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Saturday, February 12, 2011

World Press Photo 2010

 
 
 
 Bibi Aisha
Foto: Jodi Beiber

A repórter fotográfica sul-africana Jodi Beiber venceu o grande prémio do concurso internacional World Press Photo 2010, hoje dia 11 Fevereiro 2011 com este retrato de uma jovem mulher afegã, mutilada no nariz.
 

A fotografia fez a capa da revista Time em 01 de Agosto 2010 revelou uma jovem afegã de 18 anos, Bibi Aisha, a quem o marido cortou o nariz e as orelhas por ela ter voltado para a família acusando-o de maus tratos. 

A capa perturbadora da Time provocou o desconforto que nos chega de uma realidade, à qual regra geral, não temos muito acesso.

Confesso que esta foto me chocou profundamente! E saber o motivo da mutilação encandesceu mais essa mágoa!

Mas a dignidade do olhar de Bibi Aisha, casada aos catorze anos, e mutilada antes de atingir os dezoito anos, é tão forte que me faz sentir orgulho de ser mulher!

A jovem Bibi Aisha decidiu dar o 'rosto' em oposição a actos bárbaros. Ela é o rosto da coragem!
A fotógrafa Jodie Beiber, num vídeo da Time, dá o seu testemunho...



Às dores inventadas
Prefere as reais.
Doem muito menos
Ou então muito mais.
Alexandre O'Neill, Dores, No Reino da Dinamarca*

Miosótis (pseudónimo)
 
fragmentos da noite em jeito de homenagem à Bibi Aisha e a Jodie Beiber
12.02.2011

Copyright ©2011-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


* Alexandre O'Neill, Dores, Reino da Dinamarca
in Casa Fernando Pessoa, Banco de Poesia

Saturday, July 21, 2007

Time




A Roda da Fortuna (Tarôt)
David McKean
https://www.mckean-art.co.uk/




Pergunto o que é o segredo da vida, se
é que a vida tem algum segredo. pelo
menos, quando se pergunta, é porque se
sabe que nem tudo se pode saber. [...]


Nuno Júdice, Cartografia de Emoções, Publicações Dom Quixote, 2001


Dois anos se passaram desde que poisei as primeiras palavras, timidamente, neste espaço, em jeito de fragmentos ténues e esquivos.



Havia pouco mudara para esta casa. Mais alegre, mais ensolarada, maior horizonte, mais céu! E carregava tanta utopia!


As nuvens desciam, e esvoaçavam sobre os telhados altos. Nos entardeceres ou noites cálidas, eu me debruçava sobre esta mesa, de frente para o Universo, e numa descuidada harmonia, luminosamente rosa-alaranjado ou solitariamente azul-rei, eu escrevia fragmentos meus, sob uma lua brilhante e cúmplice, encostada ou batendo nas vidraças com seu brilho cor de prata.


Como hoje! A lua desprende-se das sombras que filtram seus raios e vem silenciosamente poisar-se do lado esquerdo, sob meu ombro. Por vezes páro, abro a janela e deixo que a aragem me toque, me faça respirar profundamente, sentidamente.


Comigo estão, quando me solto dos afazeres, das tormentas, das alegrias também, meus pequenos prazeres, meus companheiros, os livros, a música, os pouco amigos, a família.



Ao longo destes dois anos, tal Roda da Fortuna, foram rolando momentos lindos, tempos difíceis, encantos e desencantos. E, por aqui circularam pessoas, seres sensíveis que me tocaram pelo olhar poisado, em ternos sentires, amistosas palavras, cúmplices afectos.


A todos agradeço do âmago de minh'alma, a companhia silenciosa, nas noites de harmonias, contradições, sintonias, em pétalas dos sete perfumes, esparsas em singelo gesto.


Se o amor se espargisse como o aroma do jasmim, como este mundo seria diferente, já que tão falto de carinho e compaixão anda!


Ramiro Calle, O Livro do Amor, A esfera dos livros, Janeiro 2007, 1ª edição


@Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite
 Time Pink Floyd, Live 1994

21.07.2007

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