Saturday, December 24, 2011

Tempo de introspecção




Lady Justice

Raphael



Deito-me à sombra da árvore sem sombra - a árvore

cujas raízes nascem da infância - e é natural, e

nunca mais chega a meia-noite

dessa noite sem fim. Rezo pelas

mais obscuras incertezas, pelas almas que

hesitam nas encruzilhadas, pelos vagabundos que

esperam a meia-noite para se sentarem à porta da igreja,

na única noite em que têm onde se sentar. Aprendi

com eles o destino dos passos humanos, a ausência

de deus nos caminhos do mundo, o silêncio

do céu nas noites sem lua. (...)



Nuno Júdice, Natal

in Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001, 1ª edição



Impossível esquecer todos aqueles que este ano estarão ainda mais carenciados! É só olhar o que se passa à nossa volta... 


Quero crer que o mundo se transformará lentamente. E que os  valores voltarão ao coração dos Homens e das Mulheres de boa  vontade!


Fraterno Natal!

Bom Ano 2012!


Miosótis (pseudónimo)

24.12.2011
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Saturday, December 17, 2011

Um tempo sem tempo




Magnolia


Eu sei! O ano tem sido difícil. Precisamos de tempo mas o tempo cerca-nos. Tudo é digno de menção ou de memória. 

Seis anos! Não é muito! Mas tanto partilhei com os que passam por este espaço onde com alma, aquele sopro que nos diferencia, me exprimo! 


Com alegria com dor, com esperança, com amor, com solidão, que tanto... parece uma vida!

Longos momentos que me poisei sobre esta janela virtual! Que ri, chorei, sorri, clamei!

Fui brava! Fui doce! Fui Eu! Sou Eu! 
Sempre inteira!


Partilho da ingenuidade na crença de que a verdade e o amor são o pilar de relações autênticas entre as pessoas, mesmo na imperfeição dos instantes.

O tempo não traz de volta o que o tempo leva, mas o mundo que nos cerca, conturbado por vezes, continua a ser um mundo maravilhoso, se olharmos a Natureza que nos cerca.






"Só a Beleza Salvará o Mundo!"
Dostoievski

Miosótis (pseudónimo)

17.12.2011
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Monday, December 05, 2011

Audrey Hepburn: tributo





Bob Willoughby | Audrey Hepburn

Photographs 1953-1966

 
 
Há cinquenta anos, Breakfast at Tiffany’s passou pelos cinemas. O ícónico filme, baseado num romance de Truman Capote com o mesmo nome, veio a tornar-se um dos filmes mais acarinhados no género da comédia romântica. 

A personagem principal Holly Golightly ficou considerada como a melhor interpretação de Edda van Heemstra Hepburn-Ruston, de origem belga, mais conhecida como Audrey Hepburn.




Ao longo da sua carreira, ninguém conseguiu captar, com melhor eloquência visual, a personalidade, o carisma, o enigma de Hepburn do que o  fotógrafo Bob Willoughby. O fotógrafo conheceu a jovem Hepburn pouco depois de ela ter chegado a Hollywood em 1953 e, hipnotizado pela sua extraordinária personalidade, continuou a fotografá-la durante uma década. 

Ao longo dos anos, Willoughby tornou-se um amigo de confiança da actriz,  ajudando-a a afirmar a sua imagem pessoal e profissionalmente.

Da conceituada editora Taschen chega um livro extraordinário de rara estética - imagem de marca da editora - Bob Willoughby: Audrey Hepburn: Photographs 1953-1966, numa edição de coleccionador que certamente terá um preço elevado. Ainda assim, o trabalho de Willoughby é tão poético e encantado que é difícil não ceder.
 
Claro que não penso adquirir! Apesar de adorar livros e de apreciar a estética dos mesmos.
 
Mas fico-me pelo prazer de folhear algumas páginas digitais que se encontram disponíveis no sítio web da Taschen.

 


 
De Audrey Hepburn lembro os clássicos Breakfast at Tiffany’s ou My Fair Lady  que revia na televisão, uns anos mais tarde.
 
 
Encantadora, não era mesmo? E esta imagem deliciosa!
 
 
Mas, a última imagem que me ficou desta lindíssima actriz, foi a de Embaixatriz da UNICEF, dedicando muito do seu tempo a um trabalho humanitário intenso. 

Visitava comunidades pobres pelo mundo, dedicando-se às crianças carenciadas em África, América do Sul e Ásia, nos anos 80-90. Num tempo em que poucos famosos se atreviam a pisar.

A sua morte (doença cancerígena) causou grande consternação em 1993.
 




Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores
 
05.12.2011
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Friday, November 25, 2011

Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres e Crianças








Foto: MSC

Este ano a campanha aborda também a violência doméstica contra as crianças. 


Na água clara parada
imagem clara das flores
com a morte no pé. 

Katsura Nobuko

Haiku, O Japão no Feminino, Séculos XVII a XX


Miosótis (pseudónimo)

25.11.2011
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Saturday, November 19, 2011

Livros versus e-books




Bibliotecas | Benvindo de Carvalho 
Litografia 2011



O que de sonho jaz nas encadernações vetustas,
Nas assinaturas complicadas (ou tão simples e esguias) dos velhos livros. 
(...)
Tudo quanto sugere, ou exprime o que não exprime, 
Tudo o que diz o que não diz, 
E a alma sonha, diferente e distraída. 


Álvaro de Campos, Esplendor, 2ª e 4ª estrofes
in Poemas


A discussão em debates, artigos de opinião, e outros, em volta de livros e e-books, e o lugar da Literatura, continua muito presente.

Eu que não sou contra os e-books, considero que os livros jamais serão substituídos! Essencialmente, para todos aqueles que amam a Literatura!


Miosótis (pseudónimo)

19.11.2011
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Friday, November 04, 2011

Ah! O Inverno




Sri Lanka| Fotografia Gonçalo Figueiredo

Novembro em mim. Percurso de meditação e prática que apenas se finda quando os primeiros dias de Janeiro se vislumbram.

É um momento de interioridade profunda que percorro nesta passagem como descrevendo uma ponte entre as margens da alma.

O aroma das flores torna-se mais intenso de tristeza aspergidas, e o caminho do final de tarde fica mais longo, mais sombrio, as 'vozes' ecoam cá dentro  em serenos diálogos.  Oiço o cântico dos afectos, esses são perenes. E os
 rostos e gestos infinitos. 


Fairytale sunshine | Fotografia: Devian Art


Respiro a inquietação do final do dia, invento o sol lá longe na imaginária distância. 

Sofro a nudez das árvores, e desenho as linhas das gotas da chuva. Esqueço o som que vem de fora. O cantar dos pássaros dilui-se na névoa do entardecer.

Ah! O Inverno na paisagem!


Miosótis (pseudónimo)

04.11.2011
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Saturday, October 15, 2011

Noite na paisagem




Nick UT | AP 2010
 

Penso no inverno a estação que ocupa
o centro do espírito. Nas árvores mais altas
que o outono despiu.
(...)
 
Nuno Júdice, Outono
 
 
Poderia ser o poema que descreveria o outono! Essa estação em que as sensações de finito se abeiram de nós e se entranham, mesmo que as queiramos distanciar. 

Mas não ! O outono transmutou-se em estio quente, noites tentadoras, roupas frescas, cores claras, cabelos que se soltam por entre os dedos, como que desfolhando doces paisagens.

Mas não podemos fingir que ele, o outono não está aí. Sente-se no aroma das brisas, nos tonalidades fragmentadas de sensações quentes, na luz quase efémera que se espraia sobre o mar, no canto dos pássaros que resiste alegre ainda. 

Os pássaros batem as asas, airosos, contra os ramos de onde pendem ainda as folhas e alguns frutos confusos.

Vejo a luz do sol escorrer pelos dias cálidos, adiando um pouco mais aquela tristeza que o outono traz.

Um após um, vou fruindo dos dias. Outra após outra, as noites deixam-no para trás.

Uma brisa suave atravessa esta mesa de trabalho, pejada de livros, papéis, e alguns sonhos poisados por entre livros nas estantes que a rodeiam. E fujo ao sono.

O silêncio há muito desceu sobre a cidade. A hora exala tranquilidade. Da minha janela, nas imagens que atravessam o tempo, eu deixo o pensamento transportar-me para o novo dia de sol que se vai desenhando. 

As árvores, sem chuva , anunciam-me que posso adiar, por mais algum tempo, a angústia do outono.

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores 

15.10.2011
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Wednesday, September 21, 2011

Paz por um Dia





Hoje, dia 21 Setembro celebra-se a 'Paz por um Dia', Peace One Day em todo o mundo. Esta iniciativa teve origem em 1999, pelo inglês Jeremy Gilley, actor e cineasta documental.

A ideia é promover um dia por ano, sem conflitos, sem guerra ou qualquer outro tipo de violência.

A terceira terça-feira de Setembro foi consagrada pelas Nações Unidas como o Dia Internacional de Paz em 1981. Mas, perante o sucesso da iniciativa de Jeremy Gilley em 7 Setembro 2001, as Nações Unidas decidiram declarar então o dia 21 Setembro como o Dia Internacional da Paz, pedindo a cessação de qualquer acto de violência durante um dia.



Fundador: Peace One Day Jeremy Gilley
 Fotografia: Simone Joyner | Getty Images


Um dia de não violência nas escolas, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades locais, e a cessação de guerras e conflitos. 

Os meios de comunicação social mundiais associam-se a esta iniciativa, dando assim mais força a esta ideia, não publicando notícias sobre violência.


Jude Law | embaixador Peace One Day

O embaixador de Peace One Day é o conhecido actor inglês Jude Law.

Uma série de actividades estão disponíveis aqui

Impossível seria não participar no Paz por Um Dia! A palavra pela defesa de um ideal pacifista, num mundo que está cada vez mais violento.





"Pensemos en toda la tierra,
golpeando con amor en la mesa.
No quiero que vuelva la sangre
a empapar el pan, los frijoles,
la música: quiero que venga
conmigo el minero, la niña,
el abogado, el marinero,
el fabricante de muñecas,

(...)

Yo vine aquí para cantar
y para que cantes conmigo."

Pablo Neruda, Paz para los Crepúsculos Que Vienen (excerto)

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos do dia com flores

21.09.2011
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Sunday, September 11, 2011

Memorial





Reuters



Memorial | Getty Images




Falareis de nós como de um sonho. 
Crepúsculo dourado. Frases calmas. 
Gestos vagarosos. Música suave. 
Pensamento arguto. Subtis sorrisos. 
Paisagens deslizando na distância. 
Éramos livres. Falávamos, sabíamos, 
e amávamos serena e docemente.(...)

Jorge de Sena, Ode ao Futuro



Miosótis (pseudónimo)

11.09.2011

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Saturday, August 13, 2011

Em noites de verão





Felicidade feita dos momentos, esses 'instantâneos' que a vida nos oferece como quem poisa em nós pedaços de ternura!

Silêncios, momentâneos, são bons, logo que saibamos partir de novo, sempre que sintamos que se podem tornar infinitos...

Afectos, pequenos bagos que vamos saboreando devagar para que perdurem.

Num 'tempo' de viagens há papéis e memórias! Efémeros somos, sim. E vamos ao reencontro de outros 'viveres'...




Tu entendes!

O amor eterniza, a alma avança. Pelo caminho, vamos aspirando a beleza do que alcançamos...


Seis anos se passaram desde que poisei as primeiras palavras, timidamente, neste espaço, em jeito de fragmentos ténues, quase esquivos.


Nas noites cálidas, gostava de me sentar aqui. O silêncio instalava-se na casa. Eu debruçava-me sobre o teclado  e, numa descuidada harmonia, deixava escorrer por entre os dedos fragmentos de curtos instantes, sob uma lua brilhante, cúmplice, como a de hoje.

O vento esta noite respira e sopra pela janela entreaberta. Lembra-me que não sou a única acordada. 

Ao longo destes últimos dois anos, essencialmente, tenho-me questionado com frequência, se devo continuar.

Por vezes, sinto que cheguei ao fim de uma passagem, mas outros momentos há que sinto vontade de continuar a vir refugiar-me neste secreto abrigo onde as harmonias, contradições, afectos se envolvem nas palavras cúmplices.

E continuo...

Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite com flores
13.08.2011

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Sunday, July 24, 2011

Amy Winehouse, um tributo




Amy Winehouse
foto: autor não identificado
https://encrypted-tbn1.gstatic.com/




Amy Winehouse
foto: autor não identificado
Não vou escrever mais sobre Amy. Já aqui o fiz em Amy Winehouse e nesse mesmo ano em Amy Winehouse, a Voz. Todos sabem como admiro o seu enorme talento!





Sic | Notícias | Cultura
Foto: Autor não identificado

Um singelo tributo. Amy é uma das vozes que mais aprecio e que tantas vezes me acompanha.

Uma voz soul imensa, linda, num ser tão frágil.

R.I.P. Amy!

(...)
I'm real.
I'm human
But I'm not an ordinary man
No No No.


Jim Morrison

Miosótis (pseudónimo)

24.07.2011
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Thursday, July 14, 2011

A essência da paisagem



Vivia numa casa grande. Quatro andares mais um andar assotado. A casa dava para um parque ladeado de seculares tílias. No Inverno, o barulho que faziam nas noites de temporal, assustava-me. Mas, mal chegava a Primavera, cobriam-se de verde. E no Verão eram sombras acolhedoras! 

Escolhi o sótão como quarto, lá no topo, para não incomodar a família, nas longas horas de estudo de piano. Por sinal, o meu sótão era bem luminoso!

Todas as tardes, depois de regressar do colégio, subia para o quarto. Fechava a porta - só possível enquanto não chegava o calor - e sentava-me ao piano. Começava com o aquecimento: escalas, exercícios. Entrava então na repetição de compassos, passagens difíceis, criteriosamente assinaladas pela minha professora de piano. E só depois passava à execução integral de uma peça ou outra. A que me desse mais prazer.

Em final de tardes amenas, cansada, escapulia-me para o telhado, através da janela rasgada que abria de par em par, e lá ficava olhando os fios das nuvens, trauteando em silêncio as partituras deixadas. 

Seguiam-se momentos de imaginação afoita diante de tanta imensidão. Estava tudo tão perto! Era dona de um espaço só meu, inexplorado, e deixava correr o pensamento ao sabor do infinito na transcendência do real. Pura adolescência! 

Uns anos mais tarde, a casa foi vendida, e impiedosamente demolida. No trajecto que fazia para a faculdade, o autocarro passava mesmo ao lado da casa. E o meu olhar quedava-se no desmoronar do telhado, da janela, daquele quarto assotado. A tristeza caiu-me na alma.

Esta foto, via-a no espaço de um amigo que cultiva a fotografia. Eis então o que define este sentimento intimista! Um intervalo do tempo. O meu quarto assotado não teve tempo de envelhecer.

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores, texto original 2011©

14.07.2011
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Saturday, June 04, 2011

Os Poetas








Sob poema de Mário Cesariny (voz do autor) Rodrigo Leão musicou. Faz parte de um trabalhado intitulado "Os Poetas: Entre nós as palavras".

E fiquei-me suspensa na tranquilidade das imagens que se vão percorrendo. Mote para descrever alguns estados de alma que me têm absorvido a voz.

Entre nós e as palavras existe um espanto feito de silêncios. Como quem ora na ausência das sonoridades! Apenas a contemplação.

Mas o que torna precioso é sensação que as palavras se perdem, tal como a voz do poeta se desvanece na acalmia das imagens.

'Queria de ti um país de bondade e ternura'... verso que nos dá a inteira dimensão da alma.

E com o olhar na mais bela distância possível que a música nos convoca. E as palavras, no que ao corpo e ao desejo diz respeito, reforçam a elegia! O silêncio. 

Miosótis (pseudónimo)

04.06.2011

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