Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Tout ce que je connais de moi c'est ce que me raconte le vent: la médiunnité des branches qu'il agite. Natália Correia
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Esperanças de Um Novo Ano
Deixar para trás,
o que não nos importou,
o que não nos importa mais
Viver e acreditar,
almejar e sonhar,
se dar um pouco de sí,
viver sem medo de sorrir
Cultivar a esperança,
de peitos abertos a ela se entregar,
ter a alegria de uma criança,
e nos rios da vida navegar
E assim prosseguir, viver,
sem medo de perder ou ganhar,
pois a vida só faz valer,
para aqueles que tem coragem de sonhar.
Victor Hugo (?)
"Que não tinha medo da morte, embora tivesse medo de morrer sozinho em casa - espero que tudo tenha corrido bem, que tenha partido acompanhado e com a luz da mesa de cabeceira acesa."
Luís Osório TSF
Esquece-te de Mim, Amor
Esquece-te de mim, Amor
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez
termos chegado.
António Mega Ferreira, Os Princípios do Fim
Um dos mais cultos protugueses dos últimos anos. Adorava a vida, adorava apaixonar-se por pessoas, adorava perder-se em livros, em quadros, em óperas e teatros, em viagens. Muitas viagens não pode fazer por razões de saúde. Nasceu em Lisboa. Morreu em Lisboa, cidade que tanto amava.
"Não sou capaz de escrever um livro sobre Lisboa, é demasiado íntimo, demasiado próximo; não tenho recuo nem distância."
António Mega Ferreira,
in entrevista/ Visão
Outono, tempo preguiçoso. O dia mantém um ar morno, quase doce, sob sol semi envoado. A noite esfria. Leva-nos a abandonar a letargia e procurar agasalho aconchegante, leve.
Outono é uma nova dança da natureza. O vento espalha as folhas que bailam no ar. E mesmo quando caem, a dança continua até finalmente poisarem, quietas, nos passeios, jardins, ou ruas.
Nesse bailado, não perdem a leveza, apenas nos distraiem a alma.
Paz? Nem por isso. Outono é tempo de mudança. Tempo de repensar a vida.
Outono chega. Nessas cores tão coloridas, apenas nos perdemos na reflexão intimista. A natureza muda. E com ela, mudam os nossos ritmos. E rumos.
É tempo de espiritualidade.
Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.
Miguel Torga, in Diário X
Miosótis (pseudónimo)
09.10.2022
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O Inverno tem descido rigoroso. Pesado. Já basta não se poder sair de casa. Nem há horizonte para se mergulhar o olhar. Só nuvens espessas, embrenhadas no nevoeiro.
Se por um lado obriga as pessoas a ficarem em casa, por outro, a vitamina sol faz falta. E a tristeza, o desconforto descem.
Bem gostaria de estar na varanda a olhar o mar lá longe em dias de horizonte limpo. Luminoso. Mesmo com Sol de Inverno.
A minha rua está cheia de carros estacionados, adormecidos, como que sem dono. Não há crianças nas ruas. Nem por trás das janelas. Não há os risos de adolescentes, vozes de adultos. Silêncio absoluto na praceta.
Não vejo a luz ao fundo do túnel perdida no nevoeiro denso que não deixa vislumbrar um pouco de azul. Como criar beleza sem azul?
Gosto muito de estar em casa. Adoro o meu cantinho, tiro proveito dele, faço o que me apetece. E por vezes nada. Não tem sido fácil.
Lá me entrego ao meu treino dentro de casa. A minha prática de yoga. Não posso deixar que a falta de vontade supere o que tanto gosto de fazer.
Venha o Sol, meu Deus! Criação divina.
Miosótis (pseudónimo)
28.01.2021
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* Obras de Ana Hatherly sem referência de origem.
Hai-Kai de Outono
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
"A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende."
Arthur Schopenhauer