Monday, January 02, 2006

Sinos ancestrais para o Novo Ano !






credits: AP/ China
https://news.yahoo.com/


"Os homens volteiam no ar, tocam música no vento," [...]

Wang Wei, Visita ao templo do monge Fu, Poemas
701-761


Ano do Cão - Luz do Sol!

Bom Ano 2006! 



Miosótis (pseudónimo)

02.01.2006
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Sunday, January 01, 2006

Silêncios em blue





Imagem* Autor não identificado

www.sapo.pt



[...] ele escrevia o meu nome num papel ele sentava-se
numa cadeira e o luar era a luz de um candeeiro
sobre as palavras escritas.

ele disse amo-te.

[...] ele escreveu o meu nome durante muitos anos.
eu perguntei porque continuas a escrever
o meu nome? ele olhou para mim, e perguntou
quem és tu?

José Luìs Peixoto, O Escritor, 2002



Aqui não há vozes, só a tua ausência


Eu segurava com todo o amor de lua a tua doce cabeça que poisava em mim, seda pura. E de olhos semicerrados, com mil afagos ternos, eu te beijava serenamente, em silêncio, receosa de te perder, de te sobressaltar.


Exausta da brutalidade dos espaços, dos prantos e da vida, (re)encontrava em ti, meu profundo amigo, aquele afecto eterno, inexperienciado em outros templos.

A lua elevava-se no universo, iluminando com sua luz azul anil, da cor deste sonho, que eu teimava em pintar. Entrelaçávamos nossos corpos, bebendo gotas de orvalho, e assim permanecíamos sedentos de afecto e mil carícias. Só nós as sabíamos sentir no toque virginal que nos habitava.

Cortinas de pirilampos filtravam os olhares indiscretos, mundanos, duros, daqueles que não reconhecem o amor intemporal. Tu eras sol, eu era lua. Jardins e aromas raros desabrochavam, impregnando suavemente este doce cântico de sons distantes, trazidos para além dos tempos.

Um retrato sagrado, do imenso carinho que nos unia. Regressavas esmorecido, as tuas asas encharcadas, semi-partidas, de voos agrestes e intempestivos.

E um dia partiste, sem voltar. Partiste, e não disseste a verdade. Prometeste escrever, regressar com os gansos selvagens. E não voltaste! A tua voz extinguiu-se, e o meu pranto brotou.

Hoje entendo que outras paixões te povoam, encantam sofregamente. Seduzido pela beleza exterior do efémero corpo de mulheres, tu buscas outras mãos mais prementes de sensações fortes, carnais, momentâneas, mesmo tendo como fingimento a não alma, e se desnudam, para atrair tuas asas de eterno Ícaro.

Tudo neste mundo é sonho e ilusão. Alguns enlouquecem de tanto cantar o amor. A minha idade um bosque de bambus. Ao entardecer, as aves regressam aos pares. E eu emudecida, observo.

Pedaços de brisa, o luar, a solidão. As pétalas de lótus deixo cair de minhas mãos. Apenas nuvens brancas. Volto a casa derrotada, fecho a grade do jardim do tempo.


(...) há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. (...)

José Luís Peixoto, A mulher mais bonita do mundo, 2002


Miosótis (pseudónimo)
 ©texto original, 01.01.2006
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(de encontro ao silêncio, dentro do mundo, em noite do amanhecer de um novo ano)


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* A imagem belíssima, publicada em tons de cobre e oiro, encontrei-a há alguns anos, num fórum de discussão. Guardei-a como se me tivesse sido dedicada.


Mais tarde, encontrei-a num motor de busca. Não tinha autor identificada. Hoje publiquei-a na cor que melhor transmite a luz do luar, a minha.

Que me perdoe ao autor! Ou então que se identifique...

Wednesday, December 28, 2005

Mondo - Le Clézio




[...] Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.

(...)


Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre.(...)

Le Clézio, Mondo, Mondo et autres histoires, Gallimard folio, 1978

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
28.12.2005



Monday, December 26, 2005

Lágrimas de Natal




Foto: Ali Jarekji/ Reuters
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(...) um instante na memória de chegares é mais valioso
do que jardins, do que montanhas, do que anos de
tempo.(...)



José Luís Peixoto *
Carta de Natal


Na noite, o silêncio fez-se ainda mais profundo. Percorri os espaços, busquei matizes, esperei sons. Ansiei ver teu rosto poisado em minhas mãos, cheirar os teus cabelos, tocar em tuas mãos para te poder agradecer todo o carinho/amor(?) que me dedicas.


Pedi aos anjos do Universo que, neste noite especial descem mais perto, ascultando nosso sentir, para me trazer a tua voz, tua presença em corpo físico. E eles me responderam:

- Fixa bem as estrelas! E ergue teu pensamento. Ele te captará! Virá ao teu encontro, pressuroso, meigo, tímido, inseguro como tu!
Também ele anseia poder segurar teu rosto, beijar teus cabelos perfumados,  segurar tuas mãos com toda a ternura que lhe emana da alma em sobressalto.

Airosamente, percorri uma imensa planície de nuvens, colhi flores poisadas nelas. Queria aromatizar teu caminhar. Até que uma montanha de algodão negro me fez parar. Tu não vieste. E a tua voz não chegou, em murmúrios ternos e sentidos.

- Anjos! Por que teima meu amigo em se esconder por trás desta montanha de algodão negro?! - perguntei em tom de lamento entristecido.

De uma flor de pétalas de seda, caíu silenciosa uma gota de orvalho, linda, transparente, grossa como uma bago de uva solto.

E minh'alma errante recolheu-se envergonhada, cansada, entristecida, sozinha, em mais uma noite de Natal!

[...] fico acordado de noite, com a esperança secreta de
que possas regressar. [...] *

* José luìs Peixoto, Lembrança de perder tudo, A Casa, a Escuridão, Outubro 2002


Miosótis (pseudónimo)


texto original, 25.12. 2005
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fragmentos de uma noite de natal



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Thursday, December 22, 2005

Imaginários


As lendas, mitos, e outras histórias têm povoado o imaginário dos povos ao longo dos séculos.


Não é por acaso que se transformam em magia. E assim (sobre)vivemos no nosso dia-a-dia, neste sem graça nem encantamento.

É como criar uma floresta de enganos, onde entramos como refúgio e saímos com novas forças para a batalha final!

texto: Miosótis (original)

(revendo parte da saga "Senhor dos Anéis")

Não me creio pagã ou cristã. O Homem quando começou a sua existência não se dividia por religiões. 

Sou, existo enquanto passo, fruo quando vejo e sinto, aspiro cada pedaço de Universo e respiro a brisa que me energiza. 


Ligo-me a ritos e magias intimistas, neste contacto frequente, e sobrevivo a cada instante.

(comentário de minha autoria, deixado no blog de meu unico leitor)




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

22.12.2005
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Monday, December 12, 2005

Intimité & amour







crédits: Dolores Ochoa/AP
via Yahoo photos



«Je veux qu'ils vivent de confiance et d'intimité avec celui qu'ils aiment et qui les aime...»

Jésus Christ à Soeur Josefa


(trouvé dans la petite église Trinità dei Monti, à Rome, en haut de l'escalier de la Piazza di Spagna, un samedi soir, le 20 novembre 2004.


Dans ma solitude, parmi la foule et la bruit, je suis montée là haut pour écouter mon âme en silence profond.

Sur le banc où je venais de m'asseoir, cette petite phrase était écrite sur un petit papier vert, juste à côté de moi. Un ange l'avait déposé!



Miosótis (pseudónimo)

©texto original


fragmentos da noite com flores, tempo de intimidade

12.12.2005

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Monday, November 28, 2005

Paisagens nocturnas





Foto Gregory Bull/ AP

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A noite pode tornar-se objecto de grande magia! As luzes, reflectidas nos pavimentos sombrios, entrecruzam-se, criando espaços multifacetados de ilusões opticas.

Em dias chuvosos, essas sensações visuais são ainda mais delirantes na sua expansão policromática! É como um imenso arco-íris nocturno formado de mil nuances, pequenos espelhos de um caleidoscópio.

Gosto da noite nas grandes cidades! As múltiplas luzes intermitentes de néon cativam o olhar dos transeuntes, transmitindo-lhes sonho e ilusão, numa torrente incontrolável!

Quem não deseja, nem que por momentos, dar o salto deste mundo prosaico para um espaço - o seu espaço sideral - na busca da transmutação de se evaporar num sopro.


Miosótis (pseudónimo)
texto original
(visualização em noite de invernia)




fragmentos da noite com flores

28.11.2011
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Saturday, November 19, 2005

Luz




Foto Jantilal/ AFP
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«O homem perfeito usa a sua mente como um espelho. Ela nada aprisiona e nada recusa.»

Soshi
Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
19.11.2005



Sunday, November 13, 2005

Paisagens





Foto Haynes/ AFP

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[...]
Mas uma alma não se

deixa podar, como a árvore. O seu crescimento faz-se sobre si mesma, não
perde as folhas de um inverno para o outro; e as novas flores e frutos
crescem
sobre outras flores e frutos, juntando-se nessa mistura que
obriga o homem a decidir, a ter de esquecer partes da sua vida,
mesmo que saiba que a alma guarda tudo, e que um dia tudo voltará
ao de cima. [...]


Nuno Júdice, Migrações,
2001


Miosótis (pseudónimo)



fragmentos da noite com flores

13.11.2005
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Saturday, November 05, 2005

Carícias





Foto: Pas Stringer/ Reuters

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«...É verdade que o amor não é
apenas um registo de memórias. É no presente
que temos de o encontrar...»

Nuno Júdice, Poema




O que impede o ser humano de exprimir a sua ternura, dia-a-dia, de um gesto tão simples e encantador como este?

O que destruiu a sua capacidade de amar de um sentimento docemente verdadeiro, sem calculismos, traições, ambiguidades, distorsões?


Hoje, o amor não existe e aquele que deixa queimar sua alma na entrega sincera dos afectos, vê-se irremediavelmente só!



Miosótis (pseudónimo)
texto original




fragmentos da noite com flores
05.11.2005


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Wednesday, November 02, 2005

Introspecção com azul em fundo





Foto: Jose Luis Roca /AFP

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Há momentos de grande tempestade introspectiva. E neles, a noss'alma só se refresca na contemplação da Natrueza. Tudo ai está em seu lugar, segue seu ritmo, numa acalmia que brota da água renovadora e purifcadora.

Quem me dera poder fruir destes instantes e ser pássaro livre, voar e sacudir as penas tão levemente como um suspirar! 





Miosótis (pseudónimo)
(texto original)


fragmentos da noite com flores

02.11.2005
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Sunday, October 23, 2005

Silhuetas





Foto Rajesh Kumar Singh / APF

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Lembranças fluídas... Cinza de brocado...
Irrealidade anil que em mim ondeia...
(...)

Mário de Sá-Carneiro, Distante Melodia,
Poesias
(excerto)


Silhuetas de pensamentos meus percorrem serenamente longínquas paisagens . Estios doces, abafados, fins-de-tarde junto ao rio. 

As fragrâncias que se desprendem, leves como brisas, trazem-me uma paz profunda. E minh'alma solta-se com suavidade.

Miosótis (pseudónimo)
©variação original sob mote de Mário de Sá-Carneiro

fragmentos da noite com flores
23.10.2005
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Monday, October 10, 2005

Setembro volta



Foto: Johannes Eiselen /APF/DDP
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Em Setembro a contrução do ser torna-se mais fácil:
o outono, com a sua melancolia, empresta um estranho
perfume de terra ao espiríto.

excerto de "A contrução do ser"

Nuno Júdice,
Cartografia de Emoções, 

Publicações Dom Quixote, Lisboa 2001, 1ª edição


Setembro já arrasta melancolia. E eu deixo-me levar como água que desliza em rio calmo. Final de tarde. Sol desmaiando em reflexos prata poisado na água. Quieta, medito.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
10.10.2005
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Wednesday, October 05, 2005

Janis Joplin, tributo simples





Janis Joplin




When I'm there
I'm not here. I
can´t talk about
my singing: I'm
inside it. How can
you describe
something you're
inside of?

Janis Joplin (1943-1970)



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite, relembrando Janis Jopling

05.11.2005


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Monday, September 26, 2005

Le Jardin





Foto jardin d'Atmosphère - Petit Bordeaux
www.jardinature.net


Des milliers et des milliers d'années
Ne sauraient suffire
Pour dire
La petite seconde d'éternité
Où tu m'as embrassé
Où je t'ai embrassée
Un matin dans la lumière de l'hiver
Au parc Montsouris à Paris
à Paris
Sur la terre
La terre qui est un astre.


Jacques Prévert, Le Jardin


Imagens que nos trazem poesia...

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

26.09.2005
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Saturday, September 17, 2005

Cinderella Man & Million Dollars Baby : apontamentos




Cinderella Man, 2005
« I have to believe when things are bad we can change them»

Já escrevi sobre cinema e sobre a magia que ele pode exercer no espectador, no momento em que o ecrã se funde com o olhar.


Devo dizer que abomino boxe, desporto violento, onde a regra máxima é não obedecer à ética, mas sim destruir o adversário!




Million Dollars Baby, (2004)


E, no entanto, já é o segundo filme passado no mundo deste (não) desporto que me leva às salas de cinema - Million Dollars Baby e agora Cinderella Man. Parece um contrasenso, não é mesmo?


O que me moveu? Dois realizadores e duas histórias de vida. A primeira contada por Clint Eastwood e a segunda por Ron Howard.

Curioso! Dois dos meus realizadores preferidos empenharam-se, no mesmo ano, em passar o testemunho de duas vidas em que o sonho aparece associado ao boxe.

O sonho é certamente a componente mais forte do Homem indivisível. Pelo sonho, descobrimos nuances da nossa personalidade impossíveis de definir, mas que nos levam a transpôr os obstáculos mais extremados.

Esperança, coragem, devoção, destino, transparecem em cada momento de vida. E um sentimento profundo e inabalável, o amor, em diferentes cambiantes !


Miosótis (pseudónimo)
©texto original


fragmentos da noite com flores
17.09.2005
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Thursday, September 15, 2005

Ilusões à venda



Foto: Manan Vatsyayana

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Um homem passava nas ruas de Nova Delhi vendendo humildemente bolas de sabão. A multidão anónima, apressada, confusa, nem reparava no vendedor ambulante de sonhos flutuantes, efémeros, voláteis.

Não sabia como chamar à atenção para a necessidade imperiosa de vender as suas bolas de sabão. Precisava alimentar sua família.


Só as crianças fixavam fascinadas aquelas bolinhas maravilhosas que inexplicavelmente saíam da boca daquele homem.


Ah! Uma mulher parou, e fascinada - ainda guardava seus olhos de menina - pediu ao homem que lhe vendesse uma dose desses sonhos irisados de sol e mantos de azul lunar. 





Miosótis (pseudónimo)
(texto original)


fragmentos da noite com flores

15.09.2005
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Wednesday, September 14, 2005

Meditação : Outono






credits: Yoga Vidya


Pela manhã, percorro o caminho solitariamente. Cada espaço envolve a minha consciência e transforma minhas emoções em pequenas partículas de raios de sol timidos, suaves, que se escondem na mancha azul desbotada, mesclada de nuvens de algodão, dando início a uma nova estação. A Natureza prepara-se para hibernar. Outono adentra-se.


Ao final do dia, na minha prática de yoga em grupo, sento-me de frente para os pequenos postigos semi-abertos de uma cave, virada para o arvoredo de um quintal. Recolho-me. Poiso o meu olhar transparente nesses minúsculos retalhos de verde, antes de me afastar. Cerro os olhos. O verde continua lá, no meu pensamento.

Um verde que já não é tão alegre. Mais suave. Começam a aparecer os cambiantes de amarelo e castanho.


Os sons da prática entram, trazidos pelo cântico da brisa, doces, em final de tarde, acompanhados de aromas de eternidade.


O Outono prepara seu manto para recolher os seres mais delicados. 


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

14.09.2005

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Sunday, September 11, 2005

Homenagem : Setembro 11, 2001- 2021







New York City, menorial
Foto: Stephen Chemin/ AP 2001





credits: 9/11 Memorial & Museum


«Não sabemos onde jazem esses corpos
que o divino dispersa. Um olhar avistou-os, na
distracção da vida; e logo regressou à angústia terrestre,
somando lutos a partir de suspiros...»

Nuno Júdice, Cântico (fragmento), 2001



Surpreende-me a quietude magoada do olhar de um criança... 


Miosótis (pseudónimo)

11.10.2005

actualizado 11.09.2021
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Saturday, September 10, 2005

Sigur Ròs




Sigur Ròs
https://www.sigur-ros.co.uk


Ouvi pela primeira vez os Sigur Rós em concerto, talvez há três anos.


Um amigo dera-me a conhecer a banda através de um curto clip em video, de que faz parte esta imagem lindíssima! 


Sons melancólicos, como que feitos de litanias de mundos distantes. Talvez, por isso, tocavam a nossa sensibilidade.

Ouvíamos e víamos muitas vezes juntos este pequeno clip. A música era sentida numa só alma, com a mesma religiosidade e sintonia. Meditávamos em uníssono, docemente.

Tempos de afectos lindos, partilha de sentires, tendo como canal a simplicidade do ouvido encostado ao coração.



Depois, fui ouvir Sigur Ròs ao vivo, quando passaram pela primeira vez em Portugal, estávamos em 2002. 

Fui sozinha... mas meu amigo sentou-se a meu lado.


Hoje, meu amigo já não se vem sentar a meu lado.


©Miosótis (pseudónimo)


texto original, 10.10.2005

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Thursday, September 08, 2005

Natureza




Foto: John D. McHugh

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Me encanta a singeleza com que os animais se movem nos espaços mais sagrados. 

Pequenos recortes da beleza esplendorosa de cores e aromas que o Universo põe ao alcance de todos os seres que nele habitam! Mesmo dos animais. Os mais alerta.


Miosótis (pseudónimo)

texto original 

08.09.2005
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Sunday, September 04, 2005

Perdidos








Foto : Omar Torres/ AFP

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Every poem [is] an epitaph.

T.S. Elliot





Miosótis (pseudónimo)

04.09.2005

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Friday, September 02, 2005

O desconcerto do mundo





Foto: Mark Wilson / AFP
 http://news.yahoo.com/photos


De um lado do planeta, as chamas dantescas e infernais devastam florestas, casas e haveres de populações desprotegidas.

Do outro lado, o tufão Katrina espalha o pânico, enquanto correntes violentas de água percorrem desenfreadamente as ruas das cidades.

Ligada ao meu imaginário poético, a música de jazz, no seu ritmo mais esfuziante - o blues - na cidade de New Orleans,  
a mais atingida.

As imagens que desfilam nos ecrãs de televisão ou na Internet trazem-me aos ouvidos a verdadeira origem do blues - t
risteza, nostalgia e tanta dor!

Miosótis (pseudónimo)


texto original, 02.09.2005
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