O murmúrio das gotas de chuva saltitando nas vidraças fazem de volta estas noites invernosas, atravessando tempos de Natal.
O outono adentrou-se abruptamente e o inverno surgiu! Este impõe-se com um autoritarismo desmesurado, deixando paisagens inóspitas nos olhos ainda cheios dos finais de tarde em que a luminosidade bailava em subjectivas formas de poesia.
Quando se percorrem dias de sol acariciador, apesar de freso, num grito de vida, recuamos e dizemos Não! - aos brumosos dias de chuva, às frias noites que desconfortam nossa alma e nos perseguem e escorraçam das ruas tingidas pelas luzes dos faróis.
serie Manuscrito del horizonte
Juan Bautista Morán
A súbita realidade! Nem o doce quebranto da interioridade nos afaga em fragmentos de emoção! Inadequação em horas de fraternidade.
E a noite instala-se. Chuva solta nos vidros da janela. Apagam-se as luzes. Ponho estas reflexões no prato da imaginação e a sua voz apazigua as paredes da alma em um tempo discordante das paisagens intimistas.
O silêncio e a poesia por companheiros, numa música de fundo sem acordes.
"o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,"
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,"
José Luís Peixoto, poesia
Miosótis (pseudónimo)
30.10.10
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