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Sunday, July 12, 2015

Não incomodar... ou Une Heure de Tranquilité ?




France, 2014

Gosto de cinema francês. E na hora actual, depois do grandes vultos já quase todos desaparecidos, é na comédia que os franceses são excelentes. Comédia de costumes, de crítica social, uma comicidade tipicamente francesa que, quando bem conseguida, nos agarra de uma ponta à outra, em tons hilariantes. 

Pois bem, desta vez, levada pelo actor Christian Clavier que tem aquela incrível personagem em Que mal fiz eu a Deus ?, fiquei com a ideia que o filme 
Não incomodar, tradução de Une heure de tranquillité, poderia ser uma história cheia de peripécias tão boas quanto o anterior. Não foi assim. 

Mas passemos ao filme. Michel Leproux, aparentemente homem de família, é um apaixonado pelo jazz. Passeando pela Foire aux Puces, descobre um álbum raro em vinil de Paul Youart, músico por quem nutre uma imensa a
dmiração. Há muito que procurava este álbum raro.



Christian Clavier | Michel Leproux

Encantado, apressa-se para voltar a casa e poder ouvi-lo na tranquilidade da sua sala de estar, fruindo do encanto do tema Me and Myself (já de si convincente).

No entanto, algo se vai passar que o impedirá de concretizar este desejo simples. O momento não poderia ser pior.

Sua mulher decide fazer-lhe uma revelação surpreendente, o filho irrompe pela casa, a empregada quer aspirar a sala de estar.



Christian Clavier & Rossy de Palma

Não pára por aí. Um dos vizinhos bate à porta, reclamando problemas de infiltrações no seu andar.


É que no momento, decorrem obras num dos quartos da casa, a cargo de um trabalhador polaco… ou será português? 

A melhor amiga da mulher, com quem mantém uma relação extra-conjugal, está à porta com uma crise de consciência, e os migrantes que o filho acolhia no sotão do edifício, vêm instalar-se no seu apartamento.





Carole Bouquet

Já para não falar na famosa "festa de vizinhos" que acaba por ter lugar - imagine onde - na sua sala de estar.

Enfim, uma série de peripécias que teriam os ingredientes certos para uma comédia divertidíssima. Mas não é. 




http://www.allocine.fr/


Une heure de tranquillité é a adaptação de uma peça de teatro, protagonizada por Fabrice Luchini, um actor brilhante do actual cinema francês. E um diseur incomparável. Ouvir a dicção de Fabrice Luchini é mergulhar na essência da língua francesa.

Não duvido que a peça tenha sido um sucesso, como peça de teatro. O mesmo não se pode dizer da adaptação cinematográfica. Um desastre.


As críticas, mesmo francesas, são muito negativas. Por aqui também, embora alguns pró-intelectuais do cinema de autor tente ver uma obra de arte. 

Não, não é um filme de autor. Não confundamos as pessoas, nem os conceitos.

Realizada por Patrice Leconte, a película foi filmada em cinco semanas, num só espaço e de forma cronológica. 




Une heure de tranquillité

A peça passa-se toda num salão. O filme passa-se essencialmente na grande sala, mas expande-se por diversas divisões do apartamento. E em parte, pela escadaria de acesso.

O argumento foi escrito pelo autor da peça de teatro, Florian Zeller. A ideia da história ocorreu a Zeller durante umas férias com amigos, à volta de conversas e situações vividas. Que essas sim, devem ter sido espantosas de humor.






Não se deixem iludir pelo trailer. Os momentos divertidos estão no trailer, mas nenhuma surpresa durante o filme.

Passados os minutos iniciais de expectativa, tendo na memória presente Que mal fiz eu a Deus?, foi com muita paciência, por vezes impaciência, que aguardei o final. O ambiente na sala era unânime.


Filme decepcinante, para a maioria dos espectadares que sairam, com ar de enfado, a que juntaram alguns comentários desabonatórios.


O pormenor do trabalhador, na peça de teatro, um polaco, passar a português, é ridículo. Fora de qualquer contexto social actual.


Sente-se tudo com falta de espontaneidade. Actores 'ausentes', filmagem demasiado monótona. Actores como Christian Clavier, Nicole Bouquet saem desprestigiados. 
Nem Rossy de Palma, que tantas gargalhadas nos arrancava nos filmes de Pedro Almodovar põe aí um pingo do seu antigo talento.




Une heure de tranquillité

Quantoi ao album "Me, Myself and I" de Neil Youart, música e artista de jazz são pura invenção para a narrativa. Embora se oiçam sonoridades de uma melodia de jazz ao bom estilo, suponho, dos anos 50. Breves segundos de bom gosto.


Desilusão. Não gostei. E desaconselho. Vivamente.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores


12.07.2015

Copyright ©2015-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®



Thursday, August 21, 2014

Que mal fiz eu a Deus : uma comédia francesa a não perder !




Que mal fiz eu a Deus?
Philippe Chauveron, 2014


Que mal fiz eu a Deus, tradução de Qu'est-ce qu j'ai fait au bon Dieu é uma comédia de costumes bem ao estilo francês, sobre preconceitos e expectativas sociais. Fresca, sofisticada.

Fala dos fantasmas de uma geração que se julga preparada para enfrentar a nova realidade multiracial.

Os tempos mudam, os ideais também, mas isso não significa que se aceite a mudança tão facilmente, assim, sobretudo, se se for francês. 

Uma tradicional família francesa, católica, classe média alta, com quatro filhas. Isabelle, Odile, Ségolène fazem casamentos entre-culturas com Rachid (advogado, origem argelina), David (empresário, família judaica) e Chao (gestor de origem chinesa), respectivamente. 




Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Isabelle, Odile, Ségolénne e seus maridos 
Philippe Chauveron, 2014

Claude Verneuil, um notário 'gaulliste' e Marie, sua mulher, depositam agora suas esperanças de um casamento típico francês, em sua filha Laure, que continua solteira. 

Tudo o que queriam era que suas filhas tivessem casado com um francês, católico. E como estariam felizes, se as filhas já casadas o tivessem feito.

Os Verneil ficam então encantados quando Laure anuncia que vai casar com Charles, um católico. Finalmente! 





Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Laure, Charles, pais
Philippe Chauveron, 2014

Mas eis que Laure aparece no restaurante com Charles, africano. E aí tudo se vai complicar. Não só para o lado da família da noiva. Do lado de Charles, o pai também complicará este casamento.

Marie Verneil cai em depressão, Claude Verneil faz tudo para sabotar o casamento de Laure com Charles, encontrando um aliado inesperado. O pai de Charles.






Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Laure na igreja com pai e sogro
Philippe Chauveron, 2014

O humor desta comédia francesa, realizada por realizador francês, Philippe de Chauveron, gira à volta dos fantasmas da xenofobia dos franceses em relação à nova geração multicultural, rindo dos estereótipos da sociedade francesa. E nisso, os realizadores franceses são deveras excepcionais.

Mas não riem só de si. Fazem neste filme divertidíssimo, a observação das diferenças culturais. E ao vê-las em conflito, compreendemos facilmente que não são só os franceses que sentem uma certa antipatia pelo desconhecido. As famílias dos 'genros' também a exprimem.




Qu'est-ce qu'on a fait au bon Dieu
Chao, David, Rachid

Os actores são todos excelentes. O casal Verneil, uma delícia! Mas os quatro 'genros' também se esmeram. A credibilidade e o empenhamento que põem na criação das personagens é sem dúvida notável.

Bom, no final, tudo acaba em bem. Depois de uma série de cenas hilariantes, estas realidades culturais, com suas tradições, maneiras diferentes de pensar, fazem um esforço par se entender. E percebem que, na verdade, a única coisa que os estava a separar eram eles próprios.





Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?
Philippe Chauveron, 2014

Filme muito divertido, inteligente, criativo, que nunca cai no ridículo, faz-nos rir de uma ponta a outra, pelas cenas magníficas e os gags imparáveis. Não temos tempo de nos refazermos, ao ritmo alucinante com que se e seguem. 

Sai-se da sala de sorriso bem rasgado!

Sofisticado humor francês que tira partido da própria língua, exigindo assim um certo conhecimento da língua francesa 'falada', para não perder pitada das verdadeiras intenções dos diálogos, bem como dos divertidos trocadilhos semânticos.






A não perder este filme de Philippe de Chauveron. Para uma noite bem passada, de final de verão.


Um dos melhores filmes, no género, em exibição! Europeu! 





Qu'est-ce qu'on a Encore fait au Bon Dieu?
Philippe Chauveron, 2019


Está agora em exibição um segundo filme desta comédia. Que Ma Fiz Eu a Deus, Agora?, título original Qu'est-ce qu'on a Encore fait au bon Dieu? 


Fui ver. Tal como pressentira, nada melhor do que Que mal fiz eu a Deus. Estas coisas não têm hipótese de resultar. Um grande sucesso deve ficar por aí. 


Se não viram o primeiro, tudo bem! Se viram, vão ficar decepcionados. Suponho. Como eu fiquei.

Bem melhor, Ibiza (2019) com o mesmo actor, Christian Clavier e Mathilde Seigner. Acreditem!



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da com com flores

21.08.2014

actualização 25.12.2019
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Monday, January 24, 2011

O amor é melhor a dois : filme







Uma comédia fresca, inteligente, que consegue fazer-nos sorrir de uma ponta a outra. Trata do amor de forma leve mas sábia, sem pretensões moralistas, mas que consegue com humor, fazer bem a distinção entre amor e relação sexual, fútil, sem sentido.


Filme francês, proveitoso ter um conhecimento desenvolto da língua falada para não perder pitada das verdadeiras intenções dos diálogos, bem como dos divertidos trocadilhos semânticos.



L'amour, c'est mieux à deux


Tendo Paris como cenário... não se pode pedir mais!

Comédia de costumes, bem moderna, momentos hilariantes, uma banda sonora linda, personagens descontraídas.  Sem grandes pretensões, diverte!

Um dos melhores filmes, no género, em exibição! E europeu!








Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

24.01.2011
Copyright ©2011-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Licença Creative Commons

Saturday, May 29, 2010

A Romy Schneider : tributo






Romy Schneider
crédits: Getty Images
via Elle.fr

"Figure du cinéma français et éternelle fiancée d’Alain Delon, Romy Schneider s’est hissée, au fil des années, au rang d’icône pour toute une génération, et plus encore. Retour sur le destin tragique d’une actrice inoubliable."

Marie Testa/ Culture Elle France

Romy Schneider faria hoje, 23 Setembro 2021, 83 anos. Romy Schneider, alemâ, naturalizada francesa, possuia uma graça implícita. Um rosto que marcou o cinema, e que continua ainda a inspirar a geração jovem. 





Romy Schneider
créditos:Juergen Vollmer/Getty Images


"Inoubliable Romy Schneider… Cette icône du cinéma français et européen a été tour à tour amoureuse passionnée, héroïne romantique ou dramatique, figure sensuelle du septième art."

Elle.fr/ Culture 




Romy Schneider (1974 )
crédits: © Reporters Associes / Gamma-Rapho

A noite está serena! A lua brilhante, apresenta-se na sua esplendorosa beleza sem nuvens que a perturbem. Uma atmosfera confortável, quase cúmplice de fragmentos que olhámos e retivemos na memória dos afectos

Nesta noite, 28 para 29 de Maio 1982, Romy Schneider morreu, Sua morte chocou o mundo. Todos nós chorámos a sua morte. Prematura.

Morte acidental, mistura explosiva de alcóol e medicamentos. Suicídio desesperado em busca de serenidade? Muitas são as hipóteses levantadas.






Romy Schneider com seu filho David (1968)
crédits: © Jean-Pierre Bonnotte | Gamma-Rapho

Que importância terá isso perante o desespero de uma mãe que perde o filho em acidente dramático na sua casa ? Nada. Ela existia bem muito para além do grande talento e do rosto lindo do ecrã.





Romy Schneider & Alain Delon
crédits: Jean-Pierre Bonnotte/ Getty Images


Romy Schneider percorreu nos últimos dois anos de sua vida um dolorido calvário. Entre diversos dramas, casamentos e divórcios, mas sobretudo a trágica morte acidental de seu filho, David. 

"Les derniers mois de la comédienne semblent ceux d'un calvaire pour une femme qui a perdu en peu de temps, son fils David mort dans des circonstances tragiques, et son premier mari, Harry Meyen, qui s'était pendu à Hambourg deux ans avant."

Les derniers jours de Romy Schneider







Romy Schneider (1973)


Perseguida sem compaixão pelos paparazzi, que insensíveis, chegaram a publicar fotos bem dramáticas sobre a morte de seu filho, Romy Schneider tentou ainda dedicar-se à sua carreira de actriz e fez um novo filme, La Passante du Sans-Souci (1982). 

Nele, contracenou com um jovem actor de 14 ans. Dolorosa experiência, já que lhe relembrou seu filho David. Seria sua última actuação.





Romy Schneider
La Passante du Sans-Soucis
Jaques Rouffio, 1982

Lembro-me que vi o filme. Romy Schneider, em nenhuma cena escondeu o ser destroçado, aapós a morte de seu filho, no contacto com o jovem intérprete.

Um filme lancinante que espelhou a lenta agonia da actriz. Saí profundamente comovida. Imbuída de uma tristeza imensa. Dolorosa interpretação. Tão autêntica!





Romy Schneider
crédits: Giancarlo Botti/ Getty Images

Romy Schneider não morreu na noite 29 Maio. Romy Schneider morreu no dia em que morreu David.

O canal de televisão France 5, decidiu passar o documentário Les derniers jours d'une icône, Romy Schneider, realizado por Bertrand Tessier, no dia 6 de Junho, embora estivesse anunciado para este dia. 

É o tributo merecido a quem é devido o respeito, a admiração. E a paz.





Romy Schneider | Alain Delon 
La Piscine, 1968
crédits: © Sunset Boulevard/ Getty Images

Uma actriz que parecia ser a personificação do sucesso infindável e belo no cinema, e na vida. Escondia em cena, não na vida, após a morte de David, um sofrimento que transbordou, muito para além da ficção. Uma agonia d'alma crescente até ao limite da sua travessia.

Os olhos matizados de azul-esverdeado mais belos do cinema fecharam-se nessa noite, faz hoje 29 anos. 





Google honored Romy Schneider 82nd Birthday in 2020


A noite de Les Cesars (2008) foi-lhe dedicada. Alain Delon, amor maior comum, romance atribulado, entrega-lhe, a título póstumo, le Cesar d'Honneur.

"For her performance in “L’important C’est D’Aimer” (“That Most Important Thing: Love,” 1975), Schneider became the very first recipient of the César Award for Best Actress–one of French cinema’s most prestigious prizes–and she won the honor again for 1978’s “Une Histoire Simple” (“A Simple Story”)."

Google Doodle


Trinta e sete anos depois, Alain Delon, foi galardoado com o Cesar d´Honneur no último Festival de Cannes, Maio 2019. Mais uma vez, Alain Delon não esqueceu Romy Schneider.


"37ans après sa disparation, le 29 mai 1982, elle continue de nous faire rêver."

Elle.fr/Culture


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com uma rosa branca. Para Romy e David.

28.05.2010

actualizado 23.09.2021
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