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Saturday, October 08, 2022

Fim de tarde, em tempo outonal !

 




créditos: Autor não identificado
via Google Images

Outono, tempo preguiçoso. O dia mantém um ar morno, quase doce, sob sol semi envoado. A noite esfria. Leva-nos a abandonar a letargia e procurar agasalho aconchegante, leve. 

Outono é uma nova dança da natureza. O vento espalha as folhas que bailam no  ar. E mesmo quando caem, a dança continua até finalmente poisarem, quietas, nos passeios, jardins, ou ruas. 

Nesse bailado, não perdem a leveza, apenas nos distraiem a alma. 

Paz? Nem por isso. Outono é tempo de mudança. Tempo de repensar a vida.

Outono chega. Nessas cores tão coloridas, apenas nos perdemos na reflexão intimista. A natureza muda. E com ela, mudam os nossos ritmos. E rumos.

É tempo de espiritualidade


Tarde pintada

Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga, in Diário X


Miosótis (pseudónimo)

09.10.2022

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Monday, June 11, 2018

Tivesse eu esse tempo !





créditos: Delphine Soucail (ilustradora)

Tivesse eu tempo. Tempo para o tempo que gostaria de ter. Tempo para as manhãs luminosas e o sol das tardes de Junho, nos final-dos-dias do tempo tépido, acariciador, próprio da estação do ano. Sim! É Primavera! 

Tempo? Eu tenho. O tempo é que não me dá esse privilégio. Continuam as temperaturas baixas, o céu cinzentão, o sol emigrado, a chuva insistente.

Que é feito da Primavera? As flores que se atreveram a desabrochar, airosas, coloridas, fenecem com a água das chuvas.

Os pássaros regressados com seu alegre chilrear, voltaram a emigrar.

Tempo para viver com alegria os dias luminosos que em vão persigo. As roupas leves, os recantos aromatizados dos jardins batidos pelo sol. Tivesse eu esse tempo. 

Tempo para me lembrar que há tempo para viver a Primavera que, talvez, chegue. No Verão?

Tempo para olhar para o calendário e aguardar que o dia em que hoje estou, chuvoso, pasmacentonão é o dia em que vou estar daqui a uma semana. 

Para aceitar que a noite chegue sorrateira, muito mais cedo do que é usual, nesta época do ano.

Para me deleitar nas ruas banhadas de sol num anoitecer tardio. Tivesse eu esse tempo 

Tempo para olhar para este tempo. Resignada. É quase Verão! Já repararam?

Tempo para aspirar devagar, viver devagar a atmosfera cálida. E aproveitar com deleite esse tempo que me aquece a alma.

Para reparar em tudo. E tanto que me passa por perto. Tivesse eu esse tempo. 

Tempo para ter o meu tempo de experienciar um renovado tempo com aroma a maresia. Como que por magia.

No fundo, o tempo tem-me tido a mim. E eu não tenho tido o tempo que gostaria de fruir. Todos nós, não?

A desforra há-de chegar. Quando houver tempo para isso tudo. Quando eu me esquecer que há tempos enfadonhos que nos roubam a esperança de dias leves.

Quando o tempo tiver mais tempo para mim. E eu menos tempo para ele...

Miosótis (pseudónimo)

11.06.2018
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