Alex Ruiz’ tribute to Vincent
FanArt
credits: Van Gogh Museum
Inverno? Hoje foi dia mais curto do ano. Não diria. O sol esteve presente numa suave luminosidade.
A Natureza não sente pressa em recolher. Dias lindos, temperaturas primaveris. Apenas as noite arrefecem. Repentinamente. De temperatura que faz estremecer.
Falar de solstício de inverno é quase impossível. A natureza continua airosa, os pássaros saltitantes, as gaivotas desviadas da cidade. Mar tranquilo, cores luminosas. Tarde lindas. Passeios cálidos.
Quero fruir deste sol! Enquanto dura. Afasta-me a tristeza. Respiro a céu aberto.
O verde continua verde. Mais sereno, sim. As árvores menos nuas, ostentam ainda com vaidade alguma folhagem onde se soltam as cores mescladas de Outono.
Inspiro os raios de sol que enchem os espaços. Doce harmonia.
Não. O Inverno ainda não abriu seu manto gelado. E no entanto, a poeta fala de Solstício de Inverno. Maria Teresa Horta.
Solstício de Inverno
Começo a juntar a fraca
claridade
dos dias demasiados curtos
e a sua gélida sombra
sobra entre os meus dedos
Mas eu teimo e sigo devagar
agasalhada de frio
ao encontro do sol mais a sul
Capricórnio – afirmam-me
Então as gralhas e os corvos
levantam voo da neve à minha frente
num fragor de gelo quebradiço
Inverno – digo em surdina
Esta é a geada do solstício
sei, sem no entanto entender
a sua respiração sustida
Trópico de Câncer – lembro
enquanto na esfera celeste
o sol num amplo movimento
atinge a sua maior inclinação
durante a noite tão longa
É então que chamo o meu amado
quem sabe perdido por entre
cardos, espinhos e lírios devastados
– “Vem para os meus braços!”
Clamo em vão, a procurar abrigo
na floresta onde fico
à espera entre as árvores
da vitória da luz sobre a escuridade
Maria Teresa Horta
22 Dezembro de 2015
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