Saturday, October 31, 2015

Outubro Rosa, sempre !







Pink October

Não, não poderira deixar acabar Outubro. Era importante falar de Outubro Rosa.


Sim, vem de Outubro 2008 o meu empenhamento em Outubro RosaUma causa que me move na vida real desde sempre e que se reflecte neste meu espaço de intimidade.


Outubro Rosa é o mês de luta e prevenção contra o cancro da mama, uma campanha mundial anual, organizada pelas maiores associações de luta contra o cancro da mama e que teve como precursora Estée Lauder ao lançar a campanha Pink Ribbon.


Em todo o mundo, decorrem ao longo do mês, acções de apoio a tão nobre causa! Pessoas, marcas, cidades juntam-se tornando Rosa, este Outubro.








Em 1992, Evelyn H. Lauder co-criou Pink Ribbon, reconhecido como símbolo international da campanha de sensibilização sobre a importância da despistagem precoce do cancro da mama.

É pois graças a ela que Outubro se tornou um evento mundial Rosa.

En 1993, Estée Lauder decidou apoiar investigadores, médicos e cientistas de todo o mundo, criando a Breast Cancer Research Foundation (BCRF).





Dia Nacional do Cancro da Mama

Em Portugal, o Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, dia 30 de Outubro, foi criado na sequência de uma Petição subscrita e entregue na Assembleia da República.

Visite o website e aí encontrará toda a informação necessária à prevenção precoce. Não se descuide!




Valérie, danseuse contemporaine
crédits: Frédérique Jouval, France
Estée Lauder Pink Ribbon Photo Award 2015

Entre as 40 laureadas do Estée Lauder Pink Ribbon Photo Awardesta foi a foto que mais me comoveu. Aqui fica a minha homenagem à coragem de Valérie:

"Jai connu Valérie il y a un an et demi. Elle était en pleine période de traitements. Lors de notre rencontre, notre passion commune pour la danse s'est immédiatement imposée. 

Valérie est danseuse contemporaine et enseignante ; moi, photographe. Au-delà de la maladie, s'est installée une belle complicité avec l'envie de collaborer ensemble à un projet artistique. 

Valérie a puisé sa force et son énergie dans son entourage et sa danse pour combattre et accepter son nouveau corps. De mon côté, j'ai souhaité mettre en lumière par mon regard, une femme qui a pu surmonter cette épreuve tout en assumant la « trace » de la maladie. 

Quelques mois plus tard, le temps d'un après-midi devant mon objectif, vêtue de sa grande jupe noire et le buste dénudé, Valérie s'est lancée dans une danse libre et improvisée au son du Boléro de Ravel."

Outubro Rosa é, para mim, como uma prece murmurada a uma mulher muito querida.

Um beijo, minha mãe.

Miosótis (pseudónimo)

31.10.2015
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Sunday, October 11, 2015

E a praia ali tão perto...





Naufrágio do Olivia Ribal
créditos: Paulo Octávio

O naufrágio, o desespero, do Olivia Ribal, pelos olhos deste fotógrafo anónimo. Todos vimos. Quase ouvíamos.

A angústia, os gritos das famílias, ali, poisadas na praia, de olhos fixos no mar, - como sói nesta vida ingrata de pescadores. 

Esta tragédia magoou-me. Ali tão perto da praia.

Um tempo, outros tempos que a memória evoca. Memórias de infância, férias de verão. Praia piscatória de grande tradição de mar. Póvoa de Varzim.

Vozes nocturnas, sombras vestidas de negro, chorando em circulo, rezavam, em noites de mar bravio, traiçoeiro. Apelavam pela benção de ver de madrugada chegar, os que já tardavam.

Como sofria, aflita, criança, olhando pela varanda virada ao mar. Não entendia muito bem, mas na alma entrava-me dor de todas aquelas mulheres, quando seus homens - maridos, filhos, pais - não chegavam.

E quando tardavam de mais ou ouvidas novas agoirentas, as mulheres levantavam-se, e fazendo frente ao tenebroso bramido do mar, lançavam pragas - mar impiedoso - que lhes dava o pão, mas lhes tirava os homens. 

Erguiam os braços para o infinito, pedindo misericórdia, para que os corpos dos seus entes lhes fossem devolvidos. E por ali ficavam até o mar os trazer.

"nunca mais faltem ao respeito para com aqueles que fazem do mar a sua vida". - ouvi, um destes dias a alguém do mar. Silenciei, como em prece, relembrando essas noites de infância.

Fui reler Miguel Torga. Poiso seus versos aqui, em tributo aos valerosos pescadores da Figueira da Foz. E estendo a todos os homens do mar do meu país.

Mar Mar!

Tinhas um nome que ninguém temia:
Era um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...

Mar!

Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...

Mar!

Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!

Mar!

Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!

Mar!

E quando terá fim o sofrimento!
E quando d)eixará de nos tentar
O teu encantamento!


Miguel Torga, in Antologia Poética


Requiem do tempo presente.

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, brancas

11.10.2015
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Sunday, September 13, 2015

Voltou Outono






Japanese bonsaï


Nesta época do ano, tendo a olhar pela janela, atenta às alterações de mudança de estação. Tãp rápido! Ainda ontem era verão

Na segunda-feira, estive na praia. Tempo quente. Depois, sentei, já bem no final da tarde, numa esplanada frente ao mar. 

Aproveitava o pôr-do-sol, lendo, enquanto degustava um crepe aromatizado de canela.

O Outono entrou de rompante. A natureza inicia sua transmutação. O equinócio anuncia-se por perto.

Adentra-se a luminosidade ténue, os dias mais curtos, a noite desce sem lentidão. 

Observo as folhas. Já vagueiam soltas, caidas das árvores, espalhadadas pelas ruas. 

E há o friozinho pela manhã, e no quebrar da tarde. O verão está quase no fim. É hora de me preparar para a temporada de inverno. 

Embora tente lutar contra isso, esta é a época do ano em que minha mente se torna um pouco mais triste. Sorriso menos solto.

Penso nas pessoas que não estão mais em minha vida. E nestes últimos meses, tenho sido fustigada com a perda de amigos.

Um arrepio de frio. Olhando, de novo, para lá da minha janela, a noite chegou mais fresca, hoje, céu de semblante sombrio, carregado da cor de bréu.

Não há estrelas. Apenas ao longe as luzes da cidade. Também elas mais solitárias.


O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar

Manoel Bandeira, Crepúsculo de Outono
(excerto)


Miosótis (pseudónimo)
13.09.2015
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Friday, August 21, 2015

Uma tarde de verão !





Woman on the beach 
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Voltei à praia. Adoro mar, o calor do sol que bate no corpo, a luminosidade que entra na alma, o marulhar suave, de vez em quando, interrompido por vozes que supõem estar e casa, como se tudo à volta fossem paredes.

O tempo incerto, alguns cuidados, me mantiveram afastada. Num tempo que adoro! O verão. 

Até que ontem, o sol, a brisa quente, me bateu em cheio, adentrando-se pelas janelas, vizinhas do firmamento. Saí à varanda para sentir o ar que me tocava. Muito agradável. Então, estava decidido. Ir à praia.

Que sensação boa! Sair do carro, e sentir que não havia vento à beira-mar. Apanhar o saco, com aquelas pequenas coisas que todas as mulheres gostam de ter consigo na praia. Creme solar, pareo, uma garrafa de água. 




A Ilha
Sándor Marái
Dom Quixote

Ah! Não podia faltar um livro. A minha escolha de verão? "A Ilha" de Sándor Marái. Lembram "As Velas Ardem Até ao Fim"? Esse mesmo.

O tema passado numa estância balnear, um professor ligado à filosofia, inspirado por Platão, ambiguidade do amor, Viktor Askenasi. A personagem remetia-me para o grande pianista Vladimir Ashkenazy. Culto de momentos de música clássica. 

Música, filosofia, busca da felicidade, verão. Conhecendo o escritor, motivos suficientes para esta escolha. Sim, clima perfeito para uma tarde inspiradora. E de muita serenidade.

Muita gente na praia. Mas sem aquele amontoado de pessoas, que mal nos dão espaço para uma certa privacidade. Distanciamento quanto baste.

Estendi o pareo. E sentando-me, fiquei primeiro a olhar o mar. Aquele mar, paraíso de liberdade, que tanto me apazigua. Inspirei. Longamente. E expirei, com uma sensação de bem estar e tranquilidade que só o ar livre à beira-mar, sentindo a areia quente, me traz de volta.

O  mar estava calmo, mas sem aquele verde-claro, translúcido. Quase ninguém na água. Gelada, ouvia-se em volta. Preferi o calor da areia, o sol reflectindo-se na água, batendo nas páginas do livro que folheava, embrenhada na leitura.

Voltei ao final de tarde. o sol baixava no horizonte. E a temperatura descera.

Uma tarde sublime, onde nada faltou. Regressei com novas energias, a chave secreta para recomeçar. Ficou em mim o aroma da maresia desfragmentado entre as palavras lidas. 

Aspirações delicadas. 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
21.08.2015

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Thursday, August 06, 2015

A Hiroshima !





créditos: Mariane Bach, Bach


Foi há 70 anos. Mas o mundo não esquece. Por mais que se procurem as palavras. Não saem.


Lágrimas. 

Silêncios recolhidos. 

Paz a todas as almas.

Rosa de Hiroshima. Um poema escrito pelo grande compositor Vinícius de Moraes. O título é uma metáfora em protesto à explosão da bomba atómica na cidade de Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.




Bomba sobre Hiroshima

E rosa por que razão? A bomba é comparada com uma rosa, porque ao explodir, se assemelha a uma rosa depois de desabrochar. 

A rosa, quase sempre, ligada à beleza da natureza. Neste poema remete para a 'rosa' de Hiroshima e suas horríficas consequências.

Já em 2006 publicara o poema A Rosa de Hiroshima. Mas continua a ser a mais bela homenagem feita em palavras.







Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rosas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas, oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor, sem perfume

Sem rosa, sem nada




Vinicius de Moraes, Rosa de Hiroshima


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos com flores, som de Rosa de HiroshimaNey Matogrosso ( ao vivo)

06.08.2015
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Sunday, July 12, 2015

Não incomodar... ou Une Heure de Tranquilité ?




France, 2014

Gosto de cinema francês. E na hora actual, depois do grandes vultos já quase todos desaparecidos, é na comédia que os franceses são excelentes. Comédia de costumes, de crítica social, uma comicidade tipicamente francesa que, quando bem conseguida, nos agarra de uma ponta à outra, em tons hilariantes. 

Pois bem, desta vez, levada pelo actor Christian Clavier que tem aquela incrível personagem em Que mal fiz eu a Deus ?fiquei com a ideia que o filme 
Não incomodar, tradução de Une heure de tranquillité, poderia ser uma história cheia de peripécias tão boas quanto o anterior. Não foi assim. 

Mas passemos ao filme. Michel Leproux, aparentemente homem de família, é um apaixonado pelo jazz. Passeando pela Foire aux Puces, descobre um álbum raro em vinil de Paul Youart, músico por quem nutre uma imensa a
dmiração. Há muito que procurava este álbum raro.



Christian Clavier | Michel Leproux

Encantado, apressa-se para voltar a casa e poder ouvi-lo na tranquilidade da sua sala de estar, fruindo do encanto do tema Me and Myself (já de si convincente).

No entanto, algo se vai passar que o impedirá de concretizar este desejo simples. O momento não poderia ser pior.

Sua mulher decide fazer-lhe uma revelação surpreendente, o filho irrompe pela casa, a empregada quer aspirar a sala de estar.



Christian Clavier & Rossy de Palma

Não pára por aí. Um dos vizinhos bate à porta, reclamando problemas de infiltrações no seu andar.


É que no momento, decorrem obras num dos quartos da casa, a cargo de um trabalhador polaco… ou será português? 

A melhor amiga da mulher, com quem mantém uma relação extra-conjugal, está à porta com uma crise de consciência, e os migrantes que o filho acolhia no sotão do edifício, vêm instalar-se no seu apartamento.





Carole Bouquet

Já para não falar na famosa "festa de vizinhos" que acaba por ter lugar - imagine onde - na sua sala de estar.

Enfim, uma série de peripécias que teriam os ingredientes certos para uma comédia divertidíssima. Mas não é. 




http://www.allocine.fr/


Une heure de tranquillité é a adaptação de uma peça de teatro, protagonizada por Fabrice Luchini, um actor brilhante do actual cinema francês. E um diseur incomparável. Ouvir a dicção de Fabrice Luchini é mergulhar na essência da língua francesa.

Não duvido que a peça tenha sido um sucesso, como peça de teatro. O mesmo não se pode dizer da adaptação cinematográfica. Um desastre.


As críticas, mesmo francesas, são muito negativas. Por aqui também, embora alguns pró-intelectuais do cinema de autor tente ver uma obra de arte. 

Não, não é um filme de autor. Não confundamos as pessoas, nem os conceitos.

Realizada por Patrice Leconte, a película foi filmada em cinco semanas, num só espaço e de forma cronológica. 




Une heure de tranquillité

A peça passa-se toda num salão. O filme passa-se essencialmente na grande sala, mas expande-se por diversas divisões do apartamento. E em parte, pela escadaria de acesso.

O argumento foi escrito pelo autor da peça de teatro, Florian ZellerA ideia da história ocorreu a Zeller durante umas férias com amigos, à volta de conversas e situações vividas. Que essas sim, devem ter sido espantosas de humor.






Não se deixem iludir pelo trailer. Os momentos divertidos estão no trailer, mas nenhuma surpresa durante o filme.

Passados os minutos iniciais de expectativa, tendo na memória presente Que mal fiz eu a Deus?, foi com muita paciência, por vezes impaciência, que aguardei o final. O ambiente na sala era unânime.


Filme decepcinante, para a maioria dos espectadares que sairam, com ar de enfado, a que juntaram alguns comentários desabonatórios.


O pormenor do trabalhador, na peça de teatro, um polaco, passar a português, é ridículo. Fora de qualquer contexto social actual.


Sente-se tudo com falta de espontaneidade. Actores 'ausentes', filmagem demasiado monótona. Actores como Christian Clavier, Nicole Bouquet saem desprestigiados. 
Nem Rossy de Palma, que tantas gargalhadas nos arrancava nos filmes de Pedro Almodovar põe aí um pingo do seu antigo talento.




Une heure de tranquillité

Quantoi ao album "Me, Myself and I" de Neil Youart, música e artista de jazz são pura invenção para a narrativa. Embora se oiçam sonoridades de uma melodia de jazz ao bom estilo, suponho, dos anos 50. Breves segundos de bom gosto.


Desilusão. Não gostei. E desaconselho. Vivamente.

Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores


12.07.2015

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