Thursday, July 21, 2005

Olhares





« Só te vi duas vezes. Apanhaste-me desprevenido. Foram os teus olhos ou o teu sorriso. Da primeira vez não nos falámos. Só te vi de pé. Olhavas para longe. Da segunda disseste-me que nada fazias, que nada pretendia fazeres, que tudo seria inútil. Que gostarias de trazer um pouco de felicidade a alguém e não sabias como nem a quem.
(...)


Só te vi duas vezes e foi o bastante para agarrares o que me resta da alma e dói mais do que o prazer.
(...)


À saída vi-te de longe e ainda disse o teu nome para que o ouvisses. Bem podias ser outra pessoa. Eu quase nada sei de ti. É justo enganar-me. Engano-me tão facilmente. Num instante o desejo tomou conta de mim. Desejo nem sei de quê. Talvez de te abraçar e desfazer-me no abraço.
(...)


Fiquei preso a ti pelos teus olhos doces, um pouco tristes, pelo teu sorriso do tamanho do mundo.



Pedro Paixão
, Ladrão de Fogo, Prime Books, 1ª Edição, Abril 2005





Miosótis (pseudónimo)
21.07.2005

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