Tout ce que je connais de moi c'est ce que me raconte le vent: la médiunnité des branches qu'il agite. Natália Correia
Sunday, April 04, 2021
Páscoa ! Reflexão de um tempo sem fim !
Sunday, March 21, 2021
E no Dia Mundial da Poesia
XXXVI
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.
Alberto Caeiro, E há poetas que são artistas, O Guardador de Rebanhos,
in Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, Ática, 1946 (10ª ed, 1993
Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite com flores
21.03.2021
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Saturday, March 13, 2021
Vem aí a Primavera com a flor da ameixieira !
Flor da ameixieira (baika)
テーマ:花と自然
Tuesday, February 16, 2021
Máscaras Venezianas em Tempos Sombrios !
Este ano, vimos a famosa praça deserta. Mas, apesar das ausência de turistas, a edição deste ano do Carnaval de Veneza foi mantida. Foi possível admirar, em visita virtual, artesãos venezianos desfilar os seus belos trajes e máscaras pelas ruas vazias.
Veneza é talvez a cidade europeia que melhor alia a tradição das máscaras
Nesses ritos mistos de teatro e carnaval, vimod as
27.02.2006
Friday, January 29, 2021
Continuo por aqui em tempo sombrio
O Inverno tem descido rigoroso. Pesado. Já basta não se poder sair de casa. Nem há horizonte para se mergulhar o olhar. Só nuvens espessas, embrenhadas no nevoeiro.
Se por um lado obriga as pessoas a ficarem em casa, por outro, a vitamina sol faz falta. E a tristeza, o desconforto descem.
Bem gostaria de estar na varanda a olhar o mar lá longe em dias de horizonte limpo. Luminoso. Mesmo com Sol de Inverno.
A minha rua está cheia de carros estacionados, adormecidos, como que sem dono. Não há crianças nas ruas. Nem por trás das janelas. Não há os risos de adolescentes, vozes de adultos. Silêncio absoluto na praceta.
Não vejo a luz ao fundo do túnel perdida no nevoeiro denso que não deixa vislumbrar um pouco de azul. Como criar beleza sem azul?
Gosto muito de estar em casa. Adoro o meu cantinho, tiro proveito dele, faço o que me apetece. E por vezes nada. Não tem sido fácil.
Lá me entrego ao meu treino dentro de casa. A minha prática de yoga. Não posso deixar que a falta de vontade supere o que tanto gosto de fazer.
Venha o Sol, meu Deus! Criação divina.
Miosótis (pseudónimo)
28.01.2021
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* Obras de Ana Hatherly sem referência de origem.
Friday, December 25, 2020
Cinema como sonho em final de 2020
New York
créditos: Vivienne Gucwa
Pensava eu, há quase um ano, por esta altura de Natal, estar confiante no novo ano que se adentrava, poucos dias depois.
Pensava eu, sinceramente, que 2020 iria ser um ano cheio de coisas positivas.
Pois é. Mas estava enganada. 2020 ficará, sem dúvida, inscrito na história da Humanidade. Por motivos não positivos.
Um ano que ninguém esquecerá. Um ano de receios, incertezas, tristeza para muitos. Luto para tantos outros.
Nunca pensámos algum dia viver, o que só conhecíamos de filmes de ficção científica.
Um ano que nos pôs à prova. Um ano que, no meio da insegurança, da ansiedade gerada pela solidão a que fomos obrigados, nos deu a esperança que o ser humano iria mudar para melhor. Mas não. Na sua maioria.
Comparável a um raio de sol que fura a tempestade, e nos engana, pensamos que está tudo bem. De repente, o raio de sol se esconde. E o temporal vem. Com mais força.
Foi um ano que testou os nossos limites, a nossa capacidade de adaptação, a nossa resiliência.
Foi um ano de perdas para muitos. Mas de reinvenção para outros.
Não me devo queixar. Não fui afectada pela pandemia, graças ao ente superior que nos rege.
Continuo a ter a minha família bem. E eu também.
Foi um ano que reforçou a minha coragem, clareza. Resiliência.
Foi o primeiro ano sem praia, sobretudo sem mar. Oh! Tristeza!
Foi um ano sem cinema. Um dos meus hobbies favoritos.
De repente, pus-me em Nova Iorque! Sentada imaginariamente, neste banco tão cinematograficamente conhecido. Filmes de Woody Allen.
E deixei correr o fio da vida, das pequenas coisas boas que frui, apesar de tudo, ao longo de 2020. Da beleza que podemos ver em tanta coisa à nossa volta.
E, num toque de magia, a neve tombou docemente na paisagem. Em Nova Iorque.
Miosótis (pseudónimo)
25.12.2020
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Tuesday, December 01, 2020
Eduardo Lourenço [1923-2020] : humilde tributo
créditos: Autor não identificado
via 24Sapo
"Nunca fui leitor de um só livro"
Eduardo Lourenço
O ensaísta e professor Eduardo Lourenço, de 97 anos, morreu esta terça-feira, dia 1 de Dezembro, em Lisboa. Um dos maiores pensadores europeus.
Professor Eduardo Lourenço
ilustração: Autor não identificado
in Expresso, 2016
Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi e será um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, internacionalmente conhecido.
Eduardo Lourenço nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda.
Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade de Coimbra, em 1946, aí inicia o seu percurso, como assistente e como autor, com a publicação de "Heterodoxia" (1949).
Seguir-se-iam as funções de Leitor de Cultura Portuguesa, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, em Montpellier e no Brasil, até se fixar na cidade francesa de Vence, em 1965, com actividade pedagógica nas principais universidades francesas.
O Labirinto da Saudade
Eduardo Lourenço
Tinta da China
Escrito por um dos mais importantes pensadores portugueses da actualidade, trata-se de um exemplar “discurso crítico sobre as imagens que de nós [portugueses] temos forjado”, bem como de uma visão raio-X da história de Portugal - demasiado fascinada pelas “aventuras celestes de um herói isolado, num Universo previamente deserto” - e da filosofia portuguesa, preocupada acima de tudo em construir “a imagem de um Portugal-Super-Man, portador secreto de uma mensagem ou possuidor virtual de um Graal futuro”.
Autor de mais de 40 títulos, possuiu desde sempre "um olhar inquietante sobre a realidade", como destacaram os seus pares.
"O Labirinto da Saudade", "Fernando, Rei da Nossa Baviera", "Pessoa Revisitado" estão entre muitos dos seus livros.
Fernandp Rei da Nossa Baviera
Eduardo Lourenço
Imprensa Nacional / Casa da Moeda. Lisboa, 1986
via O Homem dos Livros (alfarrabista)
https://www.homemdoslivros.com/
Um ensaio incontornável sobre Fernando Pessoa, da autoria de um dos mais brilhantes pensadores da cultura portuguesa.
"Na verdade, falo de mim em todos os textos" (...) "Cada um dos assuntos por que me interesso daria para ocupar várias pessoas durante toda a vida. [Mas como] não possuo vocação heteronímica, tenho procurado encontrar um nexo entre as minhas diversas abordagens da realidade".
Eduardo Lourenço, citado pelo Centro Nacional de Cultura
Tinha o gosto pela música, pelo cinema e comentava o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros.
Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Jacinto do Prado Coelho em 1986 pelo seu livro Fernando, Rei da Nossa Baviera, e recebeu-o pela segunda vez, com a publicação de Tempo da Música, Música do Tempo. Livro que tenho e venero. Um percurso intimista de alguém que gosta de música, sente o que ouve, e se redime através do que sente:
"O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da Sétima Sinfonia. Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta Suite em Si Menor, de Bach."
Eduardo Lourenço, in Tempo da Música, Música do Tempo
crédito: Sabrina Guedes Marques
via Renascença
“Somos um povo entre os povos, não somos o centro do mundo. Já Camões se tinha apercebido de que éramos uma espécie de milagre… Esse milagre é uma coisa que nos enlouqueceu. Mas todos precisamos de loucura para suportar a vida. Não temos é necessidade de querer estar sempre nas primeiras páginas do mundo.”
Eduardo Lourenço
Recebeu muitos outros prémios. Prémio Camões (1996), o Prémio Virgílio Ferreira (2001) e o Prémio Pessoa (2011).
Foi galardoado com as insígnias de Grande Oficial e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e, em Abril deste ano, o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes.
Era Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.
“Porque se há alguma coisa que posso dizer de mim é que eu nasci nos livros e nunca saí dos livros.”
Eduardo Lourenço, in Revista Ler, 2008
Miosótis (pseudónimo)
01.12.2020
Copyright ©2020-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®
Sunday, November 29, 2020
A propósito de René Magritte : Ode a minha mãe no céu azul-claro








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