A bird flies amid plum blossoms in a garden in Wuxi
credits: Xinhua / Barcroft Media
Por favor desliguem o Inverno. E façam a chuva parar ! Deixem irromper o sol.
Qual pássaro livre, quero voar rumo ao horizonte. O que me guiará? O desejo de encontrar um lugar onde possa dar asas à minha imaginação.
Primeiro a medo, depois corajosa, quero construir um lugar só meu. Escavarei meus queixumes, importarei meus anseios.
E vou erguer a alma, bem alto, lá no céu azul, onde nuvens brancas flutuantes me darão guarida, sempre que precisar de decansar minhas asas de aventura.
Mas também tenho os jardins. São lugares que prendem o coração. As recordações se reunem ao ritmo dos aromas.
Gosto de jardins. Alguns me deixam sonhar. Aqueles espaços que nos levam a murmurar: Sinto-me bem aqui!
Quem não teve um jardim público ou privado? O meu jardim de infância era um roseiral, de deslumbrante beleza que meu pai cultivava com mãos de artista. Minhas memórias de família estão lá presas.
Instantes de devaneio, fragmentos de poesia. Embora não seja poeta.
Apenas um pássaro que tenta romper o silêncio, tão docemente, que não chega a ser ouvido.
"Votre âme est un paysage choisi!"
Paul Verlaine, Aphorisme
©Miosótis (pseudónimo)
05.03.2016
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