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Tuesday, December 01, 2020

Eduardo Lourenço [1923-2020] : humilde tributo

  




Eduardo Lourenço [1923-2020]

créditos: Autor não identificado

via 24Sapo


 "Nunca fui leitor de um só livro"

Eduardo Lourenço


O ensaísta e professor Eduardo Lourenço, de 97 anos, morreu esta terça-feira, dia 1 de Dezembro, em Lisboa. Um dos maiores pensadores europeus.




Professor Eduardo Lourenço 

ilustração: Autor não identificado

in Expresso, 2016


Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi e será um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, internacionalmente conhecido. 


Eduardo Lourenço nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda.


Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade de Coimbra, em 1946, aí inicia o seu percurso, como assistente e como autor, com a publicação de "Heterodoxia" (1949).


Seguir-se-iam as funções de Leitor de Cultura Portuguesa, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, até se fixar na cidade francesa de Vence, em 1965, com actividade pedagógica nas principais universidades francesas.




 

O Labirinto da Saudade

Eduardo Lourenço

Tinta da China

https://www.fnac.pt/


Escrito por um dos mais importantes pensadores portugueses da actualidade, trata-se de um exemplar “discurso crítico sobre as imagens que de nós [portugueses] temos forjado”, bem como de uma visão raio-X da história de Portugal - demasiado fascinada pelas “aventuras celestes de um herói isolado, num Universo previamente deserto” - e da filosofia portuguesa, preocupada acima de tudo em construir “a imagem de um Portugal-Super-Man, portador secreto de uma mensagem ou possuidor virtual de um Graal futuro”.


Autor de mais de 40 títulos, possuiu desde sempre "um olhar inquietante sobre a realidade", como destacaram os seus pares.


"O Labirinto da Saudade", "Fernando, Rei da Nossa Baviera", "Pessoa Revisitado" estão entre muitos dos seus livros.

 

 



Fernandp Rei da Nossa Baviera

Eduardo Lourenço

Imprensa Nacional / Casa da Moeda. Lisboa, 1986

via O Homem dos Livros (alfarrabista)

https://www.homemdoslivros.com/


Um ensaio incontornável sobre Fernando Pessoa, da autoria de um dos mais brilhantes pensadores da cultura portuguesa.


"Na verdade, falo de mim em todos os textos" (...) "Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade".


Eduardo Lourenço, citado pelo Centro Nacional de Cultura

Tinha o gosto pela música, pelo cinema e comentava o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros.




Tempo da Música
Música do Tempo
Eduardo Lourenço
Gradiva, 2012


Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Jacinto do Prado Coelho em 1986 pelo seu livro Fernando, Rei da Nossa Baviera, e recebeu-o pela segunda vez, com a publicação de Tempo da Música, Música do Tempo. Livro que tenho e venero. Um percurso intimista de alguém que gosta de música, sente o que ouve, e se redime através do que sente:


"O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da Sétima Sinfonia. Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta Suite em Si Menor, de Bach."


Eduardo Lourenço, in Tempo da Música, Música do Tempo






Eduardo Lourenço
filme 'Labirinto da Saudade'
realizador: Miguel Gonçalves Mendes

crédito: Sabrina Guedes Marques

via Renascença


 “Somos um povo entre os povos, não somos o centro do mundo. Já Camões se tinha apercebido de que éramos uma espécie de milagre… Esse milagre é uma coisa que nos enlouqueceu. Mas todos precisamos de loucura para suportar a vida. Não temos é necessidade de querer estar sempre nas primeiras páginas do mundo.” 


Eduardo Lourenço


Recebeu muitos outros prémios. Prémio Camões (1996), o Prémio Virgílio Ferreira (2001) e o Prémio Pessoa (2011).


Foi galardoado com as insígnias de Grande Oficial e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e, em Abril deste ano, o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes.

 

Era Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.


“Porque se há alguma coisa que posso dizer de mim é que eu nasci nos livros e nunca saí dos livros.” 


Eduardo Lourenço, in Revista Ler, 2008


Miosótis (pseudónimo)


01.12.2020

Copyright ©2020-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Sunday, July 12, 2020

Falando de Pablo Neruda !






Pablo Neruda [1904-1973]
créditos: Autor não identificado


"Depois de tudo te amarei
como se fosse sempre antes
como se de tanto esperar
sem que te visse nem chegasses
estivesses eternamente
respirando perto de mim. (...)


Pablo Neruda, Integrações


Pablo Neruda, pen name, de seu nome, Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, nasceu neste dia, 12 Julho 1904. Poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX.  

Recebeu o Nobel de Literatura em 1971, enquanto ocupava o cargo de embaixador em França, nomeado pelo então presidente chileno Salvador Allende.

 (…) Senhores e Senhoras

“Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria." (...)
Pablo Neruda, in discurso entrega do Nobel 1971





Pablo Neruda, 19 anos

O seu pseudónimo foi uma homenagem ao escritor checo Jan Neruda. Jan Nepomuk Neruda viveu entre 1834 e 189. É um dos principais representantes do Realismo checo. 

Neruda teria optado pelo pseudónimo aos 17 anos, supostamente para esconder do pai o ofício de poeta.




Crepusculario
Pablo Neruda, 1923

Foi aos 19 anos que publicou suas primeiras obras: Crepusculario (1923) e Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924)





Pablo Neruda Birthday 2009

Em 12 Julho 2009, Google celebrou o seu 105º aniversário com um Doodle representando Neruda em momento de inspiração frente ao mar, já no exílio. 







Il Postino
Michael Radford, 1994

O filme O Carteiro de Pablo Neruda, tradução de Il Postino fala de Neruda, em determinado momento de sua vida, no exílio. Todos vimos. E tantas vezes revemos. Pelo menos eu não me cans. Sempre que passa em algum canal de televisão. A história efabulada do poeta, na Isla Negra, Chile, com sua terceira mulher Matilde. 




O Carteiro de Pablo Neruda
António Skámeta
edições Dom Quixote

O Carteiro de Pablo Neruda é uma adaptação do romance Ardiente Paciencia (1985) traduzido em inglês The Postman, do escritor chileno Antonio Skármeta

Narra a história de um jovem, filho de pescadores que não quis seguir a vida do pai e se torna carteiro. Vem a ser carteiro particular e amigo pessoal do escritor Pablo Neruda, exilado numa ilha em Itália, na década de 50.




O Carteiro de Pablo Neruda
Michael Radford, 1994

No filme, obra de ficção, a acção foi transpostada para Itália, onde Neruda - interpretado pelo excelente actor francês, Philippe Noiret, o Alfredo em Cinema Paradiso estaria exilado. 

Na ilha, torna-se amigo do carteiro que, diariamente, visita a casa do poeta para entregar correspondência e se rende à poesia de Pablo Neruda. Um dia, enche-se de coragem, e pede ao poeta para o ensinar a escrever poesia. Apaixonado por uma bela mulher da ilha, queria conquistá-la pela poesia.




Neruda alimenta o interesse de Mario pela poesia, ensinando-lhe o valor de uma metáfora, e o jovem carteiro começa a praticar essa figura de estilo.

Um filme delicioso, terno e sensível, em que a poesia é personificada pela voz do carteiro, simples, terno. O olhar de Mario Ruoppolo, o carteiro é sonhador. Candura, simplicidade e genuidade sem limites.

Momentos que mostram a magia do cinema. Um filme de emoções. Na ligação da poesia ao amor, profundo de Mario por Beatrice, tal Dante e sua Beatrice.





O Carteiro de Pablo Neruda
Michael Radford, 1994

Na amizade terna, sem pedir nada em troca. Na nostalgia. Na saudade. Na descoberta de lugares mágicos que existem sempre nos sítios em que vivemos. Mas precisamos de outro olhar, esse olhar que vem do sentimento mais íntimo, para os descobrir.

Il Postino celebrou 25 anos em 2019. Deveria voltar às salas de cinema. Suponho que teve uma sessão especial em Lisboa.



Neruda
Pablo Larraín, 2016
Há um outro filme, bem diferente, mas que gostaria de referir. NerudaRealizado por Pablo Larraín e escrito por Guillermo Calderón. Com interpretação do excelente actor Gael Garcia Bernal.

Um inspector apanha o poeta chileno Pablo Neruda, vencedor do Prémio Nobel, que se tornara clandestino, no final da década de 1940, por questões políticas.






Não sei se passou por Portugal. Não lembro. E sou ou era ... muita atenta a filmes. O cinema era um dos meus privilégios, de fuga ao quotidiano, no final das tardes de sábado. 

Tantas coisas nos foram retiradas nesta época pandémica em que vivemos. A música, outro ponto de fuga. Saudades! Tantas!

Filme de produção internacional, foi seleccionado para representar o Chile, nos Oscar 2016, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Mas não obteve nomeações.





créditos: TED ED
 Lição de Ilan Stavans


Pablo Neruda foi um dos mais celebrados poetas do século XX, e também um dos mais lidos, embora também mais polémicos. 

Originalmente escritos em espanhol, seus poemas apresentam uma linguagem simples, do quotidiano, mas que causam um impacto eterno. 


Te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.(...)


Pablo Neruda, in Te Amo


Miosótis (pseudónimo)

12.07.2020
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Sunday, August 06, 2017

E veio Agosto : leituras






Elena Ferrante
illustration: Helder Oliveira

"Esistere è questo, pensai, un sussulto di gioia, una fitta di dolore, un piacere intenso, vene che pulsano sotto la pelle, non c'è nient'altro di vero da raccontare."

Elena Ferrante

in volume quatro

De volta ao portátil. Recolhida nos fragmentos de muita tristeza, silenciei em meus sentimentos.

Volto a escrever neste meu espaço feito de todos os fragmentos bons, menos bons. Mais serena, agora. Nesta tarde de domingo. 

Estou de volta.  Para mim, essencial

Julho já passou. Mês de muito sofrimento. O final de mês marcou uma estadia junto ao mar. Reequilibrio emocional.







The Vegetarian
Han Kang
Man Booker International Prize 2016

Uma praia de pescadores. Um hotel moderno, com um visual bastante sui generis. Livros. livros.

Desde o hall de entrada, estendendo-se entre sala de estar e a grande sala de refeições, uma imensa biblioteca em movimento. Visual contemporâneo. E acesso livre aos livros. Gostei do conceito. 

Durante o dia na praia, livro entre as mãos, enquanto o corpo relaxava ao calor do sol. 

Na praia, procuro leituras mais leves, mais soltas. Não foi o caso, este ano.

Não, não levei comigo Elena Ferrante. Outras leituras. A Vegetariana de Han Kan, vencedor do Man Booker International Prize 2016. 

Elena Ferrante fazia parte da lista dos finalistas. Mais foi Han Kang que saíu vencedora com este seu primeiro romance traduzido em inglês.







A Vegetariana
Han Kang
Dom Quixote, 2016

Logo a partir das primeiras páginas, questionei-me. Por que Han Kang e não Elena Ferrante? Todos andámos com os livros de Ferrante ao longo do ano passado.

As escolhas de júris são sempre subjectivas. E talvez só no final venha a compreender. 

Já comprara livro há alguns meses, mal fora publicado. Mas foi agora que decidi começar a ler.

Pouco li para opinar sobre A Vegetariana. Sei de pessoas que detestaram o livro. E sei de quem gostou muito. Talvez seja diferente?

Como em filmes, quando quero ler um livro - o factor prémio conceituado jogou forte, reconheço - vou pelo meu sentir.

E gosto da literatura oriental. Neste caso, Han Kang é sul-coreana. Vem esse gosto da poesia antiga chinesa.

O livro começa de uma forma leve. Estilo coloquial. Um dia, uma mulher que nos é apresentada na terceira pessoa, pela voz do marido, tem um sonho que a leva a tornar-se vegetariana. Para estranheza do marido.


"Enquanto eu passava a tarde sem fazer nada, agarrado ao comando da televisão, ela fechava-se no quarto. O mais provável era que passasse o tempo a ler, e esse era praticamente o seu único passatempo."

in, A Vegetariana, Han Kang, 2016

Mas a história não é tão simples. Tem que ter algo de mais complexo, cativante. 

Estou a continuar a leitura. Quero entender a relutante reacção do marido. Chega a pôr a hipótese da loucura, depois da noite em que sua mulher teve 'um sonho' estranho, e que vai desencadear uma narrativa intrigante.

Escrita nítida, sensorial. Vou avançar...

E Agosto entrou. 

Miosótis (pseudónimo)

06.08.2017
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Tuesday, October 05, 2010

Eat Pray Love : Um livro, um filme !





Eat Pray Love
Ryan Murphy, 2010




Eat Pray Love
Julia Roberts
 Eat Pray Love
Ryan Murphy, 2010


Está já em exibição nos cinemas. Não fui ver, ainda. Espero não perder! Não é à toa que gosto de Julia Roberts. Independentemente de ser uma mulher bonita, ela tem carisma, e é detentora de uma carreira cinematográfica remarcável. 

Entre várias e excelentes interpretações, destaco o filme, também de carácter autobiográfico, Erin Brockovich (2000). Deu-lhe o Oscar Best Actress 2001. Um filme fabuloso. Recomendo. Voltando a Eat Pray Love...





Eat, Pray, Love
Eat Pray Love
Julia Roberts
 Eat Pray Love
Ryan Murphy, 2010


A seu lado, já na passagem de Pray Love acompanha-a Javier Bardem, um grande actor que prima pela qualidade das suas interpretações. Inolvidável o primeiro filme que vi com o actor Mar Adentro de Alejandro Amenábar, 2004.








Julia Roberts & Javier Bardem 
Eat Pray Love
 Ryan Murphy, 2010

Comer Orar Amar, realizado por Ryan Murphy, é baseado no livro Eat Pray Love de Elizabeth Gilbert.

Li o livro em tempos soltos. Época de praia. Gosto de leituras mais despretensiosas em tempo de lazer no verão. 




Eat Pray Love
Elizabeth Gilbert

"Elizabeth Gilbert’s Eat Pray Love touched the world and changed countless lives, inspiring and empowering millions of readers to search for their own best selves."

Comecei a lê-lo por abordar a temática yoga. Sabia também que Julia Roberts interpretava a personagem Liz Gilbert. Tenho referido que gosto de filmes que partam das possíveis leituras de um livro.





Comer Orar Amar
Elizabeth Gilbert

Fui em busca nas livrarias desta obra de Elizabeth Gilbert, escritora que me era completamente desconhecida. E fiquei atónita com o número de edições! 

Além do mais, na capa podia ler-se 'Recomendado pelo Oprah Book Club'! Hesitei! Afinal, não sou nada fã de 'clubites' e muito menos de clubites de livros! 

Repensei! Peguei no livro, sentei-me, numa das mesinhas do agradável espaço livreiro, pedi um café que acompanhei, saboreando, com um mini chocolate. Hum! Duas coisas que vão lindamente! E fui lendo alguns excertos, lentamente, ao ritmo do saborear do café.






Bom! Acabei por comprar. Li, claro, cruzando com outras leituras como é meu hábito.

Um romance autobiográfico! Aprecio este género! Uma mulher que atravessa momentos difíceis até conseguir reencontrar-se. 

Para isso, acha por bem afastar-se da sua vida quotidiana, e percorrer vários países, experienciando diferentes caminhos até se reencontrar... e reencontrar o amor. Ideal! Nem sempre possível!








Julia Roberts
Eat Pray Love
 Ryan Murphy, 2010


A parte dois Pray - da espiritualidade - foi a que mais me atraiu no livro. Tratada, no entanto, com alguma leveza no filme. 

Para sentir um pouco o lado autêntico desta experiência autobiográfica, Julia Roberts levou a sério esta sua incursão espiritual, e foi mais longe. Encontrou-se com o guru do ashram onde a segunda parte do filme decorre.





Julia Roberts e Swami Dharmdev/ AP file


Better Days, ouvido durante o trailer do filme, é um dos temas que mais aprecio. Interpretado por Eddie Vedder, o vocalista dos Pearl Jam. Uma  excelente banda sonora.

Já ouvi belíssimas referências! Banda sonora, paisagens e claro, interpretação dos dois actores.

Talvez consiga vê-lo hoje, já que é feriado!


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

05.10.10

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