Da minha janela, vizinha do firmamento, assisti ao nascer do sol!
Ao longe o mar, envolto em névoas esparsas, irisadas, espraiavam-se em ritmo largho de movimentos sonolentos, feiticistas!
As últimas estrelas faziam lucilar seu oiro-prata num azul aguado e o perfume da noite desfragmentava-se em mil aromas!
Temendo sobressaltar os seres de alma vagueante, absortos e perdidos tantas vezes de seu caminho, envoltos de de aspirações delicadas não vividas, o Sol abriu a porta do hemisfério, muito de mansinho...
- Assustaste-me! Não dei pelo passar da noite! - exclamei ainda na fronteira do sonho e do sono.
- Vim fazer-te companhia... Sentemo-nos ainda um pouco! Tenho uma surpresa para ti! Abre as tuas mãos para eu depor nelas o meu presente! Vê tu mesma...
- Para mim?... mesmo para mim?!
Na minha mão um pássaro! Seu peito desenhado em penas de um vermelho quente.
- Parece um coração...
- E é um coração... o meu! Cheio de amor por ti! Trouxe-o para que ele possa poisar na noite terna dos teus cabelos de nuvens brancas irisadas em raios de oiro!
Então, sacudi meus cabelos com doçura! E o sol afogou sua luza ternura cálida que apagava todas as imagens. Fechou-se também o sonho da mulher que, finalmente adormeceu.
Miosótis (pseudónimo)
©texto original
fragmentos da manhã de um outro dia, 11 Fev. 2006
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