Sunday, November 05, 2006

O Ilusionista : filme





The Illusionist
Neil Burger, 2006
https://www.imdb.com/


"He's a Magic Man."

Karen Durbin (
ELLE,fr)


Sábado chuvoso. Nada melhor do que uma sessão de cinema. Entre música, livros e cinema, eis as três sombras por onde divago nestes silêncios da vida.

Apressadamente, passei os olhos pelo sítio web oficial do filme The Illusionist e logo dois actores - Edward Norton e Paul Giamatti - me convenceram de imediato. Sem hesitação!

Paul Giamatti, intérprete do bem recente The Lady of the Water, Edward Norton em papéis controversos, de grande qualidade e nobreza de interpretação. Um porte esplendoroso!

Uma fábula elegante baseada na obra Eisenheim The Illusionist do premiado Pulitzer Stephen Millhauser por onde perpassa a arte, o amor e a intriga política na Viena Barroca dos Habsburgs, no virar de 1900.

Uma alquimia latente desde o primeiro encontro de um ilusionista de origem humilde com uma jovem duquesa. Um e outro vão deixar seus corações irremediavelmente presos num amor proibido.





Edward Norton
The Illusionist
Neil Burger, 2006

https://www.imdb.com/

Afastados durante anos, voltam a cruzar-se mais tarde, quando ele volta à cidade, numa trama que ultrapassará toda a previsibilidade dos espectadores pelo tom convincente, majestoso, enigmático que Edward Norton imprime tão naturalmente à personagem.

O jovem ilusionista de quem se desprende um imenso magnetismo, obtido segundo uma das lendas, ao cruzar-se com um mago, durante um passeio campestre, consegue convencer o ambicioso inspector policial - Paul Giamatti - para quem a magia e o ilusionismo são, ao mesmo tempo, um forte atractivo e fonte de entretenimento nas horas de ócio.

Um filme cativante, numa adaptação talentosa de Neil Burger, realizador de Entrevista com o Assassino (2002) construída num elo que gira em volta de ingredientes tão fascinantes como romance, intriga política palaciana, mesclados de hipnose, com muitos conceitos freudianos, e suspense, numa senda de pistas habilmente encadeadas, e encontros sabiamente forjados.





Edward Norton
The Illusionist
Neil Burger, 2006

A noção de tempo que este mágico apresenta a partir de uma laranja que depois de extraída a semente, se transforma numa laranjeira em pleno representação é espantosamente filosófica e deixa-nos pensativos sobre o que todos nós fazemos do tempo ou sentimos acerca dele.

O lenço de mão que esvoaça seguro por duas cintilantes borboletas - a simbólica da borboleta tem uma forte incidência amorosa na trama - até à espada do herdeiro, em incursão sobre Excalibur que já mereceu um filme, ligado às lendas arturianas, Tudo isto faz deste filme um incrível momento de magia, beleza, atravessado sempre pelo mistério e magnetismo que passa da audiência do teatro local, e para a sala de cinema, já que filmado, subtilmente, em luz muito ténue e difusa, até ao momento do desvendar da verdade.






Edward Norton & Jessica Biel
Edward Norton
The Illusionist
Neil Burger, 2006

Aí, a tela inunda-se de luz num ambiente contrastante, campestre, chamando à realidade os espectadores, como se despertados fossemos de um sono hipnótico onde o encantamento prevaleceu num toque de magos.

De assinalar a banda sonora do renomado compositor de música contemporânea, Philip Glass, sóbria, minimalista, realçando mais o suspense que atravessa todo o filme. Sem esquecer a fotografia esplendorosa de Dick Pope num jogo contrastante de claro/escuro.

"Romantic... smart... gorgeous!"

Bob Mondello,
NPR


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

4/5.11.2006

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Saturday, October 28, 2006

Música na vida






Béjart Ballet Lausanne &The Tokyo Ballet 
Le Sacré du Printemps. 
credits: Philippe Pache ©

"Não impeças a música. Que música? Antes de mais a deste concerto que é a vida humana, onde temos obrigatoriamente de ocupar o nosso lugar, pequeno ou grande."

Paul Claudel Non Impedias Musicam, Oeuvres Complètes XIX
Gallimard, 1868-1955]


É notório que o meu silêncio se tem prolongado por mais tempo do que desejaria.


Afazeres! Sim, talvez, o que tem de, em certo modo, coartado a minha natural disposição para deixar aqui alguns sentires.

Mas também um fechar d'alma.



Não sei se vai ser crescente. Ou se pelo contrário, vou vencer esta corrente. Uma coisa acompanha este silêncio - a música!


Deixo-vos assim este pensamento de Paul Claudel
Miosotis (pseudónimo)


fragmentos da noite, banda sonora, The Last Samurai, Hans Zimmer, Warner Sunset Records, 2003

27.10.2006

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Saturday, October 14, 2006

A Senhora da Água : filme de M. Night Shyamalan





Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Falar de um filme tem sempre uma conotação. E bastante subjectiva. Cada um de nós é uma voz que passa muito mais pela estética do sentir do que pela razão do conhecimento.

Quando vi o trailler, fiquei atenta ao recente trabalho cinematográfico de M. Night Shyamalan - Lady in the Water




Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Outros filmes deste escritor/realizador me detiveram - Signs/ Sinais (2002), The Village/ A Vila (2004). Mas The Sixth Sense/ Sexto Sentido (1999) foi o primeiro, incondicionalmente! Um realizador com uma sensibilidade muito especial.

Acredito pelo pressentir de alma que não estamos sós... e que temos que abrir o nosso universo a outras realidades cósmicas.

Desta vez, Shyamalan - personagem no seu próprio filme - parte de uma história de adormecer, inventada para seus filhos, recontada pela voz de uma senhora chinesa e que percorre muitas referências de lendas célticas e nórdicas:

A tradição dos povos é universal. Miscigenação de ninfas, brumas, ambientes aquáticos, seres fantasmagóricos saídos do verde das florestas , dos bosques ou das águas e que vêm ao encontro de seres com capacidades extra-sensoriais. No filme, o zelador de um condomínio!



Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

É um filme-metáfora onde se entrecruzam as várias vertentes da solidão urbana. E, por isso, se torna mais clarividente a vinda de uma ninfa a este ambiente tão despido de sentimentos de partilha.

Regra geral, os condomínios são sítios bastante solitários. Homens e mulheres vivem paredes meias como referências quase invisíveis, trespassados por olhares distantes, frios ou distraídos.

É precisamente este espaço vazio do calor humano que vai transformar-se em espírito comunizado de entreajuda.




Lady in the Water
Paul Giamatti 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

O zelador, que normalmente se restringe a gerir espaços comuns, percorre aqui solícito, os apartamentos, conversando com os inquilinos, apoiando ao mesmo tempo nas pequenas tarefas todos os que aí vivem.

É pois a personagem ideal para servir de receptor e retransmissor, ligando, humanizando, os condóminos à ninfa, portadora de uma mensagem.


Terminada esta missão, ela deve agora regressar ao seu universo marinho, já que escolhida para reger os destinos de seus pares.






A Senhora da Água/ Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Mas eis que esta ninfa-rainha se apresenta imbuída de fragilidades humanas, tão carenciada de afectos e submersa de medos como qualquer um dos seres que se unem para a apoiar no seu retorno.

Uma narrativa que encerra uma mística incondicional e irrefutável: não há actos isolados. Cada acção individualizada tem incidências em todo o Universo e seus habitantes.




A Senhora da Água/ Lady in the Water
Paul Giamatti & Bryce Dallas Howard 
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Uma narrativa visual a reter, pelo maravilhamento, embora com rupturas: o monstro vindo do bosque é pouco convincente e demasiado artificial, bem como o pássaro transportador da ninfa-rainha. Mas transporta-nos a outros momentos da nossa existência, num percurso peregrino de passados sentires.


Paul Giamatti. Uma palavra de apreço para um actor sempre surpreendente, numa excelente interpretação, como zelador sensível, afectuoso e silencioso sofredor.




Lady in the Water
M. Night Shyamalan, 2006
https://www.imdb.com/

Composições de James Newton Howard, covers de Bob Dylan interpretações de Amanda Ghost, Whisper in the noise e Silvertide fazem fazem excelente a banda sonora do filme!

Um filme que nos leva a questionar a nossa missão...

"When a door will open to others worlds... others wil come!"


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite, Every Grain of Sand, Amanda Ghost, (banda sonora original)


15.10.2006

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Friday, October 06, 2006

Homenagem : Os Amish




Familia Amish
credits: Timothy A. Clary/AFP
http://news.yahoo.com/


The wind is your voice
The rain is your tears
Your burning heart
And spirit is my salvation

David Agnew, lyrics

As escolas norte-americanas têm sido flageladas por atiradores que impiedosamente abatem jovens e crianças em idade escolar.

O pânico das últimas semanas está bem patente em muitas fotografias publicadas por todo os mundo, jornais, revistas ou via Internet.

Desta vez foi atingida a comunidade Amish na Pensilvânia.


Sacudida com violência com a morte de meninas em idade tão precoce, os Amish demonstram uma discrição impressionante e louvável.

Embora vivendo a poucas horas de Nova Iorque, a comunidade rege-se, há quatro séculos, por padrões rígidos, vivenciados na interioridade famliar.

Resistem ao progresso, não usam electricidade, telefone ou televisão e praticam valores indissociáveis dos seus padrões de vida.




Witness, 1985


Lembro o filme A Testemunha (Witness) de Peter Weir, 1985. Desde então , nutro uma grande admiração pela comunidade Amish.

Discordo de alguns dos seus princípios, como por exemplo o não prosseguimento de estudos. Mas tenho em grande consideração o empenhamento inalianável de resistência aos apregoados valores das sociedades modernizadas que passam demasiado pela falta de princípios éticos. Precisamente!

Em interpretação própria de uma passagem biblíca, os Amish - comunidade descendente de emigrantes alemães e suiços - não gostam de ser fotogrados porque consideram que um cristão não deve gravar a sua imagem.

Assim, em todas as fotografias feitas desde esse pavoroso dia 2 de Outubro, vê-se uma dor pacificada em rostos sóbrios, vestuário negro por tradição, apenas despontado no branco das toucas de organza das mulheres e nas camisas de linho dos homens.


As crianças, essas deixam transparecer um olhar de espanto sereno nos alvos e cândidos rostos.
Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, Nocturne, Songs from A Secret Garden, Mercury Polygram 1995

06.10.2006
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Sunday, October 01, 2006

Dia Internacional da Música




Martha Graham Dance Company
Foto: Roland Maguria/AFP/DDP
http://news.yahoo.com/photos


"La música es la voluptuosidad de la imaginación."

Eugène Delacroix, pintor (1798-1863)


A música expulsa o ódio dos que vivem sem amor. Dá paz aos que não têm descanso e consola os que choram.

Os que se perderam encontram novos caminhos e os que tudo rejeitam reencontram confiança e esperança.

Pablo Casals, virtuoso, violoncelista, maestro (1876-1973)

A visitar

http://www.museudamusica-ipmuseus.pt
http://www.bn.pt/agenda/evento-dm-musica.html



Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite, Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir, Claude Debussy, piano Ronan O'Hora, Público, 2005

01.10.2006
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Sunday, September 24, 2006

Sonhos em noite de chuva






Fotografia:John D. MacHugh/AFP
http://news.yahoo.com/photos

"A profunda harmonia entre ela e o mundo - uma harmonia difícil, instável, porque ela insistia sempre em viver com rigor, com uma atenção que não afrouxava nunca, mesmo quando dormia"

Teolinda Gersão, Os Guarda-Chuvas Cintilantes, 1984


Houve tempos em que me entregava ao sonho, fiel e doce, de intensa melodia, sentimentos emanados d'alma, ancorada, suspensa, na certeza de vogar no amplexo macio de um afectuoso envolver, sensível, acolhedor, partilha de

- abraço calor sonho vida -

que para sempre reteria meu ser em firme e coeso querer de constante fragrância.

Lua, lua linda, sorriso desvanecido, rosto terno, eu me deixava fluir como ninguém mais me vira. Simples no acto de amar.


Hoje solto lágrimas de lua cor de prata, arco-íris num teclado apenas iluminado, escrevendo fragmentos de uma alma silenciosa.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite em sonho fugidio, som Dream a Little Dream of Me, Laura Fygi, Bewitched, Verve, 1993

24.09.2006

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Thursday, September 21, 2006

Dia Mundial da Paz




Flor de Lótus
créditos: Pornchai Kittiwongsakul/AFP
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"- De qualquer modo se vai ser um grande caminho para a paz o de, pelo paciente esforço dos menos inteligentes ou pela fulgurante chegada dos mais inteligentes, se entender a História do mundo e por ela a nossa posição no dito mundo, e se vai a Paz consistir fundamentalmente em, pela clarificação geométrica da vida, voltarem ao Pai todos os seus filhos pródigos, a grande força de avanço, o grande motor deste passar dos povos não está verdadeiramente nos que se deslocam, mas nos que de alguma forma vão participando do movimento, para que não falte companhia aos que marcham, mas na realidade já há muito chegaram."

Agostinho da Silva, Idem, Ibiden, pág. 41


Miosótis (pseudónimo)

... porque ainda creio que a Paz vai um dia ser possível neste mundo conturbado e dolorido.

fragmentos da noite com uma singela luz tremular, mas convicta de espiritualidade, som Papillon, Secret Garden, Songs from a Secret Garden, Mercury Polygram Company, 1996

21.09.2006

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Friday, September 15, 2006

Meditando Outono




Fotografia: Serdjan Zivulovic/Reuters
http://news.yahoo.com/photos


No alpendre, um vento gelado

atravessa a minha roupa fina.

É noite, ressoam os últimos tambores,

goteja a água na clepsidra de jade.

A lua atravessa a Via Láctea,

Embebida de luz.

Um pega salta de uma árvore de Outono,

uma chuva de folhas cai.

Wang Wei (701-761), Meditando Outono
Poemas de Wang Wei, Instituto Cultural de Macau, 1993


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, som de Ev'ry time we say good bye, Mick 'Red' HuckNall


15.09.2006
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Sunday, September 10, 2006

Volver : Almodovar





Volver | Pedro Almodóvar (2006)
http://www.imdb.com/

"Mi madre esta presente en toda la pelicula, muchas de las frases que ellas dicen son las decía ella en vida."

Pedro Almodovar


O novo filme de Almodóvar! Esperava-o com alguma expectativa. Depois de Habla con ella (2002) ou Todo sobre mi madre (1999), ficara decepcionada com La Mala educacíon (2004)

Uma história de regressos, em que a vida e a morte se entrelaçam com uma naturalidade que só a sensibilidade de Almodóvar exprime sem ressentimentos.

Um filme quase surreal. Mas os seus primeiros filmes eram surreais! Certamente já teria imaginado que essa fase fora ultrapassada. Mas não!

Num deambular sentido, autêntico de imagens mescladas de drama e comédia, de emoções intensas ou situações hilariantes o filme deixa de novo que a crítica social se oiça.

O espectador sente-se desconfortável logo nas primeiras imagens que enchem o ecrã. Mas o humor dos diálogos e os gestos naturais e até ternos das personagens, fazem com que os primeiros sorrisos se soltem. 


Penélope Cruz | Volver

E então, segue-se o enquadramento da história, onde prepassam momentos de riso, humor macabro - melhor enquadrado se se entender bem a língua original - e de emoção e lágrimas que atingiram muitos espectadores.

Afectos e desafectos convivem com a mesma singeleza que a vida e a morte. Três gerações mulheres unidas pela amizade, solidariedade na família e na vizinhança, já que esta aparece como parte integrante da família, nas aldeias remotas da infância do cineasta - La Mancha.

Ternura pelos mortos que se confundem com os vivos, numa trama surreal, aceitação da presença natural dos que nos deixam, num eterno sentimento de partilha.

Carinho pela crucial vivência de seres atingidos por doenças súbitas e incuráveis.

Sátira sóbria mas contundente dos reality shows que passa despercebida à maioria dos espectadores, tão impregnados dos contra valores que vigoram na sociedade actual.

Ataque duro e sem perdão aos maus tratos de crianças e adolescentes no seio da família. Almodóvar expõe os defeitos dos homens.

Volver é um filme de mulheres que me fez voltar a Ata-me (1990), Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988) e claro ao mais sensível de todos, Todo sobre mi Madre.

O conjunto de actrizes ganhou o prémio de "Melhor Interpretação Feminina" no Festival de Cannes 2006



Carmen Maura | Volver

Gostei imenso de rever Carmen Maura, essa excelente actriz, sempre tão presente nos seus primeiros filmes. É com ela que o filme ganha autenticidade.

Penélope Cruz só poderia tornar-se quase credível pelas mãos de Almodóvar. Mas nada explica a sua escolha para participar neste filme. Fantasias ou fétiche de realizador.

Banda sonora perfeita de Alberto Iglesias, em que Volver se destaca pela intensidade dramática, interpretado por Estrella Morente.

É o regresso de Almodóvar à sua terra natal, às sua raízes, a sua mãe.

Foi considerado o "Melhor Filme do Ano" pela
Fedéracion Internacional de la Crítica de Cine.


"Volver es un título que incluye varias vueltas para mi. He vuelto un poco más, a la comedia."

Pedro Almodóvar



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde 

10.09.2006

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Thursday, September 07, 2006

Centenário Nascimento Agostinho da Silva 1906-2006





Agostinho da Silva em sua casa (1986)
http://www.agostinhodasilva.pt

"Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem não poderemos estar certos."

Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo - Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro, Ed. Ulmeiro, 1990

Miosótis (pseudónimo)


fragmento da noite com papoilas - para me regalar a vista, terei as papoulas - * a maneira mais sóbria de homenagear o pensador, som The Air that I Breath, Simply Red, It's Only Love, Warner Music UK, Ltd, 2000

7.09.2006

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Referências:


*Agostinho da Silva, Cadernos de Lembranças, Lisboa, manuscrito, 1986

Portal Agostinho da Silva
http://www.agostinhodasilva.pt

BNP | Agostinho da Silva (2006)
http://www.bn.pt/agenda/evento-agostinho-silva.html


Monday, September 04, 2006

Apontamentos intimistas




Fotografia: Moon rises over Earth
NASA/Handout/Reuters

http://news.yahoo.com

Antes de me deitar vou aspirar a noite. Do topo de minha pequena mas sobranceira varanda, como que procurando energias para o ano de trabalho que hoje recomeça.

A lua está linda, cor bem doirada, quente, lá longe. O firmamento em tom azul-rei, profusamente engalanado de estrelas tremulares de brilho argenteo, acolhe-a.

Um avião prepara-se para aterrar depois de circundar a lua, numa paradisíaca imagem da noite, numa cidade desconhecida.

Já devia estar a dormir. Amanhã, ou melhor daqui a algumas horas, há que levantar muito cedo, mas refugio-me no Universo que me dá aconchego.
Hoje recomeça um novo ano, mas o meu local de trabalho aniquila, em crescendo, a minha criatividade, e descaracteriza-me no quotidiano.


Asfixio. Fujo das invejas, maldades, farsas, marcações, por ser diferente e deixar um lastro luminoso, sem mesmo reparar. 


Sou íntegra e simples, o que me rodeia não me interessa. E a indiferença dói aos demais.


Avanço sem entusiasmo, sem alegria, entrego-me ao estiolar da minha alma profissional, num ambiente pardacento, monótono, coeso em maldades e cobiças a capella.

Lá fora, a noite convida-me a sonhar sempre e sempre. Ergo uma prece ao Universo e peço-lhe inspiração para continuar o meu percurso de poeta da vida. 


Mas nos corredores que atravesso, no dia a dia, não há estrelas nem lua caminhante, companheira de solidão.

Apenas a monotonia agonizante me espera...


Não sei como encarar mais um ano de desencanto, de 'prisão' de ideais e de actos soltos do meu ser feito de paixões pelo que faço !


A noite vai descer... a cidade dorme.



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

4.09.2006


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Sunday, September 03, 2006

Músicas e vozes que perduraram






Thom Yorke / Radiohead
4e Festival Rock en Seine 2006 
créditos: Stephane de Sakutin/APF
via Yahoo.News


Há grupos alternative pop-rock que têm lugar cativo em meus afectos musicais.

Posso citar The Verve, Skunk Anansie, Portishead, James, Radiohead. Quase todos dos anos 90 mas que em curto lapso de tempo se decompuseram. 


Que terá levado carreiras tão promissoras, em plena ascensão, grandes sucessos, a um tempo de ruptura prematuro?

Modernidade? Parca estrutura de grupo? Sucesso desequilibrante? Individualismo?


Se pensarmos em bandas como os Stones ou os U2 (anos 80) que continuam a tocar juntos há dezenas de anos, é no mínimo um fenómeno curioso.

Enfim, tudo não passa de extrapolação, mas imbuída de muita nostalgia pelo  desaparecimento de grupos extraordinários.


Facto concreto. Todos os vocalistas, precisamente o elemento que mais notoriedade tímbrica deu aos grupos, tentam uma carreira a solo. Fácil de entender.





Richard Ashcroft

É o caso de Richard Ashcroft, Skin, Beth Gibbons, Tim Booth e Thom Yorke.

Fico sempre na expectativa, quando sei que publicam trabalhos. Mas longe da sua intertextualidade musical, dificultam o despertar das emoções a eles ligadas. Perde-se a mística.


Todos estes grupos fazem sem dúvida parte do meu imaginário afectivo musical. Todas estas vozes, contextualizadas na sua génese, tocam profundamente em minha sensibilidade.

O sentimento continua fiel, mas serenamente virado para os temas originais, em grupo.

Thom Yorke publicou há pouco um álbum e esteve presente no 4e Festival Rock en Seine 2006.

Será que conseguiu trazer de volta tempos de músicas e afectos, momentos intensos, plenos de criatividade? Não sei...

É natural que encante os novos fãs pela fama que o cerca. Mas os fãs que o acompanharam nos anos de notoriedade dos
Radiohead... duvido!

A imortalidade de temas como Plastic Tree, Creep, com versões unplugged particularmente felizes continuam a soar, para sempre, como Radiohead.



"Como é estranho gostarem de nós assim."

Pedro Paixão, Boa Noite,
Edições Cotovia, 1993

(ano de publicação do 1º trabalho de Radiohead Pablo Honey do qual faz parte o meu tema favorito, Creep)

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da noite com flores

3.09.2006

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Wednesday, August 30, 2006

Afectos em dia de Agosto



Tranquility | Kevin Thom
http://www.kevinthom.com/



O amor não é para ser afastado


com o raciocínio, ou perdido em


alta ambição ou sede de grandeza:


é uma segunda vida, cresce e invade


a alma. Aquece cada veia e bate


em cada pulsação.


Autor desconhecido


Miosótis (pseudónimo)


fragmento do alvorecer do dia em tons azul indigo, résteas de lua supensa, som Lady Suite, Maxwell MTV Unplugged, Sony Music, 1997


30.08.2006
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Saturday, August 26, 2006

Turismo com Arte ?





Jardin des Tuileries | Paris
Jean Paul Pelissier/France Reuters
http://news.yahoo.com/


Mon Père qui êtes aux cieux

Restez-y

Jacques Prévert, Citations


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de um instantâneo fotográfico irresistível! A pausa de um parisiense ou turista fruindo da Arte. 

Som Paris Love, Dingo, Chillout Xis, Universal Music Portugal, 2005/Público

26.08.2006

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Thursday, August 24, 2006

Patricia Barber




Patricia Barber | Verse
http://www.musica-la-vita.com

The coolest singer/songwriter around

Los Angeles Times

É sabido que tenho um gosto muito intimista pela música de jazz e particularmente pelo vocal jazz, quase sempre no feminino, já que as vozes masculinas não conseguem impor-se nesta área.




Patricia Barber chegou-me pelo sentir musical de alguém e num tema muito intimista Silent Partner

Miosótis (pseudónimo)

25.08.2006
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