Monday, September 03, 2007

Em tempos soltos de Setembro : Na surpresa de um olhar 'A Eduardo Prado Coelho'




Affection
Joana Rêgo, 2001
Acrílico sobre tela de linho


"Porquê, afinal ? Porque de tempos a tempos há coisas que me tocam. Ainda."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I, 
Edições Asa, 1992


E Setembro adentrou-se! Quente, harmonioso, entre céu e mar! Verdadeiro Setembro. Tempo(s) de regressos.





September 
Dave McKean


Um fio de paixão pela escrita recomeçou a emaranhar-se nos dedos tão inquietos quanto o ritmado e fulgente pensamento!

Mãos que poisaram mansamente em tardes quentes, de sabores a maresia e brilho azul-prata. Tempos esparsos de acalmias, percorrendo desenfreadamente as folhas de alguns dos livros que acompanharam meus lugares de interioridade.





 
Tudo o que não escrevi, Diário I
Eduardo Prado Coelho, 1992
Editora ASA


"Escolho o livro como uma carícia silenciosa, a gesta da reconciliação com o mundo: desejo de fluidez, de ternura que se entorna num gesto desajeitado, esforço para reconduzir a alegria a este rosto encostado à tristeza como a um vidro de aquário."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I, 
Edições Asa, 1992, pág 23


Não pretendia continuar com o toque intimista que, sem querer, ou melhor, contra tudo o que planeara, deixei transbordar em quase tudo o que escrevi!

Será difícil, é certo porque eu sou mesmo assim! Mas tentarei, na simplicidade dos afectos.

Alguns acontecimentos me tocaram nestes tempos soltos de final de verão!





Eduardo Prado Coelho [1944-2007]
créditos: Autor não identificado


O mais triste, a partida dolorosa, sofredora, de Eduardo Prado Coelho colheu-me de um toque abrupto, de volta à realidade que não se compadece dos distraídos olhares.

Homem de vasta cultura, "abriu à cultura portuguesa as portas da divulgação internacional e foi entre nós o mais informado divulgador, por mais de três décadas, de autores, de obras, de tendências."

In Memoriam*


"Dias perfeitos, redondos como pedras, nítidos, coincidentes, plenos, drapejados. Contudo nada foi tão perfeito como a relação contigo: um braço sobre os ombros, a mão nos cabelos, a sabedoria da amizade, o afecto infinito. Talvez eu ainda não estivesse preparado para uma tal exigência. Mas pouco a pouco percebi que havia um encontro inadiável."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I, 
Edições Asa, 1992, pág 24





Eduardo Prado Coelho
créditos: Botelho, 2007
via Wikipedia


"Se eu tivesse uma ilha, os meus amigos chegavam em barcaças, cantavam baladas de marinheiros, bebiam sidra, deitavam-se com a boca salgada, faziam amor e adormeciam.
Na falta de uma ilha, um livro."

Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não escrevi, Diário I, 
Edições Asa, 1992, in Sinopse


"O actor mais disponível, mediático e plural da cena portuguesa da sua geração e do nosso tempo”.

Eduardo Lourenço


Até sempre ! 


fragmentos da noite com flores, em jeito de emocionada homemagem


*RCL nº 38, “Mediação dos Saberes”, Dezembro de 2007, pp. 15-16


03.09.2007

actualizado 03.09.2023
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Saturday, July 21, 2007

Time




A Roda da Fortuna (Tarôt)
David McKean
https://www.mckean-art.co.uk/




Pergunto o que é o segredo da vida, se
é que a vida tem algum segredo. pelo
menos, quando se pergunta, é porque se
sabe que nem tudo se pode saber. [...]


Nuno Júdice, Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001


Dois anos se passaram desde que poisei as primeiras palavras, timidamente, neste espaço, em jeito de fragmentos ténues e esquivos.



Havia pouco mudara para esta casa. Mais alegre, mais ensolarada, maior horizonte, mais céu! E carregava tanta utopia!


As nuvens desciam, e esvoaçavam sobre os telhados altos. Nos entardeceres ou noites cálidas, eu me debruçava sobre esta mesa, de frente para o Universo, e numa descuidada harmonia, luminosamente rosa-alaranjado ou solitariamente azul-rei, eu escrevia fragmentos meus, sob uma lua brilhante e cúmplice, encostada ou batendo nas vidraças com seu brilho cor de prata.


Como hoje! A lua desprende-se das sombras que filtram seus raios e vem silenciosamente poisar-se do lado esquerdo, sob meu ombro. Por vezes páro, abro a janela e deixo que a aragem me toque, me faça respirar profundamente, sentidamente.


Comigo estão, quando me solto dos afazeres, das tormentas, das alegrias também, meus pequenos prazeres, meus companheiros, os livros, a música, os pouco amigos, a família.



Ao longo destes dois anos, tal Roda da Fortuna, foram rolando momentos lindos, tempos difíceis, encantos e desencantos. E, por aqui circularam pessoas, seres sensíveis que me tocaram pelo olhar poisado, em ternos sentires, amistosas palavras, cúmplices afectos.


A todos agradeço do âmago de minh'alma, a companhia silenciosa, nas noites de harmonias, contradições, sintonias, em pétalas dos sete perfumes, esparsas em singelo gesto.


Se o amor se espargisse como o aroma do jasmim, como este mundo seria diferente, já que tão falto de carinho e compaixão anda!


Ramiro Calle, O Livro do Amor, A esfera dos livros, Janeiro 2007, 1ª edição


@Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite
 Time Pink Floyd, Live 1994

21.07.2007

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Wednesday, July 18, 2007

Em tons de azul...perdida



Millenium Skiva (bailado)Fotografia: Timothy A. Dary/AFP 2007

http://news.yahoo.com/photos

Apenas para partilhar o poema da canção que neste momento deixa um travo de intemporalidade em minh'alma...


Lost
I can't believe it's over
I watched the whole thing fall

And I never saw the writing that was on the wall

If I'd only knew

The days were slipping past

That the good things never last

That you were crying


Summer turned to winter

And the snow it turned to rain

And the rain turned into tears upon your face

I hardly recognized the girl you are today

And god I hope it's not too late

It's not too late

'Cause you are not alone

I'm always there with you

And we'll get lost together

Till the light comes pouring through

'Cause when you feel like you're done

And the darkness has won
Babe, you're not lost
When your worlds crashing down

And you can't bear the thought

I said, babe, you're not lost

Life can show no mercy

It can tear your soul apart

It can make you feel like you've gone crazy

But you're not

Things have seem to changed

There's one thing that's still the same

In my heart you have remained

And we can fly fly fly away

'Cause you are not alone

And I am there with you

And we'll get lost together

Till the light comes pouring through

'Cause when you feel like you're done

And the darkness has won

Babe, you're not lost

When the worlds crashing down

And you can not bear to crawl
I said, baby, you're not lost
I said, baby, you're not lost

I said, baby, you're not lost

I said, baby, you're not lost




Michael Bublé, Lost em tons azuis de fundo, fragmentos de final de tarde tão igual a tantos outros...

Miosótis (pseudónimo)

18.07.2007



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Friday, July 13, 2007

Do amor






Dreaming 
credits : Dave McKean
http://www.mckean-art.co.uk/


do amor

Casta e fabulosa a lua

Estampada na vidraça.

De sentinela na rua,

Só o silêncio que passa.(...)


Natália Correia, Rio de Nuvens III, 1947



De que é feito o amor...

Em amor, não há que perguntar sobre o amor!
Ninguém sabe falar de amor, pois amor não é dizível!


O amor é uma experiência insondável.

Espalhado nos ventos do ser

esvoaça em ondas de sentires secretos,

no cume de sedosas imateriais nuvens

enrola-se em cadenciados pensamentos.


Olhares secretos pudicamente resguardados

estremecimentos vagos de fins de tarde

horas de abandonos

pétalas poisando

em sonhos que depomos além.


E por estranha magia

rostos sorriem

às manhãs inundadas de sol

iluminando olhos e lábios.


Vozes escutadas em eco
risos ternos encantos


sussurros de búzios

fragrâncias de maresias

dores de brandos prantos

recordações glamorosas

em noites de lua macia.


Os poetas lançam palavras possíveis!



Há que seguir o leve ondular da dor e da alegria,

pois o Amor é para sentir!


Miosótis (pseudónimo)

Ser possível falar de amor...
13.07.2007

fragmentos da noite com amores suspensos de um sonho adiado, Everything, Michael Buble, respondendo a Art em tons de suave amizade

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Monday, July 02, 2007

Maravilhas do Património Mundial - Unesco




Opera House de Sydney | Australia
Imagem: Stefan Hoeh | Unesco 2007
http://portal.unesco.org




The sun did not know how beautiful its light was, until it was reflected off this building

Louis Khan

A Unesco inseriu vinte e dois novos sítios e monumentos na lista do Património Mundial (2007).

Entre todos, seleccionei a
Opera House de Sydney por considerá-la uma das mais elegantes e arrojadas obras da arquitectura contemporânea mundial.


Mais fascinada fiquei, desde que assisti ao excelente programa musical que a RT2 transmitiu há pouco mais de uma semana.

O admirável e talentoso trabalho que a direcção da
Opera House desenvolve na área da Sinfónica de Sydney, acompanhada dos bastidores aos concertos, deixou-me encantada, pela qualidade e enaltecedora profundidade da música erudita que lá se pratica. 


E, numa visita à sua
 programação, fica-se extasiado pela diversidade e vastos conceitos do que deve ser uma Casa da Música!

Mas voltemos aos factos. E, a propósito, quero referir as Sete Maravilhas da Antiguidade


São sem dúvida belíssimas e nada poderá substitui-las ou torná-las menos admiradas. A lista oficial data do século VI d.C.

No entanto, a arte e o seu conceito evolui com a passagem dos séculos e novos monumentos ou obras naturais vieram enriquecer, com muita dignidade, esta listagem.

À Fundação
New 7 Wonders se deve a ideia da nomeação das "Novas Sete Maravilhas"!


Esta perspectiva de 'novas' gerou alguma polémica! A
Unesco demarcou-se da iniciativa mediática por considerar que poderia confundir os domínios de protecção do património mundial ligados à ciência e à educação.

Concordo com esta separação! O mediatismo nem sempre tem notação de qualidade. Numa leitura precipitada, as pessoas poderão pensar que se trata da eleição de novas maravilhas.

Apesar dos contras, o objectivo
Bernard Weber é bastante válido! Com parte dos fundos arrecadados, grandes marcos da História da Humanidade em risco poderão ser recuperados. E ficarão mais próximos do conhecimento de muitos.

A selecção oficial foi feita por sete especialistas, com base em vinte e um monumentos, considerados pela Unesco como património mundial.

No próximo dia 7 de Julho de 2007, serão eleitos pelos cidadãos de todo o mundo as Novas Sete Maravilhas. A cerimónia terá lugar em
Lisboa.


Não vou dizer que confie no sentido científico e estético da votação final feita online! Dependerá sobretudo do envolvimento da população de cada um dos países envolvidos e dos seus governos.


Portugal não investiu praticamente nesta oportunidade! No entanto, a nível nacional, e com o apoio do Ministério da Cultura, está em votação via internet ou sms a selecção de
Os Mais Belos Monumentos Portugueses

Não deixe de apreciar a beleza arquitectónica de vinte e um esplendorosos monumentos protuguesese. E detenha-se no nosso panorama histórico em As 7 Maravilhas de Portugal

([...)
O que o homem lembra, em frente do fogo, tem o brilho
da chama que se vai tornar cinza, no fim da noite (...)

Nuno Júdice, O inventor de histórias, 2001



Miosótis (pseudónimo)


03.07.2007
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Que a Cris me perdoe a dificuldade e a morosidade em responder ao seu amistoso e delicado voto de "7 Maravilhas da Blogosfera" ! 

Muito sensibilizada me deixa com a sua dedicada atenção!

Wednesday, June 13, 2007

Silêncios em noites fragmentadas de aromas






Fotografia: Tengku Bahar| AFP 2007


http://news.yahoo.com/photos


Numa outra vida, o acaso fez de mim poeta,
numa outra existência, o destino fez de mim pintor.
Incapaz de lançar fora usos esquecidos,
o mundo me conhece poeta e pintor,
sabe meu nome, identifica o meu estilo. (...)

Wang Wei, Poeta chinês [701-761]


É sem dúvida um dos poetas que mais aprecio, pela singeleza, pela profunda sabedoria das coisas da vida.

Hesitei um pouco. São tantos os poetas que leio e venero!

Ao longo de Fragmentos da noite com flores muitos têm sido os poetas, os prosadores que citei, buscando inspiração, ao deixar correr meu divagar em noites de acalmia ou perturbação.


O sonho e os livros vêm de minha infância. Os livros buscava-os na biblioteca de meus Pais, nos quartos dos irmãos mais velhos, nas viagens. 

Hoje passeio-me pelas livrarias, embrenhada nas leituras, divagando entre palavras e paisagens de outros, buscando minhas próprias litanias, sem tempos nem distâncias.

Muitas vezes em final de tarde o faço. É aliciante poisar o olhar nas bancas de livrarias mais recatadas, sentir o cheiro das folhas que se voltam a cada gesto lento de dedos delicados em contacto com os livros, esse prazer inestimável de companhia e sabedoria.

Em tempos, escrevi um curto texto:

Dialogar contigo meu livro?!
Há lá coisa mais deliciosamente cativante e intimista!

Sonoridades inebriantes, espaços soltos, ternas vulnerabilidades, sorrisos coruscantes, maresias de poente.

Tu me ouves, dialogas em tons de confidente, acarinhas docemente meus sonhos, aromatizas meus recônditos de alma que se envolve de eternidade.

Não é só hoje, não! Tu me acompanhas, em todos os momentos de meus dias, em passos curtos ou saltos longos, num abrir e fechar de emoções.

MS (Miosótis, pseudónimo)

(texto original, publicado em 17.02.2005)

Este espaço tem sido dedicado, quase sempre, aos meus prazeres espirituais, musicais, culturais.

É sim, também, um espaço de partilha, em fragmentos de sentires, em fusão de afectos ou apenas em mero exercício solitário.

Aqui tenho poisado ideais esparsos, ligados à estética da construção da memória poética de minhas noites de divagação autêntica, semi-efabulada, semi vivenciada.

E falei, em jeito de crónica, dos afectos que me ligam a objectos, paisagens, pessoas... algumas pessoas, muito poucas, hoje facilmente vulneráveis ao imediatismo do mundo, mas amanhã, quem sabe? lembrando e reconhecendo com nostalgia, a plena fusão de gestos esparsos nas profecias de magos e gnomos, em noites enfeitadas de luar, que se seguiam a dias de sol explosivo.

(...)
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em paisagem chuvosa, Lisa Gerrard, Indus, best of Lisa Gerrard, 2007

13.06.2007
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Saturday, June 02, 2007

Multiculturalidade





Enchantment | Albert Fennel
Exposição Virtual Pinceladas de todas as Cores
http://www.apena.rcts.pt



Lição

Oiço todos os dias,
De manhãzinha,
Um poema
Cantado por um melro
Madrugador.
Um poema de amor
Singelo e desprendido,
Que me deixa no ouvido
Envergonhado
A lição virginal,
Que é sempre o mesmo, e sempre variado.

Miguel Torga, Diário X, 2ª edição, Ed. do Autor

Para Aya que me legou um 'meme'* há algum tempo! Me perdoe por ter tardado!  Apesar de ser contra as correntes, só posso agradecer seu gesto tão sensível.

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da tarde, num encantamento de sonoridades - o tilintar solto e alegre dos pássaros em volteio despreocupado, num ritmo de pares, bem perto da janela virada para o firmamento azul quente, aromas de bosques perdidos

2.06.2007


*Um 'meme' é um 'gen ou gene cultural' que envolve algum conhecimento que passa a outros contemporâneos ou a seus descendentes. Os 'memes' podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. 
Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela web, usualmente via blogues.

O neologismo '
memes' foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo "genes".

(definição que circula com a corrente)



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Saturday, May 19, 2007

Das paisagens





Foto: Peter Djonj/ AP 2007
http://news.yahoo.com/photos



"O maior erro do ser humano, é tentar tirar da cabeça aquilo que não sai do coração."

Autor desconhecido


É bom regressar a casa, em final de tarde com cheiro a calor!

Decidi afoitar-me naquela explosão de cor. O vento expulsara as nuvens e meus passos crepitavam por entre um lago de flores, amarelo cor-de-oiro, num silêncio atordoado e límpido. Aspirei com vontade de sorver as fragrâncias de um tempo que se comprometia duradoiro e quente.

Atraída e ofuscada pela cor forte, luminosa, viva, daquele campo povoado de campestres essências, caminhei!

Meus pensamentos repoisavam puros, como quem reza, num caminhar aspirado passo a passo, ritmado, leve, na terra esbatido.

A vida parecia mais tranquila. Mas eles, os pensamentos troavam, deixando-me como um bando de pássaros. Envolta numa aragem deliciosa e solta, trazia comigo o mar, poisando-o num lago. Divino espaço!

Entrara para a minha intimidade, na minha respiração. Erguera-me para a invisibilidade.

Inundados os olhos de litanias, aturdida no silêncio bucólico. A vida parecia mais tranquila! Os pássaros tilintavam em redor.

A melancolia abatia-se, mesclada de aromas de açafrão e ervas raras, numa acalmia polvilhada de sentires, naquele caminhar suspenso.

Na minha cesta poisara o lago, o mar, o ideal encantado de uma paisagem. Parecia em paz por respirar o ar de verão!

Parei. E levantei os olhos cor de canela. O céu, como uma tenda de veludo azul, estendia-se por cima da minha cabeça, cor das flores. Survi, mais uma vez, todos os sentires imersos no universo...


Subi, meti a chave à porta. Corri as cortinas transparentes verde-musgo. Da pequena mas rasgada varanda airosa, pude ainda despedir-me do sol cor de sonhos que atravessava o horizonte!

Debruçada no alto da nuvem, virada para o infinito, movi os céus, a terra para chegar até ali...


"A lua subiu à minha janela, onde permaneceu sonhadora até partir. Olhei para o canto do céu iluminado pela sua passagem. Lentamente foi-se apagando e as estrelas apareceram." *

O que sonhas? - perguntei.


Miosótis (pseudónimo)

Com humildade, gostaria de pedir a Art of Love que me perdoasse por responder tardiamente ao seu sensível "thinking blogger award".

E só posso agradecer tal gesto, dedicando-lhe esta divagação de afectos, mesclada de realidade e fantasia.


fragmentos da noite com flores

19.05.2007
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* Shan Sa
, As Quatro Vidas do Salgueiro, 

Casa das Letras, 2005, 1ª edição

Sunday, May 06, 2007

Nocturno



Imagem: Art created by WETA Digital Ltd. (c) Walden Media, LLC


"Sir, more than kisses, letters mingle Souls;

For, thus friends absent speake."


John Donne to Sir Henry Wotton


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores 


06.05.2007

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Sunday, April 29, 2007

Divagações de Penélope




Fotografia: Fabrizio Brensh | Reuters 2007



A Penélope da literatura greco-clássica, embora no silêncio de Ulisses, à distância, pela época em que a comunicação era vaga e restrita, sabia, por todo o amor que este lhe dedicara até o marido partir, que Ulisses tudo faria para voltar ao seu eterno e amorável abraço, àquelas mãos que pressentiam cada recanto de seu ser. 


Mãos femininas, únicas no afago, que tocavam e acariciavam, numa transcendente afeição de gestos leves, soltos, ternos, suaves como pétalas aveludadas, aquela alma e aquele corpo.

E Ulisses suspirava... inebriado por tão imenso afecto que prevalecia, lânguido, profundo.

E corajoso, afoitou as intempéries do tempo e da distância, para regressar a sua Penélope, à deusa de seu imenso querer! Precisava, ansiava, era-lhe vital na sobrevivência de sua essência, descansar ao lado de Penélope, sentir a ternura, a tranquilidade de todo um amor comungado!



E a Penélope da ficção contemporânea, será que a ela lhe são desvendados sopros de amoroso afecto?!

Será que mesmo na incerteza, guiada pela premonição do instinto, feita sentimento de mil fragrâncias, Penélope espera confiante a cada instante que Zéfiro lhe traga de seu Ulisses, brisas de carinhos desnudados em mil anseios suspirados, resistindo a todas as Circes?!


Ou será que Penélope, a cada suspiro de saudade, a cada gesto de ternura envolto, independentemente do tempo e da distância, porque há amores talhados pelos deuses, apenas recebe silêncio, silêncio, o silêncio?!


Será que Penélope pressente a incerteza do afecto que paira no coração de um Ulisses... sabendo ele, já Minerva lho vai recordando a cada instante, que Penélope o espera pacientemente, amoravelmente, na praia, em cada dia, perscrutando o horizonte em tempos de acalmia ou tempestade, perguntando em silêncios ao universo, aos aromas de maresia, às espraiadas conchas trazidas pelas ondas, aos búzios de sons de mar, ao infinito azul, se novas lhe trazem de seu mais íntimo afecto?

Não sei...





Miosótis (pseudónimo) ©2007


ficção original© em resposta a Carta a Penélope, de um blogue amigo desaparecido.

26.10.2006


fragmentos da tarde em tempos de amores-perfeitos, frente à paisagem cor de inverno que se deslumbra da janela, de frente para o horizonte.

29.04.2007

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Wednesday, April 25, 2007

Campanha Mundial para a Educação 2007



Campagne Mondiale pour l'Éducation



Un avenir sans livres est un avenir triste et sombre, des yeux sans poésie!

L'alchimie de l'être humain passe par sa culture émotionnelle faite de mémoires des différentes lectures.

Miosotis, Lire

18 Agosto 2005


Lançada em 30 de Janeiro de 2007 no Parlamento Europeu, a "Campanha Mundial para a Educação" tem este ano como tema "A Educação, um direito humano"!
Com efeito , cerca de 80 milhões de crianças no mundo estão privadas deste direito fundamental e perto de um milhar de adultos não sabem ler nem escrever. Mobilizemo-nos para reparar esta injustiça!

De 23 a 29 de Abril juntemo-nos aos milhões de participantes na "Semana Mundial de Acção e Campanha Mundial para a Educação", com o apoio de Global Campaign for Education e Aide et Action.

Les 6 objectifs de l'Education Pour Tous à atteindre pour 2015

Acceptés par plus de 180 pays lors des Forums mondiaux de l'éducation à Jomtien et Dakar en 1990 et 2000, 6 objectifs doivent être atteints en 2015.
  • Développer la protection et l'éducation de la petite enfance
  • Fournir une éducation primaire gratuite et obligatoire pour tous
  • Offrir aux jeunes et aux adultes des programmes d'apprentissage et d'acquisition des compétences liées à la vie courante
  • Augmenter de 50% l'alphabétisation des adultes
  • Réaliser la parité des sexes en 2005 et l'égalité des sexes en 2015
  • Améliorer la qualité de l'éducation.

A
Unesco estima que 770 milhões de pessoas em todo o mundo são analfabetas!




A Educação pode mudar o Mundo!
Que l'immense horizon éblouissant des livres s'ouvre devant les yeux de toutes les personnes, indépendemment de leur âge, sexe et nationalité!
Miosotis, Lire
18 Agosto 2005



Miosótis (pseudónimo)

fragmento da tarde em resposta a um apelo internacional

25.04.2007

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Sunday, April 22, 2007

Thinking Blogger Award





Foto: A delicate langing/WTL
http://www.flickr.com/photos



Dia da Terra

"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios.


Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra.


Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."

profecia de uma velha índia Cree

Relembrar o Dia da Terra! É urgente!

Por todo o mundo, as pessoas se sensibilizam mais e mais, espalhando seus gestos e suas palavras numa campanha que prende cada respirar de nossas vidas!


"Nessa noite, a lua estava cheia. No escuro, o luar se replicava nas mil gotinhas, acendendo um fantástico presépio. Nunca eu tinha assistido a tanta luz nocturna, o estrelar do céu mesmo sobre o nosso céu. Meu pai sorriu:

- Já temos lua eléctrica!"

Mia Couto, A Chuva Pasmada, 

Editorial Caminho, 2004, 1ª edição


E como que por encanto, Terra é também o espaço de uma amiga, Cris que considerou encontrar em fragmentos da noite com flores, tempos de pensamento e introversão. Muito me sensibiliza! E deixa-me emudecida!

Fragmentos em tons de Miosótis são breves momentos de reflexão, sorrisos de arco-íris, gritos mudos de afecto, puros gestos de maresia em ondas verdes pinceladas de nuvens soltas, deixando passar o luar das noites em amanheceres desassossegados.


Uma descuidada harmonia luminosamente verde.o matiz do vestido intensamente rubro.
O âmago da flor, com medo de sofrer,
talvez um coração, com a cor da Primavera


Wang Wei, A peónia vermellha,

Poemas, Instituto Cultural de Macau, 1993


Miosótis (pseudónimo)
Para Cris, fragmentos da noite com flores de miosótis

22.04.07

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*Nota: Não sou a favor de correntes, mas também não gosto de quebrá-las! Repensei e decidi nomear apenas três:


  • My words... My spells
  • Esboços de Nus


por estarem pouco divulgados e terem uma sensibilidade 'especial'


  • Tiros no Escuro
pela amizade que nos une quase desde o início e pela acuidade de 'croniqueur' de costumes.





Saturday, April 14, 2007

Viagens sonhadas com Bernardo Soares






créditos: David J. Philip/ AP 2007
http://news.yahoo.com/photos


"Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janella para o começo das estrellas, meus sonhos vão por accordo de rythmo com distancia exposta para as viagens aos paízes incognitos, ou suppostos ou somente impossiveis."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, 
Tomo I, Ática, 1982



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde, em tempo de sakura*


14.04.2007

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*Sakura - nome dado à flor de cerejeira, símbolo do Japão. Desabrocha no início da Primavera e representa a natureza efémera da vida.