Wednesday, March 08, 2006

Homenagem a uma mulher : Dana Reeve





Dana Reeve [1961-2006)
http://www.chrisreevehomepage.com/

Dana Reeve, a viúvado actor Christopher Reeve, Superman ao lado de quem incansavelmente se manteve na luta para descobrir novos tratamentos para as vítimas de paralisia, após acidentes traumáticos, morreu de doença prolongada.

"The brightest light has gone out." 

Robin Williams


no Dia Internacional da Mulher, 8 Março 2006, com uma flor para Dana

Não deixe de visitar a Christopher & Dana Reeve Foundation



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos  da noite com flores

08.03.2006

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Thursday, March 02, 2006

Pensamento budista



Foto: autor não identificado



«A boca só fala do que o coração está cheio, verifique sempre o conteúdo do seu coração»

Mahatma Gandhi


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, no silêncio da chuva


2.03.2006
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Tuesday, February 28, 2006

Miosótis: simbólica








Miosótis Azul* 
http://www.bioimages.org.uk


Miosótis

Belas, perfumadas,
se encontravam no salão!
Testemunhas de um amor,
Rodopiávamos na valsa
das flores.

E, como flor, estavas connosco,
vibrávamos, amávamos,
flores esparsas.
pares dispersos, acompanhavam
um ritual de amor.

A orquestra entoava todos os acordes,
bailávamos, coração aos saltos!
Festa de miosótis caíam pelo chão,
De suas pequeninas pétalas,
apanhei algumas, beijei-as,
e as entreguei na tua mão!

Ficaste-me nos olhos.
Duas lágrimas,
duas pérolas,
deslizaram no meu rosto cálido!

Ofegante te enlacei,
com mais amor,
continuamos a bailar
miosótis pelo chão!...

Eda Carneiro da Rocha


Dedicado com ternura a Anjo Guerreiro em fragmentodanoitecomflores 1.02.2006 http://oanjoguerreiro.blogs.sapo.pt

Agradecimento carinhoso a SigurHead pela dádiva em NotasFrágeis 27.02.2006 http://notasfrageis.blogspot.com


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

28.02.2006

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* Simbologia do miosótis azul: "Não me esqueças"

          

Monday, February 20, 2006

Corrente, a pedido



Ilustração Don Quijote de la Mancha
http://www.donquijotedelamancha2005.com

Depois de íntima meditação sobre o pedido de Tacitus, anui a continuar a corrente. 

O conceito de corrente tem em meu sentir qualquer coisa de mágico! Não sei!! É assim que vejo estes movimentos que partem sempre de alguém em momentos de compromisso com rituais de fé ou momentos de aflição. E por isso, não deve ser quebrada.


Daí que me atreva a reproduzir a mensagem para que ela siga seu percurso...

Regras da corrente:


"Cada bloguista participante tem que enumerar cinco manias*suas, hábitos pessoais que o diferencie

do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem que escolher cinco outros bloguistas, para entrarem, igualmente, no jogo, não esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento*. Além disso, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

Veremos se consigo falar de gestos simples...


1. Da música - A música tem em minha vida um lugar premente! É coisa minha andar com os sons agarrados à alquimia dos gestos e dos pensamentos.


Meus devaneios melódicos são tão diversificados que difícil se torna definir prioridades ou cedências! Jazz, rock, pop, erudita... oiço segundo os estados d'alma, vivo ou grazzioso, em ritmos de interioridade.

Dos instrumentos - sax baixo e piano, sons de encantos, zen, estremecimento do ser que me povoa, a solo e/ou integrados em fusões multisensoriais policromáticas.

Gestos - Ouvir - ao vivo, se possível!

A mística de um ritual de partilha, plateias de culto, serenas ou exuberantes, músicos sóbrios, minimalistas, ofuscantes, sons inebriantes, matizes de imagens periféricas.

2. Dos livros - Adoro ler! Os livros, objectos sagrados, ocultos companheiros meus! Seduzem-me pelos espaços intimistas, em miscigenação de sentimentos fortes, delicados, sensíveis!

Alegria, dor, desilusão, esperança, o mapa emocional que busco e guardo em momentos de partilha.

Gestos - Abrir um livro, em espaços e tempos!

Percorro linhas ou páginas... e refugio-me! Refugio-me e desconheço tudo em volta, absorta nas paisagens sensitivas.

Folheio com a delicadeza de um gesto, tacteio suavemente o papel, aspiro os odores que se desprendem.

Anoto, passo um traço muito suave, sempre a lápis, em passagens ou palavras que me prendem, encantam, alheam! O livro tem outras margens... gosto de escrevê-las imaginariamente!

Ah! Nunca empresto um livro! Desnudar muitos pedaços de minh'alma, isso seria.

3. Das palavras - Houve tempo em que conversar era um prazer! Os olhos, as mãos, dizem também tanto! Mas...

A corrente/torrente de encantamentos ligada às palavras vulgariza-se!

Gesto - Calar... calar...

4. Dos prazeres - Logo pela manhã, perfumar meus espaços com uma serena taça de café. O aroma-rei dos tempos cosmopolistas-

Gestos - Fruir cada sorvedela do néctar castanho-forte cor-de-ferro! Degustar o paladar, as sensações de bem-estar que dele se desprendem! Um óptimo ritual a partilhar...

5. Do mar... do... mar...

Que dizer do mar....Oh! É o meu âmago! É meu outro lado, a minha essência, em escuta permanente. É a minha caminhada para além... o além... A imensidade, a tranquilidade, a paz, a sobrenaturalidade.

Gestos - Respirar, aspirar, sorver as veredas de maresia, enlear-me no cadenciado marulhar das vagas, mergulhar o olhar no profundo azul-prata, e galgar, e galgar, e galgar distâncias em danças de suspensos passos, voos de inimagináveis asas, espelhos duplos de paisagens insubjugadas de um olhar eterno.


São estes os cinco gestos de um meu ser matizado pela doce voz de Madelyn IrisBono, interpretando Drowning Man.*

Requisito cinco contributos para a corrente. E passo a citar:

  • Memories
  • SigurHead
  • Clife
  • Anjo Guerreiro
  • Dark Angel
Desculpem a ousadia, devo passar a corrente...


Miosotis (pseudónimo)
(texto original)

fragmentos da noite com flores 
22.02.2006

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Referências: 


Agradecimento - Blog de Clife


Nota: A imagem de Quixote, encontrada em noite de investida cultural, é uma das composições/interpretações mais aliciantes. Talvez a que mais poeticamente me tocou, de todas as que já admirei desse cavaleiro da intemporalidade.

Foi ela que deu vida e sonho ao texto/corrente. E no entanto, poucos opinaram sobre a bela densidade humanística que ela encerra! Subjectividades.

Sunday, February 12, 2006

Sonhos em noite de lua





foto: Fethi Belaid/AFP



Da minha janela, vizinha do firmamento, assisti ao nascer do sol!


Ao longe o mar, envolto em névoas esparsas, irisadas, espraiavam-se em ritmo largho de movimentos sonolentos, feiticistas!


As últimas estrelas faziam lucilar seu oiro-prata num azul aguado e o perfume da noite desfragmentava-se em mil aromas!

Temendo sobressaltar os seres de alma vagueante, absortos e perdidos tantas vezes de seu caminho, envoltos de de aspirações delicadas não vividas, o Sol abriu a porta do hemisfério, muito de mansinho...

- Assustaste-me! Não dei pelo passar da noite! - exclamei ainda na fronteira do sonho e do sono.

- Vim fazer-te companhia... Sentemo-nos ainda um pouco! Tenho uma surpresa para ti! Abre as tuas mãos para eu depor nelas o meu presente! Vê tu mesma...

- Para mim?... mesmo para mim?!

Na minha mão um pássaro! Seu peito desenhado em penas de um vermelho quente.

- Parece um coração...



- E é um coração... o meu! Cheio de amor por ti! Trouxe-o para que ele possa poisar na noite terna dos teus cabelos de nuvens brancas irisadas em raios de oiro!


Então, sacudi meus cabelos com doçura! E o sol afogou sua luza ternura cálida que apagava todas as imagens. Fechou-se também o sonho da mulher que, finalmente adormeceu.


Miosótis (pseudónimo)
©texto original

fragmentos da manhã de um outro dia, 11 Fev. 2006
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Wednesday, February 01, 2006

Silêncios com poema




Imagem: Memoirs of a Geisha

http://sonypictures.com/movies/memoirsofageisha


As cortinas de jade filtram a luz dos pirilampos,

silenciam-se as vozes no Palácio Dourado.

Noite de Outono, ela sem dormir,

uma luz solitária debruada a seda e a tule.

(...)

Wang Wei,
Poemas
701-761


A arte e a vida é esta simbiose de beleza pressentida!



Miosótis (pseudónimo) 

fragmentos da noite com flores


01.02.2006
(um ano e duas noites após ter vindo habitar meu novo e humilde recanto, enfeitado com esperança azul-luar, templo de meu ser)

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Sunday, January 29, 2006

Lótus




Imagem:  Lotus

http://uniaobudistaporto.nosapo.pt




(...)
Procura o que tens em ti mesmo sabendo que nunca vais chegar a saber tudo. É um pecado grande não aproveitar o dom ou o talento, por mais ténues, que nos foram concedidos. Sê quem és.(...)

Pedro Paixão
, Os corações também se gastam, 2005


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
28.01.2006


Monday, January 23, 2006

Paisagens intemporais





Petra
Fotografia: Vivian Ronay

http://www.petraphotos.com



«Bible stories, lost cities - Lawrence of Arabia, Jordan...»





Buscava esta tarde, eventos ligados aos meus humildes prazeres de constante aperfeiçoamento cultural e humanístico, quando embati nesta paisagem que me sufocou pela imponência singular! Uma das maravilhas desconhecidas do Mundo!

Gosto de civilizações longínquas! Percorro frequentemente esses espaços distantes, exóticos, coloridamente humanos, impregnados de fragrâncias de povos e costumes.

Entrei na Jordânia através desta espantosa imagem!! Petra! Um desfiladeiro atravessado diariamente por populações distantes. Os Beduínos! 

Retive a respiração por espantamento! Maravilhada perante tão intensa beleza transcorrida da erosão dos ventos e das areias, sustive em cadência a contratempo, o leve sopro que me dá a vida. 

Beleza natural, divina! Inalcansável à mão burilada do Homem! Nenhum artesão por maior que se apresente, poderá delinear tão intensa e eterna obra de arte! 

Prisioneira na paisagem transcendental, impelida pelo filamento de luz, ergui o olhar no firmamento fragmentado. 

A mais balsâmica sensação de liberdade! E o grito estancou-se em mim!

Miosótis (pseudónimo)

texto original)

fragmentos da noite com flores

23.01.2006

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Thursday, January 19, 2006

Dos sons




Imagem (sem autor registado) *

http://news.yahoo.com



Há meses que não parto para um concerto de jazz! Sinto-me solitária de mais! Só a musica de jazz me traz o eco de meu sopro!

Claro que posso ouvir no meu canto, durante os trajectos diários, citadinos... mas um concerto ao vivo é mesmo uma sensação única, forte, intimista!

É um olhar que se prende num palco meio obscurecido, onde os spots batem em jogos monocromáticos, incisivos, sobre seres tão solitários quanto eu! Os músicos, poisados num espaço de onde espalham seus próprios sentires através dos instrumentos a solo com que se identificam.

A palavra solista transporta uma carga profunda, forte, grandiosa! Do italiano solo ou talvez do castelhano solo (os linguistas dividem-se...) palavra que significa trecho musical para ser tocado a solo.

Como é fácil transportar conceitos musicais para muitos de nós, seres a solo em plena travessia universal, tempos de solidão que vão escorrendo pelos muros das sociedades actuais! Descompassos de um trecho não musicado!

A alma é isso! Liberdade de sonoridades, soltas das grilhetas sociais, correr correr veloz, alto bem alto, e poisar algures em paisagens incertas, mas tão intensas e familiares que um doce bem estar se expande em cadências rendidas de emoções!

Ouvir Marsalis! Grito que não se sufoca, nem se abafa, solta-se agudo, largho! Em fusão com outros sons, suaves, dóceis, lânguidos, deambulações sonhadoras em bosques silenciados da memória.


"The most important thing about Marsalis is that he truly loves communicate the essences of music to his fellow musicians and to his audiences."

Stanley Crouch

Miosótis (pseudónimo)

(texto original)


fragmentos da noite, ao som de As time goes by - Rod Stewart & Queen Latifah
19.01.2006

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Friday, January 13, 2006

Destino









Foto: Alessandro Della Bella/AP
http://news.yahoo.com/photos



(...)
- A vida é eterna e a separação efémera. O destino é um rio poderoso, deixa-te levar e encontrarás o oceano.


Shan Sa,
As quatro vidas do Salgueiro


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
13.01.2006



Sunday, January 08, 2006

Solitude et poésie




Foto: Theo Heimann/ AFP
http://news.yahoo.com



Le poème est le regret

d'une chose qu'on n'a pas touchée.

Un regard secret de l'âme emprisonnée.

Des nuages qu'un dieu a mis au ciel

rien que pour être regardés.


Natállia Correia, Inéditos XVII, 1955/57


Há momentos assim, de completa interioridade.




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

08.01.2006
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Thursday, January 05, 2006

Afectos silenciosos






Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters

http://news.yahoo.com




Já escrevi sobre a força da imagética no meu universo visual. Como sou um ser muito introvertido, vivo muito virada para meus próprios pensamentos, aventurando-me em mil cenários, onde as imagens entram em profusão, servindo de fundo, muitas vezes, a pequenos textos que me atrevo a escrever.

São ideias simples, brotadas de sentimentos profundos que constante e incondicionalmente não me cabem no peito.

E fogem, fogem, quase explodindo de encontro ao universo que me sustenta e mas reenvia. É como um grito mudo que sai e volta!

Esta imagem foi um deslumbramento! Que me atraiu? Não sei descrever! Só sei sentir!

As palavras são tão limitadas! São sim margens para outros espaços, outras vibrações, mas não conseguem nunca exprimir sentimentos quando muito intensos, mesmo os estéticos!

E esta imagem é intensa, forte, suave ao mesmo tempo, de uma beleza serena, emotiva.

A brancura anilada da neve torna-se quente neste tom rosado matizado de dois flamingos que se passeiam com tanta tranquilidade.

Não sei se buscam alimento! Podem fazê-lo pelo prazer de sentir os raios solares reflectidos da paisagem gelada na sua plumagem macia!

Como é misterioso o passeio de dois seres, desprovidos de alma, reagindo apenas aos instintos da natureza que os envolve! 
E se entregam, nesse deambular, sem o temor de estar a dois, fruindo do bem estar do Universo.


"No silêncio da terra. Onde ser é estar."

António Ramos Rosa, No silêncio da terra


Miosótis (pseudónimo)

texto original, 05.01.2006


(noite fria, silenciosa em fragmentos de flores)

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Monday, January 02, 2006

Sinos ancestrais para o Novo Ano !






credits: AP/ China
https://news.yahoo.com/


"Os homens volteiam no ar, tocam música no vento," [...]

Wang Wei, Visita ao templo do monge Fu, Poemas
701-761


Ano do Cão - Luz do Sol!

Bom Ano 2006! 



Miosótis (pseudónimo)

02.01.2006
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Sunday, January 01, 2006

Silêncios em blue





Imagem* Autor não identificado

www.sapo.pt



[...] ele escrevia o meu nome num papel ele sentava-se
numa cadeira e o luar era a luz de um candeeiro
sobre as palavras escritas.

ele disse amo-te.

[...] ele escreveu o meu nome durante muitos anos.
eu perguntei porque continuas a escrever
o meu nome? ele olhou para mim, e perguntou
quem és tu?

José Luìs Peixoto, O Escritor, 2002



Aqui não há vozes, só a tua ausência


Eu segurava com todo o amor de lua a tua doce cabeça que poisava em mim, seda pura. E de olhos semicerrados, com mil afagos ternos, eu te beijava serenamente, em silêncio, receosa de te perder, de te sobressaltar.


Exausta da brutalidade dos espaços, dos prantos e da vida, (re)encontrava em ti, meu profundo amigo, aquele afecto eterno, inexperienciado em outros templos.

A lua elevava-se no universo, iluminando com sua luz azul anil, da cor deste sonho, que eu teimava em pintar. Entrelaçávamos nossos corpos, bebendo gotas de orvalho, e assim permanecíamos sedentos de afecto e mil carícias. Só nós as sabíamos sentir no toque virginal que nos habitava.

Cortinas de pirilampos filtravam os olhares indiscretos, mundanos, duros, daqueles que não reconhecem o amor intemporal. Tu eras sol, eu era lua. Jardins e aromas raros desabrochavam, impregnando suavemente este doce cântico de sons distantes, trazidos para além dos tempos.

Um retrato sagrado, do imenso carinho que nos unia. Regressavas esmorecido, as tuas asas encharcadas, semi-partidas, de voos agrestes e intempestivos.

E um dia partiste, sem voltar. Partiste, e não disseste a verdade. Prometeste escrever, regressar com os gansos selvagens. E não voltaste! A tua voz extinguiu-se, e o meu pranto brotou.

Hoje entendo que outras paixões te povoam, encantam sofregamente. Seduzido pela beleza exterior do efémero corpo de mulheres, tu buscas outras mãos mais prementes de sensações fortes, carnais, momentâneas, mesmo tendo como fingimento a não alma, e se desnudam, para atrair tuas asas de eterno Ícaro.

Tudo neste mundo é sonho e ilusão. Alguns enlouquecem de tanto cantar o amor. A minha idade um bosque de bambus. Ao entardecer, as aves regressam aos pares. E eu emudecida, observo.

Pedaços de brisa, o luar, a solidão. As pétalas de lótus deixo cair de minhas mãos. Apenas nuvens brancas. Volto a casa derrotada, fecho a grade do jardim do tempo.


(...) há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. (...)

José Luís Peixoto, A mulher mais bonita do mundo, 2002


Miosótis (pseudónimo)
 ©texto original, 01.01.2006
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(de encontro ao silêncio, dentro do mundo, em noite do amanhecer de um novo ano)


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* A imagem belíssima, publicada em tons de cobre e oiro, encontrei-a há alguns anos, num fórum de discussão. Guardei-a como se me tivesse sido dedicada.


Mais tarde, encontrei-a num motor de busca. Não tinha autor identificada. Hoje publiquei-a na cor que melhor transmite a luz do luar, a minha.

Que me perdoe ao autor! Ou então que se identifique...

Wednesday, December 28, 2005

Mondo - Le Clézio




[...] Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.

(...)


Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre.(...)

Le Clézio, Mondo, Mondo et autres histoires, Gallimard folio, 1978

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
28.12.2005



Monday, December 26, 2005

Lágrimas de Natal




Foto: Ali Jarekji/ Reuters
http://news.yahoo.com



(...) um instante na memória de chegares é mais valioso
do que jardins, do que montanhas, do que anos de
tempo.(...)



José Luís Peixoto *
Carta de Natal


Na noite, o silêncio fez-se ainda mais profundo. Percorri os espaços, busquei matizes, esperei sons. Ansiei ver teu rosto poisado em minhas mãos, cheirar os teus cabelos, tocar em tuas mãos para te poder agradecer todo o carinho/amor(?) que me dedicas.


Pedi aos anjos do Universo que, neste noite especial descem mais perto, ascultando nosso sentir, para me trazer a tua voz, tua presença em corpo físico. E eles me responderam:

- Fixa bem as estrelas! E ergue teu pensamento. Ele te captará! Virá ao teu encontro, pressuroso, meigo, tímido, inseguro como tu!
Também ele anseia poder segurar teu rosto, beijar teus cabelos perfumados,  segurar tuas mãos com toda a ternura que lhe emana da alma em sobressalto.

Airosamente, percorri uma imensa planície de nuvens, colhi flores poisadas nelas. Queria aromatizar teu caminhar. Até que uma montanha de algodão negro me fez parar. Tu não vieste. E a tua voz não chegou, em murmúrios ternos e sentidos.

- Anjos! Por que teima meu amigo em se esconder por trás desta montanha de algodão negro?! - perguntei em tom de lamento entristecido.

De uma flor de pétalas de seda, caíu silenciosa uma gota de orvalho, linda, transparente, grossa como uma bago de uva solto.

E minh'alma errante recolheu-se envergonhada, cansada, entristecida, sozinha, em mais uma noite de Natal!

[...] fico acordado de noite, com a esperança secreta de
que possas regressar. [...] *

* José luìs Peixoto, Lembrança de perder tudo, A Casa, a Escuridão, Outubro 2002


Miosótis (pseudónimo)


texto original, 25.12. 2005
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fragmentos de uma noite de natal



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Thursday, December 22, 2005

Imaginários


As lendas, mitos, e outras histórias têm povoado o imaginário dos povos ao longo dos séculos.


Não é por acaso que se transformam em magia. E assim (sobre)vivemos no nosso dia-a-dia, neste sem graça nem encantamento.

É como criar uma floresta de enganos, onde entramos como refúgio e saímos com novas forças para a batalha final!

texto: Miosótis (original)

(revendo parte da saga "Senhor dos Anéis")

Não me creio pagã ou cristã. O Homem quando começou a sua existência não se dividia por religiões. 

Sou, existo enquanto passo, fruo quando vejo e sinto, aspiro cada pedaço de Universo e respiro a brisa que me energiza. 


Ligo-me a ritos e magias intimistas, neste contacto frequente, e sobrevivo a cada instante.

(comentário de minha autoria, deixado no blog de meu unico leitor)




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

22.12.2005
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Monday, December 12, 2005

Intimité & amour







crédits: Dolores Ochoa/AP
via Yahoo photos



«Je veux qu'ils vivent de confiance et d'intimité avec celui qu'ils aiment et qui les aime...»

Jésus Christ à Soeur Josefa


(trouvé dans la petite église Trinità dei Monti, à Rome, en haut de l'escalier de la Piazza di Spagna, un samedi soir, le 20 novembre 2004.


Dans ma solitude, parmi la foule et la bruit, je suis montée là haut pour écouter mon âme en silence profond.

Sur le banc où je venais de m'asseoir, cette petite phrase était écrite sur un petit papier vert, juste à côté de moi. Un ange l'avait déposé!



Miosótis (pseudónimo)

©texto original


fragmentos da noite com flores, tempo de intimidade

12.12.2005

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