Saturday, October 20, 2018

Outubro Rosa





Pink October
créditos: Sabine Pieper


E, mais uma vez, desde 2018, aqui estou para apoiar uma cause que me é muito querida. Outubro Rosa.

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 90, para estimular a participação da população no controlo do cancro da mama.

A data é celebrada anualmente com o objectivo de promover a consciencialização sobre a doença e partilhar informações sobre o cancro de mama. 




Um pouco por todo o mundo, durante este mês, a cor rosa alastra-se de modo a permitir sensibilizar a população para a temática da prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

O Mês de Outubro é assinalado com duas efemérides: a 15 de Outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde da Mama e a 30 de Outubro o Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama. 

É no período compreendido entre estas datas que a Liga Portuguesa Contra o Cancro desenvolve o movimento Onda Rosa procurando incentivar à prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

(...)
Musa ensina-me o canto
Onde o mar respira
Coberto de brilhos
Musa ensina-me o canto
Da janela quadrada
E do quarto branco

Que eu possa dizer como
A tarde ali tocava
Na mesa e na porta
No espelho e no corpo
E como os rodeava (...)

Sophia de Mello Breyner, Musa, Ensina-me o Canto
in Livro Sexto, Obra Poética II, Editorial Caminho, 1991

Miosótis (pseudónimo)

20.10.2018

fragmentos de Outubro com flores Rosa
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Monday, October 01, 2018

Charles Aznavour : tributo no Dia Internacional da Música






Charles Aznavour
crédits: Getty Images

Morreu Charles Aznavour, o poeta da canção. O último dos grandes nomes da canção francesa morreu no Dia Mundial da Música.
O artista francês regressara de uma digressão no Japão e foi forçado a cancelar concertos devido a uma queda. Mas outras complicações se seguiram.


O cantor, actor, compositor francês de origem arménia, era uma lenda viva da ‘chanson française'. O último de uma geração de chansonniers/ paroliers de enorme talento.
Para mim, vêm lembranças da minha adolescência. Em Paris, para onde viajara com meus, estes me levaram ao Olympia ouvir Charles Aznavour. Sala cheia. Público em silêncio. E entrou uma figura franzina, de baixa estatura, no palco. 
Mas quando começou a cantar, a sala estremeceu de emoção.


Os anos passaram. Foi em Paris, de novo, numa breve viagem, que o voltei a ouvir. Desta vez, num filme que saíra e fazia um imenso sucesso nas salas francesas. Pretty Woman com Richard Gere e Julia Roberts. A voz de Aznavour fez-se ouvir no tema do filme, Shecomposto por Elvis Costello
Este cantou-o mais tarde, mas para mim, ficou para sempre gravado como tema da minha vida na interpretação de Charles Aznavour


She ficou o tema da minha vida. Irremediavelmente. E, com muita nostalgia, o oiço nesta noite de fragmentos de emoções.

Há vozes que perdurarão para sempre. A voz de Charles Aznavour é uma delas. Não é possível falar-se de música, de compositores e artistas, e não referir Aznavour.


Ele não foi uma mera lenda. Ele é a voz que iluminou tantas pessoas, nas suas emoções, nos seus afectos. Eu cresci com a música de Aznavour lá em casa. Na casa de meus pais. Aliás cresci eu e meus irmãos. Meus pais eram grandes admiradores de música francesa. Não só. De muita da cultura francesa.
O dia estava divino, hoje! Mas a notícia da morte de Aznavour bateu-me de rompante. Como que, não por acaso, os deuses ofereceram-lhe um dia lindo para nos deixar. No Dia Internacional da Música. 



“We live long, we Armenians,” he said. “I’m going to reach 100, and I’ll be working until I’m 90.”
Charles Aznavour, in The New York Times
Trabalhou até aos 94 anos. Não morreu no palco, como era sua vontade. Deixou-nos uma imensa nostalgia. 
Todos nós ouvimos hoje, muitas das suas canções. E como as sentimos! 

“Eu não vou abandonar a vida. A vida é que me vai abandonar. Esse é que é o problema.”

Charles Aznavour, in Público

Miosótis (pseudónimo)

01.10.2018

Creative Commons License

Monday, August 06, 2018

Ollhando 13 anos de flores de miosótis !




« Só te vi duas vezes. Apanhaste-me desprevenido. Foram os teus olhos ou o teu sorriso. Da primeira vez não nos falámos. Só te vi de pé. Olhavas para longe. Da segunda disseste-me que nada fazias, que nada pretendia fazeres, que tudo seria inútil. Que gostarias de trazer um pouco de felicidade a alguém e não sabias como nem a quem.
(...)

Só te vi duas vezes e foi o bastante para agarrares o que me resta da alma e dói mais do que o prazer.
(...)

À saída vi-te de longe e ainda disse o teu nome para que o ouvisses. Bem podias ser outra pessoa. Eu quase nada sei de ti. É justo enganar-me. Engano-me tão facilmente. Num instante o desejo tomou conta de mim. Desejo nem sei de quê. Talvez de te abraçar e desfazer-me no abraço.
(...)

Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo.

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª edição, Abril 2005







Blue door
credits: Andrew Wyeth
https://theartstack.com/


Foi assim que timidamente este blogue nasceu. Noite de 21 Julho 2005. Uma porta entreaberta para as emoções que me levavam a escrever, quase sempre de madrugada.

Treze anos? Não imaginaria que perdurasse no tempo. Já pensei apagá-lo. Tantas vezes. Mas este espaço encerra tantas lembranças! Desabafos, ilusões, desilusões, alegrias, tristezas. Mágoas duras. Perdas irreparáveis. Meu refúgio.

Escrevo pouco, actualmente. A blogosfera fez parte de uma época. Pelo menos, nos termos em que alguns de nós criaram os seus espaços.

De vez em quando, venho reler muitos das textos que escrevi. Uns ainda me magoam, apesar do tempo, vulnerabilidades que não consegui esconder, e que hoje, mantido o distanciamento, olho como capítulos encerrados da minha vida.

Outros fazem-me sorrir - como foi possível?

E outros fazem-me marejar os olhos. Lágrimas de saudade de seres que partiram e que continuam a estar presentes em meu coração, todos os dias. Quanta falta da presença viva.

Miosótis? Os que me acompanharam, sabem a quem se deve esse afecto. A minha mãe que adorava flores de miosótis.

Não quero terminar sem agradecer, do fundo da minh'alma...

aos que deixaram suas pegadas em fragmentos da noite com flores,


aos que me dedicaram palavras de beleza sem par, brotadas da alma,


aos que me acolheram carinhosamente em seus espaços,


aos que me 'amam' sem me conhecerem nos caminhos da vida,


aos que escreveram palavras amargas, fruto das suas personalidades,

aos que carinhosamente poisaram afectos escritos, nos silêncios do mundo digital onde nos cruzámos.


Até ao dia em que decida, finalmente, desligar-me deste espaço. Uma flor de miosótis tem sido a minha companhia. Minha mãe.

Miosótis (pseudónimo)

21.07.2005

actualizado 05.08.2018
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Monday, June 11, 2018

Tivesse eu esse tempo !





créditos: Delphine Soucail (ilustradora)

Tivesse eu tempo. Tempo para o tempo que gostaria de ter. Tempo para as manhãs luminosas e o sol das tardes de Junho nos finais-do-dia do tempo tépido, acariciador, próprio da estação do ano. Sim! É Primavera! 

Tempo? Eu tenho. O tempo é que não me dá esse privilégio. Continuam as temperaturas baixas, o céu cinzentão, o sol emigrado, a chuva insistente.

Que é feito da Primavera? As flores que se atreveram a desabrochar, airosas, coloridas, fenecem com a água das chuvas.

Os pássaros regressados com seu alegre chilrear, voltaram a emigrar.

Tempo para viver com alegria os dias luminosos que em vão persigo. As roupas leves, os recantos aromatizados dos jardins batidos pelo sol. Tivesse eu esse tempo. 

Tempo para me lembrar que há tempo para viver a Primavera que, talvez, chegue. No Verão?

Tempo para olhar para o calendário e aguardar que o dia em que hoje estou, chuvoso, pasmacentonão é o dia em que vou estar daqui a uma semana. 

Para aceitar que a noite chega sorrateira, muito mais cedo do que é usual nesta época do ano.

Para me deleitar nas ruas banhadas de sol num anoitecer tardio. Tivesse eu esse tempo 

Tempo para olhar para este tempo. Resignada. É quase Verão! Já repararam?

Tempo para aspirar devagar, viver devagar a atmosfera cálida. E aproveitar com deleite esse tempo que me aquece a alma.

Para reparar em tudo. E tanto que me passa por perto. Tivesse eu esse tempo. 

Tempo para ter o meu tempo de experienciar um renovado tempo com aroma a maresia. Como que por magia.

No fundo, o tempo tem-me tido a mim. E eu não tenho tido o tempo que gostaria de fruir. Todos nós, não?

A desforra há-de chegar. Quando houver tempo para isso tudo. Quando eu me esquecer que há tempos enfadonhos que nos roubam a esperança de dias leves.

Quando o tempo tiver mais tempo para mim. E eu menos tempo para ele...

Miosótis (pseudónimo)

11.06.2018
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Monday, April 23, 2018

São os livros... esses extensos afectos !





créditos: Autor não identificado



São os Livros

- São os livros!
- São os livros!
*
digo eu sobressaltada
*
Com lentidões de sumiço
olhando
as suas lombadas
*
nas estantes
sobre a cama
gemendo de madrugada
*
A despi-los devagar
das suas
histórias, poemas
*
com sussurros e prazeres
que dão
as suas palavras
*
- São os livros!
- São os livros!
*
Grito eu apaixonada

Maria Teresa Horta, São os livros
( Inédito - 23 de Abril de 2018)


Dia lindo, este dos Livros !

‘despi-los devagar/ das suas/ histórias, poemas’ ... imagética sensorial que deslumbra quando adquirimos um livro e o vamos ‘despindo’ lentamente, contendo a magia das palavras que se abrem em extensos afectos.  Livros! Tecedores de sonhos.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

23.04.2018
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Sunday, March 18, 2018

Não vem aí a Primavera ? Lady Bird !





Autor não identificado

Voltou domingo. Frio, embora o sol tentasse aquecer-me um pouco, como recompensa de dias, semanas de desconforto. Chuva, tempestades de vento. 

No meio de tanta chuva e vendaval, ainda encontramos coisas boas? Claro que sim! 

Um dia que convida a preguiçar. Tudo se faz sem pressas. Tentativa de abrir varanda. Recuo. Impossível. Um frio cortante, vento de inverno. Março de desalinhado tempo. Não vem aí a Primavera?

Camisolas quentes. Lãs. Manta acolhedora em cima do sofá. É nela que procuro o conforto de uma tarde, enquanto saboreio um café vegan bem aromático.

E solto-me até outras margens. Vêm algumas imagens do filme que fui ver ontem.





Lady Bird/ Hora de Voar
Greta Gerwig, 2017

Lady Bird. Cinco nomeações nos Oscars 2018. Melhor Filme nos Golden Globes. Hora de Voar, tradução para a nossa língua, realizado por Greta Gerwig. Mais um filme da realizadora indie que aprecio.

Greta Gerwig é figura bem conhecida do cinema indie americano actual. Merece. 

Filmes? Mulheres do século XX, tradução de 20th Century Women (2016), Frances Ha (2012), entre outros. Não é de narrativas tradicionais. É mesmo diferente. Tem um jeito meio distraído, por vezes  perto do nonsense, semi blasé. Tem seu jeito engraçado, bem humorado.



Lady Bird/ Hora de Voar
Greta Gerwig, 2017

Tema de Lady Bird? Tempo de Voar, já diz qualquer? Fala da passagem da adolescência para vida adulta. É uma comédia dramática, como são todas as adolescências. 

Se gostei? Sim. A mais valia do filme está no modo  simples e honesto como a história é narrada. E em Saoirse Ronan que interpreta Christine "Lady Bird" como se identificava. Irreverente, mal situada, na ânsia de voar, tenta encaixar -se na família, escola, amizades, primeiros amores, e encontrar seu lugar na vida.




Saoirse Ronan/ Christine 'Lady Bird'
Lady Bird/ Hora de Voar
Greta Gerwig, 2017

Saoirse Ronan, várias nomeações, Melhor Actriz nos Golden Globes. Um desempenho que personifica na perfeição com a rebeldia e desalinho da adolescente inconformada, e um pouco perdida, na procura de si própria.

Sugere muitas emoções. Bom humor? Também. Deliciosos momentos. Deixa uma boa mensagem. Esperança. Vida.

Anoiteceu, o frio instalou-se. Aconchego a manta, no sofá. Um jeito de fazer pouco.
Escolhi o tempo e cinema. E a beleza de ter estes dias para fruir da vida e das coisas que gosto de fazer. Talvez um livro para acabar este domingo? 

Miosótis (pseudónimo)

18.03.2018
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Sunday, March 04, 2018

Em noite de Oscars : O que nos espera ?





Linha Fantasma/ Phantom Thread
 Paul Thomas Anderson, 2017
Nomeado para Melhor Filme 
Melhor Actor

Domingo de chuva. Muito frio. Desconforto. Bom para ficar por casa, aconchegada no meu quotidiano de fim-de-semana. Tempo cinzento adentra-se pelas janelas. Olho o céu. Transmite-me tristeza. Não se ouvem pássaros e até as gaivotas que nascerem ali bem diante de meus olhos, não vieram, hoje.

Pois!É que elas vêm poisar quase diariamente no local onde nasceram, em SetembroNão fazia ideia deste memória afectiva nas gaivotas.



The Oscars 2018

Uma introdução quase intimista para uma noite de domingo em frente ao ecrã assistindo à cerimónia mais esperada do ano. Noite de Oscars!

Mais uma noite de Oscars. A noite de todas as estrelas. E de todos os sonhos. E de múltiplos escândalos, este ano.

Será uma noite diferente? Claramente. 




Daniel Day-Lewis
Linha Fantasma/ Phantom Thread
 Paul Thomas Anderson, 2017

Comecei com Linha Fantasma, tradução de Phantom Thread porque adoro Daniel Day-Lewis. Um actor que me atrai desde O Meu Pé Esquerdo, tradução de My Left Foot (1989) e sobretudo A Idade da InocênciaThe Age of Innocence de Martin Scorsese (1993). Um filme belíssimo. Tocou-me intensamente.

Poderia citar outros, como Lincolnpor exemplo. Mas os aqueles dois filmes foram marcantes para esta espécie de encantamento que me leva a não perder este actor em cada brilhante representação.

Neste filme, gostei profundamente da sua interpretação. Menos óbvio a história ou como se desenvolveu o enredo e final.



Dunkirk
Christopher Nolan & Emma Thomas
Nomeado para Melhor Filme

Vi alguns dos filmes com nomeações para além de Linha Fantasma. Quase impossível ver todos, já que a maioria aparece no circuito comercial português a menos de um mês da cerimónia de The Oscars

Exceptua-se Dunkirk, que estreou há meses atrás e foi, de novo, reposto, conhecida a lista de nomeações. Está na categoria de Melhor Filme. E com mérito pelo rigor histórico.



A Hora Mais Negra
Darkest Hour
Joe Wright, 2017
Nomeado para Melhor Filme 
Melhor Actor

Não percam. Um filme histórico que prende ao ecrã de princípio ao fim. Excepcionalmente bem narrado sob ponto de vista imagético e narrativo. Joe Wright já a isso nos habituou. O mesmo realizador de Atonement (2007). 

Interpretação fabulosa de Gary Oldman no papel de Winston Churchill. Indescritível! Nomeado para Melhor Actor.

O Oscar para Melhor Actor vai certamente para Gary Oldman ou Daniel Day-Lewis.



Courtesy Photos

E há The Post de Steven Spielberg, Call me by You Name de Luca Guadagnino, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri de Martin McDonagh ou The Shape of the Water de Guillermo del Toro.

Enfim. Suponho que vi alguns dos principais nomeados. Vamos lá assistir à cerimónia pela noite dentro. Ver cinema, ouvir falar de cinema, aplaudir os nomeados, ouvir as canções, temas de filmes - e há temas lindos! - ver os filmes de animação.




Perdeu-se talvez o encantamento ao longo destes últimos meses, mas mesmo assim, espero encantar-me. Cinema é sempre magia.

E voltar a ver o trabalho de Jimmy KimmelAlgo de inesperado na sua apresentação? Talvez.

Miosótis (pseudónimo)

04.03.2018
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