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Wednesday, December 28, 2022

António Mega Ferreira [1949-2022] : tanta coisa se poderia escrever !

 





António Mega Ferreira
créditos: DR
via SIC Notícias

"Que não tinha medo da morte, embora tivesse medo de morrer sozinho em casa - espero que tudo tenha corrido bem, que tenha partido acompanhado e com a luz da mesa de cabeceira acesa."

Luís Osório TSF


Esquece-te de Mim, Amor

Esquece-te de mim, Amor
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez
termos chegado.



António Mega Ferreira, Os Princípios do Fim


Um dos mais cultos protugueses dos últimos anos. Adorava a vida, adorava apaixonar-se por pessoas, adorava perder-se em livros, em quadros, em óperas e teatros, em viagens. Muitas viagens não pode fazer por razões de saúde. Nasceu em Lisboa. Morreu em Lisboa, cidade que tanto amava. 


"Não sou capaz de escrever um livro sobre Lisboa, é demasiado íntimo, demasiado próximo; não tenho recuo nem distância."

António Mega Ferreira,

in entrevista/ Visão


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite con flores

28.12.2022

actualizado 05.08.2024
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Sunday, July 12, 2020

Falando de Pablo Neruda !






Pablo Neruda [1904-1973]
créditos: Autor não identificado


"Depois de tudo te amarei
como se fosse sempre antes
como se de tanto esperar
sem que te visse nem chegasses
estivesses eternamente
respirando perto de mim. (...)


Pablo Neruda, Integrações


Pablo Neruda, pen name, de seu nome, Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, nasceu neste dia, 12 Julho 1904. Poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX.  

Recebeu o Nobel de Literatura em 1971, enquanto ocupava o cargo de embaixador em França, nomeado pelo então presidente chileno Salvador Allende.

 (…) Senhores e Senhoras

“Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria." (...)
Pablo Neruda, in discurso entrega do Nobel 1971





Pablo Neruda, 19 anos

O seu pseudónimo foi uma homenagem ao escritor checo Jan Neruda. Jan Nepomuk Neruda viveu entre 1834 e 189. É um dos principais representantes do Realismo checo. 

Neruda teria optado pelo pseudónimo aos 17 anos, supostamente para esconder do pai o ofício de poeta.




Crepusculario
Pablo Neruda, 1923

Foi aos 19 anos que publicou suas primeiras obras: Crepusculario (1923) e Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924)





Pablo Neruda Birthday 2009

Em 12 Julho 2009, Google celebrou o seu 105º aniversário com um Doodle representando Neruda em momento de inspiração frente ao mar, já no exílio. 







Il Postino
Michael Radford, 1994

O filme O Carteiro de Pablo Neruda, tradução de Il Postino fala de Neruda, em determinado momento de sua vida, no exílio. Todos vimos. E tantas vezes revemos. Pelo menos eu não me cans. Sempre que passa em algum canal de televisão. A história efabulada do poeta, na Isla Negra, Chile, com sua terceira mulher Matilde. 




O Carteiro de Pablo Neruda
António Skámeta
edições Dom Quixote

O Carteiro de Pablo Neruda é uma adaptação do romance Ardiente Paciencia (1985) traduzido em inglês The Postman, do escritor chileno Antonio Skármeta

Narra a história de um jovem, filho de pescadores que não quis seguir a vida do pai e se torna carteiro. Vem a ser carteiro particular e amigo pessoal do escritor Pablo Neruda, exilado numa ilha em Itália, na década de 50.




O Carteiro de Pablo Neruda
Michael Radford, 1994

No filme, obra de ficção, a acção foi transpostada para Itália, onde Neruda - interpretado pelo excelente actor francês, Philippe Noiret, o Alfredo em Cinema Paradiso estaria exilado. 

Na ilha, torna-se amigo do carteiro que, diariamente, visita a casa do poeta para entregar correspondência e se rende à poesia de Pablo Neruda. Um dia, enche-se de coragem, e pede ao poeta para o ensinar a escrever poesia. Apaixonado por uma bela mulher da ilha, queria conquistá-la pela poesia.




Neruda alimenta o interesse de Mario pela poesia, ensinando-lhe o valor de uma metáfora, e o jovem carteiro começa a praticar essa figura de estilo.

Um filme delicioso, terno e sensível, em que a poesia é personificada pela voz do carteiro, simples, terno. O olhar de Mario Ruoppolo, o carteiro é sonhador. Candura, simplicidade e genuidade sem limites.

Momentos que mostram a magia do cinema. Um filme de emoções. Na ligação da poesia ao amor, profundo de Mario por Beatrice, tal Dante e sua Beatrice.





O Carteiro de Pablo Neruda
Michael Radford, 1994

Na amizade terna, sem pedir nada em troca. Na nostalgia. Na saudade. Na descoberta de lugares mágicos que existem sempre nos sítios em que vivemos. Mas precisamos de outro olhar, esse olhar que vem do sentimento mais íntimo, para os descobrir.

Il Postino celebrou 25 anos em 2019. Deveria voltar às salas de cinema. Suponho que teve uma sessão especial em Lisboa.



Neruda
Pablo Larraín, 2016
Há um outro filme, bem diferente, mas que gostaria de referir. NerudaRealizado por Pablo Larraín e escrito por Guillermo Calderón. Com interpretação do excelente actor Gael Garcia Bernal.

Um inspector apanha o poeta chileno Pablo Neruda, vencedor do Prémio Nobel, que se tornara clandestino, no final da década de 1940, por questões políticas.






Não sei se passou por Portugal. Não lembro. E sou ou era ... muita atenta a filmes. O cinema era um dos meus privilégios, de fuga ao quotidiano, no final das tardes de sábado. 

Tantas coisas nos foram retiradas nesta época pandémica em que vivemos. A música, outro ponto de fuga. Saudades! Tantas!

Filme de produção internacional, foi seleccionado para representar o Chile, nos Oscar 2016, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Mas não obteve nomeações.





créditos: TED ED
 Lição de Ilan Stavans


Pablo Neruda foi um dos mais celebrados poetas do século XX, e também um dos mais lidos, embora também mais polémicos. 

Originalmente escritos em espanhol, seus poemas apresentam uma linguagem simples, do quotidiano, mas que causam um impacto eterno. 


Te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.(...)


Pablo Neruda, in Te Amo


Miosótis (pseudónimo)

12.07.2020
Copyright ©2020-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com

Friday, September 12, 2014

Noites do tempo que passa






créditos: Victor Pachenko


Há pouco mais de uma semana, celebrou-se o Dia Mundial do Blog. O blogue, essa espécie de "diário dos tempos modernos".

Para mim que escrevo espaçadamente, não lhe poderei chamar diário. Mas sim, existe alguma semelhança no acto voluntário de escrever.

Digamos que abro uma página de web de quando em vez, e escrevo do que sinto ou me passa pela alma.

Raramente faço alusão aos aniversários. Foi em Julho 2005.

Quando olho para trás, vejo-me a deixar impressões "digitais", estados de alma, mais ou menos íntimos, segundo me sentia emocionalmente, mas sempre atenta ao resguardar do gesto e da privacidade.

No entanto, é certo que as palavras que usamos, os trechos de autores, as imagens divulgadas, os eventos compartilhados, as músicas ouvidas, deixam transparecer a estética que conduz a vida. 

Fragmentos digitais, feitos flashs. Sentimentos, emoções, afectos, vão soltando-se, deixando emanar a luz interior, como fragrância oculta. 

Quinze anos, quase? Não pensei querer perdurar por aqui. E cada vez que me vem à ideia encerrar o 'diário', logo o coração afoito, indeciso, por vezes, quase pesaroso. Continua. 

Avanço. Há noites que se está mais receptivo à possibilidade de magia.

Comecei com um excerto de Pedro Paixão. Timidamente.

O pseudónimo? Dedicado a minha mãe, que adorava a flor de miosótis. E porque a perdi muito cedo, gosto de a sentir por perto, ao escrever 'Miosótis'. Como quem murmura uma prece antes de adormercer.

Vem depois 'fragmentos de flores', e a 'noite' que sempre me acolhe no turbilhão da esperança. Fragmentos da noite com flores (de miosótis). Ficou.


Quem não quer - quem não precisa - de uma Lua perante a qual se maravilhar, uma cidade de vida e oiro, no outro extremo do oceano? 

Michael Cunningham, A Rainha da Neve,
Gradiva Editora, 1ª edição, Julho 2014


Miosótis (pseudónimo)

12.09.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Monday, September 03, 2007

Em tempos soltos de Setembro : Na surpresa de um olhar 'A Eduardo Prado Coelho'




Affection
Joana Rêgo, 2001
Acrílico sobre tela de linho


"Porquê, afinal ? Porque de tempos a tempos há coisas que me tocam. Ainda."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I
Edições Asa, 1992


E Setembro adentrou-se! Quente, harmonioso, entre céu e mar! Verdadeiro Setembro. Tempo(s) de regressos.





September 
Dave McKean


Um fio de paixão pela escrita recomeçou a emaranhar-se nos dedos tão inquietos quanto o ritmado e fulgente pensamento!

Mãos que poisaram mansamente em tardes quentes, de sabores a maresia e brilho azul-prata. Tempos esparsos de acalmias, percorrendo desenfreadamente as folhas de alguns dos livros que acompanharam meus lugares de interioridade.





 
Tudo o que não escreviDiário I
Eduardo Prado Coelho, 1992
Editora ASA


"Escolho o livro como uma carícia silenciosa, a gesta da reconciliação com o mundo: desejo de fluidez, de ternura que se entorna num gesto desajeitado, esforço para reconduzir a alegria a este rosto encostado à tristeza como a um vidro de aquário."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I
Edições Asa, 1992, pág 23


Não pretendia continuar com o toque intimista que, sem querer, ou melhor, contra tudo o que planeara, deixei transbordar em quase tudo o que escrevi!

Será difícil, é certo porque eu sou mesmo assim! Mas tentarei, na simplicidade dos afectos.

Alguns acontecimentos me tocaram nestes tempos soltos de final de verão!





Eduardo Prado Coelho [1944-2007]
créditos: Autor não identificado


O mais triste, a partida dolorosa, sofredora, de Eduardo Prado Coelho colheu-me de um toque abrupto, de volta à realidade que não se compadece dos distraídos olhares.

Homem de vasta cultura, "abriu à cultura portuguesa as portas da divulgação internacional e foi entre nós o mais informado divulgador, por mais de três décadas, de autores, de obras, de tendências."

In Memoriam*


"Dias perfeitos, redondos como pedras, nítidos, coincidentes, plenos, drapejados. Contudo nada foi tão perfeito como a relação contigo: um braço sobre os ombros, a mão nos cabelos, a sabedoria da amizade, o afecto infinito. Talvez eu ainda não estivesse preparado para uma tal exigência. Mas pouco a pouco percebi que havia um encontro inadiável."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I
Edições Asa, 1992, pág 24





Eduardo Prado Coelho
créditos: Botelho, 2007
via Wikipedia


"Se eu tivesse uma ilha, os meus amigos chegavam em barcaças, cantavam baladas de marinheiros, bebiam sidra, deitavam-se com a boca salgada, faziam amor e adormeciam.
Na falta de uma ilha, um livro."

Eduardo Prado CoelhoTudo o que não escrevi, Diário I
Edições Asa, 1992, in Sinopse


"O actor mais disponível, mediático e plural da cena portuguesa da sua geração e do nosso tempo”.

Eduardo Lourenço


Até sempre ! 


fragmentos da noite com flores, em jeito de emocionada homemagem


*RCL nº 38, “Mediação dos Saberes”, Dezembro de 2007, pp. 15-16


03.09.2007

actualizado 03.09.2023
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