Sabem os meus leitores que escrever sobre Outubro Rosaé quase como uma promessa. Sim, um pouco tardio eu sei, este ano, mas não há tempo finito infinito para dedicar alguns pensamentos, ideias ou factos sobre Outubro Rosa.
Um filme, um documentário, dados da ciência e um alerta às mulheres e aos homens
credits: FreePik
Vem dese Outubro 2008o meu empenhamento neste esapaço sobreOutubro Rosa. Uma causa que me move na vida real desde sempre, e que se reflecte na minha intimidade familiar.
Alargo este Outubro Rosa dedicado an cancro da mama nos homens. Começa a ter algum impacto na vida de alguns homens.
Outubro Rosa é o mês de luta e prevenção contra o cancro da mama, mulheres e homens. Uma campanha mundial anual, organizada pelas maiores associações de luta contra o cancro da mama e que teve como precursora Estée Lauder ao lançar a campanha Pink Ribbon.
Em todo o mundo, decorrem ao longo do mês, acções de apoio a tão nobre causa! Pessoas, marcas, cidades juntam-se tornando Rosa, este Outubro.
Em Portugal, oDia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, tem lugar a 30 de Outubro. Foi criado na sequência de uma Petição subscrita e entregue na Assembleia da República.
Visite o website e aí encontrará toda a informação necessária à prevenção precoce. Não se descuide!
Freqüentemente, concentramos tanta atenção no rosa e nas mulheres que esquecemos que todas as pessoas, homens e mulheres nascem com tecido mamário, tornando todos os indivíduos susceptíveis à doença.
Na verdade, os resultados do estudo relatados no JAMA Oncology mostram que os homens têm taxas de mortalidade mais elevadas do que as mulheres em todos os estágios do cancro da mama. Desconhecia.
@malefitness
O estudo mostrou que a taxa de sobrevivência global de cinco anos após o diagnóstico de cancro da mama foi de 77,6% para os homens e 86,4% para as mulheres.
Dito isto, o cancro da mama nos homens é raro, mas acontece. De acordo com a American Cancer Society, menos de 1% de todos os cancros da mama ocorrem em homens.
E como publiquei um filme sobre o cancro da mama nas mulheres Já Sinto a tua Falta (2016), um drama que poderia ser bem verídico, decidi procurar se havertia algo semelhante, tendo como personagem um homem.
Encontrei então Breast Cancer Boy (2014). Suponho que não passou nas salas de cinema, nem o vi no pequeno ecrã. Talvez agora presente em alguma plataforma streaming? Não faço a mínima ideia! Mas seria bom, para alertar atempadamente os homens.
"PINK & BLUE takes a profound look into the BRCA world examining what it is and how this genetic mutation puts both women and men at a higher risk for potentially developing numerous cancers."
Um anjo vem todas as noites: senta-se ao pé de mim, e passa sobre meu coração a asa mansa, como se fosse meu melhor amigo. Esse fantasma que chega e me abraça (asas cobrindo a ferida do flanco) (...)
“Social equality is the only basis of human happiness.”
(Mandela, a letter written on August 1, 1970) É um luto silencioso o que se sente em Qunu, a aldeia rural onde Mandela viveu parte da infância e para onde deseja voltar. Ao contrário da forma efusiva, quase celebratória, que se faz sentir nas homenagens em outros locais do país, como Joanesburgo, Houghton e sobretudo no Soweto. Em Qunu reina a serenidade. Por agora.
"A good head and good heart are always a formidable combination..."
Nelson Mandela Um ancião de Qunu defende que Mandela “tem de fazer esta (ultima) travessia da melhor forma possível”. “Vamos deixa-lo partir. Ele já trabalhou para nós”. Gosto muito da sábia mensagem deste ancião, um dos poucos mais de 200 habitantes de Qunu.
E foi no momento em que decorria em Londres a anteestreia do filme Mandela: Long Walk To Freedom, que a notícia chegou.
Duas das filhas de Mandela estavam na sala. Enquanto decorria a sessão, foram informadas da morte do pai, mas solicitaram que nada interrompesse a exibição.
Só no final, a audiência foi informada, quando o produtor Anant Singh subiu ao palco para dar a triste notícia.
"Man’s goodness is a flame that can be hidden but never extinguished"
Depois de várias semanas de grandes afazeres, pude finalmente virar-me um pouco para as coisas que me dão prazer sob ângulo mais intimista.
Voltei aos livros, à música, ao cinema. Vários filmes em cartaz! Mas decidi-me por este! Não tinha tido tempo de ler nada sobre o assunto, nem sequer de olhar algum trailer que pudesse circular por aí.
Precisava apenas de uma história calma, bem contada, se possível com boas interpretações, belo ambiente e uma apelativa banda sonora.
New York I love... comprei um perfume com este nome, em passagem por um aeroporto europeu, há um mês! Não fazia a mínima ideia que se tratava de um lançamento que tinha ligação com o filme do mesmo nome! Constatei isso, na parte do genérico final! Discreta fragrância!
Pouquíssimas pessoas permaneciam ainda na sala quando correu o extenso mas elucidativo genérico!
Detesto sair a correr depois de uma sessão de cinema! Afinal, é para fugir do stresse diário, que sempre que posso, em final de tarde de fim-de-semana, me instalo tranquilamente frente a um grande ecrã com som digital.
Bom, mas escrevia eu, que este título me fazia lembrar outros filmes, realizados por diferentes autores sobre determinada temática. O que dá uma visão pluralista sempre muito interessante!
Alguns actores me convenceram nesta escolha! John Hurt, Ethan Hawke, Kevin Bacon, Andy Garcia, Robin Wright Penn, Julie Christie, actriz de reconhecida carreira e excelentes interpretações.
Pode ler-se na sinopse:Na cidade que nunca dorme, o amor está sempre no ar. Essas paixões ganham vida nesta colaboração entre alguns dos mais imaginativos realizadores da actualidade e um elenco fora de série. Juntos criam uma espiral de relações humanas espontâneas, surpreendentes e electrizantes, acelerando o ritmo da cidade.
De Tribeca a Brooklin passando pelo Central Park, New York, I Love Youtece uma história de amor tão diversificada quanto a própria malha de Nova Iorque.
Uma antologia constituída por vários contos de amor, cada um apresentado por um realizador diferente, e protagonizados por grandes actores, situada numa das mais amadas e admiradas cidades do mundo. Nova Iorque.
São doze olhares sobre o amor, numa cidade como Nova Iorque, de imensos e diversificados recantos, que nos fazem pensar (e por vezes sorrir) nas relações entre as pessoas, quer a nível da relacionamento amoroso, quer a nível social, através do modo como circulam entre os desconhecidos com quem se cruzam nas ruas. Não saí descontente!
Cloris Leachman & Eli Wallach New York, I love you
Uma das histórias mais comoventes e, ao mesmo tempo, cheia de humor, interpretada por dois grandes actores de outros tempos: Cloris Leachman e Eli Wallach. Para ver o vídeo aqui. O amor não tem idade.
Uma vastíssima banda sonora que vai da música erudita à música pop. Muito boa, mesmo!
Homenagem final a Anthony Minghella, o excelente realizador desaparecido pouco antes do início das filmagens.
"Adorable, poignant, absorbing, and some of the finest ensemble acting in a long time."
Jeffrey Lyons, KNBC
Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite com flores, em tempo de outono brumoso, chuva, melancolia.
*Nota: Actualmente, em streaming na Prime Video se estiver interessado.a em ver! Interessante, no que concerne o tema das relações humanas numa grande cidade.
"Most people cannot see anything, but I can see what is in front of my nose with extreme clearness; the greatest writers can see trough a brick wall. My vision is not so penetrating."
W. Somerset Maugham O Véu Pintado, tradução de The Painted Veil, estava já na minha escolha cinematográfica. O actor principal Edward Norton, o facto de ser baseado num livro de W. Somerset Maugham - gosto sempre de reler os livros pelos olhos dos outros -a fotografia que me parecera lindíssima no trailer apresentado, e, como não podia deixar de ser, a banda sonora de Alexandre Desplat. Venceu os Golden Globe Awards 2007, entre outros prémios.
The Painted Veil deW. Somerset Maugham (1925) é um dos clássicos que fazem parte das minhas referências literárias.
O autor prima essencialmente pelo retrato que faz da sociedade inglesa da sua época, num estilo sóbrio e cuidado, próprio de um belo contador de histórias. Estas desenrolam-se, regra geral, em ambientes internacionais.
A sua escrita é clara, sucinta, em tom resignado ou cínico, o que o torna peculiar e inconfundível!
"I have never pretend to be anything but a story teller. it has amused me and to tell stories and I have told a great many."
Passada nos anos 20, a história conta-nos a vida de um jovem casal - Walter e Kitty - que casam pelas razões erradas. Uma história clássica para a época. Um casa por amor, Walter, o outro, Kitty, para fugir à autoridade materna. Walter, colocado em Xangai, faz com que o casal viva momentos de ruptura, quando Walter descobre a infidelidade de Kitty. Decide então voluntariar-se e apoiar como médico bacteriologista, o surto de cólera que varre a China. Parte para uma aldeia remota chinesa, levando consigo a mulher.
Sem se deter demasiado na questão política que envolve um país vivendo já algumas convulsões com o império britânico, a trama centra-se sobretudo nas relações interpessoais, apanágio deste sagaz contador de histórias, Maugham. Mais do que a história em si, demasiado clássica, embora tipifique uma determinada época, a minha motivação centrava-se bastante na beleza das imagens, em serenas paisagens, feitas em Beijing, numa estética rara do fotógrafo Stewart Dryburgh. O mesmo que se juntou a Michael Nyman no lindíssimo filme The Piano (1993).
Edward Nortoné um actor muito carismático! E embora não aprecie muitas vezes o tipo de personagens que interpreta, não posso deixar de concordar que se trata de um actor de grande qualidade. Sóbrio, quase impermeável, o seu olhar transmite um distanciamento quase absorto de sentimentos. A sua sensibilidade raramente transparece. Vira-o há pouco tempo no filmeThe Illusionistnuma história que me agradou profundamente. Aí, Edward Norton mostra-se mais humanizado.
Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica, necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças, no hospital, onde faz investigação.
Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.
Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura e pungente realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento. E acaba por se oferecer para apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.
Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade!
E revela-se, quando toma conhecimento que seu marido está mortalmente afectado pelo vírus epidémico que tanto ajudou a debelar, demonstrando uma dedicação e carinho ilimitados.
O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que o torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.
É uma história de amor, sim, mas que não chamará o grande público. Aliás, a sala estava quase vazia! Realizado porJohn Curranque com Edward Norton fez um trabalho de grande maturação e estudo aprofundado da época, denota uma intenção comum de dar a conhecer um país e sua civilização, a China, nos anos 30.
Um filme de qualidade! Sem dúvida!
"This is one of the finest films of the year" Chicago Sun-News Miosótis (pseudónimo) 20.03.2007
"Há uma força persuasiva no perfume que é mais convincente do que as palavras, do que a aparência visual, do que o sentimento e a vontade."
in O Perfume - História de um assassino, Patrick Süskind
Toda a leitura, mesmo em silêncio, é fantasiosa de sonoridades! As palavras ressoam, soltam-se em timbres que ecoam em nós como aromas de sonho e maravilhamento!
O Perfume, romance do escritor alemãoPatrick Süskindé um livro que permaneceu sempre no meu imaginário. Estranho e controverso, puro prazer de ler uma história envolta em fragrâncias.
Expressões me aromatizaram! Outras nuances do ser humano chegaram até mim!
Também eu não sou a mesma. Descobri cambiantes que, em outros momentos, não se mostrariam tão motivadores para se colarem aos meus sentidos. A história da solidão humana impregnada de luxuriantes fragrâncias, pétalas de flores poisadas, transpostas para os odores que passam através do corpo e que só provêm da essência - a alma.
E tudo isto para chegar ao filme -O Perfume- realizado porTom Tykwer (2006) esplendorosamente narrado por John Hurt. Um dos mais talentosos actores. Novas gradações, subtis aromas, grandes ensinamentos, perfumes que se soltaram em tons d'alma e deixaram os olhos dos espectadores inundados de beleza, apesar do macabro, num jogo de imagens que o realizador soube impregnar de estética. Aspirei e ouvi todas as tonalidades, o ar que respirava, a cadência da brisa que aflorou, me tocou, atravessando-me numa dicotomia entre macia, aterradora, quente, gélida, acariciadora, agressiva.
Foi uma nova leitura! Fascinada, segui suspensa da imagem odorífica deslumbrante, pungente, de um ser tão humanamente triste e solitário.
E senti os odores, os aromas envolventes, a cada inspiração profunda, oscilante. Sinestesias de cheiros acres, ácidos, suaves, doces, enriquecidos com a especiaria dos sentidos. O aroma de uma alma imensamente só ficou suspenso em mim sussurrante, perfumada pela sua imensa dor!
Fotografia de infindável perfeição estética, exuberante, visual e pictórica de Frank Griebe.
E assim passo da leitura para a música, um mundo de êxtase transbordando em sons, melodias, esparsas de profunda sonoridade. Aspersão de fragrâncias visuais e sensitivas de incomensurável leveza. As músicas, as leituras, os filmes são indissociáveis. Sonoridades, aromas, sentires longínquos de litanias e reminiscências.
(...)
o perfume azul de um corpo adivinhado ou um oásis de silêncio a brancura de um lírio que nascesse do seio do espaço Branca dourada ou transparente flexível como a água ou uma folha oval apenas esboçada vacilando luz misteriosamente pura inacessível já voando para o alto. António Ramos Rosa, Antologia Poética, Publicações Dom Quixote, 2001
Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite, música de Tom Tykwer, Johnny Klimek e Reinhold Heil, executada pela Orquestra Filarmónica de Berlim