Sunday, July 24, 2011

Amy Winehouse, um tributo inconsolável !






Amy Winehouse
créditos: Dave Hogan/ Getty Images





Amy Winehouse
créditos: via RoliingStone

Não vou escrever mais sobre Amy. Já o fiz várias vezes sobre Amy Winehouse e nesse mesmo ano em Amy Winehouse, a Voz. Todos sabem como admiro o seu imenso talento!





Amy
créditos: Autor não identificado
via Sic | Notícias | Cultura


Um singelo tributo. Amy é uma das vozes que mais aprecio. E que tantas vezes me acompanha.

Uma voz soul imensa, linda, num ser tão frágil.

R.I.P. Amy!

(...)
I'm real.
I'm human
But I'm not an ordinary man
No No No.


Jim Morrison

Miosótis (pseudónimo)

24.07.2011
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Thursday, July 14, 2011

A essência da paisagem



Vivia numa casa grande. Quatro andares mais um andar assotado. A casa dava para um parque ladeado de seculares tílias. No Inverno, o barulho que faziam nas noites de temporal, assustava-me. Mas, mal chegava a Primavera, cobriam-se de verde. E no Verão eram sombras acolhedoras! 

Escolhi o sótão como quarto, lá no topo, para não incomodar a família, nas longas horas de estudo de piano. Por sinal, o meu sótão era bem luminoso!

Todas as tardes, depois de regressar do colégio, subia para o quarto. Fechava a porta - só possível enquanto não chegava o calor - e sentava-me ao piano. Começava com o aquecimento: escalas, exercícios. Entrava então na repetição de compassos, passagens difíceis, criteriosamente assinaladas pela minha professora de piano. E só depois passava à execução integral de uma peça ou outra. A que me desse mais prazer.

Em final de tardes amenas, cansada, escapulia-me para o telhado, através da janela rasgada que abria de par em par, e lá ficava olhando os fios das nuvens, trauteando em silêncio as partituras deixadas. 

Seguiam-se momentos de imaginação afoita diante de tanta imensidão. Estava tudo tão perto! Era dona de um espaço só meu, inexplorado, e deixava correr o pensamento ao sabor do infinito na transcendência do real. Pura adolescência! 

Uns anos mais tarde, a casa foi vendida, e impiedosamente demolida. No trajecto que fazia para a faculdade, o autocarro passava mesmo ao lado da casa. E o meu olhar quedava-se no desmoronar do telhado, da janela, daquele quarto assotado. A tristeza caiu-me na alma.

Esta foto, via-a no espaço de um amigo que cultiva a fotografia. Eis então o que define este sentimento intimista! Um intervalo do tempo. O meu quarto assotado não teve tempo de envelhecer.

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite com flores, texto original 2011©

14.07.2011
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Saturday, June 04, 2011

Os Poetas








Sob poema de Mário Cesariny (voz do autor) Rodrigo Leão musicou. Faz parte de um trabalhado intitulado "Os Poetas: Entre nós as palavras".

E fiquei-me suspensa na tranquilidade das imagens que se vão percorrendo. Mote para descrever alguns estados de alma que me têm absorvido a voz.

Entre nós e as palavras existe um espanto feito de silêncios. Como quem ora na ausência das sonoridades! Apenas a contemplação.

Mas o que torna precioso é sensação que as palavras se perdem, tal como a voz do poeta se desvanece na acalmia das imagens.

'Queria de ti um país de bondade e ternura'... verso que nos dá a inteira dimensão da alma.

E com o olhar na mais bela distância possível que a música nos convoca. E as palavras, no que ao corpo e ao desejo diz respeito, reforçam a elegia! O silêncio. 

Miosótis (pseudónimo)

04.06.2011

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Wednesday, May 11, 2011

Templos




Templo Budista | Bangkok
Foto: autor não identificado

"A Paz é possível. Está no coração à espera que a sintas"

Prem Rawat

Foi o que senti quando meu olhar se poisou na foto deste templo. O meu imaginário que não anda longe do que pratica, aspirou o aroma dos incensos que paira tão ténue como que respeitando a fragilidade dos seres.

Mas esse sentir não corresponde, muitas vezes, um estado d'alma continuado.

Há momentos que os tumultos mais íntimos nos avassalam. Não sabemos donde vêm. E também não percebemos como desaparecem. E, em seu lugar se instala a paz. 

Dos mistérios insondáveis que vamos aprendendo a deixar entrar e sair, sem nos apegarmos a uns nem a outros.

(...)
Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?

Mia Couto, Lições, Maputo 2006
in idades, cidades, divindades
Caminho, outras margens, 2007


 ©Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


10.05.2011
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Sunday, May 01, 2011

Para minha mãe





créditos: Carl de Souza/ AFP 2010



Para ti, Mãe

Mãe que deixaste de ouvir
minhas mágoas profundas,
viagens que nunca fiz,
caminhos que não percorri.
Vem ouvir...


Mãe! Senta-te a meu lado
e ouve-me em silêncio...
Lembras-te?
Sonhavas-me mil carinhos
de fadas e duendes rodeada
enquanto poisavas sob
meus cabelos
miosótis azuis e rosa
e soltavas teus sortilégios sábios,
abençoando-me em cálidos olhares.

Mãe! Passados que são os anos,
teus anseios aprisionados
ficaram das negras nuvens.

Chorarás tu por mim?!

Depois de tantos afectos
nas tuas preces aspergidos,
os deuses se quedaram
inertes e silenciados...

 
Mãe!
Teus abraços eternos
de encontro a meu âmago
com laivos imensos
de ternura
eu guardo e venero
para sempre, Mãe!

Miosótis (pseudónimo)2008©


fragmentos da noite com flores

01.05.2011
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Thursday, April 21, 2011

A Primavera e os livros





Dr Nigel Russel/ Natural England

A Primavera tem-se feito insegura e tímida. A dias esplendorosos de sol e temperaturas fogosas, que nos fazem sentir mais vivos e libertos para fruir dos aromas que pairam no ar, logo se sucedem outros bizarrentos, chuvosos que nos desaconchegam e entristecem. 


Até o meu pássaro cantador que reaparecera pré-anunciando que a primavera se aproximava, se afastou do beiral da janela, cá no alto, e se remeteu a um silêncio quedo.


A noite fica mais sombria no ausência do seu canto! É que meu pássaro cantador tem um chilrear fresco, garrido, desafiador, como quem conversa de lá para cá! E eu fico embalada nesse canto que me limpa as nuvens cinzentas e me abre aquele azul de que eu tanto gosto!


Um mistérios poético! Vá-se lá saber porque razão este pássaro encantador me escolheu para sua companheira de diálogos nas noites frescas de Primavera!




Foto ©MS 2011


Ah! Uma nota de harmonia. Uma rosa despontou! A primeira desta primavera que dá sentido à vida e me faz soltar um sorriso murmurado. É que se aproxima o dia 23 de Abril! Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor!


Esta comemoração teve origem na Catalunha, no dia de S. Jorge. Nesse dia, a cada livro vendido, é oferecida uma rosa. Gesto lindo! 


Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tem-se alastrado a outros países. Esse gesto, não vejo repetir-se  no meu país...


Aqui fica pois a minha rosa! Para si, no Dia Mundial do Livro!



Um dia, abrindo o Livro, li as suas últimas páginas
como se fossem as primeiras: as páginas da terra como
se fossem as da água, e as suas linhas brancas como
se trouxessem a mancha  vermelha de um sangue
de sílabas rasgadas. Pousei esse Livro na mesa abstracta
do Crepúsculo. Ouvi a música das nuvens que traziam 
o sinal dos Anjos. (...)


Nuno Júdice, Troca de Livros

Cartografia de Emoções, Dom Quixote, 2001


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
21.04.2011

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Monday, March 21, 2011

Peónias para o Japão




Peónias
créditos: Autor não identifcado


Eu não sei o que escrever sobre a tragédia que se abateu sobre o Japão!  

É como se não encontrasse nada que pudesse tocar a sensibilidade de tantos seres!



E lembrei uma flor! A peónia, flor do amor segundo a simbólica do feng-shui.

O nome da flor, descobri-o na poesia de Wang Wei, um dos meus poetas de culto. Viveu na velha China, entre 701-761. 


Uma descuidada harmonia luminosamente verde,
   o matiz do vestido intensamente rubro,
O âmago da flor, com medo de sofrer,
   talvez um coração, com cor da Primavera.

Wang Wei, A peónia vermelha, Poemas de Wang Wei*

Quanta coisa se alterou perante o olhar! Um olhar sem dogmas estampados no pensamento. Apenas o olhar!

Aquele olhar de eterna dor, uma dor tão funda que trespassa o visível e pressente a alma dos ausentes, em diferentes e íntimas paisagens. 

Presenças universais.

Há recônditos de seres que vivem escondidos no coração dos que amam, ouvindo preces.

Afundam no céu. Paz. Eternidade.


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, em singela prece para o Japão


21.03.11
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Tuesday, March 08, 2011

A Jill Clayburgh no Dia Internacional da Mulher !






Jill Clayburgh [1944-2010]

A actriz norte-americana Jill Clayburgh morreu em 5 Novembro 2010, depois de uma  luta contra a leucemia que durou anos. Tinha 66 anos.

Jill Clayburgh começou a carreira nos anos 60, na Broadway, mas foi no cinema que se destacou, dando vida a mulheres fortes e independentes.





Jill Clayburgh
An Unmarried Woman
Paul Mazursky, 1978

Em 1978, recebeu o Prémio Melhor Actriz no Festival de Cannes, pela sua interpretação no filme An Unmarried Woman de Paul Mazursky.







Nesse ano, o mesmo filme valeu-lhe também uma nomeação para o Oscar de Melhor Actriz.

Em 1979 voltou a ser nomeada para o Oscar de Melhor Actriz pela interpretação em Starting Over, em que contracena com Burt Reynolds e Candice Bergen.

Contracenou com Donald Sutherland na série televisiva 'Dirty Sexy Money' (USA 2010)






Jill Clayburgh participou em mais de 70 filmes. Não foi supresa para ninguém quando em 1999, Entertainment Weekly nomeou Jill Clayburgh na sua lista Hollywood's 25 Greatest Actresses

Durante décadas, entregou-se a fantásticas interpretações, numa variedade de papéis/ personagens incríveis.

Via-a há duas semanas no seu último filme! Love and Other Drugs, ao lado de Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway. O filme está agora em exibição nas salas de cinema.

Passa já após a sua morte. A sua personagem é fugaz. Mas conserva o carisma que sempre lhe conhecemos. Notava-se, no entanto, que algo estaria perto...

Aqui um testemunho dos actores que contracenaram com Jill no filme, não sabendo eles que se encontrava muito doente.






Este é o meu tributo no Dia Internacional da Mulher, 2011. A Jill Clayburgh!





Remembering Jill Clauburgh [1944-2010]
credits: unknown
via Google Images

A Jill Clayburgh, pela coragem de lutar 22 anos contra a leucemia que a devorou, pelo perseverança de continuar a dar-nos impressionantes personagens, até final, pela doçura do olhar, pela partilha de emoções.


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

08.03.2011

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Sunday, March 06, 2011

Impressões de Primavera





Roslan Rahaman/AFP Getty Images


The Guardian/Environment
http://www.guardian.co.uk/environment


Il est des jours - avez-vous remarqué ? -
Où l'on se sent plus léger qu'un oiseau, 
Plus jeune qu'un enfant, et, vrai ! plus gai 
Que la même gaieté d'un damoiseau.

L'on se souvient sans bien se rappeler...
Évidemment l'on rêve, et non, pourtant.
L'on semble nager et l'on croirait voler.
L'on aime ardemment sans amour cependant

Tant est léger le coeur sous le ciel clair 
Et tant l'on va, sûr de soi, plein de foi 
Dans les autres, que l'on trompe avec l'air 
D'être plutôt trompé gentiment, soi.

La vie est bonne et l'on voudrait mourir, 
Bien que n'ayant pas peur du lendemain, 
Un désir indécis s'en vient fleurir, 
Dirait-on, au coeur plus et moins qu'humain.

Hélas ! faut-il que meure ce bonheur ? 
Meurent plutôt la vie et son tourment !
Ô dieux cléments, gardez-moi du malheur 
D'à jamais perdre un moment si charmant.



Paul Verlaine, impression de printemps




Deliciosa esta ode à primavera de Paul Verlaine, poeta a quem dediquei meu último post a propósito da inquietação da Association des Amis de Paul Verlaine

Na sequência, o artigo 'Que va devenir la maison de Paul Verlaine à Metz?' a ler aqui

"Et alors il se rappellera de vieux souvenirs, qui se reflètent dans ses oeuvres et dans sa correspondance… Souvenirs d’amourettes d’enfants avec « Mathilde » sur l’esplanade, souvenirs de la cathédrale « si bizarre, un peu folle, avec son unique tour centrale ».*

Avec ses fenêtres donnant sur l‘école d’Application de l’Artillerie et du Génie(actuel cercle des officiers) il pouvait voir tous les matins « sortir en cortège équestre les futurs officiers d’armes spéciales ».

na World Book Night 2011, um olhar sensível na contemplação da primavera que se avizinha, o poema de Paul Verlaine faz-nos partilhar da inquietação de todos os que amam a sua obra. 


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
05.03.2011


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* Excerto do artigo elencado 'Que va devenir la maison de Paul Verlaine à Metz?'


Saturday, February 19, 2011

Apartamento de Paul Verlaine à venda, agora museu




Paul Verlaine (1844-1896)
Henri Fantin-Latour (détail). (c)AFP

A vous ces vers de par la grâce consolante 
De vos grands yeux où rit et pleure un rêve doux,
De par votre âme pure et toute bonne, à vous 
Ces vers du fond de ma détresse violente. (...)

Paul Verlaine, À une femme

A Association des Amis de Paul Verlaine lançou uma subscrição internacional para poder adquirir o apartamento onde nasceu o poeta e criar uma casa museu dedicada à sua obra.

"Nous apprenons que l'appartement où est né Paul Verlaine à Metz est en vente. Nous lançons donc un appel à votre générosité afin de recueillir des fonds pour acquérir ce bien et créer un lieu littéraire consacré à la mémoire de ce Grand Homme de lettres et à la Poésie dans sa ville natale. Face à l’urgence de la situation, il nous faut réagir très rapidement afin de recueillir 300.000 €..."





Casa Paul Verlaine, Metz

Paul-Marie Verlaine, filho de militar, nasceu em Metz  por um «hasard de garnison» como o autor escreveu na sua obra "Souvenirs d'un messin". 

Mas, Verlaine é uma referência profunda nesta cidade que o poeta conheceu durante a sua infância. 

Proclamava-se francês, de Lorraine nascido em Metz, quando a anexão da Alsace e de Moselle foi decretada depois da guerra de 1870. 

Mal imaginava Paul Verlaine que a sua poesia iluminaria o mundo inteiro e que  "les sanglots longs de l'automne" se tornaria o hino de libertação dos povos, no momento histórico do desembarque de 1944.

(tradução livre)

A vous ces vers de par la grâce consolante 
De vos grands yeux où rit et pleure un rêve doux,
De par votre âme pure et toute bonne, à vous 
Ces vers du fond de ma détresse violente. (...)

Paul Verlaine, Le piano que baise une main frêle

Não deixe de visitar o sítio Association des Amis de Paul Verlaine aqui



Casa de Paul Verlaine (interior)

Depois, da acção cívica e cultural da  Association des Amis de Verlaine, em 2011, a casa foi resgatada com o apoio de um mecenas.

Hoje, recuperado todo o edifício, é uma linda casa museu aberta ao público.

No 1° andar do 2 rue Haute-Pierre, podemos descobrir um grande apartamento, style bourgeois dos anos 1850, em Metz.



Paul Verlaine & Arthur Rimbaud
 in Le Coin de Table by Henri Fantin-Latour (1872)

"Chaque pièce est dédiée au souvenir du poète : les origines lorraines, l’enfance à Metz, les événements qui consacrent le poète tant à Metz qu’à Paris, sa jeunesse sous le second empire, la rencontre avec Arthur Rimbaud, l’œuvre de maturité, l’éclosion de sa renommée et la gloire posthume."

Verlaine é um dos poucos homens da literatura francesa que não tinha um lugar consagrado à sua obra.


O ano 2014 celebra o 170° aniversário do nascimento do poeta, mas também celebra o centenário do início da I Guerra Mundial 14-18.


Manuscrito de poema de Verlaine

"Poète incomparable qui représente à la perfection l’art poétique, il est devenu une légende dans les courants littéraires et artistiques du 19° siècle. Son œuvre  a traversé le 20° siècle dans une ferveur toujours entretenue."

Concordo muito com este texto sobre o poeta. Verlaine é um dos meus poetas preferidos da literatura francesa. Assim com Rimbaud. Sensibilidades extremas, poesias intemporais. Dois dos maiores da literatura mundial do século XIX.

A propósito de Paul Verlaine:

"Le cas est unique, exceptionnel, dans toute l’histoire de la littérature : avec des riens, avoir écrit des poèmes d’une luminosité éblouissante, d’une perfection inouïe dépassant les âges, et les modes…"

J B Baronian

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

19.02.2011
Copyright ©2011-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

(actualizado em 10.05.2014

Licença Creative Commons

Referências: 

Lappartement natal de Paul Verlaine est à vendre
nouvelObs.com

Les Amis de Verlaine
http://www.amis-verlaine.net/