Friday, November 14, 2014

Quanto outono ausente




Foto : José Oliveira 

Não vou mentir. Este Outono ausente faz-me desbravar o vento sem aquela doce melancolia dos dias de introversão lenta, a preparação necessária para entrar no Inverno do meu recolhimento.

November comes
And November goes,
With the last red berries
And the first white snows.

With night coming early,
And dawn coming late,
And ice in the bucket
And frost by the gate.

The fires burn
And the kettles sing,
And earth sinks to rest
Until next spring.” 

Clyde Watson


E o ritual não se cumpriu. Fecho-me em sliêncios. A cortina,agora em tom mais sombrio, encerra meus ténues e tristes pensamentos. Até Primavera voltar?

Já pouco olho para a natureza. Está fria, escura, cheia de chuva. Ventos bravios como se fugidos do mar encrespado, furioso, encerram as janelas.

Ando por aqui como que sonâmbula de uma noite que cheira a desconforto. Sacudo os arrepios de frio, puxo a malha quente em torno do meu corpo para me afagar, como num abraço de afecto que não chega. 



Foto : José Oliveira

Devagar, encerro os olhos e reencontro-me lá muito mais longe, na Primavera futura. Será?

Sei que a vida não  prepara para este abrupto tempo. Mas convida-nos a reagir, sempre. As pálpebras cerram, buscam descanso. 

O firmanento lá fora está cor de bréu. Não há estrelas, nem voz para uma prece. Silêncios.

Miósotis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

14.11.2014
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