Saturday, October 28, 2006

Música na vida






Béjart Ballet Lausanne &The Tokyo Ballet 
Le Sacré du Printemps. 
credits: Philippe Pache ©

"Não impeças a música. Que música? Antes de mais a deste concerto que é a vida humana, onde temos obrigatoriamente de ocupar o nosso lugar, pequeno ou grande."

Paul Claudel Non Impedias Musicam, Oeuvres Complètes XIX
Gallimard, 1868-1955]


É notório que o meu silêncio se tem prolongado por mais tempo do que desejaria.


Afazeres! Sim, talvez, o que tem de, em certo modo, coartado a minha natural disposição para deixar aqui alguns sentires.

Mas também um fechar d'alma.



Não sei se vai ser crescente. Ou se pelo contrário, vou vencer esta corrente. Uma coisa acompanha este silêncio - a música!


Deixo-vos assim este pensamento de Paul Claudel
Miosotis (pseudónimo)


fragmentos da noite, banda sonora, The Last Samurai, Hans Zimmer, Warner Sunset Records, 2003

27.10.2006

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Saturday, October 14, 2006

A Senhora da Água : filme de M. Night Shyamalan





Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Falar de um filme tem sempre uma conotação. E bastante subjectiva. Cada um de nós é uma voz que passa muito mais pela estética do sentir do que pela razão do conhecimento.

Quando vi o trailler, fiquei atenta ao recente trabalho cinematográfico de M. Night Shyamalan - Lady in the Water




Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Outros filmes deste escritor/realizador me detiveram - SignsSinais (2002), The VillageA Vila (2004). Mas The Sixth SenseSexto Sentido (1999) foi o primeiro, incondicionalmente! Um realizador com uma sensibilidade muito especial.

Acredito pelo pressentir de alma que não estamos sós... e que temos que abrir o nosso universo a outras realidades cósmicas.

Desta vez, Shyamalan - personagem no seu próprio filme - parte de uma história de adormecer, inventada para seus filhos, recontada pela voz de uma senhora chinesa e que percorre muitas referências de lendas célticas e nórdicas:

A tradição dos povos é universal. Miscigenação de ninfas, brumas, ambientes aquáticos, seres fantasmagóricos saídos do verde das florestas , dos bosques ou das águas e que vêm ao encontro de seres com capacidades extra-sensoriais. No filme, o zelador de um condomínio!



Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

É um filme-metáfora onde se entrecruzam as várias vertentes da solidão urbana. E, por isso, se torna mais clarividente a vinda de uma ninfa a este ambiente tão despido de sentimentos de partilha.

Regra geral, os condomínios são sítios bastante solitários. Homens e mulheres vivem paredes meias como referências quase invisíveis, trespassados por olhares distantes, frios ou distraídos.

É precisamente este espaço vazio do calor humano que vai transformar-se em espírito comunizado de entreajuda.




Lady in the Water
Paul Giamatti 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

O zelador, que normalmente se restringe a gerir espaços comuns, percorre aqui solícito, os apartamentos, conversando com os inquilinos, apoiando ao mesmo tempo nas pequenas tarefas todos os que aí vivem.

É pois a personagem ideal para servir de receptor e retransmissor, ligando, humanizando, os condóminos à ninfa, portadora de uma mensagem.


Terminada esta missão, ela deve agora regressar ao seu universo marinho, já que escolhida para reger os destinos de seus pares.






A Senhora da Água/ Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Mas eis que esta ninfa-rainha se apresenta imbuída de fragilidades humanas, tão carenciada de afectos e submersa de medos como qualquer um dos seres que se unem para a apoiar no seu retorno.

Uma narrativa que encerra uma mística incondicional e irrefutável: não há actos isolados. Cada acção individualizada tem incidências em todo o Universo e seus habitantes.




A Senhora da Água/ Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Uma narrativa visual a reter, pelo maravilhamento, embora com rupturas: o monstro vindo do bosque é pouco convincente e demasiado artificial, bem como o pássaro transportador da ninfa-rainha. Mas transporta-nos a outros momentos da nossa existência, num percurso peregrino de passados sentires.


Paul Giamatti. Uma palavra de apreço para um actor sempre surpreendente, numa excelente interpretação, como zelador sensível, afectuoso e silencioso sofredor.




Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Composições de James Newton Howard, covers de Bob Dylan interpretações de Amanda Ghost, Whisper in the noise e Silvertide fazem fazem excelente a banda sonora do filme!

Um filme que nos leva a questionar a nossa missão...

"When a door will open to others worlds... others wil come!"


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, Every Grain of Sand, Amanda Ghost, (banda sonora original)


15.10.2006

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Friday, October 06, 2006

Homenagem : Os Amish




Familia Amish
credits: Timothy A. Clary/AFP
http://news.yahoo.com/


The wind is your voice
The rain is your tears
Your burning heart
And spirit is my salvation

David Agnew, lyrics

As escolas norte-americanas têm sido flageladas por atiradores que impiedosamente abatem jovens e crianças em idade escolar.

O pânico das últimas semanas está bem patente em muitas fotografias publicadas por todo os mundo, jornais, revistas ou via Internet.

Desta vez foi atingida a comunidade Amish na Pensilvânia.


Sacudida com violência com a morte de meninas em idade tão precoce, os Amish demonstram uma discrição impressionante e louvável.

Embora vivendo a poucas horas de Nova Iorque, a comunidade rege-se, há quatro séculos, por padrões rígidos, vivenciados na interioridade famliar.

Resistem ao progresso, não usam electricidade, telefone ou televisão e praticam valores indissociáveis dos seus padrões de vida.




Witness, 1985


Lembro o filme A Testemunha (Witness) de Peter Weir, 1985. Desde então , nutro uma grande admiração pela comunidade Amish.

Discordo de alguns dos seus princípios, como por exemplo o não prosseguimento de estudos. Mas tenho em grande consideração o empenhamento inalianável de resistência aos apregoados valores das sociedades modernizadas que passam demasiado pela falta de princípios éticos. Precisamente!

Em interpretação própria de uma passagem biblíca, os Amish - comunidade descendente de emigrantes alemães e suiços - não gostam de ser fotogrados porque consideram que um cristão não deve gravar a sua imagem.

Assim, em todas as fotografias feitas desde esse pavoroso dia 2 de Outubro, vê-se uma dor pacificada em rostos sóbrios, vestuário negro por tradição, apenas despontado no branco das toucas de organza das mulheres e nas camisas de linho dos homens.


As crianças, essas deixam transparecer um olhar de espanto sereno nos alvos e cândidos rostos.
Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, Nocturne, Songs from A Secret Garden, Mercury Polygram 1995

06.10.2006
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Sunday, October 01, 2006

Dia Internacional da Música




Martha Graham Dance Company
Foto: Roland Maguria/AFP/DDP
http://news.yahoo.com/photos


"La música es la voluptuosidad de la imaginación."

Eugène Delacroix, pintor (1798-1863)


A música expulsa o ódio dos que vivem sem amor. Dá paz aos que não têm descanso e consola os que choram.

Os que se perderam encontram novos caminhos e os que tudo rejeitam reencontram confiança e esperança.

Pablo Casals, virtuoso, violoncelista, maestro (1876-1973)

A visitar

http://www.museudamusica-ipmuseus.pt
http://www.bn.pt/agenda/evento-dm-musica.html



Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite, Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir, Claude Debussy, piano Ronan O'Hora, Público, 2005

01.10.2006
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Sunday, September 24, 2006

Sonhos em noite de chuva






Fotografia:John D. MacHugh/AFP
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"A profunda harmonia entre ela e o mundo - uma harmonia difícil, instável, porque ela insistia sempre em viver com rigor, com uma atenção que não afrouxava nunca, mesmo quando dormia"

Teolinda Gersão, Os Guarda-Chuvas Cintilantes, 1984


Houve tempos em que me entregava ao sonho, fiel e doce, de intensa melodia, sentimentos emanados d'alma, ancorada, suspensa, na certeza de vogar no amplexo macio de um afectuoso envolver, sensível, acolhedor, partilha de

- abraço calor sonho vida -

que para sempre reteria meu ser em firme e coeso querer de constante fragrância.

Lua, lua linda, sorriso desvanecido, rosto terno, eu me deixava fluir como ninguém mais me vira. Simples no acto de amar.


Hoje solto lágrimas de lua cor de prata, arco-íris num teclado apenas iluminado, escrevendo fragmentos de uma alma silenciosa.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite em sonho fugidio, som Dream a Little Dream of Me, Laura Fygi, Bewitched, Verve, 1993

24.09.2006

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Thursday, September 21, 2006

Dia Mundial da Paz




Flor de Lótus
créditos: Pornchai Kittiwongsakul/AFP
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"- De qualquer modo se vai ser um grande caminho para a paz o de, pelo paciente esforço dos menos inteligentes ou pela fulgurante chegada dos mais inteligentes, se entender a História do mundo e por ela a nossa posição no dito mundo, e se vai a Paz consistir fundamentalmente em, pela clarificação geométrica da vida, voltarem ao Pai todos os seus filhos pródigos, a grande força de avanço, o grande motor deste passar dos povos não está verdadeiramente nos que se deslocam, mas nos que de alguma forma vão participando do movimento, para que não falte companhia aos que marcham, mas na realidade já há muito chegaram."

Agostinho da Silva, Idem, Ibiden, pág. 41


Miosótis (pseudónimo)

... porque ainda creio que a Paz vai um dia ser possível neste mundo conturbado e dolorido.

fragmentos da noite com uma singela luz tremular, mas convicta de espiritualidade, som Papillon, Secret Garden, Songs from a Secret Garden, Mercury Polygram Company, 1996

21.09.2006

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Friday, September 15, 2006

Meditando Outono




Fotografia: Serdjan Zivulovic/Reuters
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No alpendre, um vento gelado

atravessa a minha roupa fina.

É noite, ressoam os últimos tambores,

goteja a água na clepsidra de jade.

A lua atravessa a Via Láctea,

Embebida de luz.

Um pega salta de uma árvore de Outono,

uma chuva de folhas cai.

Wang Wei (701-761), Meditando Outono
Poemas de Wang Wei, Instituto Cultural de Macau, 1993


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, som de Ev'ry time we say good bye, Mick 'Red' HuckNall


15.09.2006
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Sunday, September 10, 2006

Volver : Almodovar





Volver | Pedro Almodóvar (2006)
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"Mi madre esta presente en toda la pelicula, muchas de las frases que ellas dicen son las decía ella en vida."

Pedro Almodovar


O novo filme de Almodóvar! Esperava-o com alguma expectativa. Depois de Habla con ella (2002) ou Todo sobre mi madre (1999), ficara decepcionada com La Mala educacíon (2004)

Uma história de regressos, em que a vida e a morte se entrelaçam com uma naturalidade que só a sensibilidade de Almodóvar exprime sem ressentimentos.

Um filme quase surreal. Mas os seus primeiros filmes eram surreais! Certamente já teria imaginado que essa fase fora ultrapassada. Mas não!

Num deambular sentido, autêntico de imagens mescladas de drama e comédia, de emoções intensas ou situações hilariantes o filme deixa de novo que a crítica social se oiça.

O espectador sente-se desconfortável logo nas primeiras imagens que enchem o ecrã. Mas o humor dos diálogos e os gestos naturais e até ternos das personagens, fazem com que os primeiros sorrisos se soltem. 


Penélope Cruz | Volver

E então, segue-se o enquadramento da história, onde prepassam momentos de riso, humor macabro - melhor enquadrado se se entender bem a língua original - e de emoção e lágrimas que atingiram muitos espectadores.

Afectos e desafectos convivem com a mesma singeleza que a vida e a morte. Três gerações mulheres unidas pela amizade, solidariedade na família e na vizinhança, já que esta aparece como parte integrante da família, nas aldeias remotas da infância do cineasta - La Mancha.

Ternura pelos mortos que se confundem com os vivos, numa trama surreal, aceitação da presença natural dos que nos deixam, num eterno sentimento de partilha.

Carinho pela crucial vivência de seres atingidos por doenças súbitas e incuráveis.

Sátira sóbria mas contundente dos reality shows que passa despercebida à maioria dos espectadores, tão impregnados dos contra valores que vigoram na sociedade actual.

Ataque duro e sem perdão aos maus tratos de crianças e adolescentes no seio da família. Almodóvar expõe os defeitos dos homens.

Volver é um filme de mulheres que me fez voltar a Ata-me (1990), Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988) e claro ao mais sensível de todos, Todo sobre mi Madre.

O conjunto de actrizes ganhou o prémio de "Melhor Interpretação Feminina" no Festival de Cannes 2006



Carmen Maura | Volver

Gostei imenso de rever Carmen Maura, essa excelente actriz, sempre tão presente nos seus primeiros filmes. É com ela que o filme ganha autenticidade.

Penélope Cruz só poderia tornar-se quase credível pelas mãos de Almodóvar. Mas nada explica a sua escolha para participar neste filme. Fantasias ou fétiche de realizador.

Banda sonora perfeita de Alberto Iglesias, em que Volver se destaca pela intensidade dramática, interpretado por Estrella Morente.

É o regresso de Almodóvar à sua terra natal, às sua raízes, a sua mãe.

Foi considerado o "Melhor Filme do Ano" pela
Fedéracion Internacional de la Crítica de Cine.


"Volver es un título que incluye varias vueltas para mi. He vuelto un poco más, a la comedia."

Pedro Almodóvar



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde 

10.09.2006

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Thursday, September 07, 2006

Centenário Nascimento Agostinho da Silva 1906-2006





Agostinho da Silva em sua casa (1986)
http://www.agostinhodasilva.pt

"Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem não poderemos estar certos."

Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo - Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro, Ed. Ulmeiro, 1990

Miosótis (pseudónimo)


fragmento da noite com papoilas - para me regalar a vista, terei as papoulas - * a maneira mais sóbria de homenagear o pensador, som The Air that I Breath, Simply Red, It's Only Love, Warner Music UK, Ltd, 2000

7.09.2006

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Referências:


*Agostinho da Silva, Cadernos de Lembranças, Lisboa, manuscrito, 1986

Portal Agostinho da Silva
http://www.agostinhodasilva.pt

BNP | Agostinho da Silva (2006)
http://www.bn.pt/agenda/evento-agostinho-silva.html


Monday, September 04, 2006

Apontamentos intimistas




Fotografia: Moon rises over Earth
NASA/Handout/Reuters

http://news.yahoo.com

Antes de me deitar vou aspirar a noite. Do topo de minha pequena mas sobranceira varanda, como que procurando energias para o ano de trabalho que hoje recomeça.

A lua está linda, cor bem doirada, quente, lá longe. O firmamento em tom azul-rei, profusamente engalanado de estrelas tremulares de brilho argenteo, acolhe-a.

Um avião prepara-se para aterrar depois de circundar a lua, numa paradisíaca imagem da noite, numa cidade desconhecida.

Já devia estar a dormir. Amanhã, ou melhor daqui a algumas horas, há que levantar muito cedo, mas refugio-me no Universo que me dá aconchego.
Hoje recomeça um novo ano, mas o meu local de trabalho aniquila, em crescendo, a minha criatividade, e descaracteriza-me no quotidiano.


Asfixio. Fujo das invejas, maldades, farsas, marcações, por ser diferente e deixar um lastro luminoso, sem mesmo reparar. 


Sou íntegra e simples, o que me rodeia não me interessa. E a indiferença dói aos demais.


Avanço sem entusiasmo, sem alegria, entrego-me ao estiolar da minha alma profissional, num ambiente pardacento, monótono, coeso em maldades e cobiças a capella.

Lá fora, a noite convida-me a sonhar sempre e sempre. Ergo uma prece ao Universo e peço-lhe inspiração para continuar o meu percurso de poeta da vida. 


Mas nos corredores que atravesso, no dia a dia, não há estrelas nem lua caminhante, companheira de solidão.

Apenas a monotonia agonizante me espera...


Não sei como encarar mais um ano de desencanto, de 'prisão' de ideais e de actos soltos do meu ser feito de paixões pelo que faço !


A noite vai descer... a cidade dorme.



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

4.09.2006


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Sunday, September 03, 2006

Músicas e vozes que perduraram






Thom Yorke / Radiohead
4e Festival Rock en Seine 2006 
créditos: Stephane de Sakutin/APF
via Yahoo.News


Há grupos alternative pop-rock que têm lugar cativo em meus afectos musicais.

Posso citar The Verve, Skunk Anansie, Portishead, James, Radiohead. Quase todos dos anos 90 mas que em curto lapso de tempo se decompuseram. 


Que terá levado carreiras tão promissoras, em plena ascensão, grandes sucessos, a um tempo de ruptura prematuro?

Modernidade? Parca estrutura de grupo? Sucesso desequilibrante? Individualismo?


Se pensarmos em bandas como os Stones ou os U2 (anos 80) que continuam a tocar juntos há dezenas de anos, é no mínimo um fenómeno curioso.

Enfim, tudo não passa de extrapolação, mas imbuída de muita nostalgia pelo  desaparecimento de grupos extraordinários.


Facto concreto. Todos os vocalistas, precisamente o elemento que mais notoriedade tímbrica deu aos grupos, tentam uma carreira a solo. Fácil de entender.





Richard Ashcroft

É o caso de Richard Ashcroft, Skin, Beth Gibbons, Tim Booth e Thom Yorke.

Fico sempre na expectativa, quando sei que publicam trabalhos. Mas longe da sua intertextualidade musical, dificultam o despertar das emoções a eles ligadas. Perde-se a mística.


Todos estes grupos fazem sem dúvida parte do meu imaginário afectivo musical. Todas estas vozes, contextualizadas na sua génese, tocam profundamente em minha sensibilidade.

O sentimento continua fiel, mas serenamente virado para os temas originais, em grupo.

Thom Yorke publicou há pouco um álbum e esteve presente no 4e Festival Rock en Seine 2006.

Será que conseguiu trazer de volta tempos de músicas e afectos, momentos intensos, plenos de criatividade? Não sei...

É natural que encante os novos fãs pela fama que o cerca. Mas os fãs que o acompanharam nos anos de notoriedade dos
Radiohead... duvido!

A imortalidade de temas como Plastic Tree, Creep, com versões unplugged particularmente felizes continuam a soar, para sempre, como Radiohead.



"Como é estranho gostarem de nós assim."

Pedro Paixão, Boa Noite,
Edições Cotovia, 1993

(ano de publicação do 1º trabalho de Radiohead Pablo Honey do qual faz parte o meu tema favorito, Creep)

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da noite com flores

3.09.2006

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Wednesday, August 30, 2006

Afectos em dia de Agosto



Tranquility | Kevin Thom
http://www.kevinthom.com/



O amor não é para ser afastado


com o raciocínio, ou perdido em


alta ambição ou sede de grandeza:


é uma segunda vida, cresce e invade


a alma. Aquece cada veia e bate


em cada pulsação.


Autor desconhecido


Miosótis (pseudónimo)


fragmento do alvorecer do dia em tons azul indigo, résteas de lua supensa, som Lady Suite, Maxwell MTV Unplugged, Sony Music, 1997


30.08.2006
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Saturday, August 26, 2006

Turismo com Arte ?





Jardin des Tuileries | Paris
Jean Paul Pelissier/France Reuters
http://news.yahoo.com/


Mon Père qui êtes aux cieux

Restez-y

Jacques Prévert, Citations


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de um instantâneo fotográfico irresistível! A pausa de um parisiense ou turista fruindo da Arte. 

Som Paris Love, Dingo, Chillout Xis, Universal Music Portugal, 2005/Público

26.08.2006

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Thursday, August 24, 2006

Patricia Barber




Patricia Barber | Verse
http://www.musica-la-vita.com

The coolest singer/songwriter around

Los Angeles Times

É sabido que tenho um gosto muito intimista pela música de jazz e particularmente pelo vocal jazz, quase sempre no feminino, já que as vozes masculinas não conseguem impor-se nesta área.




Patricia Barber chegou-me pelo sentir musical de alguém e num tema muito intimista Silent Partner

Miosótis (pseudónimo)

25.08.2006
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Sunday, August 20, 2006

Celebrar Mozart : Milos Forman & Agostinho da Silva






Wolfgang Amadeus Mozart
Johann Nepomuk della Croce (1736–1819)

"Mozart was a passionate dancer and attended at least 200 events and fancy-dress balls"

Austria celebra os 250 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart com um vasto programa de actividades denominado Viva Mozart ao longo do ano 2006.





Wolfgang Amadeus Mozart 

"todas as suas horas estão cheias de preocupação de dinheiro e talvez em nenhum artista se veja tão bem como em Mozart como a opressão económica as possibilidades dos homens; é certo que o seu canto vai sempre além das dificuldades monetárias, é certo que, mesmo nos dias piores, a fonte donde mana tem a pureza e a fresca harmonia das águas das montanhas; mas também é certo que as privações que lhe abreviaram a vida, que a doença que o mata aos 35 anos vem di excessivo trabalho, da falta de conforto, do íntimo desgosto perante a dureza do mundo; e é cheio de dor que Mozart sente que a morte se aproxima: não a teme por si própria, mas ela é o fim da contemplação deste mundo que tanto o encantava; não mais voltará a sentir a doce alegria das manhãs, nem o perfume das flores, nem a graça dos corpos femininos, nem a melancolia dos crepúsculos; não mais se poderá sentir irmão dos regatos e das aves, não mais as vibrações que lhe trarão as carícias dos seus reinos de sonho; a morte é um fim, um fim absoluto; mas sabem também que há-de viver na memória dos homens e que estes, a cada dia o hão-de compreender em maior número e melhor; que um Mozart eterno, renovando de hora a hora, a alegria e a beleza universais, há-de ficar para além do Mozart perecível que vai agonizar entre crise de lágrimas e relâmpagos de inspiração; no Requiem, que não chega a terminar, de que ainda, no último momento de consciência, indica, mal movendo os lábios, os toques de tambor, ele põe, juntamente com a tristeza de morrer, um canto de esperança, de confiança na vida, de certeza de que um dia ela será a gentil, preciosa, divina melodia de que sempre andou cheia a sua alma; deu-lhe batalha a existência e ele soube ganhá-la: fixou no eterno o que deve ser eterno e a melhor parte do seu ser pairou acima de todos os momentos imperfeitos; a vitória do espírito é completa com a música de Mozart; nem sabe a humanidade onde param os seus restos, porque os poucos amigos que lhe acompanhavam o enterro não tiveram coragem de romper com a tempestade de neve; mas a sua inspiração, o inultrapassável sentido de beleza, a união sem mácula da mais viva das sensibilidades e da mais pura das expressões, estarão sempre connosco, nas horas de alegria e nas horas de amargura, como um amparo, como um guia, como o Mestre mais alto de resignação heróica, de humildade e de amor, de graça inteligente e de universal simpatia. [...]

Agostinho da Silva, Mozart, Lisboa, s.n., 1941 (Iniciação, caderno de Informação Cultural), BN M. 2111 v.

in BNPortugal






Pareceu-me imprescindível associar a esta homenagem a Mozart dois autores que o celebraram, em diferentes áreas da arte. Na literatura,
 Agostinho da Siva e no cinema, Milos Forman





Amadeus
Milos Forman, 1984
créditos : Giphy

Não deixa de ser interessante relembrar que no ano 2006, ano em que se celebra o centenário de Agostinho da Silva, se celebre os 250 anos de Wolfgang Mozart.





Wolfgang Amadeus Mozart 
créditos: Time Life Pictures/Getty Images

Viva Mozart celebra este ano de 2006, os 250 anos do nascimento Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Mozart nasceu em Salzburgo, morreu em Viena.

Mais do que a efeméride, é dever da humanidade prestar tributo ao músico idolatrado pela corte, e que pobre, faminto, e muito doente, 
morre a escrever o seu Requiem (inacabado), para alimentar a família. Foi a enterrar em vala comum, no completo anonimato. 

"I fear I am writing a requiem for myself."

Wolfgang Amadeus Mozart


A sua intuição estava certa. Requiem de Mozart é o mais triste que já ouvi. Trespassa-nos a alma. Sentimos os seus últimos dias em cada nota, em cada sonoridade vocal. Um pungente e solitário  gemido final de uma beleza musical indescritível que Agostinho da Silva põe em palavras.






Wolfgang Amadeus Mozart
painting by Joseph-Siffred Duplessis
photograph: DEA/G Dagli Orti/De Agostini/Getty Images


A Biblioteca Nacional de Portugal teve patente uma exposição Mozart (1756-1791) de 1 a  30 Junho 2006.




Selo comemorativo 250 Anos/ Portugal
"Por ocasião dos 250 anos do nascimento de Mozart, a Biblioteca Nacional organiza, de 1 a 30 de Junho, na Sala de Referência, uma mostra de bibliografia portuguesa alusiva àquele músico, nascido em Salzburgo a 27 de Janeiro de 1756 e falecido em Viena a 5 de Dezembro de 1791."

BNPortugal




Amadeus 
Milos Forman, 1984

Amadeus (1984) de Milos Forman, considerado um dos 'Cem melhores filmes de sempre' é, sem dúvida, até hoje, e passados 250 anos, a maior homenagem feita a este talentoso compositor. Na minha opnião. Um obra-prima de sensibilidade e estética.

Ninguém captara a alma de Mozart como Milos Forman numa versão largamente ficcionada, e que nos aproxima ainda mais de Mozart. E nos descreve o menos talentoso Antonio Salieri

Milos Forman realizou o filme Amadeus em 1984. O guião foi escrito por Peter Shaffer, que adaptou a sua célebre peça de teatro Amadeus (1979) ao cinema. A peça foi inspirada na obra de  Pushkin Mozart and Salieri.

Forman é um dos melhores realizadores da sétima arte. Não esqueçamos o excepcional Voando sobre um Ninho de Cucos.






Amadeus
Milos Forman & Tom Hulce

A alegria, o talento, a irreverência, a solidão de um dos maiores músicos e compositores de música erudita. 
Eis a versão tão talentosa de Milos Forman.

Mozart é hoje um dos músicos mais tocados em todo o mundo.

Verdadeiros poemas musicados à vida compôs Mozart. Na sua música, tantos de nós buscamos refrigério para nossas almas.





First page of the autograph score of the aria “Conservati fedele” (K 23) 
by Wolfgang Amadeus Mozart, 1765

“Music is my life and my life is music.” 

 Wolfgang Amadeus Mozart


E sim. A música foi a sua vida desde os 6 anos, menino prodígio, até ao último dia de vida. 




Milos Forman, 1985
credits: Robert Clark / For The Times

Milos Forman morreu ontem, dia 13 Abril 2018. O grande realizador de origem checa, orfão de pais desde muito jovem, mortos em campos de concentração, durante  a 2ª Guerra Mundial. N
aturalizado  mais tarde norte-americano, deu vida a um dos mais belos filmes de sempre, Amadeus. Filme galardoado com oito Oscars na 57th Annual Academy Awards de Hollywood, Março 25, 1985.





Amadeus
Milos Forman,1984

Baseado na peça de Peter Shaffer, Amadeus retrata o génio musical do séc. XXVIII como um um adulto-criança irreverente, bem como o compositor menos dotado Antonio Salieri, como seu inimigo na sombra. 

A vida, sucessos e tormentas de Wolfgang Amadeus Mozart, contada por Antonio Salieri, o compositor contemporâneo e insanamente invejoso do talento de Mozart, acusando-se de ser ele próprio o causador da morte de Mozart. 

Um tributo merecido, dedicado a celebrar grandes nomes com um eixo comum. Mozart!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da manhã tardia, sons de reminiscência muito pessoal: Concerto Nº 23 em Lá Maior, K488.

Nostalgia. Tanta!

20.09.2006


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