Monday, February 28, 2022

Paz & Guerra : tudo o que eu entendo...





credits: via Pixabay License 


"Tudo que eu entendo, entendo apenas por causa do que eu amo."

Leo Tolstoy, Guerra e Paz


Insana a loucura que resvala para o genocídio de um povo heróico! 

Quantos regressam ao seu país, apesar de vida feita em muitos outros países! Só por amor à Pátria!

Pátria! Valor que já muitos povos perderam...


Miosótis (pseudónimo

28.02.2022
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Tuesday, February 08, 2022

Monica Vitti, ícon do cinema italiano : tributo singelo

 



Monica Vitti [1931-2022]
credit: Vogue

"Adeus, Monica Vitti, adeus à rainha do cinema italiano. Hoje é um dia verdadeiramente triste, morre uma grande artista e uma grande italiana"

Dario Franceschin, ministro da Cultura italiano

Monica Vitti, a actriz italiana, musa de Michelangelo Antonioni, morreu dia 2 de Fevereiro 2022.





Monica Vitti & Michelangelo Antonioni


Foi com muita tristeza que o mundo da arte cinematográfica recebeu a notícia. Era considerada uma das musas do cinema italiano, anos 60.

Vitti ficou conhecida pelo suas interpretações em filmes 'clássicos' da década de 60. A Aventura (1960), O Deserto Vermelho (1964), O Eclipse (1962) e A Noite (1961).  Os títulos originais corresponde à tradução em português.





Monica Vitte & Alain Delon
L'Eclisse
Michelangelo Antonioni,1962


Contracenou com consagrados actores. Alberto Sordi, Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau, Alain Delon. Aqui na foto, no filme O Eclipse, 1962, precisamente com o actor francês Alain Delon, contracenando no filme de Antonioni.

O encontro entre o realizador e a actriz ficou célebre. Antonioni viu Vitti de costas e disse-lhe: "Tens uma bela nuca, podias fazer cinema". Ao que Vitti respondeu: "Claro, sempre de costas". 




Monica & Antonioni
Venice Film Festival, 1962 
Credit: Keystone/Hulton Archive/Getty Images

Monica e Antonioni estiveram juntos entre 1960 e 1970.

Vitti foi premiada com sete Leões de Ouro, venceu cinco prémios de Melhor Actriz no David Di Donatello Awards e foi nomeada para os BAFTA.




Monica Vitti, Leão de Ouro de Carreira
no Festival de Veneza, 1995
credit: Luigi Constatin/ AP

Recebeu o Leão de Ouro de Carreira no Festival de Cinema de Veneza em 1995. 



Monica Vitti e marido Roberto Russo


Em 2000, Monica Vitti casou-se com o pianista e compositor Roberto Russo, com quem vivia desde 1973. 

Monica Vitti afastou-se da vida pública por motivos de saúde.  A última aparição em  público foi em 2002.



Monica Vitti, numa cena do filme “Modesty Blaise” (1966) 
créditos: Reprodução/IMDb


Lembro ter visto os filmes de Michelangelo Antonioni, mais tarde. E a beleza, mas também o carisma ressaltavam da tela. Foi verdadeiramente a musa de Antonioni e do cinema italiano.

"Mi concedo un unico grande lusso: quello di rifiutare"

Monica Vitti

Miosótios (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

4.02.2022
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Saturday, December 25, 2021

Natal ! E Dezembro florirá de novo !





credits One Kindesign


"Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar."

Manuel Alegre, Natal

Uma pandemia que continua a tirar-nos quase tudo... quando pensávamos regressar perto da 'normalidade', eis que mais um Natal se aproxima com mil e uma precauções, bolhas familiares, testes, máscaras, mesmo em família.

Natal. Falavam-nos de amor familiar. E daí o Natal nos trazer o desejo de alegria. E com essa alegria, a vontade de valorizar a família. Os risos àmesa, As correrias das crianças. As longas conversas dos mais velhos.

Hoje. Difícil de praticar.

Surge um pensamento. Natal é época da família. Sem bolhasm sem testes, sem receios de contagiar os mais velhos. 

Como o Natal se transformou! Limpar a alma, equilibrar energias. Não dá, fazem-nos falta os nossos.

Ergamos ao menos as mãos, Estamos bem. Temos saúde, Os nossos estão bem, embora cada um nas suas casas.

No mundo, tantas pessoas estão bem mais infelizes do que nós. Campos de refugiados, morte, medo, doença. 

Vamos viver o Natal com alegria que ainda nos resta, com a serenidade que precisamos. 

(,,,)
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.(...)

Manuel Alegre, Natal
in Antologia Poética 


Miosótis (pseudónimo)

24.12.2021

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Sunday, November 21, 2021

René Magritte em tarde de domingo : Rendez-vous !






Le rendez-vous, 1948
René Magritte

Eu gosto de me surpreender com aquilo que a Natureza me oferece. De observar, mesmo através dos olhos dos outros. A vida na Terra é um tesouro escondido à vista dos mais distraídos.

E hoje René Magritte veio apoiar a minha observação, através de uma obra que tem por base a natureza. E o delicioso título. Le rendez-vous!




René Magritte [1898-1967]
via Wikipedia

Pois, é! René Magritte nasceu a 21 Novembro 1898. Faria hoje 123 anos. De origem belga, René François Ghislain Magritte foi um artista surrealista que se tornou conhecido por criar uma série de imagens bem provocativas. Me encanta essa descoberta parelela da realidade. 




Doodle René Magritte's 110th Birthday (2008)

 Courtesy of Succession René Magritte / ARS, NY

https://www.google.com/doodles/

Não compreendo como se procuram novos mundos, desconhecendo o nosso próprio. Ou que se pense ser desinteressante compreendê-lo. Incomodativo?Talvez!


"Tout dans mes oeuvres est issu du sentiment de certitude que nous appartenons, en fait, à un univers énigmatique."

René Magritte 


Miosótis (pseudónimo)

21.11.2021

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Saturday, October 02, 2021

Falando de afectos, já com aromas de Outono

 





créditos: Autor não identificado
via Google Images


Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

(...)

Cecília Meireles, Canção de Outono


Os afectos foram se afastando. As máscaras não permitiam ver os sorrisos. Os códigos de conduta exigiram distanciamento total. Ou quase, Deus meu! Mesmo na família. Durante um ano e meio. Quanto tempo!


Um ano e meio se tornou eternidade. Sozinhos. Gelados na alma. A virtualidade tentou extinguir algum distanciamento. Será que foi suficente? Não creio.


E voltou Outono. E a aproximação? Ainda condicionada. E receosa.

O tempo arrefeceu. Será que conseguiremos recuperar esses abraços tão guardados? Os beijos por dar. A ternura por entrelaçar. O calor do outro?

Ah! E o amor. O amor deixou de andar tão solto. Sonhos desvaneceram-se. Muitos. Ficaram no imaginário cheio de esperança. Vã realidadade. Que lástima! 

A esperança esmoreceu em muitos de nós. Os sorrisos escondidos por trás da barreira continuam contidos. Presos. Muitos se perderam. Escondidos. Esquecidos.

Assinalam-se novos horizontes. Quais?

(...)
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles, Canção de Outono


Miosótis (pseudónimo) 

02.10.2021 

fragmentos da note com flores

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Tuesday, August 31, 2021

Cheiro a Verão ? Agosto quente ? Não muito, este ano !




illustração : Emmanuelle Teyras 

Veio o Verão. Começava a minha paixão, achava eu. A estação com muito sol, alguma praia, muito calor, e claro, lazer. Quanto bem estar! Sentir-me-ia em sintonia com a natureza.

Mas não. O verão não chegou convidativo. E Agosto, uma decepção. Frios dias. Brumosos. Pouco sol. 

Ah! Mas sim. Belos põr-do-sol, eu vi. Da minha varanda. Raramente. Ao longe, muito lá longe o mar, em tardes límpidas. 

Os dias foram longos. Certo. Tão bom! Mas noites não muito quentes. Para falar verdade, não foram nada quentes. Mas bom! Algumas agradáveis. 

As pessoas saem mais, praias cheias de gente, muita algazarra. Liberdade total. Quase. Não foi tanto assim.

A alegria e as oportunidades de andar ao ar livre, encontrar com amigos, numa esplanada, apanhar sol. Tudo ficou um pouco em suspenso. Na cidade.

Fui algumas vezes a esplanadas em fim de tarde, algum sol. Mas nada de grandes ilusões. Esplanadas, só com agasalho, leve. Muito vento. E a humidade caía rápida.

Tudo é bom para fazer fora de casa, fora de ambientes fechados. Não, este Verão. 

Não foram muitas, as saídas. Com tempo assim?! Pouco apetitoso.

Fui até ao campo. Como sempre, mais quente. 

Esperemos Setembro...

Miosótis (pseudónimo)

31.08.2021
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Sunday, August 15, 2021

Verão atípico. Procuro a liberdade no campo !

 



créditos: Herman Wessel


No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
(,,,)

Alberto Caeiro, No entardeceder dos dias de verão
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"

Um verão tão atipico com este, não lembro. Não fora só a pandemia. Também o tempo no norte não condiz com a época estival.

Dias de sol, como o de hoje, sol aberto, acariciador na pele, têm sido muito poucos. 

E as noites, nevoeirentas e húmidas. Sempre necessário um agasalho leve. Reconfortante.

As pessoas, este ano, fogem para o campo. Sim, turismo no campo é, sem dúvida, o mais agradável. Tranquilidade. Brisa suavemente quente, noites mais cálidas. E céu aberto. Sem nuvens. Bem brilhante e cheio de estrelas.

Não há o mar. Eu sei. O mar faz-me falta. O cheiro da maresia, O suave ondular resplandecente em dias de verão, como o de hoje.

Mas temos a água dos rios que correm com lentidão e suave som. Música intemporal, natural.

Não sou fã de praias fluviais. Nem vou até lá. Mas sim, temos a piscina do ambiente turístico. E a música dos pássaros, logo pela manhã e ao final da tarde.

Também temos as árvores. Sombras verdes, amistosas. 

Adoro as árvores. São acolhedoras, quase nos abraçam com suas hastes flexíveis cujo leve movimento, é música doce que invade suavemente o nosso cérebro. Relaxante.

Tivemos as Perseides, esta semana! Estamos em Agosto. A mais impressionante e bela chuva de estrelas que o firmamento nos oferece. E nada melhor do que o céu campestre para apreciar esta chuva estelar deixada para trás por um cometa há muitos anos. Semelhantes a estrelas cadentes. 

Sim, este ano, vou de férias para o campo. Sem esquecer um ou dois livros que sempre me acompanham. 

Paz. Serenidade. Ouvir-me por dentro. Respirar. Sem máscara, quando distanciada.

Miosótis (pseudónimo)

15.08.2018
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Thursday, June 10, 2021

O Mar & o Dia Mundial dos Oceanos





credits: Andre Kohn


"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."

Sophia de Mello Breyner Andersen, Mar Sonoro

«É o meu lugar. O lugar que me devolve as energias, e o relaxamento que preciso. O lugar onde me sinto em paz. Entrego as pesadas energias ao mar. Volto leve. Energias renovadas.

A beleza do mar enche-me de paz. A ver o mar. Como se fosse meu leito. Tranquilidade.  

O marulhar da água no vai-e-vem traz-me serenidade. É a minha terapia maior. Revitalizada.

Gosto de murmurar ao mar os meus segredos, as angústias, as alegrias. E as tristezas. Venho de alma lavada.

Adoro caminhar ao longo da praia, no verão. Gosto de ver o reflexo do sol espelhado no mar, a luz difusa que se espraia entre o firmanento e o mar.




World Oceans Day 2021



Por isso, respeito e venero o Dia Mundial do Oceanos tem lugar no dia 8 Junho, decretado pela pela ONU em 2008..

Mas é celebrado em inúmeros países, desde 1992, após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro.

Os oceanos cobrem mais de 70% do nosso planeta. É a nossa fonte de vida, o sustento da humanidade e de todos os outros seres vivos.





Os oceanos são a paz para a nossa alma, mas também a subsistência da Humanidade.

Ligados ao nosso bem-estar e à nossa própria sobrevivência, a conservação e o uso sustentável dos nossos oceanos é mais do que nunca uma necessidade vital.


"A day for humanity celebrate the ocean."

UN 


Miosótis (pseudónimo)

09.06.2021

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Sunday, May 30, 2021

Uma paixão mortal ! Ride in Peace, Jason !

 



Jason Dupasquier [2001-2021]
créditos: : MotoGP / Twitter


Era um miúdo. Jason Duspaquier, luso-descendente, a paixão pelas motos desde criança, levou-o a uma morte inglória. Por um sonho.

O jovem piloto de Moto3 de apenas 19 anos não sobreviveu às lesões sofridas após o terrível acidente na fase de qualificação para o Grande Prémio de Itália, disputado no Circuito de Mugello.





Jason Dupasquier

Jason Dupasquier, filho do DPRacing Philippe Dupasquier, estreou-se em Supermoto, antes de se focar na velocidade do circuito, passando por todos os níveis, apesar de uma lesão no fémur esquerdo que o privou da época de 2018. Prenúncio?




Jason Dupasquier [2001-2021]

Penso no pai. Mas, sobretudo, na mãe. Que dor profunda, a perda de um filho. Ergo as minhas preces por estes pais. Silêncios. 

Há recônditos de seres que vivem escondidos no coração dos que amam, ouvindo preces.

Afundam no céu. Paz. Eternidade.




"Les messages de soutien n’ont cessé d’affluer durant tout le week-end sur les réseaux sociaux et dans les paddocks de Mugello. Le pilote suisse Tom Lüthi avait par exemple renoncé à prendre part à l’épreuve de Moto2 afin d’être au chevet du jeune Fribourgeois."


O dia esteve lindo. Como que se universo recebendo uma alma tão jovem. Aconchego, no entanto, um agasalho em final de tarde. Como quem sente a dor dos seres que sofrem uma perda imensurável. 


"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu"

Chico Buarque


Ride in Peace, Jason !


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


30.05.2021

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Friday, April 30, 2021

E foi assim a Noite de Oscars

 




93ª Cerimónia dos Oscars  

Uma decepção. Não encontro outra palavra para definir uma curta noite frente ao ecrã da televisão. Perdi muito pouco tempo. 

Longe vão as noites em que ficava acordada, quase até de madrugada, para ver os meus actores ou actrizes de eleição. Ninguém. Um vazio. 

Um fracasso que redundou no matar de um sonho pelo amor ao cinema.

E não teve só a ver com a pandemia. Foi um todo. 

Nem o elenco dos vinte apresentadores anunciados me segurou. Desliguei ao segundo apresentador.

Positivo? A linda Union Station, de Los Angeles. Embora, tristemente transformada em ambiente supérfluo. 



Nomadland, Sobreviver na América
Chloe Zaho, 2020

O filme vencedor Nomadland. Uma história de solidão assumida, baseada no livro com o mesmo título de Jessica Bruder.

Fren, uma americana que parte na sua van, explorando uma vida fora da sociedade convencional. Uma nómada dos novos tempos.

Oscar Melhor Filme, Melhor Realizadora Chloe Zaho, entre outros prémios. 

Incrível banda sonora de Ludovico Einaudi. Belíssima fotografia. Interpretação fabulosa, como sempre de Frances McDormand.





The Father
Florian Zeller, 2020

The Father, do realizador francês Florian Zellergalardoado com o Oscar de Melhor Adaptação ao cinema, da sua peça. Drama de uma família lidando com Alzheimer. Oscar de Melhor Actor para Anthony Hopkins, com 83 anos. Bravo! Um grande actor!

Negativo? O ambiente físico, e até humano. A apresentação (vestuário) da  excelente realizadora, Chloe Zaho. Por vezes, é necessário um pouco de noção circunstancial.

In Memorian: O desaparecimento de realizadores como Bernard Tavernier, Alan Parker, Joel Schumacker, compositor Ennio Morricone, actores como Sean Connery, Max Von Sydoww, Christopher Plummer, Michel Piccoli, todos lendas do cinema. Sempre um momento emocional.

A cerimónia dos Oscars morreu com estas lendas do cinema?


Miosótis (pseudónimo)

30.04.2021
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