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Wednesday, June 13, 2007

Silêncios em noites fragmentadas de aromas






Fotografia: Tengku Bahar| AFP 2007


http://news.yahoo.com/photos


Numa outra vida, o acaso fez de mim poeta,
numa outra existência, o destino fez de mim pintor.
Incapaz de lançar fora usos esquecidos,
o mundo me conhece poeta e pintor,
sabe meu nome, identifica o meu estilo. (...)

Wang Wei, Poeta chinês [701-761]


É sem dúvida um dos poetas que mais aprecio, pela singeleza, pela profunda sabedoria das coisas da vida.

Hesitei um pouco. São tantos os poetas que leio e venero!

Ao longo de Fragmentos da noite com flores muitos têm sido os poetas, os prosadores que citei, buscando inspiração, ao deixar correr meu divagar em noites de acalmia ou perturbação.


O sonho e os livros vêm de minha infância. Os livros buscava-os na biblioteca de meus Pais, nos quartos dos irmãos mais velhos, nas viagens. 

Hoje passeio-me pelas livrarias, embrenhada nas leituras, divagando entre palavras e paisagens de outros, buscando minhas próprias litanias, sem tempos nem distâncias.

Muitas vezes em final de tarde o faço. É aliciante poisar o olhar nas bancas de livrarias mais recatadas, sentir o cheiro das folhas que se voltam a cada gesto lento de dedos delicados em contacto com os livros, esse prazer inestimável de companhia e sabedoria.

Em tempos, escrevi um curto texto:

Dialogar contigo meu livro?!
Há lá coisa mais deliciosamente cativante e intimista!

Sonoridades inebriantes, espaços soltos, ternas vulnerabilidades, sorrisos coruscantes, maresias de poente.

Tu me ouves, dialogas em tons de confidente, acarinhas docemente meus sonhos, aromatizas meus recônditos de alma que se envolve de eternidade.

Não é só hoje, não! Tu me acompanhas, em todos os momentos de meus dias, em passos curtos ou saltos longos, num abrir e fechar de emoções.

MS (Miosótis, pseudónimo)

(texto original, publicado em 17.02.2005)

Este espaço tem sido dedicado, quase sempre, aos meus prazeres espirituais, musicais, culturais.

É sim, também, um espaço de partilha, em fragmentos de sentires, em fusão de afectos ou apenas em mero exercício solitário.

Aqui tenho poisado ideais esparsos, ligados à estética da construção da memória poética de minhas noites de divagação autêntica, semi-efabulada, semi vivenciada.

E falei, em jeito de crónica, dos afectos que me ligam a objectos, paisagens, pessoas... algumas pessoas, muito poucas, hoje facilmente vulneráveis ao imediatismo do mundo, mas amanhã, quem sabe? lembrando e reconhecendo com nostalgia, a plena fusão de gestos esparsos nas profecias de magos e gnomos, em noites enfeitadas de luar, que se seguiam a dias de sol explosivo.

(...)
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em paisagem chuvosa, Lisa Gerrard, Indus, best of Lisa Gerrard, 2007

13.06.2007
Copyright ©2007-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®
Licença Creative Commons

Monday, February 20, 2006

Corrente, a pedido



Ilustração Don Quijote de la Mancha
http://www.donquijotedelamancha2005.com

Depois de íntima meditação sobre o pedido de Tacitus, anui a continuar a corrente. 

O conceito de corrente tem em meu sentir qualquer coisa de mágico! Não sei!! É assim que vejo estes movimentos que partem sempre de alguém em momentos de compromisso com rituais de fé ou momentos de aflição. E por isso, não deve ser quebrada.


Daí que me atreva a reproduzir a mensagem para que ela siga seu percurso...

Regras da corrente:


"Cada bloguista participante tem que enumerar cinco manias*suas, hábitos pessoais que o diferencie

do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem que escolher cinco outros bloguistas, para entrarem, igualmente, no jogo, não esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento*. Além disso, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

Veremos se consigo falar de gestos simples...


1. Da música - A música tem em minha vida um lugar premente! É coisa minha andar com os sons agarrados à alquimia dos gestos e dos pensamentos.


Meus devaneios melódicos são tão diversificados que difícil se torna definir prioridades ou cedências! Jazz, rock, pop, erudita... oiço segundo os estados d'alma, vivo ou grazzioso, em ritmos de interioridade.

Dos instrumentos - sax baixo e piano, sons de encantos, zen, estremecimento do ser que me povoa, a solo e/ou integrados em fusões multisensoriais policromáticas.

Gestos - Ouvir - ao vivo, se possível!

A mística de um ritual de partilha, plateias de culto, serenas ou exuberantes, músicos sóbrios, minimalistas, ofuscantes, sons inebriantes, matizes de imagens periféricas.

2. Dos livros - Adoro ler! Os livros, objectos sagrados, ocultos companheiros meus! Seduzem-me pelos espaços intimistas, em miscigenação de sentimentos fortes, delicados, sensíveis!

Alegria, dor, desilusão, esperança, o mapa emocional que busco e guardo em momentos de partilha.

Gestos - Abrir um livro, em espaços e tempos!

Percorro linhas ou páginas... e refugio-me! Refugio-me e desconheço tudo em volta, absorta nas paisagens sensitivas.

Folheio com a delicadeza de um gesto, tacteio suavemente o papel, aspiro os odores que se desprendem.

Anoto, passo um traço muito suave, sempre a lápis, em passagens ou palavras que me prendem, encantam, alheam! O livro tem outras margens... gosto de escrevê-las imaginariamente!

Ah! Nunca empresto um livro! Desnudar muitos pedaços de minh'alma, isso seria.

3. Das palavras - Houve tempo em que conversar era um prazer! Os olhos, as mãos, dizem também tanto! Mas...

A corrente/torrente de encantamentos ligada às palavras vulgariza-se!

Gesto - Calar... calar...

4. Dos prazeres - Logo pela manhã, perfumar meus espaços com uma serena taça de café. O aroma-rei dos tempos cosmopolistas-

Gestos - Fruir cada sorvedela do néctar castanho-forte cor-de-ferro! Degustar o paladar, as sensações de bem-estar que dele se desprendem! Um óptimo ritual a partilhar...

5. Do mar... do... mar...

Que dizer do mar....Oh! É o meu âmago! É meu outro lado, a minha essência, em escuta permanente. É a minha caminhada para além... o além... A imensidade, a tranquilidade, a paz, a sobrenaturalidade.

Gestos - Respirar, aspirar, sorver as veredas de maresia, enlear-me no cadenciado marulhar das vagas, mergulhar o olhar no profundo azul-prata, e galgar, e galgar, e galgar distâncias em danças de suspensos passos, voos de inimagináveis asas, espelhos duplos de paisagens insubjugadas de um olhar eterno.


São estes os cinco gestos de um meu ser matizado pela doce voz de Madelyn IrisBono, interpretando Drowning Man.*

Requisito cinco contributos para a corrente. E passo a citar:

  • Memories
  • SigurHead
  • Clife
  • Anjo Guerreiro
  • Dark Angel
Desculpem a ousadia, devo passar a corrente...


Miosotis (pseudónimo)
(texto original)

fragmentos da noite com flores 
22.02.2006

Licença Creative Commons



Referências: 


Agradecimento - Blog de Clife


Nota: A imagem de Quixote, encontrada em noite de investida cultural, é uma das composições/interpretações mais aliciantes. Talvez a que mais poeticamente me tocou, de todas as que já admirei desse cavaleiro da intemporalidade.

Foi ela que deu vida e sonho ao texto/corrente. E no entanto, poucos opinaram sobre a bela densidade humanística que ela encerra! Subjectividades.