que saíra e fazia um imenso sucesso nas salas francesas. Pretty Woman com Richard Gere e Julia Roberts. A voz de Aznavour fez-se ouvir no tema do filme, Shecomposto por Elvis Costello
Este cantou-o mais tarde, mas para mim, ficou para sempre gravado como tema da minha vida na interpretação de Charles Aznavour


She ficou o tema da minha vida. Irremediavelmente. E, com muita nostalgia, o oiço nesta noite de fragmentos de emoções.

Há vozes que perdurarão para sempre. A voz de Charles Aznavour é uma delas. Não é possível falar-se de música, de compositores e artistas, e não referir Aznavour.


Ele não foi uma mera lenda. Ele é a voz que iluminou tantas pessoas, nas suas emoções, nos seus afectos. Eu cresci com a música de Aznavour lá em casa. Na casa de meus pais. Aliás cresci eu e meus irmãos. Meus pais eram grandes admiradores de música francesa. Não só. De muita da cultura francesa.
O dia estava divino, hoje! Mas a notícia da morte de Aznavour bateu-me de rompante. Como que, não por acaso, os deuses ofereceram-lhe um dia lindo para nos deixar. No Dia Internacional da Música. 



“We live long, we Armenians,” he said. “I’m going to reach 100, and I’ll be working until I’m 90.”
Charles Aznavour, in The New York Times
Trabalhou até aos 94 anos. Não morreu no palco, como era sua vontade. Deixou-nos uma imensa nostalgia. 
Todos nós ouvimos hoje, muitas das suas canções. E como as sentimos! 

“Eu não vou abandonar a vida. A vida é que me vai abandonar. Esse é que é o problema.”

Charles Aznavour, in Público

Miosótis (pseudónimo)

01.10.2018

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Monday, August 06, 2018

Ollhando 13 anos de flores de miosótis !




« Só te vi duas vezes. Apanhaste-me desprevenido. Foram os teus olhos ou o teu sorriso. Da primeira vez não nos falámos. Só te vi de pé. Olhavas para longe. Da segunda disseste-me que nada fazias, que nada pretendia fazeres, que tudo seria inútil. Que gostarias de trazer um pouco de felicidade a alguém e não sabias como nem a quem.
(...)

Só te vi duas vezes e foi o bastante para agarrares o que me resta da alma e dói mais do que o prazer.
(...)

À saída vi-te de longe e ainda disse o teu nome para que o ouvisses. Bem podias ser outra pessoa. Eu quase nada sei de ti. É justo enganar-me. Engano-me tão facilmente. Num instante o desejo tomou conta de mim. Desejo nem sei de quê. Talvez de te abraçar e desfazer-me no abraço.
(...)

Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo.

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª edição, Abril 2005







Blue door
credits: Andrew Wyeth
https://theartstack.com/


Foi assim que timidamente este blogue nasceu. Noite de 21 Julho 2005. Uma porta entreaberta para as emoções que me levavam a escrever, quase sempre de madrugada.

Treze anos? Não imaginaria que perdurasse no tempo. Já pensei apagá-lo. Tantas vezes. Mas este espaço encerra tantas lembranças! Desabafos, ilusões, desilusões, alegrias, tristezas. Mágoas duras. Perdas irreparáveis. Meu refúgio.

Escrevo pouco, actualmente. A blogosfera fez parte de uma época. Pelo menos, nos termos em que alguns de nós criaram os seus espaços.

De vez em quando, venho reler muitos das textos que escrevi. Uns ainda me magoam, apesar do tempo, vulnerabilidades que não consegui esconder, e que hoje, mantido o distanciamento, olho como capítulos encerrados da minha vida.

Outros fazem-me sorrir - como foi possível?

E outros fazem-me marejar os olhos. Lágrimas de saudade de seres que partiram e que continuam a estar presentes em meu coração, todos os dias. Quanta falta da presença viva.

Miosótis? Os que me acompanharam, sabem a quem se deve esse afecto. A minha mãe que adorava flores de miosótis.

Não quero terminar sem agradecer, do fundo da minh'alma...

aos que deixaram suas pegadas em fragmentos da noite com flores,


aos que me dedicaram palavras de beleza sem par, brotadas da alma,


aos que me acolheram carinhosamente em seus espaços,


aos que me 'amam' sem me conhecerem nos caminhos da vida,


aos que escreveram palavras amargas, fruto das suas personalidades,

aos que carinhosamente poisaram afectos escritos, nos silêncios do mundo digital onde nos cruzámos.


Até ao dia em que decida, finalmente, desligar-me deste espaço. Uma flor de miosótis tem sido a minha companhia. Minha mãe.

Miosótis (pseudónimo)

21.07.2005

actualizado 05.08.2018
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