Thursday, August 21, 2014

Que mal fiz eu a Deus : filme




Que mal fiz eu a Deus, 2014

Que mal fiz eu a Deus, tradução de Qu'est-ce qu j'ai fait au bon Dieu é  uma comédia sobre preconceitos e expectativas sociais. Fresca, sofisticada.

Fala dos fantasmas de uma geração que se julga preparada para enfrentar a nova realidade multiracial.

Os tempos mudam, os ideais também, mas isso não significa que se aceite a mudança tão facilmente, assim, principalmente se se for francês. 

Uma tradicional família francesa, católica, classe média alta, com quatro filhas. Isabelle, Odile, Ségolène fazem casamentos multiculturais com Rachid (advogado, origem argelina), David (empresário, famíia judaica) Chao (gestor de origem chinesa), respectivamente. 



Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Isabelle, Odile, Ségolénne e seus maridos 

Claude Verneuil, um notário 'gaulliste' e Marie sua mulher, depositam agora suas esperanças de um casamento tipico francês, em sua filha Laure, que continua solteira. 

Tudo o que queriam era que suas filhas tivessem casado com um francês católico. E como estariam felizes se elas o tivessem feito. 

Os Verneil ficam então encantados quando Laure anuncia que vai casar com Charles, um católico. Finalmente! 




Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Laure, Charles, pais

Mas eis que Laure aparece no restaurante com Charles, africano, e aí tudo vai complicar-se. Não só para o lado da famíia da noiva. Do lado de Charles, o pai vai também complicar este casamento.

Marie Verneil cai em depressão, Claude Verneil faz tudo para sabotar o casamento de Laure com Charles, encontrando um aliado inesperado. O pai de Charles.



Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Laure na igreja com pai e sogro

O humor desta comédia francesa, realizada por realizador francês, Philippe de Chauveron, gira à volta dos fantasmas da xenofobia dos franceses em relação à nova geração multicultural, rindo dos estereótipos da sociedade francesa.

Mas não riem só de si. Fazem neste filme divertidíssimo, a observação das diferenças culturais. E ao vê-las em conflito, compreendemos facilmente que não são só os franceses que sentem uma certa antipatia pelo desconhecido. As famílias dos 'genros' também a exprimem.



Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Chao, David, Rachid

Os actores são todos excepcionais. O casal Verneil, excelente. Mas os quatro 'genros' esmeram-se. A credibilidade e o empenhamento que põem na criação das personagens é sem dúvida notável.

Bem, no final, tudo acaba em bem. Depois de uma série de cenas hilariantes, estas realidades culturais, com suas tradições, formas  diferentes de pensar, fazem um esforço par se entender. E percebem que, na verdade, a única coisa que os estava a separar eram eles próprios.



Filme muito divertido, inteligente, criativo, que nunca cai no ridículo, faz-nos rir de uma ponta a outra, pelas cenas magníficas e os gags imparáveis. Não temos tempo de nos refazermos, ao ritmo alucinante com que se e seguem. Saimos da sala de sorriso rasgado. 

Sofisticado humor francês que tira partidos da língua, exigindo assim um certo conhecimento da língua francesa falada para não perder pitada das verdadeiras intenções dos diálogos, bem como dos divertidos trocadilhos semânticos.




Excelente filme de Philippe de Chauveron. Para uma noite bem passada de final de verão.

Um dos melhores filmes, no género, em exibição! Europeu! 

Miosótis (pseudónmimo)

fragmentos da com com flores

21.08.2014
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6 comments:

Suzete Brainer said...

Maravilhoso post e adorei
a sugestão,filmes (cinema de arte)
é uma das minhas paixões (lazer).

Uma semana luminosa!

Beijinho.

Lune Fragmentos da noite com flores said...

o filme vale mesmo a pena ser visto.
É uma comédia de costumes com uma mensagem social bem forte, bem pensada, melhor argumentada.

Que bom que tenha voltado a 'fragmentos', Suzete. Me dá muito alegria.

Um fim-de-semana luminoso, também !
Beijinhos

heretico said...

saudades. é bom saber, por ti...

beijo

Mar Arável said...


Boa partilha

Lune Fragmentos da noite com flores said...

Saudade, também, Herético. Bom saber que estás bem.

bjs

Lune Fragmentos da noite com flores said...

Obrigada 'Mar Arável', pelo crítica e pelo comentário.
Sempre muito agradável ler-te por aqui.