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Friday, May 06, 2022

De volta a casa... na direcção do sol !





credits: sasint

De volta a casa. Sim, a minha casa virtual, aquele espaço onde me encontro a mim mesma, na serenidade, quase sempre da noite. E na noite de Aquáridas

Linda, a noite. Translúcida, estrelada. Azul bréu mais aberto. Lá no alto, a lua destaca-se. Luminosa. Noite inspiradora.

"Uma mentira pode salvar seu presente, mas condena seu futuro."

Buda


É um pouco assim. Cheguei aqui numa noite de Julho 2007. Abri esta casa de mansinho. Com emoções queridas. Outras fantasiosas. E alguns desgostos. 

Estranho? Não. São aspectos da vida que se entrelaçam. Os afectos vividos na intimidade do sentir, em semi.oração.

Questionei algumas vezes porque abrira este canto. Perto das estrelas, olhando em direcção ao Universo. 

Escrever foi como água cristalina que descia um rio de emoções. Belas ou desabridas. Consoante a vida ia correndo. Como a água do rio.





credits: sasint

Questiono-me agora com frequência. Dilema. Devo encerrar esta janela intimista. E desprender-me dos afectos aqui expressados? 

Escrevo menos. À medida que se vai avançando no tempo, o silêncio impõe-se com frequência.

Ou foi a pandemia que nos impôs este agrlhoamento?

A verdade é que decidi abrir esta casa para catarse... 

Sempre gostei de escrever. Sempre foi algo que senti como libertador. A escrita como terapia?

Confesso que por vezes preferia esconder para que não me lessem... 

Para escrever tudo o que me ia ou vai na alma, por vezes sem ponderar. Sem receio de mostrar. Ou de esconder? 

Também há alturas em que escrevo para partilhar algo que achei importante, interessante, belo, engraçado, ou me tocou... Sei lá.

Claro que quando alguém gosta do que escrevo ou perde seu tempo a ler-me, fico sensibilizada. 

E também sabe bem ter um feed-back para que escrever não se torne um acto tão solitário.

Por isso, desde já, a quem me lê, a quem me dedica um pouco do seu tempo (concordando ou não com o que escrevo), o meu muito obrigada! 

Até ao dia em que decida encerrar esta casa virtual. Até lá, sigo na direcção do Sol...


"Volta teu rosto sempre na direcção do Sol, e então, as sombras ficarão para trás."

Sabedoria oriental


Miosótis (pseudónimo)

06.05.2022

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Sunday, December 15, 2013

Aromas do Inverno




foto:  

Não, não quero continuar a falar das perdas que nos têm desassossegado, nesta última semana e meia. 

Mandela, Nadir Afonso, hoje Peter 0'Toole. E seis jovens que incautamente se aproximaram do mar que tanto amo, mas que não perdoa a quem não o teme. Quanta desolação!


Prefiro falar dos aromas do Inverno. Romãs, frutos secos, terra fria, folhas soltas, tisanas quentes, maçãs assadas, canela.


"L'été qui s'enfuit est un ami qui part ."

Victor Hugo

Eu gosto dos aromas do Inverno. Mas não gosto do inverno, como estação. 

E tal como o escritor, sinto que quando o verão parte, a solidão se instala. Como se não houvesse amigos, família por perto. Mas há. Eles estão cá. Alguns.

É nosso eu mais intimista que se sente mais só, mais quieto.

Então, gosto de escrever, à noite, junto a uma tisana quente, ou então, uma maçã assada, caramelizada com canela e açucar moreno.

meu reino é o da escrita. Não, não nasci escritora. Não sou escritora. Mas tenho o gosto da escrita. Veio talvez do gosto da leitura. Simplesmente, como quem pensa. Ou fala em voz baixa.

O meu gosto vem-me da infância. O de ler. O de escrever. 

A família lia muito.

"E há um grande peso e ensinamento que se recebe, desde que se nasce."

Agustina Bessa-Luís

Tranquilizem-se. Não, o meu reino não é o da fantasia. Se não, eu não sentiria tanto o inverno. Apenas os seus aromas quentes me acariciam a memória dos tempos da infância.

Dessa infância de onde me veio, tal como Agustina, o gosto da leitura. E mais tarde transmitiu-se à escrita.

Algum episódio da minha infância sobre a leitura? Não. Apenas a imagem de uma leitura sempre feita no singular. Nada de serões de leitura em comum. Apenas conversas sobre temas lidos, como pelo gosto de conversar em família.

Lembro que assaltava as estantes dos meus pais, dos irmãos mais velhos. E adorava comprar livros. Hoje continuo a gostar muito de comprar livros.

E ia completando as prateleiras da minha biblioteca, não esquecendo nunca de devolver os livros às estantes pessoais da família. Com afecto.

Os aromas também me vêm da infância. Nas noites de inverno, soltavam-se pela casa enorme, enrolavam-se pelas escadas e subiam até ao último piso, onde ficava meu quarto, assotado.

Falar de coisas belas que resultam do nosso dom de sentir os aromas do inverno. É um gosto escrever, este que conservo. Ainda.



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

15.12.2013
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