Sunday, May 30, 2021

Uma paixão mortal ! Ride in Peace, Jason !

 



Jason Dupasquier [2001-2021]
créditos: : MotoGP / Twitter


Era um miúdo. Jason Duspaquier, luso-descendente, a paixão pelas motos desde criança, levou-o a uma morte inglória. Por um sonho.

O jovem piloto de Moto3 de apenas 19 anos não sobreviveu às lesões sofridas após o terrível acidente na fase de qualificação para o Grande Prémio de Itália, disputado no Circuito de Mugello.





Jason Dupasquier

Jason Dupasquier, filho do DPRacing Philippe Dupasquier, estreou-se em Supermoto, antes de se focar na velocidade do circuito, passando por todos os níveis, apesar de uma lesão no fémur esquerdo que o privou da época de 2018. Prenúncio?




Jason Dupasquier [2001-2021]

Penso no pai. Mas, sobretudo, na mãe. Que dor profunda, a perda de um filho. Ergo as minhas preces por estes pais. Silêncios. 

Há recônditos de seres que vivem escondidos no coração dos que amam, ouvindo preces.

Afundam no céu. Paz. Eternidade.




"Les messages de soutien n’ont cessé d’affluer durant tout le week-end sur les réseaux sociaux et dans les paddocks de Mugello. Le pilote suisse Tom Lüthi avait par exemple renoncé à prendre part à l’épreuve de Moto2 afin d’être au chevet du jeune Fribourgeois."


O dia esteve lindo. Como que se universo recebendo uma alma tão jovem. Aconchego, no entanto, um agasalho em final de tarde. Como quem sente a dor dos seres que sofrem uma perda imensurável. 


"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu"

Chico Buarque


Ride in Peace, Jason !


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


30.05.2021

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Friday, April 30, 2021

E foi assim a Noite de Oscars

 




93ª Cerimónia dos Oscars  

Uma decepção. Não encontro outra palavra para definir uma curta noite frente ao ecrã da televisão. Perdi muito pouco tempo. 

Longe vão as noites em que ficava acordada, quase até de madrugada, para ver os meus actores ou actrizes de eleição. Ninguém. Um vazio. 

Um fracasso que redundou no matar de um sonho pelo amor ao cinema.

E não teve só a ver com a pandemia. Foi um todo. 

Nem o elenco dos vinte apresentadores anunciados me segurou. Desliguei ao segundo apresentador.

Positivo? A linda Union Station, de Los Angeles. Embora, tristemente transformada em ambiente supérfluo. 



Nomadland, Sobreviver na América
Chloe Zaho, 2020

O filme vencedor Nomadland. Uma história de solidão assumida, baseada no livro com o mesmo título de Jessica Bruder.

Fren, uma americana que parte na sua van, explorando uma vida fora da sociedade convencional. Uma nómada dos novos tempos.

Oscar Melhor Filme, Melhor Realizadora Chloe Zaho, entre outros prémios. 

Incrível banda sonora de Ludovico Einaudi. Belíssima fotografia. Interpretação fabulosa, como sempre de Frances McDormand.





The Father
Florian Zeller, 2020

The Father, do realizador francês Florian Zellergalardoado com o Oscar de Melhor Adaptação ao cinema, da sua peça. Drama de uma família lidando com Alzheimer. Oscar de Melhor Actor para Anthony Hopkins, com 83 anos. Bravo! Um grande actor!

Negativo? O ambiente físico, e até humano. A apresentação (vestuário) da  excelente realizadora, Chloe Zaho. Por vezes, é necessário um pouco de noção circunstancial.

In Memorian: O desaparecimento de realizadores como Bernard Tavernier, Alan Parker, Joel Schumacker, compositor Ennio Morricone, actores como Sean Connery, Max Von Sydoww, Christopher Plummer, Michel Piccoli, todos lendas do cinema. Sempre um momento emocional.

A cerimónia dos Oscars morreu com estas lendas do cinema?


Miosótis (pseudónimo)

30.04.2021
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Sunday, April 04, 2021

Páscoa ! Reflexão de um tempo sem fim !

 




"Não se pode dizer para a primavera: tomara que chegue logo e dure bastante.

Pode-se apenas dizer: venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder."

Paulo Coelho

O silêncio prolongou-se. E a contratemo, instalou-se mais do que o esperado. Silêncio é precioso. Um dom que devemos saber cultivar!

E num tempo de Primavera, soa ainda mais forte. Desmesuradamente longo.

Continuo por aqui. Mas não tão optimista. 

Valha-nos a Primavera que chegou luminosa, em tempos soltos, para os pássaros e para as flores.

Uma natureza vibrante que nos ensina o poder da renovação, na ausência das palavras.

Perante a sustentação do afastamento dos que amamos, das coisas que nos dão alegria, serenidade no gesto do pensamento, recebe-se o leve poisar da Primavera. E ficamos assim a ouvir esse silêncio mais cordato, harmonioso.

A este tempo, um outro tempo chegou. Páscoa

Reflexão. Tentamos a serenidade que os tempos difíceis não nos têm permitido. 

Que esta meditação perfeita, entre a beleza do olhar e o silêncio da alma, nos traga paz para o encontro diário com o nosso confinamento.

Miosótis (pseudónimo)

04.04.2021
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Sunday, March 21, 2021

E no Dia Mundial da Poesia

 



Blue bird tulips
Robbin Rawlings


E há poetas que sãp artistas

XXXVI

 

E há poetas que são artistas

E trabalham nos seus versos

Como um carpinteiro nas tábuas!...

 

Que triste não saber florir!

Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro

E ver se está bem, e tirar se não está!...

Quando a única casa artística é a Terra toda

Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.

 

Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.

E olho para as flores e sorrio...

Não sei se elas me compreendem

Nem se eu as compreendo a elas,

Mas sei que a verdade está nelas e em mim

E na nossa comum divindade

De nos deixarmos ir e viver pela Terra

E levar ao colo pelas Estações contentes

E deixar que o vento cante para adormecermos

E não termos sonhos no nosso sono.


Alberto Caeiro, E há poetas que são artistas, O Guardador de Rebanhos,

in  Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, Ática, 1946 (10ª ed, 1993



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores


21.03.2021

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Saturday, March 13, 2021

Vem aí a Primavera com a flor da ameixieira !


 


Flor da ameixieira (baika)

 テーマ:花と自然


"Quando a velha ameixeira se abre, de repente, surge o mundo das flores desabrochando. No momento em que surge o mundo das flores desabrochando, a primavera chega.

Há uma única flor que se abre em cinco pétalas. Nesse momento de uma única flor, há três, quatro e cinco flores, centenas, milhares, miríades, bilhões de flores –flores incontáveis. Essas florações não são guarnecidas de um, dois ou incontáveis ramos da velha ameixeira. 

Uma flor de udumbara e flores de lótus azul são também um ou dois ramos das flores da velha ameixeira. Florescer é a oferenda da velha ameixeira.” 

Eihei Dogen, (永平道元)
in Plum Blossoms (Baika) 1200-1253
tradução do japonês medieval





Um velho tronco de ameixeira
pintura: Kaz Sensei

Eihei Dogen, budista japonês, e meste zen diz que quando o velho tronco da ameixeira, retorcido e envelhecido floresce, mesmo que ainda seja Inverno, ao vermos a flor da ameixieira, compreendemos que a Primavera está a chegar.

A flor da ameixieira (baika) brinda-nos com o poder da vida, ao sobrevivermos ao Inverno. Liberta uma fragrância pura, após suportar o ascético frio de Inverno, e enche-nos a alma de esperança e luz.

A doce e delicada flor da ameixeira aparece no final de Janeiro ou Fevereiro, meses antes da flor de cerejeira (sakura). Lembram? Outra floração simbólica.

No filme O Último Samurai há uma passagem alusiva a sakura, de grande significado. O renascer para além da morte.

Mas voltando a baika. Ao contemplarmos a flor da ameixieira vem-nos logo a imagem da Primavera. A nossa mente sente que a Primavera rompe do Inverno, como tentando libertar-se dos momentos mais sombrios. Tal como nós.

Este maravilhoso ensinamento zen, que de forma sucinta nos transporta ao nosso íntimo mais sensível, deve ser contemplado em toda a sua profundidade. 

Eihei Dogen em Plum Blossoms (baika) transmite-nos no néctar da sua beleza poética, um ensinamento meditativo delicado. O momento zen.

Que, em todos os momentos, tenhamos a força de romper com o Inverno que este ano foi tão rigoroso em tantos aspectos. E despertemos nossa mente para algo de belo que se aproxima.  

Sintamos que a Primavera com a sua luz e força, está em nós! 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

13.03.2021
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Tuesday, February 16, 2021

Máscaras Venezianas em Tempos Sombrios !








Carnaval Veneza
creditos: Andrea Pattaro/ Getty Images


O Carnaval deixara há alguns anos de se celebrar na Europa. Masm assiste-se ao regresso dessas tradições seculares que quase se perdiam da memória cultural da história dos povos europeus.





credits: Autor não identificado
via Google Images Archives


Carnevale di Venezia, data de 1162, no ano em  que os Venezianos dançaram na Piazza San Marco para celebrar a vitória de Republic of Venice contra o Patriarch of Aquileia

Actualmente, deu lugar a uma semana de festividades, celebrando Mardi-Gras oriundo da Louisianne (US), que transforma por completo a cidade. e se prolongaaté ao início da Quaresma. 

Italian Festival tronou-se pois, um dos mais famosos da Europa, devido às suas belas máscaras 'venezianas'.
 




credits: Marco Bertorelli/ AFP 2021


Este ano, vimos a famosa praça deserta. Mas, apesar das ausência de turistas, a edição deste ano do Carnaval de Veneza foi mantida. Foi possível admirar, em visita virtual, artesãos venezianos desfilar os seus belos trajes e máscaras pelas ruas vazias.





credits: Marco Bertorelli/ AFP 2021





credits: Marco Bertorelli/ AFP 2021


Veneza é talvez a cidade europeia que melhor alia a tradição das máscaras
 à beleza estética e criativa, numa festividade fascinante. E misteriosa.

Nesses ritos mistos de teatro e carnaval, vimod as 
pessoas, na sua maioria venezianas, passearem pelas ruas estreitas da cidade, ou na célebre praça, repetiu-se. Sem público. Nem turistas.

“It was time to go, with the pandemic, because they had plague and cholera in the past and it reminds Death in Venice, (filme inesquecível de Luchino Visconti), confessou um veneziano.





credits: Manuel Silvestri/ REUTERS


Apenas, em ambiente sombrio, devido à pandemia que fustiga a Europa, os artesãos passearam fatos e máscaras, ignorando a chuva e o nevoeiro, o que deu um ar ainda mais triste aos rostos que se escondiam por trás de suas belas criações, bem ao estilo medieval e  do settecento veneziano.

Veneza tem talvez o mais misterioso e encantatório Carnaval da Europa! Mesmo silencioso. Solitário.


Miosótis (pseudónimo)

27.02.2006
 

actualizado 16.02.2021
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Friday, January 29, 2021

Continuo por aqui em tempo sombrio

 



Lembras-te quando era tudo diferente, 1975
Ana Hatherly*


"Criar é organizar, lutar contra a potência do espírito desordenado. Criar beleza é opor a graça à força caótica da fealdade. [...] a beleza se acha confundida na desordem do caos que se mistura ou se misturou à criação divina. [...] Quem sabe se o caos não é se não a memória dos homens, a sua multiplicidade, as diferenças abissais que separam uma alma de outra e todas do conhecimento supremo. Esquecemos?"

Ana Hatherly, excerto A beleza e o caos
in 57, ano IV, n.° 9, Lisboa, Set. 1960, p. 6 e 10.


Espírito desordenado... Tempo feio. Triste. Macilento. Chuva. Chuva. Sempre chuva. Não posso ir  à varanda. O silêncio fica por trás da janela, olhando um horizonte sufocante de  nevoeiro. Observo as plantas que vão morrendo nos vasos. Flores derramadas pela tijoleira, espalhadas, sem vida. Tudo mudou depois daquele Estou por aqui.


O Inverno tem descido rigoroso. Pesado. Já basta não se poder sair de casa. Nem há horizonte para se mergulhar o olhar. Só nuvens espessas, embrenhadas no nevoeiro. 


Se por um lado obriga as pessoas a ficarem em casa, por outro, a vitamina sol faz falta. E a tristeza, o desconforto descem.


Bem gostaria de estar na varanda a olhar o mar lá longe em dias de horizonte limpo. Luminoso. Mesmo com Sol de Inverno.


A minha rua está cheia de carros estacionados, adormecidos, como que sem dono. Não há crianças nas ruas. Nem por trás das janelas. Não há os risos de adolescentes, vozes de adultos. Silêncio absoluto na praceta. 


Não vejo a luz ao fundo do túnel perdida no nevoeiro denso que não deixa vislumbrar um pouco de azul. Como criar beleza sem azul?


Inspiro-expiro, 1959-1969
Ana Hatherly*

Gosto muito de estar em casa. Adoro o meu cantinho, tiro proveito dele, faço o que me apetece. E por vezes nada. Não tem sido fácil.


Lá me entrego ao meu treino dentro de casa. A minha prática de yoga. Não posso deixar que a falta de vontade supere o que tanto gosto de fazer.


Venha o Sol, meu Deus! Criação divina.


Miosótis (pseudónimo)


28.01.2021

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* Obras de Ana Hatherly sem referência de origem.

Friday, December 25, 2020

Cinema como sonho em final de 2020

 


New York

créditos: Vivienne Gucwa

https://viewing.nyc/

Pensava eu, há quase um ano, por esta altura de Natalestar confiante no novo ano que se adentrava, poucos dias depois.

Pensava eu, sinceramente, que 2020 iria ser um ano cheio de coisas positivas.

Pois é. Mas estava enganada. 2020 ficará, sem dúvida, inscrito na história da Humanidade. Por motivos não positivos.

Um ano que ninguém esquecerá. Um ano de receios, incertezas, tristeza para muitos. Luto para tantos outros. 

Nunca pensámos algum dia viver, o que só conhecíamos de filmes de ficção científica. 

Um ano que nos pôs à prova. Um ano que, no meio da insegurança, da ansiedade gerada pela solidão a que fomos  obrigados, nos deu a esperança que o ser humano iria mudar para melhor. Mas não. Na sua maioria.

Comparável a um raio de sol que fura a tempestade, e nos engana, pensamos que está tudo bem. De repente, o raio de sol se esconde. E o temporal vem. Com mais força.

Foi um ano que testou os nossos limites, a nossa capacidade de adaptação, a nossa resiliência.

Foi um ano de perdas para muitos. Mas de reinvenção para outros.

Não me devo queixar. Não fui afectada pela pandemia, graças ao ente superior que nos rege.

Continuo a ter a minha família bem. E eu também. 

Foi um ano que reforçou a minha coragem, clareza. Resiliência.

Foi o primeiro ano sem praia, sobretudo sem mar. Oh! Tristeza!

Foi um ano sem cinema. Um dos meus hobbies favoritos. 

De repente, pus-me em Nova Iorque! Sentada imaginariamente, neste banco tão cinematograficamente conhecido. Filmes de Woody Allen

E deixei correr o fio da vida, das pequenas coisas boas que frui, apesar de tudo, ao longo de 2020.  Da beleza que podemos ver em tanta coisa à nossa volta. 

E, num toque de magia, a neve tombou docemente na paisagem. Em Nova Iorque.


Miosótis (pseudónimo)


25.12.2020

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Tuesday, December 01, 2020

Eduardo Lourenço [1923-2020] : humilde tributo

  




Eduardo Lourenço [1923-2020]

créditos: Autor não identificado

via 24Sapo


 "Nunca fui leitor de um só livro"

Eduardo Lourenço


O ensaísta e professor Eduardo Lourenço, de 97 anos, morreu esta terça-feira, dia 1 de Dezembro, em Lisboa. Um dos maiores pensadores europeus.




Professor Eduardo Lourenço 

ilustração: Autor não identificado

in Expresso, 2016


Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi e será um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, internacionalmente conhecido. 


Eduardo Lourenço nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda.


Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade de Coimbra, em 1946, aí inicia o seu percurso, como assistente e como autor, com a publicação de "Heterodoxia" (1949).


Seguir-se-iam as funções de Leitor de Cultura Portuguesa, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, até se fixar na cidade francesa de Vence, em 1965, com actividade pedagógica nas principais universidades francesas.




 

O Labirinto da Saudade

Eduardo Lourenço

Tinta da China

https://www.fnac.pt/


Escrito por um dos mais importantes pensadores portugueses da actualidade, trata-se de um exemplar “discurso crítico sobre as imagens que de nós [portugueses] temos forjado”, bem como de uma visão raio-X da história de Portugal - demasiado fascinada pelas “aventuras celestes de um herói isolado, num Universo previamente deserto” - e da filosofia portuguesa, preocupada acima de tudo em construir “a imagem de um Portugal-Super-Man, portador secreto de uma mensagem ou possuidor virtual de um Graal futuro”.


Autor de mais de 40 títulos, possuiu desde sempre "um olhar inquietante sobre a realidade", como destacaram os seus pares.


"O Labirinto da Saudade", "Fernando, Rei da Nossa Baviera", "Pessoa Revisitado" estão entre muitos dos seus livros.

 

 



Fernandp Rei da Nossa Baviera

Eduardo Lourenço

Imprensa Nacional / Casa da Moeda. Lisboa, 1986

via O Homem dos Livros (alfarrabista)

https://www.homemdoslivros.com/


Um ensaio incontornável sobre Fernando Pessoa, da autoria de um dos mais brilhantes pensadores da cultura portuguesa.


"Na verdade, falo de mim em todos os textos" (...) "Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade".


Eduardo Lourenço, citado pelo Centro Nacional de Cultura

Tinha o gosto pela música, pelo cinema e comentava o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros.




Tempo da Música
Música do Tempo
Eduardo Lourenço
Gradiva, 2012


Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Jacinto do Prado Coelho em 1986 pelo seu livro Fernando, Rei da Nossa Baviera, e recebeu-o pela segunda vez, com a publicação de Tempo da Música, Música do Tempo. Livro que tenho e venero. Um percurso intimista de alguém que gosta de música, sente o que ouve, e se redime através do que sente:


"O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da Sétima Sinfonia. Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta Suite em Si Menor, de Bach."


Eduardo Lourenço, in Tempo da Música, Música do Tempo






Eduardo Lourenço
filme 'Labirinto da Saudade'
realizador: Miguel Gonçalves Mendes

crédito: Sabrina Guedes Marques

via Renascença


 “Somos um povo entre os povos, não somos o centro do mundo. Já Camões se tinha apercebido de que éramos uma espécie de milagre… Esse milagre é uma coisa que nos enlouqueceu. Mas todos precisamos de loucura para suportar a vida. Não temos é necessidade de querer estar sempre nas primeiras páginas do mundo.” 


Eduardo Lourenço


Recebeu muitos outros prémios. Prémio Camões (1996), o Prémio Virgílio Ferreira (2001) e o Prémio Pessoa (2011).


Foi galardoado com as insígnias de Grande Oficial e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e, em Abril deste ano, o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes.

 

Era Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.


“Porque se há alguma coisa que posso dizer de mim é que eu nasci nos livros e nunca saí dos livros.” 


Eduardo Lourenço, in Revista Ler, 2008


Miosótis (pseudónimo)


01.12.2020

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