Showing posts with label requiem. Show all posts
Showing posts with label requiem. Show all posts

Sunday, March 17, 2024

Morreu o meu Poeta !



via Google Images Archive



O meu poeta morreu. O meu poeta de uma linguagem lírica intimista e de profunda introspecção que saboreava em cada poema seu. Se percorrerem este blog, a maior parte da poesia que talvez encontrem, é de Nuno Júdice.


Nuno Júdice. A sua poética transborda de aromas escritos feita de sentimentos que tantas vezes nos percorrem lá no fundo da alma. Não transparecem assim tanto nas nossas palavras, mas o olhar deixa-os fugir, por vezes.  


O meu poeta partiu sem pré-aviso, deixando-me quase orfã dos seus versos poético-melancólicos, reflexões meditativas, algo românticas, feitas de sobriedade e lirismo.





Cartografia de Emoções

Nuno Júdice

Publicações Dom Quixote, 2001


Cartografia de Emoções foi desde sempre o meu livro de cabeceira, juntamente com o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. 

Leio, releio, salto versos, busco o que no momento me pede o coração...


E hoje, só me apraz reescrever...


Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.(...)


Nuno Júdice, Princípios 


Miosótis (pseudónimo)


17.03.2024

Copyright ©2024-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


Wednesday, February 22, 2017

Vidas cortadas numa primavera anunciada






Almada Negreiros (1893-1970)
Sem título, sem data, grafite e guache sobre cartão
Colecção particular

“A vida é um dilema singelo, ou se é bigorna ou se é martelo.” 

Daniel SampaioTudo o Que Temos Cá Dentro

Ontem a notícia do aparecimento do corpo, nas águas do Douro, de um jovem de 16 anos. E hoje a hipótese levantada de suicídio por desgosto amoroso, leva-me a chorar este trágico desfecho.

Quando releio o que escrevi em Ah! Outono, morreste-me duas vezes, fico presa aos sentimentos que me assolavam na altura. Mas, comparando, com a dor que os pais deste adolescente sentem. Silencio.

Não há dor mais profunda que a perda de um filho. Senti o que meus pais viveram depois da morte por doença, de meu irmão mais novo, 13 anos.

Acompanhei depois alguns amigos na mesma dolorosa via de perda de filhos por doença e por suicídio. E não há palavras.

Mas, interrogo-me. E o sofrimento deste jovem? Alguém o ouviu? 

Fala-se pouco no suicídio de adolescentes. E fala-se pouco com os adolescentes sobre suicídio.

Eu sei. Psicólogos consideram que falar, pode desencadear actos semelhantes. Mas cala-se a dor dos pais. E silenciam-se jovens que precisariam de ser ouvidos, acompanhados? Persegue-me esta aflição.

A adolescência é um momento de descoberta e desorientação. Um período de transição que pode trazer questões de independência, de auto-identidade. 

Muitos adolescentes e seus pares enfrentam escolhas difíceis:  percurso escolar, sexualidade, drogas, álcool, vida social. Grupos de pares, interesses amorosos, aparência, tendem a aumentar, naturalmente, em importância durante a viagem de um adolescente em direcção à idade adulta.

A adolescência deveria ser uma época feliz, tudo vibra em volta. A natureza, os amigos, a música, a leitura, os amores. 

Adolescência deveria ser feliz, num mundo próprio de realidades simples.

"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!"

Mario Quintana

Para Tiago

Miósotis (pseudónimo)

22.02.2017
Copyright ©2017-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®