Sunday, September 10, 2006

Volver : Almodovar





Volver | Pedro Almodóvar (2006)
http://www.imdb.com/

"Mi madre esta presente en toda la pelicula, muchas de las frases que ellas dicen son las decía ella en vida."

Pedro Almodovar


O novo filme de Almodóvar! Esperava-o com alguma expectativa. Depois de Habla con ella (2002) ou Todo sobre mi madre (1999), ficara decepcionada com La Mala educacíon (2004)

Uma história de regressos, em que a vida e a morte se entrelaçam com uma naturalidade que só a sensibilidade de Almodóvar exprime sem ressentimentos.

Um filme quase surreal. Mas os seus primeiros filmes eram surreais! Certamente já teria imaginado que essa fase fora ultrapassada. Mas não!

Num deambular sentido, autêntico de imagens mescladas de drama e comédia, de emoções intensas ou situações hilariantes o filme deixa de novo que a crítica social se oiça.

O espectador sente-se desconfortável logo nas primeiras imagens que enchem o ecrã. Mas o humor dos diálogos e os gestos naturais e até ternos das personagens, fazem com que os primeiros sorrisos se soltem. 


Penélope Cruz | Volver

E então, segue-se o enquadramento da história, onde prepassam momentos de riso, humor macabro - melhor enquadrado se se entender bem a língua original - e de emoção e lágrimas que atingiram muitos espectadores.

Afectos e desafectos convivem com a mesma singeleza que a vida e a morte. Três gerações mulheres unidas pela amizade, solidariedade na família e na vizinhança, já que esta aparece como parte integrante da família, nas aldeias remotas da infância do cineasta - La Mancha.

Ternura pelos mortos que se confundem com os vivos, numa trama surreal, aceitação da presença natural dos que nos deixam, num eterno sentimento de partilha.

Carinho pela crucial vivência de seres atingidos por doenças súbitas e incuráveis.

Sátira sóbria mas contundente dos reality shows que passa despercebida à maioria dos espectadores, tão impregnados dos contra valores que vigoram na sociedade actual.

Ataque duro e sem perdão aos maus tratos de crianças e adolescentes no seio da família. Almodóvar expõe os defeitos dos homens.

Volver é um filme de mulheres que me fez voltar a Ata-me (1990), Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988) e claro ao mais sensível de todos, Todo sobre mi Madre.

O conjunto de actrizes ganhou o prémio de "Melhor Interpretação Feminina" no Festival de Cannes 2006



Carmen Maura | Volver

Gostei imenso de rever Carmen Maura, essa excelente actriz, sempre tão presente nos seus primeiros filmes. É com ela que o filme ganha autenticidade.

Penélope Cruz só poderia tornar-se quase credível pelas mãos de Almodóvar. Mas nada explica a sua escolha para participar neste filme. Fantasias ou fétiche de realizador.

Banda sonora perfeita de Alberto Iglesias, em que Volver se destaca pela intensidade dramática, interpretado por Estrella Morente.

É o regresso de Almodóvar à sua terra natal, às sua raízes, a sua mãe.

Foi considerado o "Melhor Filme do Ano" pela
Fedéracion Internacional de la Crítica de Cine.


"Volver es un título que incluye varias vueltas para mi. He vuelto un poco más, a la comedia."

Pedro Almodóvar



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da tarde 

10.09.2006

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Thursday, September 07, 2006

Centenário Nascimento Agostinho da Silva 1906-2006





Agostinho da Silva em sua casa (1986)
http://www.agostinhodasilva.pt

"Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem não poderemos estar certos."

Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo - Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro, Ed. Ulmeiro, 1990

Miosótis (pseudónimo)


fragmento da noite com papoilas - para me regalar a vista, terei as papoulas - * a maneira mais sóbria de homenagear o pensador, som The Air that I Breath, Simply Red, It's Only Love, Warner Music UK, Ltd, 2000

7.09.2006

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Referências:


*Agostinho da Silva, Cadernos de Lembranças, Lisboa, manuscrito, 1986

Portal Agostinho da Silva
http://www.agostinhodasilva.pt

BNP | Agostinho da Silva (2006)
http://www.bn.pt/agenda/evento-agostinho-silva.html


Monday, September 04, 2006

Apontamentos intimistas




Fotografia: Moon rises over Earth
NASA/Handout/Reuters

http://news.yahoo.com

Antes de me deitar vou aspirar a noite. Do topo de minha pequena mas sobranceira varanda, como que procurando energias para o ano de trabalho que hoje recomeça.

A lua está linda, cor bem doirada, quente, lá longe. O firmamento em tom azul-rei, profusamente engalanado de estrelas tremulares de brilho argenteo, acolhe-a.

Um avião prepara-se para aterrar depois de circundar a lua, numa paradisíaca imagem da noite, numa cidade desconhecida.

Já devia estar a dormir. Amanhã, ou melhor daqui a algumas horas, há que levantar muito cedo, mas refugio-me no Universo que me dá aconchego.
Hoje recomeça um novo ano, mas o meu local de trabalho aniquila, em crescendo, a minha criatividade, e descaracteriza-me no quotidiano.


Asfixio. Fujo das invejas, maldades, farsas, marcações, por ser diferente e deixar um lastro luminoso, sem mesmo reparar. 


Sou íntegra e simples, o que me rodeia não me interessa. E a indiferença dói aos demais.


Avanço sem entusiasmo, sem alegria, entrego-me ao estiolar da minha alma profissional, num ambiente pardacento, monótono, coeso em maldades e cobiças a capella.

Lá fora, a noite convida-me a sonhar sempre e sempre. Ergo uma prece ao Universo e peço-lhe inspiração para continuar o meu percurso de poeta da vida. 


Mas nos corredores que atravesso, no dia a dia, não há estrelas nem lua caminhante, companheira de solidão.

Apenas a monotonia agonizante me espera...


Não sei como encarar mais um ano de desencanto, de 'prisão' de ideais e de actos soltos do meu ser feito de paixões pelo que faço !


A noite vai descer... a cidade dorme.



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

4.09.2006


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Sunday, September 03, 2006

Músicas e vozes que perduraram






Thom Yorke / Radiohead
4e Festival Rock en Seine 2006 
créditos: Stephane de Sakutin/APF
via Yahoo.News


Há grupos alternative pop-rock que têm lugar cativo em meus afectos musicais.

Posso citar The Verve, Skunk Anansie, Portishead, James, Radiohead. Quase todos dos anos 90 mas que em curto lapso de tempo se decompuseram. 


Que terá levado carreiras tão promissoras, em plena ascensão, grandes sucessos, a um tempo de ruptura prematuro?

Modernidade? Parca estrutura de grupo? Sucesso desequilibrante? Individualismo?


Se pensarmos em bandas como os Stones ou os U2 (anos 80) que continuam a tocar juntos há dezenas de anos, é no mínimo um fenómeno curioso.

Enfim, tudo não passa de extrapolação, mas imbuída de muita nostalgia pelo  desaparecimento de grupos extraordinários.


Facto concreto. Todos os vocalistas, precisamente o elemento que mais notoriedade tímbrica deu aos grupos, tentam uma carreira a solo. Fácil de entender.





Richard Ashcroft

É o caso de Richard Ashcroft, Skin, Beth Gibbons, Tim Booth e Thom Yorke.

Fico sempre na expectativa, quando sei que publicam trabalhos. Mas longe da sua intertextualidade musical, dificultam o despertar das emoções a eles ligadas. Perde-se a mística.


Todos estes grupos fazem sem dúvida parte do meu imaginário afectivo musical. Todas estas vozes, contextualizadas na sua génese, tocam profundamente em minha sensibilidade.

O sentimento continua fiel, mas serenamente virado para os temas originais, em grupo.

Thom Yorke publicou há pouco um álbum e esteve presente no 4e Festival Rock en Seine 2006.

Será que conseguiu trazer de volta tempos de músicas e afectos, momentos intensos, plenos de criatividade? Não sei...

É natural que encante os novos fãs pela fama que o cerca. Mas os fãs que o acompanharam nos anos de notoriedade dos
Radiohead... duvido!

A imortalidade de temas como Plastic Tree, Creep, com versões unplugged particularmente felizes continuam a soar, para sempre, como Radiohead.



"Como é estranho gostarem de nós assim."

Pedro Paixão, Boa Noite,
Edições Cotovia, 1993

(ano de publicação do 1º trabalho de Radiohead Pablo Honey do qual faz parte o meu tema favorito, Creep)

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da noite com flores

3.09.2006

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Wednesday, August 30, 2006

Afectos em dia de Agosto



Tranquility | Kevin Thom
http://www.kevinthom.com/



O amor não é para ser afastado


com o raciocínio, ou perdido em


alta ambição ou sede de grandeza:


é uma segunda vida, cresce e invade


a alma. Aquece cada veia e bate


em cada pulsação.


Autor desconhecido


Miosótis (pseudónimo)


fragmento do alvorecer do dia em tons azul indigo, résteas de lua supensa, som Lady Suite, Maxwell MTV Unplugged, Sony Music, 1997


30.08.2006
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Saturday, August 26, 2006

Turismo com Arte ?





Jardin des Tuileries | Paris
Jean Paul Pelissier/France Reuters
http://news.yahoo.com/


Mon Père qui êtes aux cieux

Restez-y

Jacques Prévert, Citations


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos de um instantâneo fotográfico irresistível! A pausa de um parisiense ou turista fruindo da Arte. 

Som Paris Love, Dingo, Chillout Xis, Universal Music Portugal, 2005/Público

26.08.2006

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Thursday, August 24, 2006

Patricia Barber




Patricia Barber | Verse
http://www.musica-la-vita.com

The coolest singer/songwriter around

Los Angeles Times

É sabido que tenho um gosto muito intimista pela música de jazz e particularmente pelo vocal jazz, quase sempre no feminino, já que as vozes masculinas não conseguem impor-se nesta área.




Patricia Barber chegou-me pelo sentir musical de alguém e num tema muito intimista Silent Partner

Miosótis (pseudónimo)

25.08.2006
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Sunday, August 20, 2006

Celebrar Mozart : Milos Forman & Agostinho da Silva






Wolfgang Amadeus Mozart
Johann Nepomuk della Croce (1736–1819)

"Mozart was a passionate dancer and attended at least 200 events and fancy-dress balls"

Austria celebra os 250 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart com um vasto programa de actividades denominado Viva Mozart ao longo do ano 2006.





Wolfgang Amadeus Mozart 

"todas as suas horas estão cheias de preocupação de dinheiro e talvez em nenhum artista se veja tão bem como em Mozart como a opressão económica as possibilidades dos homens; é certo que o seu canto vai sempre além das dificuldades monetárias, é certo que, mesmo nos dias piores, a fonte donde mana tem a pureza e a fresca harmonia das águas das montanhas; mas também é certo que as privações que lhe abreviaram a vida, que a doença que o mata aos 35 anos vem di excessivo trabalho, da falta de conforto, do íntimo desgosto perante a dureza do mundo; e é cheio de dor que Mozart sente que a morte se aproxima: não a teme por si própria, mas ela é o fim da contemplação deste mundo que tanto o encantava; não mais voltará a sentir a doce alegria das manhãs, nem o perfume das flores, nem a graça dos corpos femininos, nem a melancolia dos crepúsculos; não mais se poderá sentir irmão dos regatos e das aves, não mais as vibrações que lhe trarão as carícias dos seus reinos de sonho; a morte é um fim, um fim absoluto; mas sabem também que há-de viver na memória dos homens e que estes, a cada dia o hão-de compreender em maior número e melhor; que um Mozart eterno, renovando de hora a hora, a alegria e a beleza universais, há-de ficar para além do Mozart perecível que vai agonizar entre crise de lágrimas e relâmpagos de inspiração; no Requiem, que não chega a terminar, de que ainda, no último momento de consciência, indica, mal movendo os lábios, os toques de tambor, ele põe, juntamente com a tristeza de morrer, um canto de esperança, de confiança na vida, de certeza de que um dia ela será a gentil, preciosa, divina melodia de que sempre andou cheia a sua alma; deu-lhe batalha a existência e ele soube ganhá-la: fixou no eterno o que deve ser eterno e a melhor parte do seu ser pairou acima de todos os momentos imperfeitos; a vitória do espírito é completa com a música de Mozart; nem sabe a humanidade onde param os seus restos, porque os poucos amigos que lhe acompanhavam o enterro não tiveram coragem de romper com a tempestade de neve; mas a sua inspiração, o inultrapassável sentido de beleza, a união sem mácula da mais viva das sensibilidades e da mais pura das expressões, estarão sempre connosco, nas horas de alegria e nas horas de amargura, como um amparo, como um guia, como o Mestre mais alto de resignação heróica, de humildade e de amor, de graça inteligente e de universal simpatia. [...]

Agostinho da Silva, Mozart, Lisboa, s.n., 1941 (Iniciação, caderno de Informação Cultural), BN M. 2111 v.

in BNPortugal






Pareceu-me imprescindível associar a esta homenagem a Mozart dois autores que o celebraram, em diferentes áreas da arte. Na literatura,
 Agostinho da Siva e no cinema, Milos Forman. 





Amadeus
Milos Forman, 1984
créditos : Giphy

Não deixa de ser interessante relembrar que no ano 2006, ano em que se celebra o centenário de Agostinho da Silva, se celebre os 250 anos de Wolfgang Mozart.





Wolfgang Amadeus Mozart 
créditos: Time Life Pictures/Getty Images

Viva Mozart celebra este ano de 2006, os 250 anos do nascimento Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Mozart nasceu em Salzburgo, morreu em Viena.

Mais do que a efeméride, é dever da humanidade prestar tributo ao músico idolatrado pela corte, e que pobre, faminto, e muito doente, 
morre a escrever o seu Requiem (inacabado), para alimentar a família. Foi a enterrar em vala comum, no completo anonimato. 

"I fear I am writing a requiem for myself."

Wolfgang Amadeus Mozart


A sua intuição estava certa. Requiem de Mozart é o mais triste que já ouvi. Trespassa-nos a alma. Sentimos os seus últimos dias em cada nota, em cada sonoridade vocal. Um pungente e solitário  gemido final de uma beleza musical indescritível que Agostinho da Silva põe em palavras.






Wolfgang Amadeus Mozart
painting by Joseph-Siffred Duplessis
photograph: DEA/G Dagli Orti/De Agostini/Getty Images


A Biblioteca Nacional de Portugal teve patente uma exposição Mozart (1756-1791) de 1 a  30 Junho 2006.




Selo comemorativo 250 Anos/ Portugal
"Por ocasião dos 250 anos do nascimento de Mozart, a Biblioteca Nacional organiza, de 1 a 30 de Junho, na Sala de Referência, uma mostra de bibliografia portuguesa alusiva àquele músico, nascido em Salzburgo a 27 de Janeiro de 1756 e falecido em Viena a 5 de Dezembro de 1791."

BNPortugal




Amadeus 
Milos Forman, 1984

Amadeus (1984) de Milos Forman, considerado um dos 'Cem melhores filmes de sempre' é, sem dúvida, até hoje, e passados 250 anos, a maior homenagem feita a este talentoso compositor. Na minha opnião. Um obra-prima de sensibilidade e estética.

Ninguém captara a alma de Mozart como Milos Forman numa versão largamente ficcionada, e que nos aproxima ainda mais de Mozart. E nos descreve o menos talentoso Antonio Salieri. 

Milos Forman realizou o filme Amadeus em 1984. O guião foi escrito por Peter Shaffer, que adaptou a sua célebre peça de teatro Amadeus (1979) ao cinema. A peça foi inspirada na obra de  Pushkin Mozart and Salieri.

Forman é um dos melhores realizadores da sétima arte. Não esqueçamos o excepcional Voando sobre um Ninho de Cucos.






Amadeus
Milos Forman & Tom Hulce

A alegria, o talento, a irreverência, a solidão de um dos maiores músicos e compositores de música erudita. 
Eis a versão tão talentosa de Milos Forman.

Mozart é hoje um dos músicos mais tocados em todo o mundo.

Verdadeiros poemas musicados à vida compôs Mozart. Na sua música, tantos de nós buscamos refrigério para nossas almas.





First page of the autograph score of the aria “Conservati fedele” (K 23) 
by Wolfgang Amadeus Mozart, 1765

“Music is my life and my life is music.” 

 Wolfgang Amadeus Mozart


E sim. A música foi a sua vida desde os 6 anos, menino prodígio, até ao último dia de vida. 




Milos Forman, 1985
credits: Robert Clark / For The Times

Milos Forman morreu ontem, dia 13 Abril 2018. O grande realizador de origem checa, orfão de pais desde muito jovem, mortos em campos de concentração, durante  a 2ª Guerra Mundial. N
aturalizado  mais tarde norte-americano, deu vida a um dos mais belos filmes de sempre, Amadeus. Filme galardoado com oito Oscars na 57th Annual Academy Awards de Hollywood, Março 25, 1985.





Amadeus
Milos Forman,1984

Baseado na peça de Peter Shaffer, Amadeus retrata o génio musical do séc. XXVIII como um um adulto-criança irreverente, bem como o compositor menos dotado Antonio Salieri, como seu inimigo na sombra. 

A vida, sucessos e tormentas de Wolfgang Amadeus Mozart, contada por Antonio Salieri, o compositor contemporâneo e insanamente invejoso do talento de Mozart, acusando-se de ser ele próprio o causador da morte de Mozart. 

Um tributo merecido, dedicado a celebrar grandes nomes com um eixo comum. Mozart!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da manhã tardia, sons de reminiscência muito pessoal: Concerto Nº 23 em Lá Maior, K488.

Nostalgia. Tanta!

20.09.2006


actualizado em 14.04.2018
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Sunday, August 13, 2006

Leituras em azul indigo



Templo Poseidon/Atenas
Fotografia: Aris Messinis/AFP
http://news.yahoo.com/photos


O azul indigo tem uma simbólica que gostaria de referir com esta citação:

Think of me. I am the colour of silence. You hardly notice me, but without me you all become superficial. I represent thought and reflection, twilight and deep water. You need me for balance and contrast, for prayer and inner peace.

(autor desconhecido)

Talvez seja por estar em fase azul indigo que me impeço de escrever sobre meus sentires.


Deixo pequenos excertos de leituras feitas, outras iniciadas. Espero que possam fruir, tendo por imagem de fundo esta fabulosa panorâmica. Cativou-me pelo tom do azul em noite de lua cheia.

"O olfacto podia ser a terceira frente, a fronteira desconhecida para atacar o modo de entrar no subconsciente das pessoas sem que elas dêem por isso. Mais poderoso do que as palavras ou imagens, desconhecido, inexplorado, diferente."

Radhika Jha, Aroma, 
Publicações Dom Quixote, 2001

"Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para vos tirar do lugar onde estão. Sonhem com as estrelas para que possam pisar pelo menos a Lua. Sonhem com a Lua para que possam pisar pelo menos os altos montes. Sonhem com os altos montes para que possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações."

Augusto Cury, Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, 
Editora Pergaminho Lda., 2006

"A Irlanda é um país de poetas e de lendas, de sonhadores e rebeldes. E a música envolve todos por completo. São melodias para dançar ou chorar, para a batalha ou para o amor. Em tempos antigos, os harpistas viajavam de um lugar para outro, (...) Os harpistas e os seanachais - os contadores de histórias - eram bem recebidos por toda a parte, [...]. O dom que espalhavam pela Irlanda era sempre apreciado, mesmo nos palácios do mundo das fadas, sob as verdes colinas.

(...)
pegou numa partitura e sentou-se ao piano. Com alguma dificuldade, mordendo o lábio, encontrou o dó médio no meio do teclado. Lentamente começou a tocar, uma nota de cada vez.

Era adorável, é claro. Tudo o que Shawn compunha era lindo. (...) Ele acrescentara palavras àquela melodia, como fazia com frequência. Brenna limpou a garganta e tentou adaptar a voz a cada nota.

À noite, quando estou sozinho e a lua derrama
as suas lágrimas,
sei que o mundo voltaria a ser maravilhoso
se estivesses aqui.
Sem ti, o meu coração fica vazio,
apenas com a lembrança que guarda.
Tu só tu existes dentro de mim, à noite,
quando a lua chora.

Brenna parou. Suspirou já que não havia ninguém que a ouvisse. As canções de Shawn deixavam-na sempre comovida, mas desta vez era um pouco mais profundo. E um pouco mais genuíno.
Lágrimas da lua pensou ela. Pérolas para Lady Gwen. Um amor que pedia mas que não podia ser atendido."

Nora Roberts, As Lágrimas da Lua, 
Saída de Emergência, Edições Fio da Navalha, 2006


"Não chegara ainda à adolescência, quando o Papagaio Verde adoeceu, (...) 
Um dia, quando arquejante da rua e das escadas, cheguei à varanda e o Papagaio Verde estava inerte, (...) Levei-o para a sala, deitei-o nas almofadas, puxei a cadeira para junto do piano, e, enquanto com os dedos da mão esquerda lhe apertava a pata, toquei só com a direita a música de que ele mais gostava. As lágrimas embaciavam-me as teclas, não me deixando ver distintamente. Senti que os dedos dele apertavam os meus."

Jorge de Sena, Homenagem ao Papagaio Verde e outros contos, 
Público, 2004

" - Mais uma metáfora - alvitro eu.
- Exactamente. Uma recíproca metáfora. As coisas no exterior são projecções do que tens dentro de ti, e o que tens dentro de ti é uma projecção do que te rodeia. Por isso, quando entras no labirinto exterior que te cerca, estás ao mesmo tempo a penetrar no teu labirinto interior. Uma odisseia perigosa, sem sombra de dúvida."

Haruki Murakami, Kafka à beira-mar, 
Casa das Letras/Editoral Notícias, 2006


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, som de Eliane Elias, Time alone, Dreamer, BMG Music, 2004


15.08.2006

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