Wednesday, June 13, 2007

Silêncios em noites fragmentadas de aromas






Fotografia: Tengku Bahar| AFP 2007


http://news.yahoo.com/photos


Numa outra vida, o acaso fez de mim poeta,
numa outra existência, o destino fez de mim pintor.
Incapaz de lançar fora usos esquecidos,
o mundo me conhece poeta e pintor,
sabe meu nome, identifica o meu estilo. (...)

Wang Wei, Poeta chinês [701-761]


É sem dúvida um dos poetas que mais aprecio, pela singeleza, pela profunda sabedoria das coisas da vida.

Hesitei um pouco. São tantos os poetas que leio e venero!

Ao longo de Fragmentos da noite com flores muitos têm sido os poetas, os prosadores que citei, buscando inspiração, ao deixar correr meu divagar em noites de acalmia ou perturbação.


O sonho e os livros vêm de minha infância. Os livros buscava-os na biblioteca de meus Pais, nos quartos dos irmãos mais velhos, nas viagens. 

Hoje passeio-me pelas livrarias, embrenhada nas leituras, divagando entre palavras e paisagens de outros, buscando minhas próprias litanias, sem tempos nem distâncias.

Muitas vezes em final de tarde o faço. É aliciante poisar o olhar nas bancas de livrarias mais recatadas, sentir o cheiro das folhas que se voltam a cada gesto lento de dedos delicados em contacto com os livros, esse prazer inestimável de companhia e sabedoria.

Em tempos, escrevi um curto texto:

Dialogar contigo meu livro?!
Há lá coisa mais deliciosamente cativante e intimista!

Sonoridades inebriantes, espaços soltos, ternas vulnerabilidades, sorrisos coruscantes, maresias de poente.

Tu me ouves, dialogas em tons de confidente, acarinhas docemente meus sonhos, aromatizas meus recônditos de alma que se envolve de eternidade.

Não é só hoje, não! Tu me acompanhas, em todos os momentos de meus dias, em passos curtos ou saltos longos, num abrir e fechar de emoções.

MS (Miosótis, pseudónimo)

(texto original, publicado em 17.02.2005)

Este espaço tem sido dedicado, quase sempre, aos meus prazeres espirituais, musicais, culturais.

É sim, também, um espaço de partilha, em fragmentos de sentires, em fusão de afectos ou apenas em mero exercício solitário.

Aqui tenho poisado ideais esparsos, ligados à estética da construção da memória poética de minhas noites de divagação autêntica, semi-efabulada, semi vivenciada.

E falei, em jeito de crónica, dos afectos que me ligam a objectos, paisagens, pessoas... algumas pessoas, muito poucas, hoje facilmente vulneráveis ao imediatismo do mundo, mas amanhã, quem sabe? lembrando e reconhecendo com nostalgia, a plena fusão de gestos esparsos nas profecias de magos e gnomos, em noites enfeitadas de luar, que se seguiam a dias de sol explosivo.

(...)
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em paisagem chuvosa, Lisa Gerrard, Indus, best of Lisa Gerrard, 2007

13.06.2007
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Saturday, June 02, 2007

Multiculturalidade





Enchantment | Albert Fennel
Exposição Virtual Pinceladas de todas as Cores
http://www.apena.rcts.pt



Lição

Oiço todos os dias,
De manhãzinha,
Um poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado.

Miguel Torga, Diário X, 2ª edição, Ed. do Autor

Para Aya que me legou um 'meme'* há algum tempo! Me perdoe por ter tardado!  Apesar de ser contra as correntes, só posso agradecer seu gesto tão sensível.

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da tarde, num encantamento de sonoridades - o tilintar solto e alegre dos pássaros em volteio despreocupado, num ritmo de pares, bem perto da janela virada para o firmamento azul quente, aromas de bosques perdidos

2.06.2007


*Um 'meme' é um 'gen ou gene cultural' que envolve algum conhecimento que passa a outros contemporâneos ou a seus descendentes. Os 'memes' podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. 
Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela web, usualmente via blogues.

O neologismo '
memes' foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

(definição que circula com a corrente)



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Saturday, May 19, 2007

Das paisagens





Foto: Peter Djonj/ AP 2007
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"O maior erro do ser humano, é tentar tirar da cabeça aquilo que não sai do coração."

Autor desconhecido


É bom regressar a casa, em final de tarde com cheiro a calor!

Decidi afoitar-me naquela explosão de cor. O vento expulsara as nuvens e meus passos crepitavam por entre um lago de flores, amarelo cor-de-oiro, num silêncio atordoado e límpido. Aspirei com vontade de sorver as fragrâncias de um tempo que se comprometia duradoiro e quente.

Atraída e ofuscada pela cor forte, luminosa, viva, daquele campo povoado de campestres essências, caminhei!

Meus pensamentos repoisavam puros, como quem reza, num caminhar aspirado passo a passo, ritmado, leve, na terra esbatido.

A vida parecia mais tranquila. Mas eles, os pensamentos troavam, deixando-me como um bando de pássaros. Envolta numa aragem deliciosa e solta, trazia comigo o mar, poisando-o num lago. Divino espaço!

Entrara para a minha intimidade, na minha respiração. Erguera-me para a invisibilidade.

Inundados os olhos de litanias, aturdida no silêncio bucólico. A vida parecia mais tranquila! Os pássaros tilintavam em redor.

A melancolia abatia-se, mesclada de aromas de açafrão e ervas raras, numa acalmia polvilhada de sentires, naquele caminhar suspenso.

Na minha cesta poisara o lago, o mar, o ideal encantado de uma paisagem. Parecia em paz por respirar o ar de verão!

Parei. E levantei os olhos cor de canela. O céu, como uma tenda de veludo azul, estendia-se por cima da minha cabeça, cor das flores. Survi, mais uma vez, todos os sentires imersos no universo...


Subi, meti a chave à porta. Corri as cortinas transparentes verde-musgo. Da pequena mas rasgada varanda airosa, pude ainda despedir-me do sol cor de sonhos que atravessava o horizonte!

Debruçada no alto da nuvem, virada para o infinito, movi os céus, a terra para chegar até ali...


"A lua subiu à minha janela, onde permaneceu sonhadora até partir. Olhei para o canto do céu iluminado pela sua passagem. Lentamente foi-se apagando e as estrelas apareceram." *

O que sonhas? - perguntei.


Miosótis (pseudónimo)

Com humildade, gostaria de pedir a Art of Love que me perdoasse por responder tardiamente ao seu sensível "thinking blogger award".

E só posso agradecer tal gesto, dedicando-lhe esta divagação de afectos, mesclada de realidade e fantasia.


fragmentos da noite com flores

19.05.2007
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Shan Sa
As Quatro Vidas do Salgueiro

Casa das Letras, 2005, 1ª edição

Sunday, May 06, 2007

Nocturno



Imagem: Art created by WETA Digital Ltd. (c) Walden Media, LLC


"Sir, more than kisses, letters mingle Souls;

For, thus friends absent speake."


John Donne to Sir Henry Wotton


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores 


06.05.2007

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Sunday, April 29, 2007

Divagações de Penélope




Fotografia: Fabrizio Brensh | Reuters 2007



A Penélope da literatura greco-clássica, embora no silêncio de Ulisses, à distância, pela época em que a comunicação era vaga e restrita, sabia, por todo o amor que este lhe dedicara até o marido partir, que Ulisses tudo faria para voltar ao seu eterno e amorável abraço, àquelas mãos que pressentiam cada recanto de seu ser. 


Mãos femininas, únicas no afago, que tocavam e acariciavam, numa transcendente afeição de gestos leves, soltos, ternos, suaves como pétalas aveludadas, aquela alma e aquele corpo.

E Ulisses suspirava... inebriado por tão imenso afecto que prevalecia, lânguido, profundo.

E corajoso, afoitou as intempéries do tempo e da distância, para regressar a sua Penélope, à deusa de seu imenso querer! Precisava, ansiava, era-lhe vital na sobrevivência de sua essência, descansar ao lado de Penélope, sentir a ternura, a tranquilidade de todo um amor comungado!



E a Penélope da ficção contemporânea, será que a ela lhe são desvendados sopros de amoroso afecto?!

Será que mesmo na incerteza, guiada pela premonição do instinto, feita sentimento de mil fragrâncias, Penélope espera confiante a cada instante que Zéfiro lhe traga de seu Ulisses, brisas de carinhos desnudados em mil anseios suspirados, resistindo a todas as Circes?!


Ou será que Penélope, a cada suspiro de saudade, a cada gesto de ternura envolto, independentemente do tempo e da distância, porque há amores talhados pelos deuses, apenas recebe silêncio, silêncio, o silêncio?!


Será que Penélope pressente a incerteza do afecto que paira no coração de um Ulisses... sabendo ele, já Minerva lho vai recordando a cada instante, que Penélope o espera pacientemente, amoravelmente, na praia, em cada dia, perscrutando o horizonte em tempos de acalmia ou tempestade, perguntando em silêncios ao universo, aos aromas de maresia, às espraiadas conchas trazidas pelas ondas, aos búzios de sons de mar, ao infinito azul, se novas lhe trazem de seu mais íntimo afecto?

Não sei...





Miosótis (pseudónimo) ©2007


ficção original© em resposta a Carta a Penélope, de um blogue amigo desaparecido.

26.10.2006


fragmentos da tarde em tempos de amores-perfeitos, frente à paisagem cor de inverno que se deslumbra da janela, de frente para o horizonte.

29.04.2007

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Wednesday, April 25, 2007

Campanha Mundial para a Educação 2007



Campagne Mondiale pour l'Éducation



Un avenir sans livres est un avenir triste et sombre, des yeux sans poésie!

L'alchimie de l'être humain passe par sa culture émotionnelle faite de mémoires des différentes lectures.

Miosotis, Lire

18 Agosto 2005


Lançada em 30 de Janeiro de 2007 no Parlamento Europeu, a "Campanha Mundial para a Educação" tem este ano como tema "A Educação, um direito humano"!
Com efeito , cerca de 80 milhões de crianças no mundo estão privadas deste direito fundamental e perto de um milhar de adultos não sabem ler nem escrever. Mobilizemo-nos para reparar esta injustiça!

De 23 a 29 de Abril juntemo-nos aos milhões de participantes na "Semana Mundial de Acção e Campanha Mundial para a Educação", com o apoio de Global Campaign for Education e Aide et Action.

Les 6 objectifs de l'Education Pour Tous à atteindre pour 2015

Acceptés par plus de 180 pays lors des Forums mondiaux de l'éducation à Jomtien et Dakar en 1990 et 2000, 6 objectifs doivent être atteints en 2015.
  • Développer la protection et l'éducation de la petite enfance
  • Fournir une éducation primaire gratuite et obligatoire pour tous
  • Offrir aux jeunes et aux adultes des programmes d'apprentissage et d'acquisition des compétences liées à la vie courante
  • Augmenter de 50% l'alphabétisation des adultes
  • Réaliser la parité des sexes en 2005 et l'égalité des sexes en 2015
  • Améliorer la qualité de l'éducation.

A
Unesco estima que 770 milhões de pessoas em todo o mundo são analfabetas!




A Educação pode mudar o Mundo!
Que l'immense horizon éblouissant des livres s'ouvre devant les yeux de toutes les personnes, indépendemment de leur âge, sexe et nationalité!
Miosotis, Lire
18 Agosto 2005



Miosótis (pseudónimo)

fragmento da tarde em resposta a um apelo internacional

25.04.2007

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Sunday, April 22, 2007

Thinking Blogger Award





Foto: A delicate langing/WTL
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Dia da Terra

"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios.


Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra.


Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."

profecia de uma velha índia Cree

Relembrar o Dia da Terra! É urgente!

Por todo o mundo, as pessoas se sensibilizam mais e mais, espalhando seus gestos e suas palavras numa campanha que prende cada respirar de nossas vidas!


"Nessa noite, a lua estava cheia. No escuro, o luar se replicava nas mil gotinhas, acendendo um fantástico presépio. Nunca eu tinha assistido a tanta luz nocturna, o estrelar do céu mesmo sobre o nosso céu. Meu pai sorriu:

- Já temos lua eléctrica!"

Mia Couto, A Chuva Pasmada

Editorial Caminho, 2004, 1ª edição


E como que por encanto, Terra é também o espaço de uma amiga, Cris que considerou encontrar em fragmentos da noite com flores, tempos de pensamento e introversão. Muito me sensibiliza! E deixa-me emudecida!

Fragmentos em tons de Miosótis são breves momentos de reflexão, sorrisos de arco-íris, gritos mudos de afecto, puros gestos de maresia em ondas verdes pinceladas de nuvens soltas, deixando passar o luar das noites em amanheceres desassossegados.


Uma descuidada harmonia luminosamente verde.o matiz do vestido intensamente rubro.
O âmago da flor, com medo de sofrer,
talvez um coração, com a cor da Primavera


Wang Wei, A peónia vermellha,

Poemas, Instituto Cultural de Macau, 1993


Miosótis (pseudónimo)
Para Cris, fragmentos da noite com flores de miosótis

22.04.07

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*Nota: Não sou a favor de correntes, mas também não gosto de quebrá-las! Repensei e decidi nomear apenas três:


  • My words... My spells
  • Esboços de Nus


por estarem pouco divulgados e terem uma sensibilidade 'especial'


  • Tiros no Escuro
pela amizade que nos une quase desde o início e pela acuidade de 'croniqueur' de costumes.





Saturday, April 14, 2007

Viagens sonhadas com Bernardo Soares






créditos: David J. Philip/ AP 2007
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"Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão por accordo de rythmo com distancia exposta para as viagens aos paízes incognitos, ou suppostos ou somente impossiveis."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego
Tomo I, Ática, 1982



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde, em tempo de sakura*


14.04.2007

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*Sakura - nome dado à flor de cerejeira, símbolo do Japão. Desabrocha no início da Primavera e representa a natureza efémera da vida.


Thursday, April 05, 2007

Pina Bausch : musa inspiradora






Pina Bausch
créditos: autor não identificado


Dançar... expressão corporal que diz do que vai na alma!

Soltar seus passos
e lançar seus braços
em gestos de mil sentires.
É a revolta in cantabile
ou libertadora con fuoco
Scherzando vibraçoes
que se espraiam con spirito!

Gestos de afectos soltos e desanuviadores de um corpo que grita sua alma em aromas de jardins de sons intensos!
Fragrâncias onde a vida repousa e se abriga
Con amore!


Miosótis ©
06.04.2007

Há muito que venho falando do meu imenso afecto pela dança e sobretudo pela dança contemporânea.

E Pina Bausch é para mim, como para todos os verdadeiros admiradores desta arte sublime, a referência maior e única, talvez, das últimas décadas!

Para comemorar os 30 Anos da Companhia Nacional de Bailado (CNB) Lisboa tem o privilégio de se extasiar por três dias, no Teatro Camões, diante de seu último trabalho "For the Children of Yesterday, Today and Tomorrow", estreado em 25.04.2006 no TanztheaterWppertal Pina Bausch





For the Children of Yesterday, Today and Tomorrow
(bailado de Pina Bausch)
http://www.rascunho.net

"A peça conta a lenda de uma árvore que cobriu o Sol e roubou toda a luz existente na Terra. Para salvar o mundo, houve um esquilo que roeu dia e noite os ramos da árvore até que o Sol pudesse tirar a Terra da escuridão. Como compensação, o Sol ofereceu ao animal o sonho de voar e o esquilo tornou-se no primeiro morcego. Trata-se de um conto sobre o altruísmo e a esperança."

Na entrevista dada ontem, sentada à mesa do foyer do Teatro Camões, Pina Bausch respondeu, discreta nos gestos e nas palavras, a perguntas sobre o seu papel de criadora e coreógrafa:

"Talvez eu tivesse trazido a capacidade de fantasiar e interrogar."






Pina Bausch
créditos: AFP/ Getty Images

Pina Bausch
defendeu acima de tudo que a dança deve dar "atenção aos sentimentos, desejos e dores"
de modo a tocar o público e "não ser apenas algo de belo e de bom."

Este é um trabalho baseado em excertos das obras Keepers of the Night - Native American Stories, Nocturnal Activiteas for Children de Michael J. Caduto e How the Bath Came to Be de Joseph Bruchac.


Como músicas escolheu, entre outras, peças de Prince, Caetano Veloso, Nina Simone, Goldfrapp, Gerry Mulligan, Lisa Ekdahl, Naná Vasconcelos, Shirley Horn e Gotan Project.


"Minha alma é uma orchestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como simphonia."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Tomo I, Atica 1982

Pina Bausch morreu no dia 30 de Junho 2009. Fica esta singela homenagem à maior musa da dança do século XX.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


05.04.2007


actualizado 30.06.2009
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Referências: DN | Sol online


Saturday, March 31, 2007

Mãos





créditos: Rick Nederstigt |AFP 2007
http://news.yahoo.com/photos


"Não pensar, não prever, não analisar, agir. Agir. Num ápice saltei para a primeira fila e sentei-me na cadeira ao lado da tua. (...) Eu disse: Agarra a minha mão. Por favor agarra a minha mão. Por favor agarra a minha mão com a tua. Antes de te olhar, antes de descobrir a tua cara, os teus olhos, a tua perplexidade, antes de te olhar pela primeira vez, antes de te olhar, antes de mais nada, agarra a minha mão. Recebe a minha mão. Dá-me a tua mão. E tu não hesitaste e não perguntaste e não analisaste e não fizeste contas à vida. Sorriste só. A minha mão esquerda e a tua mão direita. Duas mãos segurando-se uma à outra."

Pedro Paixão
, Mãos, Asfixia, 

Quetzal Editores, Setembro 2006 


pequenos momentos de leitura que os dedos vão folheando em olhar tranquilo.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite, Katrine Madsen,
Waltz for Thor


01.04.2007 

actualizado 06.08.2023
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Tuesday, March 27, 2007

Dia Mundial do Teatro



Imagem: peça de teatro
http://img.photobucket.com/



Almeida Garrett atribuía ao Teatro uma alta função civilizadora. Empenhou-se intensamente na sua renovação. Queria uma produção nacional de qualidade, susceptível de elevar o gosto e a cultura do público.




"O teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde não a há!"


Almeida Garrett

O Museu Nacional de Teatro instalado no Palácio de Monteiro-Mor em Lisboa, situa-se junto ao Parque Monteiro-Mor.

Poderá fazer uma pesquisa virtual na Biblioteca do MNT ou passear-se um pouco pelas Exposições.


Hoje, em muitos salas de teatro nacionais, a entrada é livre e gratuita.




Vá ao teatro!




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos do dia com flores, muitas flores, atiradas para os palcos de todos os teatros do mundo


27.03.07
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Tuesday, March 20, 2007

Véu Pintado : filme, livro




The Painted Veil
John Curran, 2006
https://www.imdb.com/

"Most people cannot see anything, but I can see what is in front of my nose with extreme clearness; the greatest writers can see trough a brick wall. My vision is not so penetrating."

W. Somerset Maugham


O Véu Pintado, tradução de The Painted Veil, estava já na minha escolha cinematográfica. O actor principal Edward Norton, o facto de ser baseado num livro de W. Somerset Maugham - gosto sempre de reler os livros pelos olhos dos outros - a fotografia que me parecera lindíssima no trailer apresentado, e, como não podia deixar de ser, a banda sonora de Alexandre Desplat. Venceu os Golden Globe Awards 2007, entre outros prémios.





The Painted Veil
W. Somerset Maugham

The Painted Veil de W. Somerset Maugham (1925) é um dos clássicos que fazem parte das minhas referências literárias. 

O autor prima essencialmente pelo retrato que faz da sociedade inglesa da sua época, num estilo sóbrio e cuidado, próprio de um belo contador de histórias. Estas desenrolam-se, regra geral, em ambientes internacionais. 

A sua escrita é clara, sucinta, em tom resignado ou cínico, o que o torna peculiar e inconfundível!

"I have never pretend to be anything but a story teller. it has amused me and to tell stories and I have told a great many."

Somerset Maugham, Creatures of Circumstance, 1947




Kitty & Walter
Naomi Watts & Edward Norton
 The Painted Veil
John Curran, 2006

https://www.imdb.com/


Passada nos anos 20, a história conta-nos a vida de um jovem casal - Walter e Kitty - que casam pelas razões erradas. Uma história clássica para a época. Um casa por amor, Walter, o outro, Kitty, para fugir à autoridade materna.

Walter, colocado em Xangai, faz com que o casal viva momentos de ruptura, quando Walter descobre a infidelidade de Kitty. Decide então voluntariar-se e apoiar como médico bacteriologista, o surto de cólera que varre a China. Parte para uma aldeia remota chinesa, levando consigo a mulher.


Sem se deter demasiado na questão política que envolve um país vivendo já algumas convulsões com o império britânico, a trama centra-se sobretudo nas relações interpessoais, apanágio deste sagaz contador de histórias, Maugham.

Mais do que a história em si, demasiado clássica, embora tipifique uma determinada época, a minha motivação centrava-se bastante na beleza das imagens, em serenas paisagens, feitas em Beijing, numa estética rara do fotógrafo Stewart Dryburgh. O mesmo que se juntou a Michael Nyman no lindíssimo filme The Piano (1993).





Edward Norton
 The Painted Veil
John Curran, 2006
https://www.imdb.com/

Edward Norton
é um actor muito carismático! E embora não aprecie muitas vezes o tipo de personagens que interpreta, não posso deixar de concordar que se trata de um actor de grande qualidade. Sóbrio, quase impermeável, o seu olhar transmite um distanciamento quase absorto de sentimentos. A sua sensibilidade raramente tr
ansparece.

Vira-o há pouco tempo no filme
The Illusionist numa história que me agradou profundamente. Aí, Edward Norton mostra-se mais humanizado.

Também aqui, Norton, apesar de manter aquela postura tipicamente britânica, necessária à personagem que interpreta, acaba por deixar fluir alguns sentires na sua relação com as crianças, no hospital, onde faz investigação.






Naomi Watts

 The Painted Veil
John Curran, 2006

https://www.imdb.com/

Naomi Watts, no papel de uma mulher mimada da alta sociedade londrina, extrovertida, fogosa e pouco adaptada à sua época, deixa transparecer a ligeireza e futilidade próprias à sua personagem.

Mas ao longo do filme, e colocada perante a dura e pungente realidade que vive na aldeia chinesa, altera o seu comportamento. E acaba por se oferecer para apoiar as freiras no convento, ligado ao hospital, onde seu marido, para além das funções de investigador, presta assistência médica aos doentes terminais.

Aí, demonstra uma alegria esfuziante na sua relação com as crianças chinesas, internas no convento, a quem ensina música num piano desafinado. O piano é uma das sonoridades bem em evidência ao longo do filme, em trechos de grande sensibilidade!






 The Painted Veil
John Curran, 2006

https://www.imdb.com/

E revela-se, quando toma conhecimento que seu marido está mortalmente afectado pelo vírus epidémico que tanto ajudou a debelar, demonstrando uma dedicação e carinho ilimitados.

O filme desenrola-se num ambiente de grande tranquilidade, onde até os momentos mais dramáticos são vividos com distanciamento e alguma frieza, o que o torna desagradável, por vezes. E o final aparece assim, quase que abruptamente.

É uma história de amor, sim, mas que não chamará o grande público. Aliás, a sala estava quase vazia!


Realizado por John Curran que com Edward Norton fez um trabalho de grande maturação e estudo aprofundado da época, denota uma intenção comum de dar a conhecer um país e sua civilização, a China, nos anos 30.

Um filme de qualidade! Sem dúvida!

"This is one of the finest films of the year"
Chicago Sun-News


Miosótis (pseudónimo)


20.03.2007
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