"Que não tinha medo da morte, embora tivesse medo de morrer sozinho em casa - espero que tudo tenha corrido bem, que tenha partido acompanhado e com a luz da mesa de cabeceira acesa."
Luís Osório TSF
Esquece-te de Mim, Amor
Esquece-te de mim, Amor das delícias que vivemos na penumbra daquela casa, Esquece-te. Faz por esquecer o momento em que chegámos, assim como eu esqueço que partiste, mal chegámos, para te esqueceres de mim, esquecido já de alguma vez termos chegado.
António Mega Ferreira, Os Princípios do Fim
Um dos mais cultos protugueses dos últimos anos. Adorava a vida, adorava apaixonar-se por pessoas, adorava perder-se em livros, em quadros, em óperas e teatros, em viagens. Muitas viagens não pode fazer por razões de saúde. Nasceu em Lisboa. Morreu em Lisboa, cidade que tanto amava.
"Não sou capaz de escrever um livro sobre Lisboa, é demasiado íntimo, demasiado próximo; não tenho recuo nem distância."
"Music can name the unnameable and communicate the unknowable."
Leonard Bernstein
Leonard Bernsteinfaria neste dia, 25 de Agosto, 101 anos. Compositor, chefe de orquestra, pianista, educador marcou gerações com o seus concertos comentados.
De Agosto 2018, a Agosto 2019, celebrou-se em todo o mundo o seu Centenário. Concertos, exposições, e outros eventos ligados ao seu forte cariz pedagógico. Muitos jovens a ele devem o gosto pela música. No dia 25 de Agosto 2018, a Googlehomenageou o 100º aniversário de Bernstein com um Doodle interactivo que me encantou! Transmite muito do que foi o homem, o músico e o pedagogo. Originalidade e muita admiração.
O cinema também o imortalizou com o musical West Side Story, a adaptação da obra de ShakespeareRomeo and Juliette, mas transportada para os bairros de Nova Iorque, anos 50. Música de Leonard Bernstein.
Pode fazer uma visita virtual aqui. Todas as images são clicáveis! Clique em qualquer foto para aumentar a imagem, ler o texto ou explorar um objecto mais de perto. Oiça Ivy Weingram, curador da exposição através dos video-clips.
Leonard Bernsteinéuma figura invulgar no meio musical. É considerado um dos maiores compositores e chefes de orquestra do século XX. A sua obra pedagógica, nos célebres concertos comentados para jovens, continuam a ser uma referência para crianças e adultos
"There are only a few artists who get to have maybe one song they are remembered by. Dolores has so many."
Rolling Stones, David Brownie
Sem dúvida! Dolores O'Riordan, a vocalista de uma das minhas bandas de referência desde os anos 90, The Cranberries, a banda indie irlandesa tinha esse carisma que punha em cada canção que interpretava. Sem deixar nunca a sua pronúncia irlandesa.
Dolores O'Riordanvai a enterrar esta terça-feira. Tinha46 anos. Centenas de pessoas de todas as idades, reúnem-se junto à igreja St Joseph, em Limerick para prestar a sua homenagem à voz que deu vida a The Cranberries.
A cantora, morreu de repente em Londres, na última segunda-feira, 15 Janeiro.
Foi em 1990 queO’Riordan se tornou a voz de The Cranberries. E com que garra ela interpretava as músicas da banda indie.
O'Riordan, de Friarstown, County Limerick, era conhecida por sua voz bem distinta de The Cranberries que foi uma das mais bandes de maior sucesso na década de 90, com temas como Zombie e Linger.
"Earlier this week, the body of Cranberries singer Dolores O’Riordan was found in a London hotel room. While police have yet to establish a cause of death for the 46-year-old musician, her bandmates and family have been absorbing it all and requesting privacy. "My friend, partner, and the love of my life is gone," O'Riordan's partner Olé Koretsky said in a statement. "My heart is broken and it is beyond repair."
Rolling Stones, David Brownie
O’Riordan with the Cranberries at the Festival Jardins de Pedralbes Barcelona, 2016
Lembro ter escrito algures, neste espaço, em laia de desabafo, o quanto The Cranberries, pela voz de Dolores O'Riordanme embalou nas noites frias, distantes, de uma Holanda inóspita, em viagem de estudo. O tema que não lembro mais o nome, tinha algo de parecido com 'I'm going home' (não consegui encontrar a canção). Tinha o CD que levei comigo, mas não sei onde o deixei.
Pessoas distantes, noites solitárias numa família que se entregava à bebida, talvez para se sentir mais quente. Não havia diálogo. Péssimo acolhimento. Prefiro esquecer.
Subia então para o quarto que me fora dispensado, e ouvia, incessantemente, até adormecer, ao estilo lullabay, a voz de Dolores O'Riordan nessa canção que permanece na minha memória afectiva.
Foi um choque saber da sua morte. Ouvia o seu último video, Ordinary Day, nestes últimos tempos, um trabalho a solo. Continuava a prender-me a alma.
This is just an ordinary day Wipe the insecurities away I can see that the darkness will erode Looking out the corner of my eye I can see that the sunshine will explode Far across the desert in the sky (...) Dolores O'Riordan, Ordinary Day
A cantora irlandesa atingiu a fama na década de 90 com The Cranberries, que vendeu milhões de álbuns em todo o mundo, devido em grande parte, ao seu estilo vocal apaixonado e quase assustador.
Noel Hogan, Mike Hogan, O’Riordan and Fergal Lawler após concerto The Meteor Ireland music awards, Dublin, 2002
A honestidade que punha nas suas interpretações fazia com que se conectasse connosco. Era tímida, dizem, e até cantou de costas para o público no início da carreira.
Mas interpretava músicas com as quais nos identificávamos e isso era novo, para a época.
Dolores O'Riordan em palco na 23a edição do Cognac Blues Passion festival
Talvez Dolores nunca tivesse lidado bem a fama. Começou a cantar na igreja de Limerick. Era profundamente católica.
O pai de um jovem morto num bombardeamento, no tempo do IRA, elogiou a cantora, depois da gravação de Zombie (1994) em homenagem a seu filho, Tim, 12 anos, morto em 1993, quando duas bombas explodiram em Warrington, Cheshire.
Suponho que a última fotografia de Dolores. Postada na sua conta pessoal, Twitter, no dia 4 Janeiro 2018, onde se pode ler: bye bye Gio. We're off to Ireland
Fez um ano no dia 15 Janeiro que Dolores O'Riordan, vocalista de The Cranberries morreu.
A data foi marcada pelo lançamento de All Over Now, primeiro single do álbum In the End, o último do grupo - que os colegas de Dolores consideram como uma homenagem ao trabalho que fizeram juntos.
"O álbum celebra o trabalho que Dolores fez e retribui todo o apoio que os fãs deram à banda ao longo dos anos", (...) "É como um pequeno presente que ela deixou para trás".
Fergal Lawler, baterista The Cranberries
Bonita e sensível homenagem da banda que fez as delícias dos anos 80 de muitos de nós.
Foi em 24 Julho 2011. Nessa noite, ninguém acreditou. Amy Winehouse, tantas vezes com morte anunciada nas redes sociais, morreu nessa noite. A notícia era agora real.
Fiquei chocada. A maldição do 27? Não sei, mas começa a fazer algum sentido.
Amy Winehouse, tanto desencanto na voz, o olhar perdido. Entravanha-se em nós. A voz, o olhar.
Fui seguindo a sua carreira. Cedo compreendi que Amy não resistiria por muito tempo.
Hoje quero relembrar Amy Winehouse. Uma voz que não se esquece! Na sua página de Facebook, gerida pelo pai, suponho eu, ou familiares, nem uma palavra de saudade, de ternura. Nem uma canção sua. O vazio.
Apenas publicidade a tee-shirts a favor da Fundação Amy Winehouse. Na página Facebook Amy Winehouse Foundation, mais publicidade. E só mais abaixo, uma mensagem, talvez ali deixada por amigos ou admiradores.
"It doesn’t feel possible that it’s been 5 years since we lost our Amy, but sadly it has. The only thing that makes the loss remotely bearable is that we are able to help so many beautiful young people across the world in her name."
A foto do documentário Amy, do realizador Asif Kapadia, baseado em testemunhos, fotografias, vídeos, documentos reais, não mente em relação à família. Especialmente ao pai que tudo fez para que o documentário não saísse.
Mais uma criança, tal como Michael Jackson, muito talentosa, explorada pelo pai, prematuramente, e uma mãe passiva?
Amy, do realizador Asif Kapadia é um testemunho de vida chocante. Grito surdo que poucos ouviram. Saímos da sala de cinema constrangidos. Magoados.
A voz que tanto me enche a alma? Sim continuo a ouvi-la. A sua essência perdura em cada canção que relembro.
"Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos."