Sunday, May 16, 2010

Paris-Match & Festival de Cannes : Romy Schneider & Alain Delon, livro de memórias do festival






Alain Delon & Romy Schneider
Dans les Coulisses du festeival de Cannes
Jean-Pierre Bouyxou
édition Paris Match

Numa homenagem ao Festival de Cannes que está a decorrer desde o dia 12 Maio 2010 e se prolongará até 23 Maio, Paris Match publicou o livro Dans les Coulisses du Festival de Cannes de Jean-Pierre Bouyxou, com Prefácio de Brigitte Bardot. O livro desvenda 60 anos dos bastidores do Festival.

"De Brigitte Bardot à Sophie Marceau, d’Elizabeth Taylor à Sharon Stone, sans oublier Grace Kelly, Romy Schneider, Clint Eastwood ou Pedro Almodovar, retrouvez celles et ceux qui ont marqué par leur grâce, leur ferveur et leur folie plus de soixante ans d’un festival unique au monde."






Romy Schneider & Alain Delon
Dans les Coulisses du festeival de Cannes
Jean-Pierre Bouyxou
édition Paris Match


Uma obra que junta lembranças, pequenos episódios, e quase duzentas fotografias que imortalizam os 'deuses' do cinema.

"Paris Match ouvre grand les portes du Palais du festival à travers près de 300 photographies sélectionnées parmi les millions de négatifs précieusement conservés, et raconte les fastes et les frasques de cet époustouflant carnaval de fiction, de provocations et d’émotions, de 1949 à nos jours."

Segundo alguns leitores, fotos comoventes de actores e actrizes actuais ou já desaparecidos.

Um livro documento que provocará muitas memórias aos intervenientes e aos leitores.






Júri Festival Cannes 2010
Presidente: Tim Burton


No momento em que a 63ª edição du Festival se prepara para abrir as portas, presidido este ano por Tim BurtonJean-Pierre Bouyxou (jornalista de Paris Match) e a sua equipa propõem também mais de 200 páginas, algumas de anedotas ilustradas, outras de memórias. 





Júri Festival Cannes 2010
Presidente: Tim Burton
crédits: AFP/Getty Images


« Comme le regard des acteurs, les récits sont éternels. Pendant douze jours, nous allons tous partager ensemble l’éternité du cinéma »


Kristin Scott Thomas
(cerimónia de abertura)


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores


15.05.2010

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Monday, May 03, 2010

Fragmentos




Foto: Oleg Oprisco


Não se sabe como acontece, nem quando..[...] A vontade de anular todo o intervalo entre as coisas.

Pedro PaixãoSem fôlego
 
Todo o Ser se encontra solitariamente contido no cabo bojudo dos dias de tormentas. E na dança dos gestos não contidos, ele avança sem véus  nem máscaras.

Todo o Ser espera com olhos levantados, muito para além do quebrar das fendas de seu âmago, pela acalmia em sabores de maresia musical.

Vibrações do tempo ora crescendo ora pianissimo que se espraiam pelos gestos soltos e desanuviadores de um corpo que grita sua alma  em aromas de jardins de sons intensos.

Fragrâncias onde a vida repousa e se abriga.


Te vi há quanto tempo? Não sei! A memória das coisas belas é esfrangalhada pelos intervalos da vida.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
02.05.2010
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Friday, April 23, 2010

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2010




Foto: Maureen Bisilliatt
Instituto Moreira Sales

(À memória de Soame Jenyns,
 lembrado depois do poema escrito)


Às vezes tenho ideias felizes
Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despejam…

Depois de escrever, leio…
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu…

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?



Álvaro de Campos
18.12.1940

in 
Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002



No Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, um desejo profundo para que todos tenham o direito inalianável de Saber Ler num futuro muito próximo.

Miosótis (pseudónimo)


Fragmentos da noite, uma flor por um livro?

23.04.2010
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Thursday, April 15, 2010

Alain Resnais? Incontrolável




Poster Les Herbes Folles
Alain Resnais


"Resnais laisse pousser l'herbe folle de son inconscient."

Jean-Luc Douin
Le Monde, 21.05.2009

O final de tarde fez-se cinzento, atmosfera estranha. Apetecia-me uma sessão de cinema. Passei os olhos pelas  salas de exibição e deparei-me com o filme de Alain Resnais Ervas Daninhas

Tempo ideal para ver um filme de autor! Sentada numa sala estúdio, música ambiente jazz, afundei-me na cadeira e esperei pela clássica escuridão sob ecrã luminoso. Um momento muito nosso, não é mesmo?

Baseado no livro L'Incident de Christian Gailly, o filme é uma adaptação totalmente livre! Como que percorrido por um vento de loucura, como aliás são as personagens principais, Georges Palet, um aventureiro do imaginário, e Marguerite Muir, uma mulher quase diferente! 

Um casal improvável, absurdo, numa história que pode ser vista como um exercício cinematográfico sobre alguns devaneios, pulsões incontroláveis que se escondem, tantas vezes, na cabeça de todos nós. 

Nada se poderia ter passado entre estas duas personagens, mas os acasos do amor não se encomendam! Talvez como essas "herbes folles" (a expressão francesa é bem mais elucidativa do que  versão portuguesa, já que distorce a real intenção do autor), que crescem livres e soltas nos interstícios de um pedaço de betume esventrado.

Resnais aponta as nossas dificuldades em exprimir os nossos anseios, em fazer coincidir os nossos imaginários, enfim, todos os desencontros. A eterna busca da alma gémea?



Les herbes folles/ Studio Canal

Num filme surrealista, com recurso aos jogos de palavras, aos diálogos com duplo sentido, onde a voz interior do atormentado protagonista entra em diálogo com a voz off de um divertido narrador.

Percorremos com Resnais várias referências do cinema, até o beijo hollywoodiano sobre fundo sonoro do genérico da Twentieth Century Fox e a palavra Fin sobreposta, que não é coincidente, de modo algum, com o final do filme! Um adorável devaneio cinematográfico.

O realizador de Providence, Hiroshima mon amour ou o alegre On connait la chanson oferece-nos uma diversão, só pode! que se cruza com o simples prazer de ir ao cinema.

À quatre-vingt sept «printemps», et si Alain Resnais continuait de se sentir ­comme une «herbe folle» poussée sans rime ni raison au cœur du cinéma français ?

Le Figaro, Nous sommes tous des herbes folles
04.11.2009

O filme é um maelström de  décors encantatórios - ressalto o interior do apartamento de Marguerite - ruas cintilantes, um universo de cores esplendorosas, onde sobressaem os verdes, turquesas, vermelhos, ao bom estilo Broadway.

Nesse universo, a vida parece um romance, o espírito vagueia, ao som de improvisações jazzy magníficas, onde não faltam as elegias aos livros.

"Lire n'a jamais tué personne. Au contraire, ça aide à vivre"



Alain Resnais & Sabine Azéma/ Studio Canal

Enfim! Um prazer para os ouvidos e para o olhar com os actores fétiche de Alain Resnais, o indefinível André Dussollier e a inigualável Sabine Azéma que se degladiam divertidos no picaresco das suas personagens!

"Quand on sort du cinéma, plus rien ne vous étonne. Tout peut arriver avec le plus grand naturel "

... faz o cineasta dizer a uma da suas personagens! Não acham uma óptima razão para lá entrar?

Aconselho vivamente, neste tempo de cinza integral. Um exercício de estilo bem juvenil que valeu ao cineasta de 87 anos o Prix Exceptionnel du Jury no Festival de Cannes 2009.

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

15.04.2010
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Saturday, April 03, 2010

Silêncios !





via União Budista 


O silêncio é o mais precioso dom do ser humano! Deixa que oiçamos a voz da alma! Não é a essência a mais profunda partícula do Ser? 

O estar só pode sentir-se bem, quando a pressente pelo silêncio que se faz em  volta. E mais do que nada, dentro de nós! 

Há anos que venho contactando com o meu silêncio ... e sinto-me bem! 

As pausas não são música? Então o silêncio só pode ser música! A mais bela, porque a interioridade está lá por inteiro.

Sei o que é o contacto com a fragilidade física de um ser a quem amamos! 

Esses momentos nos fazem reflectir ainda mais, se possível, na trivialidade do quotidiano da vida. E, por vezes, nessa reflexão, ouvimos os nossos gritos mudos.

Perante a serenidade do gesto que aceita o leve poisar da flor, emudecemos. E ficamos assim a ouvir esse silêncio harmonioso.

Que esta meditação perfeita entre a beleza do olhar e o silêncio da alma nos traga paz para o encontro diário com o nosso eu.


Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite com flores
(introspecção de Páscoa)

03.04.2010
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Tuesday, March 23, 2010

O pássaro que anuncia a Primavera !






Beija-flor de topete 
créditos: JQuental (Br)
http://jquental.multiply.com



Começa a haver meia-noite e a haver sossego,
Por toda a parte das casas sobrepostas,
Os andares vários da acumulação da vida…

Vai tudo dormir…

(...)

Todos os anos, um pássaro-cantor ouve-se da minha janela, mal começa o anoitecer! Que estranho! Tinha ideia que os pássaros só cantavam à luz do raiar do dia, em finais de tarde quentes, com suaves tons azul rosado mesclados de  fiapos de nuvens arrumando-se no firmamento.

Mas este pássaro-cantor reaparece sempre por esta altura, anunciando-me com a sua  exuberante ária a Primavera! 

E eu emudeço, desdobrando-me em mil cuidados, aproximo-me de mansinho, abro num gesto tranquilo, quase terno, a janela, e páro!

Faço um silêncio profundo, mando calar meus tumultuosos pensamentos, e emudecida, imersa em fragrâncias soltas, doces, deixo os meus sentidos inundarem-se daquela melodia cristalina, trinada em tom maior. À noite! E sorrio!

Sorrio de ternura pelo pássaro-cantor que me traz de volta a Primavera. E sorrio de encantamento!

A ternura mescla-se com o encantamento de ter a capacidade de estacar ao som do canto do (meu) livre pássaro, anunciador da Primavera.

(...)
Fico sozinho com o universo inteiro.
Nem quero ir à janela:
Se eu olhar, que de estrelas!
Que grandes silêncios maiores há no alto!
Que céu anti-citadino!...


(...)

Sim, vivo na cidade... no campo! Lembro quando vim para este lado da cidade! Faz alguns anos, fugia do bulício de uma rua barulhenta onde os pássaros não poisavam, apesar de haver árvores! 

Todos os anos, o meu pássaro-cantor reaparece e este silêncio musicado toca-me! Vem aí a Primavera!

(...)
Vai tudo dormir…

Só eu velo, sonolentamente escutando…

Esperando
Qualquer coisa antes que durma…

Qualquer coisa…

Álvaro de Campos, Começa a haver meia-noite e a haver sossego
9 - 8 - 1934 
in Poesia, Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002


... um pássaro me anuncia a Primavera! O (meu) pássaro-cantor! A paz que há nos campos em volta da minha janela citadina, refugia-se em minh'alma! 

O universo debruça-se sobre a cidade longínqua de luzes tremulares. Doces momentos nocturnos. 

Vem aí a Primavera!


Miosótis (pseudónimo)

texto original, 23.03.2010

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fragmentos de um pássaro-cantor nas noites em que as flores começam a desabrochar na pequena varanda virada para a imensidão da paisagem nocturna. 


*PoesiaÁlvaro de Campos, Começa a haver meia-noite e a haver sossego
9 - 8 - 1934 
in Poesia, Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002

Monday, March 15, 2010

Uma flor no Inverno




AFP/DDP/Eckehard Schulz 2010

http://news.yahoo.com/nphotos




Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos. desfados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água límpida de um açude.

José Luís PeixotoNenhum Olhar, 2001

Os dias foram carregados, nuvens cinza, atmosfera brumosa, dores intimistas! O Inverno prolonga-se indefinidamente, agressivo, imponente, quase ditador das estações que se baralham destemperadas e avulsas!

A Primavera desponta? Não a enxerguei ainda nestas noites do amanhecer que transmutam a paisagem de minh'alma. 
Sem deixar para trás as tristezas, levanto para o Universo as minhas preces de eterna claridade e magia! 
E aguardo enquanto meu olhar se prende neste grito de cor da flor que corajosamente desbrava a neve que a sufoca.

Pisando a erva tenra
caminho
num campo de nuvens

Kawabata Bôsha, As Cigarras vão morrer
Haiku, Uma Antologia
Editora Casa do Sul, 2008

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores
15.03.2010
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Monday, March 08, 2010

Dia Internacional da Mulher !



Mirror
Norman Rockwell
www.rockwelllicensing.com


tender is the night
And haply the Queen-Moon is on her throne,
Cluster’d around by all her starry Fays;
But here there is no light,
Save what from heaven is with the breezes blown
Through verdurous glooms and winding mossy ways 
 
John Keats, Ode to a Nightingale, 1819, lines 35 a 40


Neste dia de todas as mulheres, as ausentes e as presentes, os versos de um poeta de grande sensibilidade.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite
08.03.2010
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Friday, January 15, 2010

Dores malignas...




Lhasa de Sela
credits: Oliver Gutfleisch

Lhasa de Sela morreu! Com 37 anos, depois de uma luta desigual de quase dois anos, Lhasa de Sela partiu no primeiro dia de Janeiro.

"Durant cette période difficile elle a continué à toucher la vie des gens qui l’entouraient avec la grâce, la beauté, et l’humour qui la caractérisaient."  

in Lhasa de Sela, website

Hoje, dia 15 de Janeiro, uma linda felina, companheira de catorze anos de vida, partiu. Também ela lutou até final, com garra e muita docilidade até ao último suspiro.

O cancro da mama, esta doença cruel, dolorosa, não ataca só as mulheres! Os animais de estimação de sexo feminino são ferozmente atingidos.

Sensitiva, fiel, indomável, atenta, afectuosa, permanecerá em minh'alma até  final de meus dias. O mundo foi mais fácil tendo-a por perto, sempre presente. Sempre silenciosa.

Impossível descrever a minha dor.

É este o valor dos seres especiais humanos, não humanos!









You could lean your head down
And rest it on my knee
You could tell me a story
That does not end this way


Lhasa, Bells are ringing
last album


Miosótis (pseudónimo)

15.01.2010
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fragmentos da noite com flores, lágrimas silenciosas.  Não sei quando voltarei... me perdoem por não responder!