Wednesday, May 10, 2017

Uma voz linda ! Salvador Sobral







Salvador Sobral
créditos:LUSA


Amar pelos dois, cantado por Salvador Sobral, ontem à noite no festival Eurovisão 2017 conquistou-me. E não estou sózinha. As redes sociais nacionais e internacionais não deixam de publicar ou falar do tema e da voz que o interpretou.

Os elogios à canção interpretada por Salvador Sobral chegam dos quatro cantos da Europa. E também da Austrália e do Brasil.


Sou daquelas que deixaram de ver o Festival RTP da Canção e Eurovisão, desde os anos 90. Confesso.


Mas, mal soube que Salvador Sobral iria estar na Eurovisão, volvidas duas décadas, dei por mim no sofá a assistir à Eurovisão. Só para ouvir Amar pelos Dois. Rendida. Emocionada.






Salvador Sobral
créditos: Getty Images

Ouvi Salvador Sobral em 2016. Foi cantar o seu tema Excuse Me no programa 5 para a Meia Noite. Sempre o ouvi ligado ao jazz. Gostei da sua sensibilidade, da entrega ao que interpreta, da musicalidade inata. A partir daí, passei a segui-lo nas redes sociais






Já este ano, tive a supresa de o ver cantar ao vivo, num concerto da sua irmã Luisa Sobral na Casa da Música no passado mês de Fevereiro. Toda a gente adorou. Uma surpresa encantadora.

Uma sonoridade linda, a voz flui e solta-se como instrumento de plena sensibilidade, entregando-se livremente à improvisação que o jazz lhe permite.





Salvador Sobral
créditos: Getty Images

Amar pelos dois, tema composto por Luísa Sobral, conquistou muitos, se não quase todos. A musicalidade do tema acústico é fascinante. E na voz de Salvador, torna-se quase sagrado.

São os versos límpidos desta poesia, o encanto perdido em cada palavra, em cada som, em cada apaixonada rima.

Já deu para entender que estou apaixonada pelo tema e por Salvador Sobral. Pela voz, pela alma que desnuda quando canta, pela simplicidade, pela espontaneidade quase infantil.


Mais, admiro a sua postura perante a exposição mediática que olha com humildade. E até aproveita para fazer um apelo humanitário em nome dos refugiados na Europa.


E admiro a sua rejeição de expor a doença que só hoje compreendi de imensa gravidade. Uma vida jovem presa por um fio. Terrível. 

E olhar para Salvador com aquele seu jeito aparentemente despreocupado. A esperança no olhar. A tristeza que aparece mesmo sem querer. A imensidade do talento. Inato. Arrebatador. Enternecedor.







Quando o oiço cantar Amar pelos Dois, voo até à voz de Elis Regina. Inesquecível. Duas sensibilidades tão sui generis. 

Salvador deixa transparecer toda a musicalidade que lhe advém da audição e aprendizado dos grandes nomes do jazz, como confessa com admiração estampada no brilho do olhar.


A música vai de alma para alma! É um sentir que vem bater-nos em cheio. Penetra mansamente no mais recôndito do nosso ser!


A musica é a alma por excelência! É a expressão mais libertadora de todos os sentires que nos enchem. Música é alma em toda a essencialidade! É eternidade! Espiritualidade!

Amar pelos Dois é alma. Autêntica a intenção de nos tocar. E toca.

Salvador Sobrala sua equipa abdicaram do aparato cénico. Um pequeno círculo colocado no meio do público. Um despojamento estético lindo. único intérprete que não cantou no enorme palco, mas no meio dos espectadores. 

As imagens de Lisboa. A Bica, a livraria Ler Devagar, as tonalidades em azul-noite lindo. Laivos de verde. Vida. 


As luzes desligaram-se e o público ligou os telemóveis, iluminando o único intérprete, suponho, que cantou na sua língua. A nossa língua portuguesa. 







Salvador Sobral
créditos: Autor não identificado

Fez-se silêncio. Soaram as cordas, o piano, e o poema feito de palavras. Doce. Nostálgico. Destemperadamente deslumbrante.

A voz e a capacidade de reinventar a interpretação de Amar pelos Dois em cada actuação. Nada em Salvador e na sua voz é normal, medíocre, desinteressante. Tudo é beleza pura.

Fechar os olhos. Deixar-se levar no encanto pendente, na emoção sentida, quase que a querer agarrar o destino, na dor do desencontro, e sentir a imensa vontade de nunca deixar de sonhar.

Não vou debater a originalidade do texto musical. É óbvio que tudo hoje é criado pelo reinventar do que já foi escrito. Mas a musicalidade é intemporal. E tão deliciosa.

Posso parecer parcial. Afinal música é um acto de magia muito próprio que vai directo à nossa alma. E esta vem de encontro à minha. Um bem haja Salvador Sobral.


Miosótis (pseudónimo)


10.05.2017

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