Sunday, March 11, 2007

Afectos em tonalidades soltas



Pintura: Quaresma
http://www.manuelalegre.com


Em sonhos leves

e aromas oscilantes

os sons de ternura

espalham-se em

fragrâncias.

Lufadas leves

macias, suaves.


Uma névoa fina desliza na melancolia em busca das cores

que aquecem

os afectos estampados nas tonalidades da Primavera.


Doce e repentina
ronda a tarde de um sol no horizonte, alargando o tempo

em júbilo de mil cores.


Uma fatia de sol

bate-me em cheio

e inunda a alma


Então beijo-te!

Assim como quem poisa um flor de perfumes em doce abraço.



(C)Miosótis (pseudónimo)



fragmentos da noite com flores em alquimias de sentires

11.03.2007


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Saturday, March 03, 2007

Lua Vermelha





Fotografia: Adalberto Roque| AFP 2007
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.  (...)


Natália Correia, Passaporte, Poema destinado a haver domingo, 1958


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite do eclipse total da Lua com aroma de magnólias num tempo de névoas primaveris

3.03.2007
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Referência: Ver galeria de fotos em Público




Saturday, February 24, 2007

David Mourão-Ferreira (1927-2007)




Fotografia: Stan Honda/AFP 2007

http://news.yhoo.com/photos



E por vezes

E por vezes as noites duram mesesE por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamosnunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meseso que a noite nos fez em muitos anosE por vezes fingimos que lembramosE por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanossó o sarro das noites não dos meseslá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramosE por vezes por vezes ah por vezesnum segundo se envolam tantos anos

David Mourão-Ferreira, poeta, ficcionista, ensaísta, crítico literário, dramaturgo, tradutor e professor universitário, faria hoje 80 anos.

Miosótis (pseudónimo)

fragmento da tarde com flores para um dos poetas maiores da lusa língua

24.02.2007

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Saturday, February 17, 2007

À contra-luz





Fotografia: Timothy A Clary/AFP 2007

http://news.yahoo.com/photos


(...)
ou cada uma das tuas palavras, palavras,
palavras numa língua de céus impossíveis.

José Luís Peixoto, O Amor, A Casa a Escuridão


Nada se pode presumir porque cada ser é, sem dúvida, portador da sua própria essência.

No entanto sou levada a concluir que por trás de todos os 'fingimentos', a essência passa envolta nos olhares que poisamos e nas palavras escorridas dos nossos dedos.

Sem dualidades, devemos transparecer perante todos, e profundamente perante os que amamos, o nosso profundo ser

sincero, torturado

fresco, carinhoso

agressivo, espontâneo

pessimista, cativante.


Nada vale nada se não somos autênticos! Comecemos por nós e saibamos transmitir aos outros esse ser capaz!

Suspensos em perfumes de alma ... 


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite Bird Girl, Antony

18.02.2007

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Wednesday, February 14, 2007

Um dia supostamente diferente...







via Google Images Archive



Quando à noite desfolho e trinco as rosas

É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas. 


Sophia Mello Breyner Andresen, As Rosas, Dia do Mar



Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores em fragrâncias de rosas

14.02.2007

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Sunday, February 11, 2007

Noite dos silêncios





Fotografia: Nigel Treblin/AFP/DDP 2007
http://news.yahoo.com/photos

Noite sem estrelas, um céu de pranto feito, enevoamento das luzes tremulares, ondas de brisas mudas varrem a cidade... espaço sem murmúrios.

O silêncio pôs-se na paisagem. Intensamente!

Talvez a sensação desse desconforto quedado em meu olhar me faça aquecer a noite lacrimosa com a luz que emana das velas poisadas por dedos ternamente caridosos!


(...) Vens
com a luz branca da noite.Desenhas
o contorno da tua ausência.(...)

Nuno Júdice, Dança de luz
Miosótis (pseudónimo)
fragmentos da noite com flores sem fragrâncias na cidade do desencontro dos tempos

11.02.2007

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Sunday, February 04, 2007

Bobby : um filme sobre Robert F. Kennedy !




Bobby 
Emílio Estevez, 2006

"We've had difficult times in the past. We will have difficult times in the future. It is not the end of violence; it is not the end of lawlessness; it is not the end of disorder."

Robert F. Kennedy, April 3rd 1968


Um visão discutível, para alguns! Uma homenagem para outros! Uma mensagem acima de tudo, a trinta anos de distância, com uma actualidade inquestionável.

Quando vemos as imagens e ouvimos ou lemos as notícias que nos chegam de todo o mundo, concluímos, sem sombra de dúvida, que é urgente parar para reflectir e mudar radicalmente as directrizes que flagelam milhares de vidas!





Robert F. Kennedy
credits: JFK Library

Bobby baseia-se nos últimos momentos de Robert F. Kennedy [1925-1968], durante a sua campanha na Califórnia. Retrata a noite em que Bobby Kennedy foi assassinado no Ambassador Hotel em Los Angeles, recriado virtualmente no filme.





Robert Kennedy
credits: Warren Winterbottom/AP
Emílio Estevez, 2006


No entanto, o argumento não se centra em Robert Kennedy. Apresenta uma série de personagens que representam o microcosmos social e politico da sociedade americana, numa época de grande contestação social - problemas raciais, Guerra do VietNam, a pobreza de certos estados, desigualdade de oportunidades. 

Vinte e duas pessoas, de todas as idades, quadrantes sociais e raciais, estarão no centro do acontecimento - a morte do político. O mítico concorrente à Casa Branca, num dos maiores incidentes do século XX que fez extinguir a esperança na mudança.





Bobby 
Emílio Estevez, 2006

É uma jornada ficcionada, mas que bem podia ser real, de tão verosímel. Uma viagem afectiva, igualmente, se atentarmos ao genérico final. 

Uma sucessão de fotografias de Bobby Kennedy e da família Kennedy apoiadas no tema Never Gonna My Faith interpretado por Aretha Franklin & Mary J. Blige.





John, Robert & Edward Kennedy
credits: AP
via The Telegraph

Realizado e escrito por Emilio Estevez, filho de Martin Sheen - que aliás faz parte do elenco - apresenta um fabuloso conjunto de actores. Actores excepcionais. Um filme que tenta projectar a América de 1968 para a América de 2006.

"É um filme anti-violência, uma celebração do espírito humano, a celebração de uma voz importante que perdemos. Precisamos encontrar essa voz outra vez. Robert Kennedy era um fonte incrível de inspiração. Ele tocou as pessoas, ele inspirou pessoas como nenhum outro político, porque não era apenas um político, era um idealista."

Emilio Estevez






Bobby 
Sharon Stone & William A. Macy
Emílio Estevez, 2006


Bobby obteve duas nomeações nos Golden Globe Awards (2007), uma das quais como Melhor Filme e Melhor Canção Original. Também vários outros prémios e nomeações.

Passou em competição no Festival Internacional de Cinema de Veneza (2006), ainda em work in progress. Emílio Estevez, nomeado para o Golden Globe (realização). Vencedor na categoria BiograFilm Award.





Robert Kennedy [1925-1968]
créditos: Autor não identificado
via NetFlix


My favorite poem... my favorite poet was Aeschylus. And once he wrote:

Even in our sleep, pain which can not forget
falls drop by drop upon the heart,
until, in our own despair,
against our will,
comes wisdom
through the awful grace of God.

Robert F. Kennedy, 4 April 1968


Miosótis (pseudónimo)


fragmentos da noite com flores, tributo a Robert Kennedy, John Kennedy, Martin Luther King


Hoje, dia 20 Novembro 2020, Robert Kennedy faria 95 anos. 

04.02.2007

actualizado:20.11.2020
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Saturday, January 27, 2007

Tempos de reflexão





Fotografia: Pierre Philippe Marcou|AFP 2006
http://news.yahoo.com/photos


Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista?Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul à busca da beleza.

Mário de Sá-Carneiro, Partida, Paris Fevereiro de 1913



Sem dúvida que o meu espaço é peculiar! Os textos que vou deixando fluir espalham palavras de sensibilidade numa miscelânea de sentires, e eu abro fendas em minh'alma.

Não fujo a esse princípio!


Deixo vislumbrar afectos contidos, ternura no modo como vejo a Natureza que me envolve, solidariedade junto dos que sinto em sofrimento! 


Não sou muito optimista! Tenho plena consciência do mal que percorre o Mundo, mas devo deixar caídos meus pessimismos perante o Homem absurdo que hoje temos a vagabundear... e vislumbrar muito para além do Horizonte um espaço feito de afectos.

Ergo minha sensibilidade maior e deixo escorrer palavras de esperança que aspiro para todos os seres, e ardentemente para mim!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em que o silêncio se faz ouvir nas pausas do teclado

28.01.2007
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Wednesday, January 17, 2007

Babel - o filme






Babel
Alejandro G. Iñárritu,2006



"Je ne sais pas s'il s'agit d'un instantané du monde. J'essaie de montrer ce qui se passe en nous. Nous considérons toujours "l'autre" comme une menace si on n'arrive pas à le comprendre. Cela concerne les pays mais aussi un père et son fils ou des époux. Nous ne sommes plus capables d'écouter. Le thème s'articule autour des idées préconçues, de nos préjugés, de tous ces archétypes qui nous viennent de la religion, de la race, de la culture. J'ai essayé de les mettre en exergue sans en être victime moi-même."

Alejandro Gonzáles Iñárritu


Estas as palavras com que Alejandro González Iñárritu fala sobre a mensagem do seu ultimo filme Babel.


Depois de
Amores Perros, 21 Grams, o realizador dá por concluída a sua trilogia do sofrimento.


Vi os três! O que mais me impressionou foi sem dúvida o segundo -
21 Gramas - esplêndida e tocante interpretaç
ão de Sean Penn.


Babel carrega uma conotação fortemente bíblica e segundo as profecias estaria ligada à multiplicidades de idiomas falados a nível global.


Isso explica que o filme percorra três continentes e seja falado em cinco idiomas, para além da linguagem gestual.






O elenco de actores é apelativo! Cate Blanchett, Brad Pitt, Gael García Bernal são os mais conhecidos.


Sobre os dois primeiros, nada de interessante! E Gael García Bernal estava ainda muito presente com a sua terna e divertida interpretação no filme
A Ciência dos Sonhos
Confesso! Gostei bastante mais de o ver no papel de Stéphane!


Os actores desconhecidos é que me surpreenderam e me emocionaram!


A mexicana Adriana Barraza numa interpretação de coragem, doçura silenciosa e espírito de lealdade, a jovem japonesa Köji Yakusho no papel de uma adolescente surda-muda, enfrentando seus fantasmas, profunda solidão e estigmas próprios e o marroquino Mohamed Akhzam pela incansável solidariedade.





A mensagem passa pela miscigenação de culturas, povos, costumes, estados de alma e sentires, em diálogos babélicos.


Babel fez-me revisitar um filme que passou despercebido ao grande público, no momento da sua comercialização, antes de ser nomeado em 2004 - Crash realizado por David Cronemberg, outro grande autor.


Aqui, tudo se passa na mesma cidade, Los Angeles. Várias pessoas se vão entrecruzanso, tal como em
Babel, só que com uma intensidade tão autêntica e tão dramática que supera incondicionalmente Babel.






Babel
Alejandro G. Iñárritu, 2006


Babel acaba de arrecadar o Golden Globe na categoria "Melhor Filme Dramático". Talvez uma vitória de cariz político?!


Em arte, o factor subjectividade é tão avassalador que recomendo que vejam o filme para se deixarem conduzir pelas vossas próprias impressões.


Cada ser gere a sua poética intimista com uma enorme componente de sensibilidade!



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, World Citizen-I won't be disappointed, David Sylvian & Ryuichi Sakamoto (banda sonora do filme)

19.01.2007

actualizado 21.06.2026

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Saturday, January 13, 2007

Metáfora de um momento






Fotografia:Jean Philippe Ksiazek/ AP 2006


http://news.yahoo.com/photos




Hoje
num vazio
frio frio
desafecto
sem um gesto
de ternura
sentido
desilusão
em mim poisou.


Porquê?

Porque?!

Por vezes bastam coisas sem importância, outras com muita importância para coartar uma alma. E três palavras podem chegar como pedras lançadas em riste!



Então em doce olhar, melancólico, revoltado olhar, ela solta movimentos no areal da existência, ao som pungente e profundo do trompete que ecoa no silêncio da noite da cidade, levando mágoas soltas em organzas azuis como ondas oceânicas desabridas.

Por fim, em gestos brandos, ela baixa os braços e pára. Recolhe seu firmamento de esperanças.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite de sábado sem flores, som Miles Daves, Round Midnight, Miles Cool & Collected, Sony BMG 2006

13.01.2007


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Saturday, January 06, 2007

Filme - A Ciência dos Sonhos ! A ver !






Michel Gondry, 2006


"Another WILD SURREAL and endlessly FASCINATING film from Gondry"

Dennis Dermody, Paper Magazine


Foi com agrado que me refugiei numa sala de cinema, durante esta época movimentada de festas, para tranquilamente ver a última obra de Michel Gondry, A Ciência dos Sonhos, tradução para português The Science of Sleep


Depois de O Despertar da Mente2004, Gondry faz nova incursão ao mundo dos sonhos onde dá asas à sua imaginação.


Stéphane, um jovem mexicano recém-chegado a Paris, desmotivado pelo seu dia a dia monótono, como colaborador de uma empresa de calendários, vive refugiado num mundo de sonhos que constrói a seu bel-prazer, numa transposição feérica de pequenas emissões televisivas, por trás de uma câmara e um cenário em papel de multicoloridas texturas.


A receita para sonhar com que Stéphane inicia a sua emissão é uma verdadeira iguaria de condimentos de vida que levará qualquer um de nós a querer repeti-la!





Stéphane & Stéphanie
Gabriel García Bernal & Charlotte Gainsborough
Michel Gondry, 2006



Ao lado do seu apartamento, vem instalar-se uma jovem, Stéphanie, que vai começar a participar, levada pelo acaso, deste mundo fantástico e encantador em que Stéphane mergulha tão frequentemente e que dificilmente distingue a realidade da fantasia.


A partir daqui desenrola-se uma história terna, divertida, imensamente fresca onde mergulhamos com simpatia e uma alegria quase pueril e bem gostosa ao descobrirmos que, também nós, podemos experienciar a fantasia onírica da personagem principal como permutáveis espectadores.


Nela se cruzam meia dúzia de personagens bizarras, divertidas, muito humanas, nos seus vícios e virtudes, cada uma a seu jeito, com imensos momentos de franca comedia dell'arte.





Gabriel García Bernal
Michel Gondry, 2006


Sem dúvida que
Gael García Bernal imprime uma dinâmica fresca e jocosa que dificilmente nos retira o sorriso até final! Esplêndida lufada de ternura e boa disposição!





Stéphane & Stéphanie
Gabriel García Bernal & Charlotte Gainsborough
Michel Gondry, 2006


Há uma tentativa de lançar a filha do célebre compositor francês Serge Gainsbourg, Charlotte Gainsbourg que redunda em mero esquisso. Tal como mãe - aliás o aproveitamento da imagem física não passa de uma colagem - nunca conseguiu impor-se nem como cantora nem como actriz. É monótona demais.


Um filme onde se remisturam referências exuberantes de
Almodovar e Roberto Benigni.







O sítio web de apresentação do filme é uma criativa diversão, bem meritória da realização visionária de Gondry. (desactivado)


actualizado 11.01.2026


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