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Wednesday, June 08, 2022

Paula Rego, a pintora portuguesa [1935-2022]







Paula Rego [1935-2022]
via RTP


"Não se pode morrer quando se é tão grande como Paula Rego. Apenas nasceu outra vez, mais uma grande vez."

Miguel Esteves Caedoso, A grande Paula Rego, 
08.06.22 in Publico

Morreu Paula Rego. Hoje, dia 08 Junho 2022. Um dia triste para o país e para todos os que admirável a sua obra notável.





Paula Rego| Studio
Janeiro 26, 1935
      Lisboa, Portugal  

« I was very scared and a bit daunted! But to find one's way anywhere one has to find one's door, just like Alice; you see. You take too much of one thing and you get to big, then you take too much of another and you get too small . You've got to find your own way into things...»

Paula Rego






The Artist in her Studio
 Acrylic on canvas
Paula Rego, 1993


Paula Rego nasceu em Portugal e passou a sua infância em Cascais. Vive há mais de 40 anos em Londres, tendo adquirido a nacionalidade anglo-portuguesa. Mantém uma forte ligação ao seu país. Portugal.
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Paula Rego
Exposição Museu de Serralves, 2004

Esteve presente em 2004 no 'Museu de Arte Contemporânea', Fundação Serralves. 

A Exposição foi visitada por mais de 100 mil pessoas, muitas delas vindas expressamente de outros países.





Paula Rego em exposição

© D.R.

via T.S.F



É uma das pintoras mais internacionais e muito consagrada. No entanto, continua a demonstrar uma grande simplicidade. Muito própria.

A sua obra centra-se nas suas memórias, na literatura (Eça de Queiroz, um exemplo), e nos livros de histórias (Pinóquio, Branca de Neve, entre outros).





Paula Rego junto de uma tela do conto
Branca de Neve
crédtos: Arquivo Global Imagens


É com grande mágoa que a vejo partir... uma das minhas pintoras 'especiais'


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores


13.09.2005
actualizado 08-06.2022
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Thursday, July 14, 2011

A essência da paisagem



Vivia numa casa grande. Quatro andares mais um andar assotado. A casa dava para um parque ladeado de seculares tílias. No Inverno, o barulho que faziam nas noites de temporal, assustava-me. Mas, mal chegava a Primavera, cobriam-se de verde. E no Verão eram sombras acolhedoras! 

Escolhi o sótão como quarto, lá no topo, para não incomodar a família, nas longas horas de estudo de piano. Por sinal, o meu sótão era bem luminoso!

Todas as tardes, depois de regressar do colégio, subia para o quarto. Fechava a porta - só possível enquanto não chegava o calor - e sentava-me ao piano. Começava com o aquecimento: escalas, exercícios. Entrava então na repetição de compassos, passagens difíceis, criteriosamente assinaladas pela minha professora de piano. E só depois passava à execução integral de uma peça ou outra. A que me desse mais prazer.

Em final de tardes amenas, cansada, escapulia-me para o telhado, através da janela rasgada que abria de par em par, e lá ficava olhando os fios das nuvens, trauteando em silêncio as partituras deixadas. 

Seguiam-se momentos de imaginação afoita diante de tanta imensidão. Estava tudo tão perto! Era dona de um espaço só meu, inexplorado, e deixava correr o pensamento ao sabor do infinito na transcendência do real. Pura adolescência! 

Uns anos mais tarde, a casa foi vendida, e impiedosamente demolida. No trajecto que fazia para a faculdade, o autocarro passava mesmo ao lado da casa. E o meu olhar quedava-se no desmoronar do telhado, da janela, daquele quarto assotado. A tristeza caiu-me na alma.

Esta foto, via-a no espaço de um amigo que cultiva a fotografia. Eis então o que define este sentimento intimista! Um intervalo do tempo. O meu quarto assotado não teve tempo de envelhecer.

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores, texto original 2011©

14.07.2011
Copyright ©2011-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

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