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Saturday, April 20, 2019

Páscoa : A simbólica de Notre Dame de Paris !






Notre Dame de Paris
créditos: Benoît Tessier/ REUTERS





Pietà
Notre Dame de Paris
créditos: Christophe Petit Tesson/POOL/EPA-EFE/
REX/Shutterstock


"Tous les yeux s’étaient levés vers le haut de l’église. Ce qu’ils voyaient était extraordinaire. Sur le sommet de la galerie la plus élevée, plus haut que la rosace centrale, il y avait une grande flamme qui montait entre les deux clochers avec des tourbillons d’étincelles, une grande flamme désordonnée et furieuse dont le vent emportait par moments un lambeau dans la fumée."

Victor Hugo, in Notre Dame de Paris, 1831

O drama a que assistimos, comovidos, em directo pela televisão e nos media, levou-me a reler este excerto da obra de Victor Hugo O simbolismo que em Notre Dame se quiser encontrar, leva-nos sempre a Victor Hugo. E o excerto então! Premonição?

A acreditar no seu biógrafo Graham Robb, o que entusiasmava a maior parte dos turistas, era o costume de um guia que, apontando para uma janela junto à torre do lado do Sena, dizia a quem o seguia, que Victor Hugo ali havia escrito Notre-Dame de Paris.

Os homens, quando querem, fazem nascer lendas. Ou renascer das cinzas um novo amanhecer. Contudo, nada será igual ao que antes estava erguido. 

Ficam as memórias das visitas, ao local sagrado. A Pietà que me levava sempre a emudecer perante tal cruel dor, espelhada na expressão.






Première page du manuscrit 
de Notre-Dame de Paris (BNF)

Memórias alimentadas também pelo romance histórico Notre Dame de Paris (1831) de Victor Hugo, estudado, revisitado tantas vezes. 

E pelo filme que meus pais me referiram, quando muito mais tarde visitei pela  primeira vez a catedral. Notre Dame de Paris, do realizador francês Jean Delannoy (1956). 

Embora os especialistas considerem que a melhor adaptação de Notre Dame de Paris date de 1939, com realização do alemão William Dieterle, radicado nos Estados Unidos

As Gárgulas resistiram ao fogo. Que sejam elas a manter a magia desta catedral na sua reconstrução. 

Que a luz de Paris ilumine o negro que caiu sobre Notre-Dame de Paris.






E a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do chilrear fresco dos pássaros. A Primavera adentra-se


Miosótis (pseudónimo)

20.04.2019

fragmentos da noite com flores
Copyright ©2019-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

Thursday, October 16, 2014

Fadas no caminho




Woodland fairy | Viona Art

"L'été qui s'enfuit est un ami qui part ."

Victor Hugo

Pouco a pouco as temperaturas baixam, os casacos voltam a sair dos armários, e as folhas volteiam com abundância pelo ar. O Outono instalou-se. Mais agressivo do que gostariamos.

Que é feito dos outonos doces, tempo de serenidade? Alguma melancolia acompanhava o recolhimento da natureza. Mas era própria do tempo.

Manhãs frescas, e tardes cálidas que aqueciam um pouco o nosso desconforto de uma época do ano em que a luz vai fenecendo, deixando-nos mais sombrios.

Mas este inverno fustigante que se abateu, apaga qualquer tentativa de sorriso, um pensamento mais animador.

Temos apenas um desejo: voltar a casa, afundar no sofá, tomando uma chávena de chá fumegante, aromatizado com uma folha de menta, enquanto ouvimos música, e abrimos um livro.

A noite avizinha-se igual ao dia. Inverno profundo.

Mais tarde, fui à minha pequena biblioteca em busca de uma leitura mais leve, antes de adormecer. Nesse percorrer do olhar, um livrinho apareceu. Sim aqueles mini livros que nos oferecem nas festas, aniversários, pequenas gestos de amizade.

Decidi abrir. Notei que havia um curto pensamento para cada dia, acompanhado do esboço de uma pequena fada. 

Fadas, só me lembrava dos livros de infância, mais tarde, nas tradições da literatura céltica, em tempos de estudos académicos.

E folheei até encontrar o dia 16 de Outubro. Deparei com a Fada da Meditação.

Procure libertar a sua
mente de preocupações
visualize algo que lhe 
agrade e deixe-se ir
simplesmente.
Relaxe!

Divertida, já meio ensonada, disse de mim para mim. Ora ! Nem sabia que existiam fadas da meditação, dos mistérios, da transição, da escolha. Uma infinidade ! Finalmente, um sorriso.

A fada da meditação serenou um pouco minha alma. Talvez que possa abrigar mais alguém que por aqui passe. 

Às vezes as leituras mais despretensiosas encerram algum conhecimento.

Espero que amanhã, o sol brilhe sobrepondo-se às nuvens, luz diáfana, e se levante uma brisa trazida pelo mar, bafejados pela fada do universo.

Miosótis (pseudónimo)

16.10.2014
Copyright ©2014-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 


Sunday, December 15, 2013

Aromas do Inverno




foto:  

Não, não quero continuar a falar das perdas que nos têm desassossegado, nesta última semana e meia. 

Mandela, Nadir Afonso, hoje Peter 0'Toole. E seis jovens que incautamente se aproximaram do mar que tanto amo, mas que não perdoa a quem não o teme. Quanta desolação!


Prefiro falar dos aromas do Inverno. Romãs, frutos secos, terra fria, folhas soltas, tisanas quentes, maçãs assadas, canela.


"L'été qui s'enfuit est un ami qui part ."

Victor Hugo

Eu gosto dos aromas do Inverno. Mas não gosto do inverno, como estação. 

E tal como o escritor, sinto que quando o verão parte, a solidão se instala. Como se não houvesse amigos, família por perto. Mas há. Eles estão cá. Alguns.

É nosso eu mais intimista que se sente mais só, mais quieto.

Então, gosto de escrever, à noite, junto a uma tisana quente, ou então, uma maçã assada, caramelizada com canela e açucar moreno.

meu reino é o da escrita. Não, não nasci escritora. Não sou escritora. Mas tenho o gosto da escrita. Veio talvez do gosto da leitura. Simplesmente, como quem pensa. Ou fala em voz baixa.

O meu gosto vem-me da infância. O de ler. O de escrever. 

A família lia muito.

"E há um grande peso e ensinamento que se recebe, desde que se nasce."

Agustina Bessa-Luís

Tranquilizem-se. Não, o meu reino não é o da fantasia. Se não, eu não sentiria tanto o inverno. Apenas os seus aromas quentes me acariciam a memória dos tempos da infância.

Dessa infância de onde me veio, tal como Agustina, o gosto da leitura. E mais tarde transmitiu-se à escrita.

Algum episódio da minha infância sobre a leitura? Não. Apenas a imagem de uma leitura sempre feita no singular. Nada de serões de leitura em comum. Apenas conversas sobre temas lidos, como pelo gosto de conversar em família.

Lembro que assaltava as estantes dos meus pais, dos irmãos mais velhos. E adorava comprar livros. Hoje continuo a gostar muito de comprar livros.

E ia completando as prateleiras da minha biblioteca, não esquecendo nunca de devolver os livros às estantes pessoais da família. Com afecto.

Os aromas também me vêm da infância. Nas noites de inverno, soltavam-se pela casa enorme, enrolavam-se pelas escadas e subiam até ao último piso, onde ficava meu quarto, assotado.

Falar de coisas belas que resultam do nosso dom de sentir os aromas do inverno. É um gosto escrever, este que conservo. Ainda.



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

15.12.2013
 Copyright ©2013-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

Sunday, May 14, 2006

Sombra de mulher





fotografia: Lucy Permoni/Reuters


"To love another person is to see the face of God."


Victor Hugo, Les Misérables


Sonhos leves

perfumes distantes

sons de ternura

se espalham em meu corpo.

Ventos cálidos,

macios, suaves

quais dedos transparentes

como em pétalas poisados.

Meus lábios em silêncios constantes

cerram nostalgias puras

feitas de esperança.

Desassossego em mim!

Só, em meu contemplativo caminhar

busco ouvir-te em passos

lentos a par dos meus.


© Miosótis (pseudónimo)

texto original© 

fragmentos da noite com flores


14.05.2006

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