Friday, November 25, 2011

Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres e Crianças





via Associação ACEGIS






créditos: MSC


Este ano a campanha aborda também a violência doméstica contra as crianças. 


Na água clara parada
imagem clara das flores
com a morte no pé. 

Katsura Nobuko

Haiku, O Japão no Feminino, Séculos XVII a XX


Miosótis (pseudónimo)

25.11.2011
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Saturday, November 19, 2011

Livros versus e-books




Bibliotecas | Benvindo de Carvalho 
Litografia 2011



O que de sonho jaz nas encadernações vetustas,
Nas assinaturas complicadas (ou tão simples e esguias) dos velhos livros. 
(...)
Tudo quanto sugere, ou exprime o que não exprime, 
Tudo o que diz o que não diz, 
E a alma sonha, diferente e distraída. 


Álvaro de Campos, Esplendor, 2ª e 4ª estrofes
in Poemas


A discussão em debates, artigos de opinião, e outros, em volta de livros e e-books, e o lugar da Literatura, continua muito presente.

Eu que não sou contra os e-books, considero que os livros jamais serão substituídos! Essencialmente, para todos aqueles que amam a Literatura!


Miosótis (pseudónimo)

19.11.2011
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Friday, November 04, 2011

Ah! O Inverno




Sri Lanka| Fotografia Gonçalo Figueiredo

Novembro em mim. Percurso de meditação e prática que apenas se finda quando os primeiros dias de Janeiro se vislumbram.

É um momento de interioridade profunda que percorro nesta passagem como descrevendo uma ponte entre as margens da alma.

O aroma das flores torna-se mais intenso de tristeza aspergidas, e o caminho do final de tarde fica mais longo, mais sombrio, as 'vozes' ecoam cá dentro  em serenos diálogos.  Oiço o cântico dos afectos, esses são perenes. E os
 rostos e gestos infinitos. 


Fairytale sunshine | Fotografia: Devian Art


Respiro a inquietação do final do dia, invento o sol lá longe na imaginária distância. 

Sofro a nudez das árvores, e desenho as linhas das gotas da chuva. Esqueço o som que vem de fora. O cantar dos pássaros dilui-se na névoa do entardecer.

Ah! O Inverno na paisagem!


Miosótis (pseudónimo)

04.11.2011
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Saturday, October 15, 2011

Noite na paisagem ! E Outono entrou !






credits; Nick UT / AP 2010
via Yahoo.com/photos
 


Penso no inverno a estação que ocupa
o centro do espírito. Nas árvores mais altas
que o outono despiu.
(...)
 
Nuno Júdice, Outono
 
 
Poderia ser o poema que descreveria o Outono! Essa estação em que as sensações de finito se abeiram de nós e se entranham, mesmo que as queiramos distanciar. 

Mas não ! O Outono transmutou-se em estio quente, noites tentadoras, roupas frescas, cores claras, cabelos que se soltam por entre os dedos, como que desfolhando doces paisagens.

No entanto, não podemos fingir que ele, o Outono não chegou. Sente-se no aroma das brisas, nas tonalidades fragmentadas de sensações quentes, na luz quase efémera que se espraia sobre o mar, no canto dos pássaros que resiste alegre ainda. 

Os pássaros batem as asas, airosos, contra os ramos de onde pendem ainda folhas e alguns frutos confusos.

Vejo a luz do sol escorrer pelos dias cálidos, adiando um pouco mais aquela tristeza que o Outono traz.

Um após um, vou fruindo dos dias. Outra após outra, as noites deixam-no para trás.

Uma brisa suave atravessa esta mesa de trabalho, pejada de livros, papéis, e alguns sonhos poisados por entre livros nas estantes que a rodeiam. E fujo ao sono.

O silêncio há muito desceu sobre a cidade. A hora exala tranquilidade. Da minha janela, nas imagens que atravessam o tempo, eu deixo o pensamento transportar-me para o novo dia de sol que se vai desenhando. 

As árvores, sem chuva, anunciam-me que posso adiar, por mais algum tempo, a angústia do Outono. Quanto tempo mais ?

*texto inédito intransmissível


Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores 

15.10.2011
actualizado 21.09.2024
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Wednesday, September 21, 2011

Paz por um Dia !






Hoje, dia 21 Setembro celebra-se Paz por um DiaPeace One Day em todo o mundo. Esta iniciativa do actor e cineasta documental, Jeremy Gilley teve origem em 1999.

A ideia é promover um dia por ano, sem conflitos, sem guerra ou qualquer outro tipo de violência no mundo.

A terceira terça-feira de Setembro foi consagrada pelas Nações Unidas como o Dia Internacional de Paz em 1981. Mas, perante o sucesso da iniciativa de Jeremy Gilley, em 7 Setembro 2001, as Nações Unidas decidiram declarar então o dia 21 Setembro como o Dia Internacional da Paz, pedindo a cessação de qualquer acto de violência durante um dia em todo o mundo.




Jeremy Gilley, Peace One Day
 créditos: Simone Joyner/ Getty Images


Um dia de não violência nas escolas, nas famílias, nos locais de trabalho, nas comunidades locais, e a cessação de guerras e conflitos a nível mundial. 

Os meios de comunicação social mundiais associam-se a esta iniciativa, dando assim mais força a esta ideia, não publicando notícias sobre violência.




Jude Law/ Embaixador Peace One Day

O embaixador de Peace One Day é o conhecido actor inglês Jude Law.

Uma série de actividades estão disponíveis para quem quiser associar-se a este evento tão importante.

Impossível seria não participar no Paz por Um Dia! A palavra pela defesa de um ideal pacifista, num mundo que está cada vez mais violento.







"Pensemos en toda la tierra,
golpeando con amor en la mesa.
No quiero que vuelva la sangre
a empapar el pan, los frijoles,
la música: quiero que venga
conmigo el minero, la niña,
el abogado, el marinero,
el fabricante de muñecas, 
(...)

Yo vine aquí para cantar
y para que cantes conmigo."

Pablo Neruda, Paz para los Crepúsculos Que Vienen (excerto)

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos do dia com flores

21.09.2011
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Sunday, September 11, 2011

Memorial : 10 anos depois...






Mark Lennihan/ AP
via El Pays




Memorial 
credits: Getty Images



Falareis de nós como de um sonho. 
Crepúsculo dourado. Frases calmas. 
Gestos vagarosos. Música suave. 
Pensamento arguto. Subtis sorrisos. 
Paisagens deslizando na distância. 
Éramos livres. Falávamos, sabíamos, 
e amávamos serena e docemente.(...)

Jorge de Sena, Ode ao Futuro



Miosótis (pseudónimo)

11.09.2011

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Saturday, August 13, 2011

Em noites de verão





Felicidade feita dos momentos, esses 'instantâneos' que a vida nos oferece como quem poisa em nós pedaços de ternura!

Silêncios, momentâneos, são bons, logo que saibamos partir de novo, sempre que sintamos que se podem tornar infinitos...

Afectos, pequenos bagos que vamos saboreando devagar para que perdurem.

Num 'tempo' de viagens há papéis e memórias! Efémeros somos, sim. E vamos ao reencontro de outros 'viveres'...




Tu entendes!

O amor eterniza, a alma avança. Pelo caminho, vamos aspirando a beleza do que alcançamos...


Seis anos se passaram desde que poisei as primeiras palavras, timidamente, neste espaço, em jeito de fragmentos ténues, quase esquivos.


Nas noites cálidas, gostava de me sentar aqui. O silêncio instalava-se na casa. Eu debruçava-me sobre o teclado  e, numa descuidada harmonia, deixava escorrer por entre os dedos fragmentos de curtos instantes, sob uma lua brilhante, cúmplice, como a de hoje.

O vento esta noite respira e sopra pela janela entreaberta. Lembra-me que não sou a única acordada. 

Ao longo destes últimos dois anos, essencialmente, tenho-me questionado com frequência, se devo continuar.

Por vezes, sinto que cheguei ao fim de uma passagem, mas outros momentos há que sinto vontade de continuar a vir refugiar-me neste secreto abrigo onde as harmonias, contradições, afectos se envolvem nas palavras cúmplices.

E continuo...

Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite com flores
13.08.2011

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Sunday, July 24, 2011

Amy Winehouse, um tributo inconsolável !






Amy Winehouse
créditos: Dave Hogan/ Getty Images





Amy Winehouse
créditos: via RoliingStone

Não vou escrever mais sobre Amy. Já o fiz várias vezes sobre Amy Winehouse e nesse mesmo ano em Amy Winehouse, a Voz. Todos sabem como admiro o seu imenso talento!





Amy
créditos: Autor não identificado
via Sic | Notícias | Cultura


Um singelo tributo. Amy é uma das vozes que mais aprecio. E que tantas vezes me acompanha.

Uma voz soul imensa, linda, num ser tão frágil.

R.I.P. Amy!

(...)
I'm real.
I'm human
But I'm not an ordinary man
No No No.


Jim Morrison

Miosótis (pseudónimo)

24.07.2011
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Thursday, July 14, 2011

A essência da paisagem



Vivia numa casa grande. Quatro andares mais um andar assotado. A casa dava para um parque ladeado de seculares tílias. No Inverno, o barulho que faziam nas noites de temporal, assustava-me. Mas, mal chegava a Primavera, cobriam-se de verde. E no Verão eram sombras acolhedoras! 

Escolhi o sótão como quarto, lá no topo, para não incomodar a família, nas longas horas de estudo de piano. Por sinal, o meu sótão era bem luminoso!

Todas as tardes, depois de regressar do colégio, subia para o quarto. Fechava a porta - só possível enquanto não chegava o calor - e sentava-me ao piano. Começava com o aquecimento: escalas, exercícios. Entrava então na repetição de compassos, passagens difíceis, criteriosamente assinaladas pela minha professora de piano. E só depois passava à execução integral de uma peça ou outra. A que me desse mais prazer.

Em final de tardes amenas, cansada, escapulia-me para o telhado, através da janela rasgada que abria de par em par, e lá ficava olhando os fios das nuvens, trauteando em silêncio as partituras deixadas. 

Seguiam-se momentos de imaginação afoita diante de tanta imensidão. Estava tudo tão perto! Era dona de um espaço só meu, inexplorado, e deixava correr o pensamento ao sabor do infinito na transcendência do real. Pura adolescência! 

Uns anos mais tarde, a casa foi vendida, e impiedosamente demolida. No trajecto que fazia para a faculdade, o autocarro passava mesmo ao lado da casa. E o meu olhar quedava-se no desmoronar do telhado, da janela, daquele quarto assotado. A tristeza caiu-me na alma.

Esta foto, via-a no espaço de um amigo que cultiva a fotografia. Eis então o que define este sentimento intimista! Um intervalo do tempo. O meu quarto assotado não teve tempo de envelhecer.

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores, texto original 2011©

14.07.2011
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Saturday, June 04, 2011

Os Poetas








Sob poema de Mário Cesariny (voz do autor) Rodrigo Leão musicou. Faz parte de um trabalhado intitulado "Os Poetas: Entre nós as palavras".

E fiquei-me suspensa na tranquilidade das imagens que se vão percorrendo. Mote para descrever alguns estados de alma que me têm absorvido a voz.

Entre nós e as palavras existe um espanto feito de silêncios. Como quem ora na ausência das sonoridades! Apenas a contemplação.

Mas o que torna precioso é sensação que as palavras se perdem, tal como a voz do poeta se desvanece na acalmia das imagens.

'Queria de ti um país de bondade e ternura'... verso que nos dá a inteira dimensão da alma.

E com o olhar na mais bela distância possível que a música nos convoca. E as palavras, no que ao corpo e ao desejo diz respeito, reforçam a elegia! O silêncio. 

Miosótis (pseudónimo)

04.06.2011

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Wednesday, May 11, 2011

Templos




Templo Budista | Bangkok
Foto: autor não identificado

"A Paz é possível. Está no coração à espera que a sintas"

Prem Rawat

Foi o que senti quando meu olhar se poisou na foto deste templo. O meu imaginário que não anda longe do que pratica, aspirou o aroma dos incensos que paira tão ténue como que respeitando a fragilidade dos seres.

Mas esse sentir não corresponde, muitas vezes, um estado d'alma continuado.

Há momentos que os tumultos mais íntimos nos avassalam. Não sabemos donde vêm. E também não percebemos como desaparecem. E, em seu lugar se instala a paz. 

Dos mistérios insondáveis que vamos aprendendo a deixar entrar e sair, sem nos apegarmos a uns nem a outros.

(...)
Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?

Mia Couto, Lições, Maputo 2006
in idades, cidades, divindades
Caminho, outras margens, 2007


 ©Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


10.05.2011
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Sunday, May 01, 2011

Para minha mãe





créditos: Carl de Souza/ AFP 2010



Para ti, Mãe

Mãe que deixaste de ouvir
minhas mágoas profundas,
viagens que nunca fiz,
caminhos que não percorri.
Vem ouvir...


Mãe! Senta-te a meu lado
e ouve-me em silêncio...
Lembras-te?
Sonhavas-me mil carinhos
de fadas e duendes rodeada
enquanto poisavas sob
meus cabelos
miosótis azuis e rosa
e soltavas teus sortilégios sábios,
abençoando-me em cálidos olhares.

Mãe! Passados que são os anos,
teus anseios aprisionados
ficaram das negras nuvens.

Chorarás tu por mim?!

Depois de tantos afectos
nas tuas preces aspergidos,
os deuses se quedaram
inertes e silenciados...

 
Mãe!
Teus abraços eternos
de encontro a meu âmago
com laivos imensos
de ternura
eu guardo e venero
para sempre, Mãe!

Miosótis (pseudónimo)2008©


fragmentos da noite com flores

01.05.2011
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Thursday, April 21, 2011

A Primavera e os livros





Dr Nigel Russel/ Natural England

A Primavera tem-se feito insegura e tímida. A dias esplendorosos de sol e temperaturas fogosas, que nos fazem sentir mais vivos e libertos para fruir dos aromas que pairam no ar, logo se sucedem outros bizarrentos, chuvosos que nos desaconchegam e entristecem. 


Até o meu pássaro cantador que reaparecera pré-anunciando que a primavera se aproximava, se afastou do beiral da janela, cá no alto, e se remeteu a um silêncio quedo.


A noite fica mais sombria no ausência do seu canto! É que meu pássaro cantador tem um chilrear fresco, garrido, desafiador, como quem conversa de lá para cá! E eu fico embalada nesse canto que me limpa as nuvens cinzentas e me abre aquele azul de que eu tanto gosto!


Um mistérios poético! Vá-se lá saber porque razão este pássaro encantador me escolheu para sua companheira de diálogos nas noites frescas de Primavera!




Foto ©MS 2011


Ah! Uma nota de harmonia. Uma rosa despontou! A primeira desta primavera que dá sentido à vida e me faz soltar um sorriso murmurado. É que se aproxima o dia 23 de Abril! Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor!


Esta comemoração teve origem na Catalunha, no dia de S. Jorge. Nesse dia, a cada livro vendido, é oferecida uma rosa. Gesto lindo! 


Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tem-se alastrado a outros países. Esse gesto, não vejo repetir-se  no meu país...


Aqui fica pois a minha rosa! Para si, no Dia Mundial do Livro!



Um dia, abrindo o Livro, li as suas últimas páginas
como se fossem as primeiras: as páginas da terra como
se fossem as da água, e as suas linhas brancas como
se trouxessem a mancha  vermelha de um sangue
de sílabas rasgadas. Pousei esse Livro na mesa abstracta
do Crepúsculo. Ouvi a música das nuvens que traziam 
o sinal dos Anjos. (...)


Nuno Júdice, Troca de Livros

Cartografia de Emoções, Dom Quixote, 2001


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
21.04.2011

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