Wednesday, March 29, 2006

Sons & Tonalidades




James
Fotografia Laurie Russinko

http://www.jamestheband.com


Não sei se pelo tempo chuvoso, se pela alma solitária, hoje apeteceu-me (re)ouvir James Live.
 

Há sons que mexem com as diferentes tonalidades de meu ser! Vozes que me chamam para diferentes viagens.


Não sou monocromática, tenho sons de muitas cores no meu imaginário e minha alma sente músicas de muitas expressões em fusão de sons. 

 
É como um livro! Há livros para momentos dispersos, para íntimos chorares, para expostas alegrias ao vento, para abertos lugares com encontros d'alma!


Livros e músicas vão de alma para alma! É o repescar de um sentir que vem bater-nos em cheio em mil paixões, ou simplesmente o entreabrir mansamente o espaço mais recôndito do nosso eu!

 
Mas a musica é o grito d'alma por excelência! É a expressão mais libertadora desta amálgama de seres e sentires que nos ocupa. É a implosão e a explosão! É a Alma em toda a essencialidade! É a eternidade! É a espiritualidade!


Há bandas que me expõem mais intensamente aos meus pulsares. Já falei neste blog de alguns grupos e sonoridades que me prendem! Variados!


Hoje, a alma pediu-me James! Uma banda ou grupo (não me prendo com essas pseudo definições) que aprecio incondicionalmente, pelos sentires que vai/vão rebuscar lá no âmago de meu ser! 
Se me perguntarem o que gosto ou gostava, já que a banda ou grupo, como lhe queiramos chamar se desagregou há poucos anos... acho que só falaria por metáforas usadas!

 
Tim Burton, o vocalista continua a solo. Mas... falta-lhe a fusão dos restantes tons/membros do grupo.


É como os Queen! A banda sem Freddy Mercury nunca mais pulsou aquela paixão que lhe dava o jeito musical próprio.


Beth Gibbons, vocalista dos Portishead! A magia das sonoridades desfez-se! 

 
E que será de U2 separada da inconfundível voz de Bono?!

 
Posso falar de alma no plural? Dualidade?! 
 
Há seres que só têm expressão em empatia com determinado(s) outro(s). E quando esta se desfaz, desfaz-se o encantamento, o despoletar de emoções, o explodir do Ser!


"Mil são as espécies dos homens, e mil os seus hábitos. Cada um tem o seu próprio querer, e vive com um sentimento que nem todos partilham." (...)

Nuno Júdice, Relendo Pérsio, Cartografia de Emoções


Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite ao som de James, entre Say Something & Waltzing Along & Laid


29.06.2006

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Sunday, March 26, 2006

Quietude





Anoushka Shankar*
Grammy Rise 2006
créditos: Rash Nirgude | AFP 
via Yahoo news


"Estamos constantemente a falar de nós mesmos. Passamos o nosso tempo preocupados com o passado, que não existe - já aconteceu. Ou preocupados com o futuro. Que também não existe - ainda não aconteceu. O resultado é que perdemos a consciência do momento presente da nossa vida e quase não o sentimos passar. Comemos, mas não saboreamos, ouvimos, mas não escutamos, amamos mas não sentimos. Passamos a nossa vida perdidos na nossa cabeça.


Para aceder ao ponto de quietude, temos de nos voltar para o interior.

Senta-te confortavelmente, fecha os olhos e relaxa. Durante quinze minutos apenas ouve sem mexer o corpo e a mente. Apenas ouve. Não te concentres em nenhum som, não sigas nehuma sequência particular de sons. Durante quinze minutos, apenas ouve." (...)


John Daido Loori, The Zen of Creativity

via União Budistam Porto


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em quietude

26.03.2006

actualizado 01.11.2025

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*Nota: Anoushka Shankar, irmã de Norah Jones, filhas de Ravir Shankar. guru de George Harris, o mais espiritual dos Beatles
 



Sunday, March 19, 2006

Lunar



Foto: Lee Jae Won | Reuters



"Sou aquele que sonhou com tudo aquilo que é proibido sonhar. Sou aquele que é todos estes e muito mais do que estes e que caminha por um passeio deserto, o nevoeiro, o brilho morrente da luz na água fina da chuva, sob um céu cinzento, sob a lua como um ponto para onde tudo se dirige.

A manhã ainda é lunar (...)

José Luís Peixoto, Lunar, Antídoto, Setembro 2003


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite lunar

19.03.2006
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Friday, March 10, 2006

Sentires



photo: Clive Rose | Reuters
"... eternamente à luz do sol que não há, a da lua que não pode haver."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Não sei mais expressar o que me vai na alma! De repente, dou comigo muda, sem vontade de colocar em palavras, o sentir solitário do meu ser.


Houve tempo que tinha tanta coisa para cantar! Mas, a dor me fez emudecer. Calei!
 

Volteava em função dos meus sonhos, feliz, solta, nas enormes paisagens, profundos azuis, cor do meu sentir. Sentir amor.
 

Cada pedaço de vida, eu deixava escapulir e compunha doces cartas, memorandos de afectos, textos poéticos em prosa solta que falavam de uma intensidade sem limites.
 

Hoje esmaecida, mulher terna, agrilhoada, vejo-me neste imenso vaguear de braços suspensos entre o sol e a lua, em permanente silêncio boreal !

E nos curtos intervalos de conversa, quando fico a sós comigo mesma, revejo cada carícia que não tive num compasso de vida que não existiu.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite
09.03.2006 
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Wednesday, March 08, 2006

Homenagem a uma mulher : Dana Reeve





Dana Reeve [1961-2006)
http://www.chrisreevehomepage.com/

Dana Reeve, a viúvado actor Christopher Reeve, Superman ao lado de quem incansavelmente se manteve na luta para descobrir novos tratamentos para as vítimas de paralisia, após acidentes traumáticos, morreu de doença prolongada.

"The brightest light has gone out." 

Robin Williams


no Dia Internacional da Mulher, 8 Março 2006, com uma flor para Dana

Não deixe de visitar a Christopher & Dana Reeve Foundation



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos  da noite com flores

08.03.2006

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Thursday, March 02, 2006

Pensamento budista



Foto: autor não identificado



«A boca só fala do que o coração está cheio, verifique sempre o conteúdo do seu coração»

Mahatma Gandhi


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, no silêncio da chuva


2.03.2006
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Tuesday, February 28, 2006

Miosótis: simbólica








Miosótis Azul* 
http://www.bioimages.org.uk


Miosótis

Belas, perfumadas,
se encontravam no salão!
Testemunhas de um amor,
Rodopiávamos na valsa
das flores.

E, como flor, estavas connosco,
vibrávamos, amávamos,
flores esparsas.
pares dispersos, acompanhavam
um ritual de amor.

A orquestra entoava todos os acordes,
bailávamos, coração aos saltos!
Festa de miosótis caíam pelo chão,
De suas pequeninas pétalas,
apanhei algumas, beijei-as,
e as entreguei na tua mão!

Ficaste-me nos olhos.
Duas lágrimas,
duas pérolas,
deslizaram no meu rosto cálido!

Ofegante te enlacei,
com mais amor,
continuamos a bailar
miosótis pelo chão!...

Eda Carneiro da Rocha


Dedicado com ternura a Anjo Guerreiro em fragmentodanoitecomflores 1.02.2006 http://oanjoguerreiro.blogs.sapo.pt

Agradecimento carinhoso a SigurHead pela dádiva em NotasFrágeis 27.02.2006 http://notasfrageis.blogspot.com


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

28.02.2006

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* Simbologia do miosótis azul: "Não me esqueças"

          

Monday, February 20, 2006

Corrente, a pedido



Ilustração Don Quijote de la Mancha
http://www.donquijotedelamancha2005.com

Depois de íntima meditação sobre o pedido de Tacitus, anui a continuar a corrente. 

O conceito de corrente tem em meu sentir qualquer coisa de mágico! Não sei!! É assim que vejo estes movimentos que partem sempre de alguém em momentos de compromisso com rituais de fé ou momentos de aflição. E por isso, não deve ser quebrada.


Daí que me atreva a reproduzir a mensagem para que ela siga seu percurso...

Regras da corrente:


"Cada bloguista participante tem que enumerar cinco manias*suas, hábitos pessoais que o diferencie

do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem que escolher cinco outros bloguistas, para entrarem, igualmente, no jogo, não esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento*. Além disso, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."

Veremos se consigo falar de gestos simples...


1. Da música - A música tem em minha vida um lugar premente! É coisa minha andar com os sons agarrados à alquimia dos gestos e dos pensamentos.


Meus devaneios melódicos são tão diversificados que difícil se torna definir prioridades ou cedências! Jazz, rock, pop, erudita... oiço segundo os estados d'alma, vivo ou grazzioso, em ritmos de interioridade.

Dos instrumentos - sax baixo e piano, sons de encantos, zen, estremecimento do ser que me povoa, a solo e/ou integrados em fusões multisensoriais policromáticas.

Gestos - Ouvir - ao vivo, se possível!

A mística de um ritual de partilha, plateias de culto, serenas ou exuberantes, músicos sóbrios, minimalistas, ofuscantes, sons inebriantes, matizes de imagens periféricas.

2. Dos livros - Adoro ler! Os livros, objectos sagrados, ocultos companheiros meus! Seduzem-me pelos espaços intimistas, em miscigenação de sentimentos fortes, delicados, sensíveis!

Alegria, dor, desilusão, esperança, o mapa emocional que busco e guardo em momentos de partilha.

Gestos - Abrir um livro, em espaços e tempos!

Percorro linhas ou páginas... e refugio-me! Refugio-me e desconheço tudo em volta, absorta nas paisagens sensitivas.

Folheio com a delicadeza de um gesto, tacteio suavemente o papel, aspiro os odores que se desprendem.

Anoto, passo um traço muito suave, sempre a lápis, em passagens ou palavras que me prendem, encantam, alheam! O livro tem outras margens... gosto de escrevê-las imaginariamente!

Ah! Nunca empresto um livro! Desnudar muitos pedaços de minh'alma, isso seria.

3. Das palavras - Houve tempo em que conversar era um prazer! Os olhos, as mãos, dizem também tanto! Mas...

A corrente/torrente de encantamentos ligada às palavras vulgariza-se!

Gesto - Calar... calar...

4. Dos prazeres - Logo pela manhã, perfumar meus espaços com uma serena taça de café. O aroma-rei dos tempos cosmopolistas-

Gestos - Fruir cada sorvedela do néctar castanho-forte cor-de-ferro! Degustar o paladar, as sensações de bem-estar que dele se desprendem! Um óptimo ritual a partilhar...

5. Do mar... do... mar...

Que dizer do mar....Oh! É o meu âmago! É meu outro lado, a minha essência, em escuta permanente. É a minha caminhada para além... o além... A imensidade, a tranquilidade, a paz, a sobrenaturalidade.

Gestos - Respirar, aspirar, sorver as veredas de maresia, enlear-me no cadenciado marulhar das vagas, mergulhar o olhar no profundo azul-prata, e galgar, e galgar, e galgar distâncias em danças de suspensos passos, voos de inimagináveis asas, espelhos duplos de paisagens insubjugadas de um olhar eterno.


São estes os cinco gestos de um meu ser matizado pela doce voz de Madelyn IrisBono, interpretando Drowning Man.*

Requisito cinco contributos para a corrente. E passo a citar:

  • Memories
  • SigurHead
  • Clife
  • Anjo Guerreiro
  • Dark Angel
Desculpem a ousadia, devo passar a corrente...


Miosotis (pseudónimo)
(texto original)

fragmentos da noite com flores 
22.02.2006

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Referências: 


Agradecimento - Blog de Clife


Nota: A imagem de Quixote, encontrada em noite de investida cultural, é uma das composições/interpretações mais aliciantes. Talvez a que mais poeticamente me tocou, de todas as que já admirei desse cavaleiro da intemporalidade.

Foi ela que deu vida e sonho ao texto/corrente. E no entanto, poucos opinaram sobre a bela densidade humanística que ela encerra! Subjectividades.

Sunday, February 12, 2006

Sonhos em noite de lua





foto: Fethi Belaid/AFP



Da minha janela, vizinha do firmamento, assisti ao nascer do sol!


Ao longe o mar, envolto em névoas esparsas, irisadas, espraiavam-se em ritmo largho de movimentos sonolentos, feiticistas!


As últimas estrelas faziam lucilar seu oiro-prata num azul aguado e o perfume da noite desfragmentava-se em mil aromas!

Temendo sobressaltar os seres de alma vagueante, absortos e perdidos tantas vezes de seu caminho, envoltos de de aspirações delicadas não vividas, o Sol abriu a porta do hemisfério, muito de mansinho...

- Assustaste-me! Não dei pelo passar da noite! - exclamei ainda na fronteira do sonho e do sono.

- Vim fazer-te companhia... Sentemo-nos ainda um pouco! Tenho uma surpresa para ti! Abre as tuas mãos para eu depor nelas o meu presente! Vê tu mesma...

- Para mim?... mesmo para mim?!

Na minha mão um pássaro! Seu peito desenhado em penas de um vermelho quente.

- Parece um coração...



- E é um coração... o meu! Cheio de amor por ti! Trouxe-o para que ele possa poisar na noite terna dos teus cabelos de nuvens brancas irisadas em raios de oiro!


Então, sacudi meus cabelos com doçura! E o sol afogou sua luza ternura cálida que apagava todas as imagens. Fechou-se também o sonho da mulher que, finalmente adormeceu.


Miosótis (pseudónimo)
©texto original

fragmentos da manhã de um outro dia, 11 Fev. 2006
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Wednesday, February 01, 2006

Silêncios com poema




Imagem: Memoirs of a Geisha

http://sonypictures.com/movies/memoirsofageisha


As cortinas de jade filtram a luz dos pirilampos,

silenciam-se as vozes no Palácio Dourado.

Noite de Outono, ela sem dormir,

uma luz solitária debruada a seda e a tule.

(...)

Wang Wei,
Poemas
701-761


A arte e a vida é esta simbiose de beleza pressentida!



Miosótis (pseudónimo) 

fragmentos da noite com flores


01.02.2006
(um ano e duas noites após ter vindo habitar meu novo e humilde recanto, enfeitado com esperança azul-luar, templo de meu ser)

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Sunday, January 29, 2006

Lótus




Imagem:  Lotus

http://uniaobudistaporto.nosapo.pt




(...)
Procura o que tens em ti mesmo sabendo que nunca vais chegar a saber tudo. É um pecado grande não aproveitar o dom ou o talento, por mais ténues, que nos foram concedidos. Sê quem és.(...)

Pedro Paixão
, Os corações também se gastam, 2005


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
28.01.2006


Monday, January 23, 2006

Paisagens intemporais





Petra
Fotografia: Vivian Ronay

http://www.petraphotos.com



«Bible stories, lost cities - Lawrence of Arabia, Jordan...»





Buscava esta tarde, eventos ligados aos meus humildes prazeres de constante aperfeiçoamento cultural e humanístico, quando embati nesta paisagem que me sufocou pela imponência singular! Uma das maravilhas desconhecidas do Mundo!

Gosto de civilizações longínquas! Percorro frequentemente esses espaços distantes, exóticos, coloridamente humanos, impregnados de fragrâncias de povos e costumes.

Entrei na Jordânia através desta espantosa imagem!! Petra! Um desfiladeiro atravessado diariamente por populações distantes. Os Beduínos! 

Retive a respiração por espantamento! Maravilhada perante tão intensa beleza transcorrida da erosão dos ventos e das areias, sustive em cadência a contratempo, o leve sopro que me dá a vida. 

Beleza natural, divina! Inalcansável à mão burilada do Homem! Nenhum artesão por maior que se apresente, poderá delinear tão intensa e eterna obra de arte! 

Prisioneira na paisagem transcendental, impelida pelo filamento de luz, ergui o olhar no firmamento fragmentado. 

A mais balsâmica sensação de liberdade! E o grito estancou-se em mim!

Miosótis (pseudónimo)

texto original)

fragmentos da noite com flores

23.01.2006

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Thursday, January 19, 2006

Dos sons




Imagem (sem autor registado) *

http://news.yahoo.com



Há meses que não parto para um concerto de jazz! Sinto-me solitária de mais! Só a musica de jazz me traz o eco de meu sopro!

Claro que posso ouvir no meu canto, durante os trajectos diários, citadinos... mas um concerto ao vivo é mesmo uma sensação única, forte, intimista!

É um olhar que se prende num palco meio obscurecido, onde os spots batem em jogos monocromáticos, incisivos, sobre seres tão solitários quanto eu! Os músicos, poisados num espaço de onde espalham seus próprios sentires através dos instrumentos a solo com que se identificam.

A palavra solista transporta uma carga profunda, forte, grandiosa! Do italiano solo ou talvez do castelhano solo (os linguistas dividem-se...) palavra que significa trecho musical para ser tocado a solo.

Como é fácil transportar conceitos musicais para muitos de nós, seres a solo em plena travessia universal, tempos de solidão que vão escorrendo pelos muros das sociedades actuais! Descompassos de um trecho não musicado!

A alma é isso! Liberdade de sonoridades, soltas das grilhetas sociais, correr correr veloz, alto bem alto, e poisar algures em paisagens incertas, mas tão intensas e familiares que um doce bem estar se expande em cadências rendidas de emoções!

Ouvir Marsalis! Grito que não se sufoca, nem se abafa, solta-se agudo, largho! Em fusão com outros sons, suaves, dóceis, lânguidos, deambulações sonhadoras em bosques silenciados da memória.


"The most important thing about Marsalis is that he truly loves communicate the essences of music to his fellow musicians and to his audiences."

Stanley Crouch

Miosótis (pseudónimo)

(texto original)


fragmentos da noite, ao som de As time goes by - Rod Stewart & Queen Latifah
19.01.2006

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Friday, January 13, 2006

Destino









Foto: Alessandro Della Bella/AP
http://news.yahoo.com/photos



(...)
- A vida é eterna e a separação efémera. O destino é um rio poderoso, deixa-te levar e encontrarás o oceano.


Shan Sa,
As quatro vidas do Salgueiro


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores
13.01.2006



Sunday, January 08, 2006

Solitude et poésie




Foto: Theo Heimann/ AFP
http://news.yahoo.com



Le poème est le regret

d'une chose qu'on n'a pas touchée.

Un regard secret de l'âme emprisonnée.

Des nuages qu'un dieu a mis au ciel

rien que pour être regardés.


Natállia Correia, Inéditos XVII, 1955/57


Há momentos assim, de completa interioridade.




Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores

08.01.2006
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Thursday, January 05, 2006

Afectos silenciosos






Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters

http://news.yahoo.com




Já escrevi sobre a força da imagética no meu universo visual. Como sou um ser muito introvertido, vivo muito virada para meus próprios pensamentos, aventurando-me em mil cenários, onde as imagens entram em profusão, servindo de fundo, muitas vezes, a pequenos textos que me atrevo a escrever.

São ideias simples, brotadas de sentimentos profundos que constante e incondicionalmente não me cabem no peito.

E fogem, fogem, quase explodindo de encontro ao universo que me sustenta e mas reenvia. É como um grito mudo que sai e volta!

Esta imagem foi um deslumbramento! Que me atraiu? Não sei descrever! Só sei sentir!

As palavras são tão limitadas! São sim margens para outros espaços, outras vibrações, mas não conseguem nunca exprimir sentimentos quando muito intensos, mesmo os estéticos!

E esta imagem é intensa, forte, suave ao mesmo tempo, de uma beleza serena, emotiva.

A brancura anilada da neve torna-se quente neste tom rosado matizado de dois flamingos que se passeiam com tanta tranquilidade.

Não sei se buscam alimento! Podem fazê-lo pelo prazer de sentir os raios solares reflectidos da paisagem gelada na sua plumagem macia!

Como é misterioso o passeio de dois seres, desprovidos de alma, reagindo apenas aos instintos da natureza que os envolve! 
E se entregam, nesse deambular, sem o temor de estar a dois, fruindo do bem estar do Universo.


"No silêncio da terra. Onde ser é estar."

António Ramos Rosa, No silêncio da terra


Miosótis (pseudónimo)

texto original, 05.01.2006


(noite fria, silenciosa em fragmentos de flores)

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Monday, January 02, 2006

Sinos ancestrais para o Novo Ano !






credits: AP/ China
https://news.yahoo.com/


"Os homens volteiam no ar, tocam música no vento," [...]

Wang Wei, Visita ao templo do monge Fu, Poemas
701-761


Ano do Cão - Luz do Sol!

Bom Ano 2006! 



Miosótis (pseudónimo)

02.01.2006
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Sunday, January 01, 2006

Silêncios em blue





Imagem* Autor não identificado

www.sapo.pt



[...] ele escrevia o meu nome num papel ele sentava-se
numa cadeira e o luar era a luz de um candeeiro
sobre as palavras escritas.

ele disse amo-te.

[...] ele escreveu o meu nome durante muitos anos.
eu perguntei porque continuas a escrever
o meu nome? ele olhou para mim, e perguntou
quem és tu?

José Luìs Peixoto, O Escritor, 2002



Aqui não há vozes, só a tua ausência


Eu segurava com todo o amor de lua a tua doce cabeça que poisava em mim, seda pura. E de olhos semicerrados, com mil afagos ternos, eu te beijava serenamente, em silêncio, receosa de te perder, de te sobressaltar.


Exausta da brutalidade dos espaços, dos prantos e da vida, (re)encontrava em ti, meu profundo amigo, aquele afecto eterno, inexperienciado em outros templos.

A lua elevava-se no universo, iluminando com sua luz azul anil, da cor deste sonho, que eu teimava em pintar. Entrelaçávamos nossos corpos, bebendo gotas de orvalho, e assim permanecíamos sedentos de afecto e mil carícias. Só nós as sabíamos sentir no toque virginal que nos habitava.

Cortinas de pirilampos filtravam os olhares indiscretos, mundanos, duros, daqueles que não reconhecem o amor intemporal. Tu eras sol, eu era lua. Jardins e aromas raros desabrochavam, impregnando suavemente este doce cântico de sons distantes, trazidos para além dos tempos.

Um retrato sagrado, do imenso carinho que nos unia. Regressavas esmorecido, as tuas asas encharcadas, semi-partidas, de voos agrestes e intempestivos.

E um dia partiste, sem voltar. Partiste, e não disseste a verdade. Prometeste escrever, regressar com os gansos selvagens. E não voltaste! A tua voz extinguiu-se, e o meu pranto brotou.

Hoje entendo que outras paixões te povoam, encantam sofregamente. Seduzido pela beleza exterior do efémero corpo de mulheres, tu buscas outras mãos mais prementes de sensações fortes, carnais, momentâneas, mesmo tendo como fingimento a não alma, e se desnudam, para atrair tuas asas de eterno Ícaro.

Tudo neste mundo é sonho e ilusão. Alguns enlouquecem de tanto cantar o amor. A minha idade um bosque de bambus. Ao entardecer, as aves regressam aos pares. E eu emudecida, observo.

Pedaços de brisa, o luar, a solidão. As pétalas de lótus deixo cair de minhas mãos. Apenas nuvens brancas. Volto a casa derrotada, fecho a grade do jardim do tempo.


(...) há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. (...)

José Luís Peixoto, A mulher mais bonita do mundo, 2002


Miosótis (pseudónimo)
 ©texto original, 01.01.2006
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(de encontro ao silêncio, dentro do mundo, em noite do amanhecer de um novo ano)


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* A imagem belíssima, publicada em tons de cobre e oiro, encontrei-a há alguns anos, num fórum de discussão. Guardei-a como se me tivesse sido dedicada.


Mais tarde, encontrei-a num motor de busca. Não tinha autor identificada. Hoje publiquei-a na cor que melhor transmite a luz do luar, a minha.

Que me perdoe ao autor! Ou então que se identifique...