Tuesday, February 28, 2006

Miosótis: simbólica








Miosótis Azul* 
http://www.bioimages.org.uk


Miosótis

Belas, perfumadas,
se encontravam no salão!
Testemunhas de um amor,
Rodopiávamos na valsa
das flores.

E, como flor, estavas connosco,
vibrávamos, amávamos,
flores esparsas.
pares dispersos, acompanhavam
um ritual de amor.

A orquestra entoava todos os acordes,
bailávamos, coração aos saltos!
Festa de miosótis caíam pelo chão,
De suas pequeninas pétalas,
apanhei algumas, beijei-as,
e as entreguei na tua mão!

Ficaste-me nos olhos.
Duas lágrimas,
duas pérolas,
deslizaram no meu rosto cálido!

Ofegante te enlacei,
com mais amor,
continuamos a bailar
miosótis pelo chão!...

Eda Carneiro da Rocha


Dedicado com ternura a Anjo Guerreiro em fragmentodanoitecomflores 1.02.2006 http://oanjoguerreiro.blogs.sapo.pt

Agradecimento carinhoso a SigurHead pela dádiva em NotasFrágeis 27.02.2006 http://notasfrageis.blogspot.com


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

28.02.2006

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* Simbologia do miosótis azul: "Não me esqueças"

          

Sunday, February 26, 2006

Máscaras Venezianas




Foto: Michele Crosera
http://news.yahoo.com


O Carnaval deixara há alguns anos de se celebrar na Europa. Mas actualmente, assiste-se ao regresso destas tradições seculares que quase se perdiam da memória cultural da história  dos povos europeus.

Veneza é talvez a cidade europeia que melhor alia a tradição da máscara
 à beleza estética da criatividade, numa festividade sugestiva, fascinante!

Entre ritos de teatro e carnaval, as 
pessoas, nas sua maioria venezianas, passeiam-se pelas ruas estreitas, bem perto do canais, num ambiente misterioso, escondendo o rosto por trás de máscaras bem ao estilo medieval renascentista do settecento veneziano.

É talvez, o mais misterioso e encantatório Carnaval da Europa!




Miosótis (pseudónimo)

27.02.2006
 

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Monday, February 20, 2006

Corrente, a pedido



Ilustração Don Quijote de la Mancha
http://www.donquijotedelamancha2005.com

Depois de íntima meditação sobre o pedido de Tacitus, anui a continuar a corrente. 

O conceito de corrente tem em meu sentir qualquer coisa de mágico! Não sei!! É assim que vejo estes movimentos que partem sempre de alguém em momentos de compromisso com rituais de fé ou momentos de aflição. E por isso, não deve ser quebrada.


Daí que me atreva a reproduzir a mensagem para que ela siga seu percurso...

Regras da corrente:


"Cada bloguista participante tem que enumerar cinco manias*suas, hábitos pessoais que o diferencie

do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem que escolher cinco outros bloguistas, para entrarem, igualmente, no jogo, não esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento*. Além disso, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

Veremos se consigo falar de gestos simples...


1. Da música - A música tem em minha vida um lugar premente! É coisa minha andar com os sons agarrados à alquimia dos gestos e dos pensamentos.


Meus devaneios melódicos são tão diversificados que difícil se torna definir prioridades ou cedências! Jazz, rock, pop, erudita... oiço segundo os estados d'alma, vivo ou grazzioso, em ritmos de interioridade.

Dos instrumentos - sax baixo e piano, sons de encantos, zen, estremecimento do ser que me povoa, a solo e/ou integrados em fusões multisensoriais policromáticas.

Gestos - Ouvir - ao vivo, se possível!

A mística de um ritual de partilha, plateias de culto, serenas ou exuberantes, músicos sóbrios, minimalistas, ofuscantes, sons inebriantes, matizes de imagens periféricas.

2. Dos livros - Adoro ler! Os livros, objectos sagrados, ocultos companheiros meus! Seduzem-me pelos espaços intimistas, em miscigenação de sentimentos fortes, delicados, sensíveis!

Alegria, dor, desilusão, esperança, o mapa emocional que busco e guardo em momentos de partilha.

Gestos - Abrir um livro, em espaços e tempos!

Percorro linhas ou páginas... e refugio-me! Refugio-me e desconheço tudo em volta, absorta nas paisagens sensitivas.

Folheio com a delicadeza de um gesto, tacteio suavemente o papel, aspiro os odores que se desprendem.

Anoto, passo um traço muito suave, sempre a lápis, em passagens ou palavras que me prendem, encantam, alheam! O livro tem outras margens... gosto de escrevê-las imaginariamente!

Ah! Nunca empresto um livro! Desnudar muitos pedaços de minh'alma, isso seria.

3. Das palavras - Houve tempo em que conversar era um prazer! Os olhos, as mãos, dizem também tanto! Mas...

A corrente/torrente de encantamentos ligada às palavras vulgariza-se!

Gesto - Calar... calar...

4. Dos prazeres - Logo pela manhã, perfumar meus espaços com uma serena taça de café. O aroma-rei dos tempos cosmopolistas-

Gestos - Fruir cada sorvedela do néctar castanho-forte cor-de-ferro! Degustar o paladar, as sensações de bem-estar que dele se desprendem! Um óptimo ritual a partilhar...

5. Do mar... do... mar...

Que dizer do mar....Oh! É o meu âmago! É meu outro lado, a minha essência, em escuta permanente. É a minha caminhada para além... o além... A imensidade, a tranquilidade, a paz, a sobrenaturalidade.

Gestos - Respirar, aspirar, sorver as veredas de maresia, enlear-me no cadenciado marulhar das vagas, mergulhar o olhar no profundo azul-prata, e galgar, e galgar, e galgar distâncias em danças de suspensos passos, voos de inimagináveis asas, espelhos duplos de paisagens insubjugadas de um olhar eterno.


São estes os cinco gestos de um meu ser matizado pela doce voz de Madelyn IrisBono, interpretando Drowning Man.*

Requisito cinco contributos para a corrente. E passo a citar:

  • Memories
  • SigurHead
  • Clife
  • Anjo Guerreiro
  • Dark Angel
Desculpem a ousadia, devo passar a corrente...


Miosotis (pseudónimo)
(texto original)

fragmentos da noite com flores 
22.02.2006

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Referências: 


Agradecimento - Blog de Clife


Nota: A imagem de Quixote, encontrada em noite de investida cultural, é uma das composições/interpretações mais aliciantes. Talvez a que mais poeticamente me tocou, de todas as que já admirei desse cavaleiro da intemporalidade.

Foi ela que deu vida e sonho ao texto/corrente. E no entanto, poucos opinaram sobre a bela densidade humanística que ela encerra! Subjectividades.

Sunday, February 12, 2006

Sonhos em noite de lua





foto: Fethi Belaid/AFP



Da minha janela, vizinha do firmamento, assisti ao nascer do sol!


Ao longe o mar, envolto em névoas esparsas, irisadas, espraiavam-se em ritmo largho de movimentos sonolentos, feiticistas!


As últimas estrelas faziam lucilar seu oiro-prata num azul aguado e o perfume da noite desfragmentava-se em mil aromas!

Temendo sobressaltar os seres de alma vagueante, absortos e perdidos tantas vezes de seu caminho, envoltos de de aspirações delicadas não vividas, o Sol abriu a porta do hemisfério, muito de mansinho...

- Assustaste-me! Não dei pelo passar da noite! - exclamei ainda na fronteira do sonho e do sono.

- Vim fazer-te companhia... Sentemo-nos ainda um pouco! Tenho uma surpresa para ti! Abre as tuas mãos para eu depor nelas o meu presente! Vê tu mesma...

- Para mim?... mesmo para mim?!

Na minha mão um pássaro! Seu peito desenhado em penas de um vermelho quente.

- Parece um coração...



- E é um coração... o meu! Cheio de amor por ti! Trouxe-o para que ele possa poisar na noite terna dos teus cabelos de nuvens brancas irisadas em raios de oiro!


Então, sacudi meus cabelos com doçura! E o sol afogou sua luza ternura cálida que apagava todas as imagens. Fechou-se também o sonho da mulher que, finalmente adormeceu.


Miosótis (pseudónimo)
©texto original

fragmentos da manhã de um outro dia, 11 Fev. 2006
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Wednesday, February 01, 2006

Silêncios com poema




Imagem: Memoirs of a Geisha

http://sonypictures.com/movies/memoirsofageisha


As cortinas de jade filtram a luz dos pirilampos,

silenciam-se as vozes no Palácio Dourado.

Noite de Outono, ela sem dormir,

uma luz solitária debruada a seda e a tule.

(...)

Wang Wei,
Poemas
701-761


A arte e a vida é esta simbiose de beleza pressentida!



Miosótis (pseudónimo) 

fragmentos da noite com flores


01.02.2006
(um ano e duas noites após ter vindo habitar meu novo e humilde recanto, enfeitado com esperança azul-luar, templo de meu ser)

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