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Sunday, November 05, 2017

Olá Novembro ! Já ?






Autumn
créditos: Julian Stratenschulte


Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mario Quintana
via Pensador

Já chegamos a Novembro? Como assim? Ainda mal se sente o Outono. Estação muito bela, quando não chove, com seu tons ocre e amarelos. Mas, não é a minha estação favorita. Traz-me demasiado melancolia. 

A chuva é precisa. Eu sei. Mas confesso. Adoro este sol que me faz saltar da cama, em dia de domingo e me deixa, logo pela manhã, colher a luminosidade de um céu azul, dificilmente manchado de nuvens.

Adoro o mar de Outono. Doce, deixando passsar tranquilidade. Apazigua-me, num mês sempre doloroso. Novembro.

Um tempo assim, limpa alma. Deixa-me respirar. Profundamente.

E, no entanto, as noites já pedem, por vezes, uma manta no sofá. E o aroma de hortelã que se solta da chávena de chá de gengibre, fumegante, que saboreio devagar enquanto espreito as novidades culturais ou mindfulness (não encontro expressão adequada em português) nas notícias ou redes sociais.

Enquanto aguardo que o Outono chegue, apesar de já se sentir nas manhãs frescas e nas noites frias, vou fruindo dos dias, agora mais curtos devido à mudança da hora - malfadada! - apreciando as noites de solstício, olhando da pela janela a lua cheia destas últimas noites. 

Leio, passeio, medito. E, por vezes, vou ao cinema ou a um concerto.

Miosótis (pseudónimo)

05.11.2017
Copyright ©2017-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Sunday, August 28, 2016

O Meu Lugar





Ilha Formosa, Algarve
créditos: John Gallo

Rodear-me da serenidade que a natureza emana, faz-me renascer. Todas as preocupações e desassossegos se desvanecem. Ficam bem distantes. E regresso à minha simplicidade interior.

O meu lugar preferido? A praia. Claramente. Já o escrevi tantas vezes! Praia, mar, muito mar. Sem ventos desnorteados. Praia bem serena. Mar tranquilo. Sim, mas que me permita ouvir o marulhar da água adentrando-se pelo areal. E sol, sol quente.

Assim, sim. O verdadeiro significado de estados, sentimentos de paz. Liberdade, tranquilidade, felicidade, gratidão. 

Mostra-me, a magia, a benção que é a vida. Pega-se à pele, à alma. O perfeito mergulhar do sol no mar, no nosso corpo, vai trazendo o relaxamento aos sentidos, ao pensamento. 

E deixo-me ficar. Quieta. 

Na magia de um lugar-paraíso, olho em volta respirando cada lufada marítima, aquele cheiro a maresia quando há mais algas no areal.

De vez em quando cerrro os olhos, para que a imagem da imensidão permaneça no meu subconsciente. Perdidos, divagando sobre praias longínquas, seres distantes, lugares magníficos. Flui a imaginação do amor, da esperança, da certeza de poder ver o mundo.

O horizonte é feito de promessas.

No entanto, do que sinto, por agora, posso afirmar que ali na praia, sou mais eu. A minha essência se reencontra.

Na praia permaneço, em busca da serenidade que só lá aflora e se transforma.

É na praia, de frente para o mar que me inspiro. Leio, não oiço música, ou melhor oiço a melodia da água do mar. As gaivotas que sobrevoam ou os pequenos pássaros que começam a aparecer com mais abundância. Isto se tudo à volta for silêncio. Não sou contra a presença de outros. Mas como seria bom se respeitassem que ali vimos buscar serenidade e fruir dos sons da natureza.

É ali, num cantinho do Atlântico que melhor sinto a vida. 

É ali que corro sem destino, apesar de quieta. Que escrevo pinceladas de pensamentos que acorrem. Livres, soltos. 

Quando uma aragem mais fria reaparece, com a proximidade do pôr-do-sol,  e a chegada da lua, reúno as poucas coisas que tenho comigo, e preparo-me para voltar.

Antes de abandonar a praia, olho longamente o mar e agradeço a vida. Sinto-me  abençoada de fruir da natureza. Porque pouco, é tão tudo

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
28.08.2016
Copyright ©2016-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Sunday, January 19, 2014

Paisagens de Inverno






Pitões das Júnias | Montalegre 
créditos: António Cunha





Serra | Montalegre 
créditos: António Cunha





Serra | Montalegre 
Foto: António Cunha


"depois do Outono, o inverno por que eu esperava;
a neve crepuscular em que vivemos há alguns dias tornou-se o fundo da minha incerteza por eu não saber o que cabe (...) em mim; "

Maria Gabriela LLansol, Contos do mal errante

Não, desta vez o inverno não entrou de repente. Há muito se instalou. O branco tem pintado as paisagens mais altas, espalhando em silêncio este branco-anilado, recortando a paisagem local. 

O azul nem sempre se abre. Permanece muito mais embrulhando nas nuvens plúmbeas. 

Eu olho, sob o impulso de viver. E quando os ventos frescos sopram, névoas invadem a minha nostalgia das noite quentes.

Sinto os aromas do frio agressivo que não tem poupado a cidade. Não neva. Mas faz frio. Desaconchegante.

O ar gélido pairou o dia inteiro e desceu pela noite. Tanto frio. As luzes ilumninaram-se, cobrindo a armosfera que se exibe lá fora. Sei que o frio não fundirá o gelo.

E se vos disser que o pássaro sem primavera teima em chilrear pela madrugada, quando a chuva não o fustiga com braveza? Bem pela madrugada. 

Ilusão? Não! Posso garantir que ele vem, algumas noites, mal se adentrou Janeiro.


"Já estou calma. Não menos triste; 
tentar dizer o que uma coisa é, é viver;"

Maria Gabriela LLansol, contos do mal errante,
edições rolim, 1986

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

19.01.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Monday, December 03, 2012

De repente o inverno





Serra da Estrela | Portugal

Fotografia: Nuno Pimenta



Serra da Estrela | Portugal
Fotografia: Nuno Pimenta





Serra da Estrela | Portugal

Fotografia: Nuno Pimenta


Nada me pertence -
só a paz interior
e a frescura do ar

Kobayashi Issa, Verão*


De repente foi inverno. O branco espalhou-se, silencioso, recortando o azul do infinito, embrulhando as nuvens.

Poiso o livro na mesa abstracta do imaginário, enquanto o olhar se afunda nas imagens. 

Abro a caixa da infância. As folhas soltam-se do livro e os aromas das noites de Dezembro, próximas do Natal, pairam na sala. Oiço a música que traz o sinal do tempo dos afectos. Ando à volta deles. Sacudo os cabelos, como quem espanta os pensamentos.

Paro. Na cidade, o ar húmido percorre a noite no instante do recolhimento. Está frio. Ninguém nas ruas. Os pássaros calaram-se. Silêncio. As luzes estão mais brilhantes, a lua que ainda ontem se exibia tão luminosa, recortada na paisagem,  permaneceu hoje recatada.

Volto então a pegar no livro e avanço até ao presente. No entanto, saberás que pensei em ti.

 
Anda
Vamos ver a neve
até que ela nos tape os olhos.
Matsuo Bashô, Inverno*

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

03.12.2012
Copyright ©2012-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

 Licença Creative Commons

Referências:

*As Cigarras vão morrer, Haiku, uma antologia
Editora Casa do Sul, 2008

Fotografias Nuno Pimenta


Friday, November 16, 2012

Sítios que não sei








Farol do Cabo da Roca
Fotografia: Nuno Trindade

Não! Aquele fio de paixão pela escrita que me levou a criar fragmentos da noite com flores não recomeçou a emaranhar-se nestes dedos inquietos que desafiam o ritmado pensamento!

Mas as mãos que poisaram mansamente, nas tardes quentes de sabores a maresia com brilho azul-céu, tempos esparsos de acalmias, percorrendo as folhas de alguns livros de lugares de interioridades, seguem por vezes, poisando por aqui.

Verdade! Hoje o Inverno baixou mesmo na cidade, adentrando obscuras e pálidas paisagens. 

Foi quando me apeteceu reler o poeta que deixou de escrever há tão pouco tempo...


Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia..."

Manuel António Pina, Coisas que não há que há, O Pássaro na Cabeça,
Quasi Edições, 2006


Miosótis (pseudónimo)

15.11.2012

fragmentos da noite com flores

Copyright ©2012-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Créditos: Fotografia Nuno Trindade | Facebook

Licença Creative Commons

Monday, October 29, 2012

O poisar da noite com aromas




Foto: José Oliveira


Penso no inverno: a estação que ocupa
o centro do espírito. Nas árvores mais altas
que o outono despiu.

Nuno Júdice, Inverno*

Não! Eu sei! O inverno ainda não se adentrou. O outono ainda não despiu completamente as árvores mais altas. As folhas vestem os matizes ocre alaranjado mesclando os castanhos e os amarelos cor de açafrão.

Os dias mantêm-se luminosos, límpidos, numa tranquilidade atravessada pelas aves que continuam a percorrer as nuvens em bandos alegres, volteando de lá para cá, despertando a curiosidade da minha gata e o meu encantamento. 

Deixo-me seduzir por essa alegria à solta. Sigo com olhar sem fim nesse desejo de flutuar na mais imprecisa das emoções.

Coisas simples quando o que está em causa é o poisar do sol que não acontece. De rompante este celebrar da natureza quebra-se.



Foto: José Oliveira

A noite entra já pelos vidros das janelas. Poisa-se o silêncio na casa. A hora de inverno chegou, num manto de treva prematura. 

Esse limite empurra-me o olhar para outros horizontes que vão para além da linha  do firmamento, desaparecido no anoitecer brusco. O outro lado do dia. A noite.

Não que não goste da noite. Gosto sim! Mas é a cidade que morre, a natureza que prepara a longa hibernação. É o outono que cai. E me obriga a recolher.

Dir-me-ão que é o ciclo da natureza que habita também em nós. Pois será. Mas poderia ser de outro modo?

Eis que interrompo este quadro que arrasta a melancolia. Os aromas da erva doce nas castanhas assadas, da canela nas maçãs quentes saídas do forno espalham-se pela casa. 

Os sabores do tempo. 

E para além disso, o quê? A respiração do vento da minha alma.

Miosótis (pseudónimo)

28.10.2012

(glosa sobre poema de Nuno Júdice)

Copyright ©2012-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Licença Creative Commons

Referências:


Créditos: Fotografias de José Oliveira | Facebook

Nuno Júdice, Inverno, Cartografia de Emoções,
Publicações Dom Quixote, 2001

Monday, December 05, 2011

Audrey Hepburn [1923 - 1993] : tributo






Audrey Hepburn

 Paris When It Sizzles, 1963
credits: Bob Willoughby
Audrey Hepburn, lembrada como uma encantadora e excelente actriz, continua a ser um símbolo de elegância interior e exterior para muitos de nós. 


seu último capítulo como embaixadora humanitária da Unicef, está interligado com seu legado de Hollywood.






Audrey Hepburn

Photographs 1953-1966

Bob Willoughby
Há cinquenta anos, Breakfast at Tiffany’s passou pelos cinemas de todo o mundo. O icónico filme, realizado por Blake Edwards, 1961, foi baseado no romance de Truman Capote com o mesmo título.





Breakfast at Tiffany’s
Truman Capote
Random House, 1st edition, 1958
https://ilab.org/

Veio a tornar-se um dos filmes m
ais acarinhados no género. Comédia romântica. Galardoado com vários Oscars.



Breakfast at Tiffany's
Blake Edwards, 1961




Breakfast at Tiffany/ Boneca de Luxo
Blake Edwards, 1961

A personagem principal Holly Golightly ficou considerada como a melhor interpretação de Edda van Heemstra Hepburn-Ruston, de origem belga, mais conhecida como Audrey Hepburn.

Nasceu em 4 Maio 1929, em Ixelles, Bruxelas, Bélgica e morreu a 20 Janeiro 1993, na Suiça.




Audrey Hepburn

Photographs 1953-1966

credits: Bob Willoughby

Ao longo da sua carreira, ninguém conseguiu captar, com melhor eloquência visual, a personalidade, o carisma, o enigma de Hepburn como o fotógrafo Bob Willoughby

Willoughby conheceu a jovem Hepburn pouco depois de ela ter chegado a Hollywood em 1953 e, hipnotizado pela sua extraordinária personalidade, continuou a fotografá-la durante uma década. 

Ao longo dos anos, Willoughby tornou-se um amigo de confiança da actriz, ajudando-a a afirmar a sua imagem pessoal e profissionalmente.





Audrey Hepburn

My Fair Lady, 1964
credits: Bob Willoughby

Da conceituada editora Taschen chega um livro extraordinário de rara beleza estética - imagem de marca da editora - Bob Willoughby: Audrey Hepburn: Photographs 1953-1966, numa edição de coleccionador que certamente terá um preço elevado. Ainda assim, o trabalho de Willoughby é tão poético e encantador que é difícil não ceder.




Audrey Hepburn

Photographs 1953-1966

Bob Willoughby


"Over 10 years, his tender, poised images capture the star from her debut in 1953 to My Fair Ladyshowing her on set, preparing for a scene, interacting with actors and directors, and returning to her private life."

Taschen

Não penso adquirir! Apesar de adorar livros e de apreciar a estética dos mesmos.

Mas fico-me pelo imenso olhar deslumbrado ao folhear algumas páginas digitais que se encontram disponíveis no sítio web da Taschen.








De Audrey Hepburn lembro os clássicos Breakfast at Tiffany’s, My Fair Lady, War and Peace, (baseado na grande obra de literatura de Lev Tolsty), Férias em Roma ou Sabrina que via, e me deliciavam, anos mais tarde, na televisão. Encantadora!




Audrey Hepburn
Oscar Best Actress1954
Férias em Roma/ Roman Holiday
credits: unknown

Encantadora, não era mesmo? E a fotografia é deliciosa!









Mas, as últimas imagens que me ficaram desta lindíssima actriz, foi a de Embaixatriz da UNICEF, dedicando muito do seu tempo a um trabalho humanitário intenso. mesmo já doente.





Audrey Hepburn/Goodwill Ambassador UNICEF

Visitava comunidades pobres pelo mundo, dedicando-se às crianças carenciadas em África, América do Sul e Ásia, nos anos 80-90 como embaixadora da UNICEF. Num tempo em que poucos famosos se atreviam a pisar tais países.

A sua morte (doença cancerígena) causou grande consternação em 1993. Foi no seu regresso de uma viagem a África, em 1962, como embaixadora da UNICEF que lhe foi diagnostocada a doença. Morreu no ano seguinte.Tinha apenas 63 anos.






Eis Audrey Hepburn, pelas suas próprias palavras acerca desta nobre missão. Com introdução de Gregory Peck (que contracenou com a actriz em Férias em Roma), Audrey Hepburn fala do seu amor pelas crianças e do seu trabalho com work UNICEF/ Goodwill Ambassador, incluindo as visitas a Bangladesh, Somalia e Viet Nam.




Google Doodle Audrey Hepburn's 85th Birthday


Google celebrou Audrey Hepburn em 4 Maio 2014, com o Doodle no dia do seu 85º aniversário.

"What is extraordinary about this last chapter of her life is that she truly was a ‘sprite’ – youthful at heart and fun to the core - which is probably why she has successfully communicated with our youth. Today they represent more than half of her fan base. And it is this same generation that wishes to find a way to be an active player in ‘changing the World.’ "





Audrey Hepburn 1923-1993
credits: unknown


Hoje, dia 4 Maio 2022, Audrey Hepburn celebraria 93 anos de idade. Flores. Muitas flores para Audrey.

Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite com flores
05.12.2011
actualizado 04.05.2022

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