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Saturday, April 25, 2026

Brisas de Abril !

 





créditos: Francisco Vicente


Abril de Sim Abril de Não 

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro 
vi o Abril que foi e o Abril de agora 
eu vi Abril em festa e Abril lamento 
Abril como quem ri como quem chora. 

Eu vi chorar Abril e Abril partir 
vi o Abril de sim e Abril de não 
Abril que já não é Abril por vir 
e como tudo o mais contradição. 

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi.
eu vi Abril de ser e de não ser. 

Abril de Abril vestido ( Abril tão verde) 
Abril de Abril despido ( Abril que dói) 
Abril já feito. E ainda por fazer. 


 Manuel Alegre in Chegar aqui, 1984 


Miosótis (pseudónimo) 

25.04.2026
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Saturday, April 04, 2026

Páscoa indecisa

 





via Google Images Archive



QUEM


Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem.


Manuel Alegre


Miosótis (pseudónimo)


fragmentosdatadecomflores


04.04.2026

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Saturday, February 14, 2026

Do amor

 


 Cupid's Message
Norman Rockwell
The Saturday Evening Post. ©1924 


Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,


puxaste-me para os teus olhos


transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,


ainda apanhámos o crepúsculo.


As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar


diferente inundava a cidade. Sentei-me


nos degraus do cais, em silêncio.


Lembro-me do som dos teus passos,


uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,


e a tua figura luminosa atravessando a praça


até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,


o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,


continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha


essa doente sensação que


me deixaste como amada


recordação.



Nuno Júdice,
Amor 

via Portal da Literatura


Miosótis (pseudónimo)


fragmentosdodiadoamorcomflores

14.02.2026

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Sunday, August 15, 2021

Verão atípico. Procuro a liberdade no campo !

 



créditos: Herman Wessel


No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
(,,,)

Alberto Caeiro, No entardeceder dos dias de verão
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"

Um verão tão atipico com este, não lembro. Não fora só a pandemia. Também o tempo no norte não condiz com a época estival.

Dias de sol, como o de hoje, sol aberto, acariciador na pele, têm sido muito poucos. 

E as noites, nevoeirentas e húmidas. Sempre necessário um agasalho leve. Reconfortante.

As pessoas, este ano, fogem para o campo. Sim, turismo no campo é, sem dúvida, o mais agradável. Tranquilidade. Brisa suavemente quente, noites mais cálidas. E céu aberto. Sem nuvens. Bem brilhante e cheio de estrelas.

Não há o mar. Eu sei. O mar faz-me falta. O cheiro da maresia, O suave ondular resplandecente em dias de verão, como o de hoje.

Mas temos a água dos rios que correm com lentidão e suave som. Música intemporal, natural.

Não sou fã de praias fluviais. Nem vou até lá. Mas sim, temos a piscina do ambiente turístico. E a música dos pássaros, logo pela manhã e ao final da tarde.

Também temos as árvores. Sombras verdes, amistosas. 

Adoro as árvores. São acolhedoras, quase nos abraçam com suas hastes flexíveis cujo leve movimento, é música doce que invade suavemente o nosso cérebro. Relaxante.

Tivemos as Perseides, esta semana! Estamos em Agosto. A mais impressionante e bela chuva de estrelas que o firmamento nos oferece. E nada melhor do que o céu campestre para apreciar esta chuva estelar deixada para trás por um cometa há muitos anos. Semelhantes a estrelas cadentes. 

Sim, este ano, vou de férias para o campo. Sem esquecer um ou dois livros que sempre me acompanham. 

Paz. Serenidade. Ouvir-me por dentro. Respirar. Sem máscara, quando distanciada.

Miosótis (pseudónimo)

15.08.2018
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Sunday, July 30, 2006

Que haya paz...






via Momentos únicos



Paz?

No, ni la menor idea

No conocemos.

Ah, si, una ciudad de Bolivia - La Paz.

Otra paz no, no sabemos.

Ah, claro, un cantante - Paz Martinez.

Otra paz, difícil.

Puede ser una actriz española, que hace películas in Hollywood, Paz Vega.

Si no un libro - " la guerra y la paz" de Léon Tolstoi

A lo mejor una marca de pipas, Pipa de La Paz.

No sabemos.

Ah, si, un slogan Love and peace. A veces se lo imprime en las remeras.

O un premio que si entrega anualmente, el Premio Nobel de la Paz.

Paz no, no la vemos.

Puede se algo q algunas veces en alguns lados.

Durante un tiempo determinado.

Pero tampoco por mucho tiempo.

Logo de pronto se perde. Después se gana y después se pierde.

Y de novo.

Lo que no se encuentra salvo que se busque.

Lo que no se busca tanto.

Algo así. No sabemos bien de la paz.

Ah claro, un tema de John Lennon, Give peace a chance.

O será un cárcel, en la Argentina, en el penal de Marcos Paz?

Otra paz no, no se nos ocurre.

Puede ser la Avenida General Paz.

Ah, no, una inscripción que se lee en las tumbas: " Que en paz descanse "!

Paz? La palabra nos suena, pero no sabemos.

No sabemos cómo se hace.

Deve dar demasiado trabajo.

Ni la menor idea de cómo conseguirla.

Parece que no importa tanto.

Si está, bien, y si no tambien.

Paz? Ah si, un poeta mexicano Octavio Paz.

Ah no, una cancion de navidad, " Noche de paz".

Puede ser una ciudad de una provincia argentina, Villa Carlos Paz.

O un son, el "en son de paz".

O un periodista chileno, Sergio Paz.

Claro, un poema de Amado Nervo " En paz" !

Ah lo mejor un club de golf, en California, La Paz Golf Club.

Entonces un día de septiembre, el Día Internacional de la Paz.

No queda otra: un río de Guatemala, el río Paz.

O la calle Ciudad de la Paz.

Y si no, no sabemos.

No será "pal" con "l" del sistema Pal; o "par", o en todo caso "pan", o "pack",

o "pay", o "paf"?

No será "Zap", un programa de televisión argentino de unos años atrás?

Tampoco "pez" con "e"?

"Paz" así como suena, no, no la ubicamos.

No se hoy mucho hablar de ella.

No hay ni notícias de ella por el momento.

No se sabe nada.

Se complica conorcela.

Quizá más adelante.

"Paz" assí como suena.

Paz?

Ah, paz, ahora si.

Eso que no existe en el mundo.

Claro, exactamente eso.

Lo que no existe en el mundo.

O que existe, en sueños.

En sueños.

Eso, la paz.


Mex Urtizberea, Autor (?)*

in jornal argentino La Nacion


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, ao som de La Cathrédale Engloutie, Claude Achille Debussy, piano Ronan O'Hara, colecção Royal Philarmonic, Público, 2005

29.07.2006

actualizado 01.11.2025
Copyright ©2006-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


*Nota: Foi o acaso (?) este texto vir ao meu encontro. Simplicidade aparente, mas grande sabedoria.

Nele está a amargura ou cepticismo, como queiramos entender, do ser que já não acredita na paz, e através de jogos de palavras ou referências culturais - sempre partindo da palavra "paz" - alerta a Humanidade para os caminhos quase irreversíveis!

Não resisti em publicá-lo! Certamente foi para isso o acaso.


Reflexão. É preciso olhar a realidade! Pequenos actos podem levar a grandes acções.