Sunday, April 23, 2006

Dia Mundial do Livro e Direitos de Autor 2006

 
 
 


Poetas 1983* 
Júlio Pomar 
via Google Images Archive



(...)
Il y a des livres qu'on lit en marche

[et c'est aussi á cause de leur format];

Tels sont pour les forêts, tels pour d'autres

campagnes. (...)


André Gide
, Ronde des Livres


Celebra-se hoje o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, é sabido!


A melhor maneira de expressar a importância dos livros em meu dia-a-dia é deixar aqui curtos excertos de alguns livros que já li.


Seria infindável a pincelada de letras! São tantos tantos os que gostaria aqui esboçar!!


É que os livros são o meu respirar, o meu salto para o universo, os sons mudos que me acompanham na ausência do viver !

 
"em cada página, o teu olhar. em cada montanha,

a tua voz. deixa-me falar contigo. lembro-me

tão bem de tudo o que me disseste." (...)




José Luís Peixoto, Os Livros, in A Casa a Escuridão, 


Temas & Debates, Outubro 2002


"Não podiam, no entanto, furtar-se ao odor, dado que o odor era irmão da respiração. Penetrava nos homens em simultâneo com ela; não podiam erguer-lhe obstáculos, caso lhes interessasse viver. E o odor penetrava directamente neles até ao coração e ali tomava decisões sobre a simpatia eo desprezo, a repugnância e o desejo, o amor e o ódio. 

(...)


Pretendia exteriorizar o seu mundo interior, apenas isso, o seu mundo interior que ele achava mais belo do que tudo o que o mundo exterior tinha a oferecer-lhe." 

(...)

 
Patrick Süskind, in O Perfume, Editorial Presença, 1994, 8ª edição


"Tenho de reparar vivissimamente nas coisas, enquanto são ainda coisas para reparar, fixar-me no instante em que uma cor é miraculosamente uma cor, e um cheiro me afecta na sua realidade misteriosa e um som, um ruído - Ca...an...ta! "

(...)


Vergílio Ferreira
, in Para Sempre, Livraria Bertrand, 1983


Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que quer dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado.

(...)

-eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram. 

(...)

Herberto Hélder, in A Colher na Boca, 1961


"Abri os olhos. À minha frente estava uma senhora, não muito jovem, acima dos cinquenta, pareceu-me, pelas pequenas rugas em volta dos olhos, mas com um rosto luminoso, ainda fresco. Algumas madeixas brancas, quase imperceptíveis, como se as tivesse descolorado de propósito, uma coqueteria, como que para dizer não pretendo fazer-me passar por uma rapariga, mas também não aparento a idade que tenho. Era bonita, mas em jovem deveria ter sido lindíssima. Estava a acariciar-me a testa." 

(...)

Umberto Eco, in A Misteriosa Chama da Rainha Loana
Diffel, 2005


Debaixo da amendoeira da tua amiga,
Quando a primeira lua de Agosto
Se levantar em cima da casa,
Poderás sonhar, se os deuses sorrirem,
Sonhos de um outro.


Antiga canção chinesa


Quantos mais poderia incluir...


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com aromas de livros, sons de Only when I sleep - The Corrs - unplugged, MTV Productions Europe, 1999


23.04.2006

actualizado 23.04.2026

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* Poetas no quadro de Pomar : Baudelaire, Poe, Mallarmé, Pessoa

 

Saturday, April 22, 2006

Dia da Terra 2006



Fotografia: 7-how-7 (USA)
Earthday 2006

http://www.flickr.com/photos/7-how-7


Pastoral


A terra inocente

abre-se ao ardor

de oiro de uma flauta

- será que o pastor

ou a primavera

desperta e se exalta?


Eugénio de Andrade, Escrita da Terra e Outros Epitáfios
Editora Limiar


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos no Dia da Terra


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Saturday, April 15, 2006

Páscoa & Tradições



Fotografia: Srdjan Zivulovic/Reuters

http://news.yahoo.com/photos/

"Mil são as espécies de homens, e mil os seus hábitos. Cada um tem seu próprio querer, e vive com um sentimento que nem todos partilham." (...)


Nuno Júdice, Relendo Pérsio, Cartografia de Emoções, 
Publicações Dom Quixote, 2001

 
Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, sábado chuvoso


15.04.2006
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Friday, April 14, 2006

Páscoa desigual




Foto: UNICEF/HQ06-0028/Brendan Bannon
 http://www.unicef.org/uk



Ante o frio,

faz com o coração

o contrário do que fazes com o corpo:

despe-o.

Quanto mais nu,

mais ele encontrará

o unico agasalho possível

- um outro coração.

Conselho do avô

Mia Couto, A Chuva Pasmada,
Editorial Caminho, 2004



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, Sexta-feira Santa

14.04.2006
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Sunday, April 09, 2006

A flor de pessegueiro : suas simbologias !






créditos: Karen Bleier|AFP
https://news.yahoo.com/photos


(...)
Se o vento da primavera

ignora o sentir de um coração

porque sopra para mim as pétalas da flor.


Wang Wei
,
 
王維 699–759
Poemas, Instituto Cultural de Macau, 1993


A flor de pessegueiro é, devido à sua floração precoce, um símbolo da Primavera.  

As festas celebradas no Japão em honra da flor do pessegueiro (Momo) parecem adicionar a esta, a dupla noção de pureza e fidelidade.  

A China faz da flor de pessegueiro símbolo de renovação e de fecundidade. Também um símbolo do casamento.


Miosotis (pseudónimo)

fragmentos da noite com aromas de flores de pessegueiro

08.04.2006

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Wednesday, April 05, 2006

Aromas de Primavera





créditos: Omar Torres|AFP
https://news.yahoo.com/photos/


"O perfume do sonho envolvia-a, debaixo do
docel de folhas da árvore," (...)

Luisa Dacosta, O Perfume do Sonho, na Tarde, Ed. Asa, 2004

Ontem, cheirei a Primavera!


Saí já tarde, depois de ter passado o dia enclausurada numa espécie de capela, de amplos tectos e sombrios espaços frios.

O sol apenas batia nas janelas altas, de onde vislumbrava pedaços de azul por entre os ramos de uma magnolia branca completamente em flor.

Sempre que levantava a cabeça para respirar, o ar que me chegava em jeito de lufada fantasiada pela força do espaço austero, fechado, visivelmente pintava em meu olhar o mar... ali tão perto! Liberdade! Nostalgia! Azul!

Alguns cantos alegres de pássaros eclodiam em meus ouvidos! Aí me refugiava, distanciando-me do vozear em surdina como gralhas sem asas que se amontoavam em meu redor!

Finalmente pus o pé fora do edifício, passavam poucos minutos das seis da tarde.

A luminosidade a que já me desabituara, depois de um inverno tão austero e gélido, bateu-me em cheio na alma! Calor?! Sol?! Cheiro a terra e flor?!

Parei! E olhei o firmamento azul claro, da cor de miosótis! Estava belo, sedutor, apetecível ao toque sereno e frágil de dedos de pétalas inundados de poesia.

Sorvi cada pedacinho de ar morno, cálido. Em passo largho, aspirava com profundo e requintado prazer. O final de tarde pairava à minha volta, tal flor perfumada e desperta pelo odor das ondas quentes, trazido em pequenas lufadas de aragem em festa ritmada e bafo solto.

Tudo ali ao alcance da mão e do olhar!

"Fica sentado aí onde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços" (...)

Sebastião da Gama, Poesia, Serra-Mãe, Ática, 1996


Miosotis (pseudónimo) ©2006

fragmentos da noite com aromas de poesia, pairando nas palavras soltas

5.04.2006
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Wednesday, March 29, 2006

Sons & Tonalidades




James
Fotografia Laurie Russinko

http://www.jamestheband.com


Não sei se pelo tempo chuvoso, se pela alma solitária, hoje apeteceu-me (re)ouvir James Live.
 

Há sons que mexem com as diferentes tonalidades de meu ser! Vozes que me chamam para diferentes viagens.


Não sou monocromática, tenho sons de muitas cores no meu imaginário e minha alma sente músicas de muitas expressões em fusão de sons. 

 
É como um livro! Há livros para momentos dispersos, para íntimos chorares, para expostas alegrias ao vento, para abertos lugares com encontros d'alma!


Livros e músicas vão de alma para alma! É o repescar de um sentir que vem bater-nos em cheio em mil paixões, ou simplesmente o entreabrir mansamente o espaço mais recôndito do nosso eu!

 
Mas a musica é o grito d'alma por excelência! É a expressão mais libertadora desta amálgama de seres e sentires que nos ocupa. É a implosão e a explosão! É a Alma em toda a essencialidade! É a eternidade! É a espiritualidade!


Há bandas que me expõem mais intensamente aos meus pulsares. Já falei neste blog de alguns grupos e sonoridades que me prendem! Variados!


Hoje, a alma pediu-me James! Uma banda ou grupo (não me prendo com essas pseudo definições) que aprecio incondicionalmente, pelos sentires que vai/vão rebuscar lá no âmago de meu ser! 
Se me perguntarem o que gosto ou gostava, já que a banda ou grupo, como lhe queiramos chamar se desagregou há poucos anos... acho que só falaria por metáforas usadas!

 
Tim Burton, o vocalista continua a solo. Mas... falta-lhe a fusão dos restantes tons/membros do grupo.


É como os Queen! A banda sem Freddy Mercury nunca mais pulsou aquela paixão que lhe dava o jeito musical próprio.


Beth Gibbons, vocalista dos Portishead! A magia das sonoridades desfez-se! 

 
E que será de U2 separada da inconfundível voz de Bono?!

 
Posso falar de alma no plural? Dualidade?! 
 
Há seres que só têm expressão em empatia com determinado(s) outro(s). E quando esta se desfaz, desfaz-se o encantamento, o despoletar de emoções, o explodir do Ser!


"Mil são as espécies dos homens, e mil os seus hábitos. Cada um tem o seu próprio querer, e vive com um sentimento que nem todos partilham." (...)

Nuno Júdice, Relendo Pérsio, Cartografia de Emoções


Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite ao som de James, entre Say Something & Waltzing Along & Laid


29.06.2006

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Sunday, March 26, 2006

Quietude





Anoushka Shankar*
Grammy Rise 2006
créditos: Rash Nirgude | AFP 
via Yahoo news


"Estamos constantemente a falar de nós mesmos. Passamos o nosso tempo preocupados com o passado, que não existe - já aconteceu. Ou preocupados com o futuro. Que também não existe - ainda não aconteceu. O resultado é que perdemos a consciência do momento presente da nossa vida e quase não o sentimos passar. Comemos, mas não saboreamos, ouvimos, mas não escutamos, amamos mas não sentimos. Passamos a nossa vida perdidos na nossa cabeça.


Para aceder ao ponto de quietude, temos de nos voltar para o interior.

Senta-te confortavelmente, fecha os olhos e relaxa. Durante quinze minutos apenas ouve sem mexer o corpo e a mente. Apenas ouve. Não te concentres em nenhum som, não sigas nehuma sequência particular de sons. Durante quinze minutos, apenas ouve." (...)


John Daido Loori, The Zen of Creativity

via União Budistam Porto


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em quietude

26.03.2006

actualizado 01.11.2025

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*Nota: Anoushka Shankar, irmã de Norah Jones, filhas de Ravir Shankar. guru de George Harris, o mais espiritual dos Beatles
 



Sunday, March 19, 2006

Lunar



Foto: Lee Jae Won | Reuters



"Sou aquele que sonhou com tudo aquilo que é proibido sonhar. Sou aquele que é todos estes e muito mais do que estes e que caminha por um passeio deserto, o nevoeiro, o brilho morrente da luz na água fina da chuva, sob um céu cinzento, sob a lua como um ponto para onde tudo se dirige.

A manhã ainda é lunar (...)

José Luís Peixoto, Lunar, Antídoto, Setembro 2003


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite lunar

19.03.2006
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Friday, March 10, 2006

Sentires



photo: Clive Rose | Reuters
"... eternamente à luz do sol que não há, a da lua que não pode haver."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Não sei mais expressar o que me vai na alma! De repente, dou comigo muda, sem vontade de colocar em palavras, o sentir solitário do meu ser.


Houve tempo que tinha tanta coisa para cantar! Mas, a dor me fez emudecer. Calei!
 

Volteava em função dos meus sonhos, feliz, solta, nas enormes paisagens, profundos azuis, cor do meu sentir. Sentir amor.
 

Cada pedaço de vida, eu deixava escapulir e compunha doces cartas, memorandos de afectos, textos poéticos em prosa solta que falavam de uma intensidade sem limites.
 

Hoje esmaecida, mulher terna, agrilhoada, vejo-me neste imenso vaguear de braços suspensos entre o sol e a lua, em permanente silêncio boreal !

E nos curtos intervalos de conversa, quando fico a sós comigo mesma, revejo cada carícia que não tive num compasso de vida que não existiu.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite
09.03.2006 
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Wednesday, March 08, 2006

Homenagem a uma mulher : Dana Reeve





Dana Reeve [1961-2006)
http://www.chrisreevehomepage.com/

Dana Reeve, a viúvado actor Christopher Reeve, Superman ao lado de quem incansavelmente se manteve na luta para descobrir novos tratamentos para as vítimas de paralisia, após acidentes traumáticos, morreu de doença prolongada.

"The brightest light has gone out." 

Robin Williams


no Dia Internacional da Mulher, 8 Março 2006, com uma flor para Dana

Não deixe de visitar a Christopher & Dana Reeve Foundation



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos  da noite com flores

08.03.2006

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Thursday, March 02, 2006

Pensamento budista



Foto: autor não identificado



«A boca só fala do que o coração está cheio, verifique sempre o conteúdo do seu coração»

Mahatma Gandhi


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, no silêncio da chuva


2.03.2006
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Tuesday, February 28, 2006

Miosótis: simbólica








Miosótis Azul* 
http://www.bioimages.org.uk


Miosótis

Belas, perfumadas,
se encontravam no salão!
Testemunhas de um amor,
Rodopiávamos na valsa
das flores.

E, como flor, estavas connosco,
vibrávamos, amávamos,
flores esparsas.
pares dispersos, acompanhavam
um ritual de amor.

A orquestra entoava todos os acordes,
bailávamos, coração aos saltos!
Festa de miosótis caíam pelo chão,
De suas pequeninas pétalas,
apanhei algumas, beijei-as,
e as entreguei na tua mão!

Ficaste-me nos olhos.
Duas lágrimas,
duas pérolas,
deslizaram no meu rosto cálido!

Ofegante te enlacei,
com mais amor,
continuamos a bailar
miosótis pelo chão!...

Eda Carneiro da Rocha


Dedicado com ternura a Anjo Guerreiro em fragmentodanoitecomflores 1.02.2006 http://oanjoguerreiro.blogs.sapo.pt

Agradecimento carinhoso a SigurHead pela dádiva em NotasFrágeis 27.02.2006 http://notasfrageis.blogspot.com


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

28.02.2006

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* Simbologia do miosótis azul: "Não me esqueças"

          

Monday, February 20, 2006

Corrente, a pedido



Ilustração Don Quijote de la Mancha
http://www.donquijotedelamancha2005.com

Depois de íntima meditação sobre o pedido de Tacitus, anui a continuar a corrente. 

O conceito de corrente tem em meu sentir qualquer coisa de mágico! Não sei!! É assim que vejo estes movimentos que partem sempre de alguém em momentos de compromisso com rituais de fé ou momentos de aflição. E por isso, não deve ser quebrada.


Daí que me atreva a reproduzir a mensagem para que ela siga seu percurso...

Regras da corrente:


"Cada bloguista participante tem que enumerar cinco manias*suas, hábitos pessoais que o diferencie

do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem que escolher cinco outros bloguistas, para entrarem, igualmente, no jogo, não esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento*. Além disso, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

Veremos se consigo falar de gestos simples...


1. Da música - A música tem em minha vida um lugar premente! É coisa minha andar com os sons agarrados à alquimia dos gestos e dos pensamentos.


Meus devaneios melódicos são tão diversificados que difícil se torna definir prioridades ou cedências! Jazz, rock, pop, erudita... oiço segundo os estados d'alma, vivo ou grazzioso, em ritmos de interioridade.

Dos instrumentos - sax baixo e piano, sons de encantos, zen, estremecimento do ser que me povoa, a solo e/ou integrados em fusões multisensoriais policromáticas.

Gestos - Ouvir - ao vivo, se possível!

A mística de um ritual de partilha, plateias de culto, serenas ou exuberantes, músicos sóbrios, minimalistas, ofuscantes, sons inebriantes, matizes de imagens periféricas.

2. Dos livros - Adoro ler! Os livros, objectos sagrados, ocultos companheiros meus! Seduzem-me pelos espaços intimistas, em miscigenação de sentimentos fortes, delicados, sensíveis!

Alegria, dor, desilusão, esperança, o mapa emocional que busco e guardo em momentos de partilha.

Gestos - Abrir um livro, em espaços e tempos!

Percorro linhas ou páginas... e refugio-me! Refugio-me e desconheço tudo em volta, absorta nas paisagens sensitivas.

Folheio com a delicadeza de um gesto, tacteio suavemente o papel, aspiro os odores que se desprendem.

Anoto, passo um traço muito suave, sempre a lápis, em passagens ou palavras que me prendem, encantam, alheam! O livro tem outras margens... gosto de escrevê-las imaginariamente!

Ah! Nunca empresto um livro! Desnudar muitos pedaços de minh'alma, isso seria.

3. Das palavras - Houve tempo em que conversar era um prazer! Os olhos, as mãos, dizem também tanto! Mas...

A corrente/torrente de encantamentos ligada às palavras vulgariza-se!

Gesto - Calar... calar...

4. Dos prazeres - Logo pela manhã, perfumar meus espaços com uma serena taça de café. O aroma-rei dos tempos cosmopolistas-

Gestos - Fruir cada sorvedela do néctar castanho-forte cor-de-ferro! Degustar o paladar, as sensações de bem-estar que dele se desprendem! Um óptimo ritual a partilhar...

5. Do mar... do... mar...

Que dizer do mar....Oh! É o meu âmago! É meu outro lado, a minha essência, em escuta permanente. É a minha caminhada para além... o além... A imensidade, a tranquilidade, a paz, a sobrenaturalidade.

Gestos - Respirar, aspirar, sorver as veredas de maresia, enlear-me no cadenciado marulhar das vagas, mergulhar o olhar no profundo azul-prata, e galgar, e galgar, e galgar distâncias em danças de suspensos passos, voos de inimagináveis asas, espelhos duplos de paisagens insubjugadas de um olhar eterno.


São estes os cinco gestos de um meu ser matizado pela doce voz de Madelyn IrisBono, interpretando Drowning Man.*

Requisito cinco contributos para a corrente. E passo a citar:

  • Memories
  • SigurHead
  • Clife
  • Anjo Guerreiro
  • Dark Angel
Desculpem a ousadia, devo passar a corrente...


Miosotis (pseudónimo)
(texto original)

fragmentos da noite com flores 
22.02.2006

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Referências: 


Agradecimento - Blog de Clife


Nota: A imagem de Quixote, encontrada em noite de investida cultural, é uma das composições/interpretações mais aliciantes. Talvez a que mais poeticamente me tocou, de todas as que já admirei desse cavaleiro da intemporalidade.

Foi ela que deu vida e sonho ao texto/corrente. E no entanto, poucos opinaram sobre a bela densidade humanística que ela encerra! Subjectividades.

Sunday, February 12, 2006

Sonhos em noite de lua





foto: Fethi Belaid/AFP



Da minha janela, vizinha do firmamento, assisti ao nascer do sol!


Ao longe o mar, envolto em névoas esparsas, irisadas, espraiavam-se em ritmo largho de movimentos sonolentos, feiticistas!


As últimas estrelas faziam lucilar seu oiro-prata num azul aguado e o perfume da noite desfragmentava-se em mil aromas!

Temendo sobressaltar os seres de alma vagueante, absortos e perdidos tantas vezes de seu caminho, envoltos de de aspirações delicadas não vividas, o Sol abriu a porta do hemisfério, muito de mansinho...

- Assustaste-me! Não dei pelo passar da noite! - exclamei ainda na fronteira do sonho e do sono.

- Vim fazer-te companhia... Sentemo-nos ainda um pouco! Tenho uma surpresa para ti! Abre as tuas mãos para eu depor nelas o meu presente! Vê tu mesma...

- Para mim?... mesmo para mim?!

Na minha mão um pássaro! Seu peito desenhado em penas de um vermelho quente.

- Parece um coração...



- E é um coração... o meu! Cheio de amor por ti! Trouxe-o para que ele possa poisar na noite terna dos teus cabelos de nuvens brancas irisadas em raios de oiro!


Então, sacudi meus cabelos com doçura! E o sol afogou sua luza ternura cálida que apagava todas as imagens. Fechou-se também o sonho da mulher que, finalmente adormeceu.


Miosótis (pseudónimo)
©texto original

fragmentos da manhã de um outro dia, 11 Fev. 2006
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Wednesday, February 01, 2006

Silêncios com poema




Imagem: Memoirs of a Geisha

http://sonypictures.com/movies/memoirsofageisha


As cortinas de jade filtram a luz dos pirilampos,

silenciam-se as vozes no Palácio Dourado.

Noite de Outono, ela sem dormir,

uma luz solitária debruada a seda e a tule.

(...)

Wang Wei,
Poemas
701-761


A arte e a vida é esta simbiose de beleza pressentida!



Miosótis (pseudónimo) 

fragmentos da noite com flores


01.02.2006
(um ano e duas noites após ter vindo habitar meu novo e humilde recanto, enfeitado com esperança azul-luar, templo de meu ser)

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