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Saturday, February 14, 2026

Do amor

 


 Cupid's Message
Norman Rockwell
The Saturday Evening Post. ©1924 


Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,


puxaste-me para os teus olhos


transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,


ainda apanhámos o crepúsculo.


As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar


diferente inundava a cidade. Sentei-me


nos degraus do cais, em silêncio.


Lembro-me do som dos teus passos,


uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,


e a tua figura luminosa atravessando a praça


até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,


o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,


continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha


essa doente sensação que


me deixaste como amada


recordação.



Nuno Júdice,
Amor 

via Portal da Literatura


Miosótis (pseudónimo)


fragmentosdodiadoamorcomflores

14.02.2026

Copyright ©2026-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Sunday, September 01, 2024

Chegou Setembro ? Tão cedo !

 




When the winds of change blow... 


As asas da mudança sopram serenamente, Talvez mais serenamente do que as asas de Agosto. Ventosas em extremo.


Mas é verdade que Setembro já sopra melancolia. E eu deixo-me levar sem lutar contra essa melancolia que me arrasta inflexivemente para outras asas mais penosas. Inverno.


Só consigo pensar que o Inverno aí vem. Triste, escuro, e frio. Não gosto do Inverno.


Procuro todos os pedacinhos de luz que vão sendo mais escassos. A noite cai com muita pressa. 


Neste final de tarde que traz aromas outonais,  o sol ainda tenta resistir - depois de uma manhã cinzentona - mas já vai desmaiando em reflexos prateados sem cor definida. Neutra. Sem aquelas tonalidades esfuziantes.


Quieta, medito sem meditar.


E reescrevo os versos do meu poeta... deixou-nos este ano. No silêncio.


Em Setembro a contrução do ser torna-se mais fácil:
o outono, com a sua melancolia, empresta um estranho
perfume de terra ao espiríto.

excerto de "A contrução do ser"

Nuno Júdice, 
Cartografia de Emoções, 

Publicações Dom Quixote, Lisboa 2001, 1ª edição


Miosótis (pseudónimo)

01.09.2024
Copyright ©2024-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®



Sunday, March 17, 2024

Morreu o meu Poeta !



via Google Images Archive



O meu poeta morreu. O meu poeta de uma linguagem lírica intimista e de profunda introspecção que saboreava em cada poema seu. Se percorrerem este blog, a maior parte da poesia que talvez encontrem, é de Nuno Júdice.


Nuno Júdice. A sua poética transborda de aromas escritos feita de sentimentos que tantas vezes nos percorrem lá no fundo da alma. Não transparecem assim tanto nas nossas palavras, mas o olhar deixa-os fugir, por vezes.  


O meu poeta partiu sem pré-aviso, deixando-me quase orfã dos seus versos poético-melancólicos, reflexões meditativas, algo românticas, feitas de sobriedade e lirismo.





Cartografia de Emoções

Nuno Júdice

Publicações Dom Quixote, 2001


Cartografia de Emoções foi desde sempre o meu livro de cabeceira, juntamente com o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. 

Leio, releio, salto versos, busco o que no momento me pede o coração...


E hoje, só me apraz reescrever...


Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.(...)


Nuno Júdice, Princípios 


Miosótis (pseudónimo)


17.03.2024

Copyright ©2024-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


Tuesday, May 07, 2013

Poesia na paisagem





«Não há-de voltar o verão em que ouvi
cair os ramos naquele bosque de fetos
e eucaliptos; nem o pássaro que por
um instante apagou o sol voltará a
cantar antes de se perder no horizonte. (...)


Nuno Júdice, Nós*


Poderia colar-me a estes versos de Nuno Júdice. O verão não pensa mesmo em voltar, este ano.

O sol raramente brilha, o céu cobre-se de cinza-pardo, quão difícil tem sido à luminosidade furar a intensa bruma, as folhas das árvores nem se espreguiçam para melhor mostrar seu verde-água-fresco e de longe a longe, um ou outro pássaro teima em chilrear nas madrugadas bem frias.

Meu pássaro-cantador, anunciador da Primavera, não voltou. Com mágoa minha. Ele me traz poesia.


O tempo!  Talvez que o poema nos faça entender com a alma o tempo! Mas temos quase sempre pressa em fruir melhores dias, instantes mais doces, aromas frequentes, sons de alegria. Como o do meu pássaro-cantador. 

Mudam-se os tempos, é verdade,

mas não mudamos quando o tempo
corre por entre nós com a sua lenta
música, e num abraço o perdemos
para que o tempo corra sem tempo.(...)

Nuno Júdice, Nós*




Tordo-músico

Não! Meu pássaro-cantador não voltou. Seria um tordo-músico? Mas que encantador! Saber que existem tordos-músicos! Desconhecia.

E mesmo nos poucos dias que se fizeram luminosos, cheios de sol e azul, o tordo-músico não voltou. Fez bem! Pressentiu que a Primavera não passaria por aqui, este ano.

Em seu lugar, ao final da tarde, quando o tempo se faz aprazível, os melros-pretos espalham-se pelos espaços verdes que me rodeiam, saltitando nos relvados em busca de algum alimento. Não lembrava tantos melros-pretos na cidade. Paravam mais pelos campos.

Gosto de os ver! Diz-se que anunciam que o tempo quente vai chegar. Não tem sido o caso, mas fruo desses instantes e olho-os com afecto. Porque aguardo que o verão se adentre, mesmo tendo desviado a primavera.

(...)
Assim, os nós que o tempo desata
com os seus dedos são os nós que
nos prendem, e com os dedos do verão
os fazemos atar-nos mais ainda,
soltos nós que nesse nó nos solta a voz.


Nuno Júdice, Nós (excertos)

in Fórmulas de uma luz inexplicável, Dom Quixote 2012


Foi este tempo contemplativo verbalizado em palavras escritas, um tributo a Nuno Júdice. Um  dos poetas portugueses que cito com muita frequência neste espaço. 



Nuno Júdice | O Estado dos Campos
Dom Quixote, 2003

Nuno Júdice foi recentemente galardoado pelo conjunto da sua obra com o "Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana", um dos mais apetecidos galardões das Letras.

"Vai dar projecção à minha obra, mas mais importante que isso, mostra que a poesia portuguesa continua a ter um papel importante neste contexto [ibero-americano]",

Nuno Júdice, Lusa


Mas o poeta tem já livros traduzidos em  Itália, Inglaterra e França. E a obra de Nuno Júdice já foi distinguida com vários prémios. Um deles, ser finalista do Prémio Europeu de Literatura (1994).

Muito mérito, o deste poeta! E tanta poesia.

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde com flores

09.06.2013
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Saturday, December 24, 2011

Tempo de introspecção




Lady Justice

Raphael



Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore

cujas raízes nascem da infância - e é natural, e

nunca mais chega a meia-noite

dessa noite sem fim. Rezo pelas

mais obscuras incertezas, pelas almas que

hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que

esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja,

na única noite em que têm onde se sentar. Aprendi

com eles o destino dos passos humanos, a ausência

de deus nos caminhos do mundo, o silêncio

do céu nas noites sem lua. (...)



Nuno Júdice, Natal

in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001, 1ª edição



Impossível esquecer todos aqueles que este ano estarão ainda mais carenciados! É só olhar o que se passa à nossa volta... 


Quero crer que o mundo se transformará lentamente. E que os  valores voltarão ao coração dos Homens e das Mulheres de boa  vontade!


Fraterno Natal!

Bom Ano 2012!


Miosótis (pseudónimo)

24.12.2011
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Saturday, October 15, 2011

Noite na paisagem ! E Outono entrou !






credits; Nick UT / AP 2010
via Yahoo.com/photos
 


Penso no inverno a estação que ocupa
o centro do espírito. Nas árvores mais altas
que o outono despiu.
(...)
 
Nuno Júdice, Outono
 
 
Poderia ser o poema que descreveria o Outono! Essa estação em que as sensações de finito se abeiram de nós e se entranham, mesmo que as queiramos distanciar. 

Mas não ! O Outono transmutou-se em estio quente, noites tentadoras, roupas frescas, cores claras, cabelos que se soltam por entre os dedos, como que desfolhando doces paisagens.

No entanto, não podemos fingir que ele, o Outono não chegou. Sente-se no aroma das brisas, nas tonalidades fragmentadas de sensações quentes, na luz quase efémera que se espraia sobre o mar, no canto dos pássaros que resiste alegre ainda. 

Os pássaros batem as asas, airosos, contra os ramos de onde pendem ainda folhas e alguns frutos confusos.

Vejo a luz do sol escorrer pelos dias cálidos, adiando um pouco mais aquela tristeza que o Outono traz.

Um após um, vou fruindo dos dias. Outra após outra, as noites deixam-no para trás.

Uma brisa suave atravessa esta mesa de trabalho, pejada de livros, papéis, e alguns sonhos poisados por entre livros nas estantes que a rodeiam. E fujo ao sono.

O silêncio há muito desceu sobre a cidade. A hora exala tranquilidade. Da minha janela, nas imagens que atravessam o tempo, eu deixo o pensamento transportar-me para o novo dia de sol que se vai desenhando. 

As árvores, sem chuva, anunciam-me que posso adiar, por mais algum tempo, a angústia do Outono. Quanto tempo mais ?

*texto inédito intransmissível


Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores 

15.10.2011
actualizado 21.09.2024
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Wednesday, July 15, 2009

Nada há sem poesia!



Summer | Sergey Alexey (1925)


És homem ou mulher?
[...] É
a rosa nem branca nem vermelha, a rosa pálida,
vestida com a substância da terra:
a que toma a cor dos olhos de quem a fixa, por
acaso, e ela agarra, como se tivesse
mãos abstractas por dentro das suas folhas. [...]

Nuno Júdice, Arte Poética


Descreve-te:
Apenas
uma coisa inteiramente transparente:
o céu, e por baixo dele a linha obscura do horizonte
nos teus olhos, que pude ver ainda
através de pálpebras semicerradas, pestanas húmidas
da geada matinal, uma névoa de palavras murmuradas [...]
Nuno Júdice, Um Rosto


O que as pessoas acham de ti:

Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida.
[...]

Nuno Júdice, Nunca são as coisas mais simples

Como descreves teu último relacionamento?

[...]
O perfil cinzento da montanha,
para norte, e a linha azul do mar, a sul,
dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
som apaga a ilusão de um rosto.

Nuno Júdice, Elegia

Descreve o momento actual de tua relação:

[...]
Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
Nuno Júdice, Princípios

Onde querias estar agora?

[...]
Vê de longe
a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Nuno Júdice, Segue teu Destino


O que pensas a respeito do amor?

Lábios
que encontram outros lábios
num meio de caminho, como peregrinos
interrompendo a devoção,
[...]
que silêncio os entontece quando
de súbito se tocam e, cegos ainda,
procuram a saída que o olhar esquece
num murmúrio de vagos segredos? [...]

Nuno Júdice, Soneto

O que é a tua vida:

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
[...]
Nuno Júdice, Segue o teu Destino

O que pedirias se pudesses ter só um desejo?

Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável?[...]
Então, por que esperas para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano?
[...]
Nuno Júdice, Carpe Diem


Em jeito de glosa: Em tempos, aArtmus pediu-me que aceitasse este desafio! Um 'meme'!
Nuno Júdice é um dos 'meus' poetas e portanto não foi difícil partir para a escolha de excertos que se pudessem enquadrar nos itens 'pré-definidos'!
Gostaria que lessem este 'meme' apenas como um exercício poético, nada mais! 

Espero que ele seja do agrado de 'Mateso'
E sabendo quanto aprecia a música erudita, aqui deixo o acompanhamento que sinto apropriado a este exercício de vida. Poesia em tonalidades dedilhadas ao piano.


A Mateso, agradeço sensibilizada a sua fidelidade a 'fragmentos da noite com flores'!

Miosótis (pseudónimo)

 
15.07.2009

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Referência:


* Nuno Júdice, obra, Dom Quixote Editores

Wednesday, April 08, 2009

Meditando sobre Aquila





Terramoto Aquila (Itália)
 Filippo Monteforte | AFP|Getty Images 2009




AP PhotoAlessandra Tarantino 2009


http://www.boston.com/bigpicture/




REUTERS | Chris Helgren 2009




Até é possível que eu tenha razão,
meu deus, e que tu existas apesar
de tudo. é possível que estejas no
fundo dos bancos de areia, onde
os rios se perdem; ou nesse vago
canavial que repete o teu nome,
que ninguém consegue ouvir. (...)

Nuno Júdice, , Cartografia de Emoções, 
Publicações Dom Quixote, 2001

 
Miosótis (pseudónimo)

(em sinal de mágoa por Aquila e seus habitantes, numa Páscoa tão desigual)

08.04.2009
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Friday, August 29, 2008

em Agosto... uma mulher !





Helena Abreu (aguarela)


Mas que queremos da vida? É a vida? O


que se procura em cada segundo para se perder

em cada segundo? O tempo, assim, de nada
nos serve. Um dia, dando por nós próprios,

perguntamo-nos o que fizemos, por onde

andámos, que cidades e casas percorremos,

sem que uma resposta nos satisfaça. A

vida, então, limita-se a ser o que fez

de nós, sem que o tenhamos desejado, e

nada pode ser feito para voltar atrás, nem

para restituir os passos trocados de

direcção, as frases evitadas no último

extremo, o olhar que se desviu quandonão devia. Ah, sim - e o amor? É isso

que queremos da vida? É verdade...


Nuno Júdice
, Filosofia, 2001




Cueillons les douceurs, nous n'avons à nous que le temps de notre vie.

proverbe perse



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos em dia chuvoso que me rouba o sorriso. Olhar longínquo, um singelo ramo de rosas poisado graciosamente, a prece elevada para que mil résteas de luar possam guiar meu ser. Ouvindo Keith Jarrett

30.08.2008

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Saturday, January 19, 2008

Olhares em dias soltos



Red


Fotografia: Ximou (2007) 




(...)
O que é diferente, numa alma ou numa árvore, são os pássaros:
tanto esses pardais que
o outono leva, e  
o calor volta a trazer, como aves abstractas que cantam, por vezes, 
por dentro da alma, no verão como no inverno (...)
 
Nuno Júdice, Migrações, Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da tarde em olhares divagantes, Ben Harper, Morning Yearning

19.01.2008



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Saturday, October 27, 2007

Litanias de Outono





fotografia: Seth Wening/AP 2007
http://news.yahoo.com/photos

"O vento anda por aí, sobre as águas e entre os intertícios. E há ainda árvores, arbustos, flores, folhas ou troncos caídos. O dia e a noite confundem-se, por vezes, nalgumas das suas clareiras."

Nuno Júdice, Passeio, Cartografia de Emoções, 
Publicações Dom Quixote, 2001



fotografia: Winfried Rothermel/AP 2007
http://news.yahoo.com/photos

Ocre, castanho-canela, verde-terno ou amarelo-açafrão assim se adentra este Outono, vestido de exuberantes tonalidades. O sol poisa-se suavemente nas folhas recortadas e livres da paisagem.

A neblina descerra seus véus em transparências divagantes enquanto uma leve melopeia sopra nos espaços feitos de murmúrios suaves.

Meu olhar percorre esses jardins e veredas em ternos melancólicos aconchegos! Aspiro profundamente a brisa dos afectos aromatizados, envolvidos no ar silencioso que me cruza intensamente. E sinto-me só!

Miosótis (pseudónimo)


28.10.2007

divagado numa noite de lua cheia outonal e fria na paisagem urbano-campestre ao som de Autumn leaves, Eva Cassidy

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