Saturday, January 25, 2020

Les Cesars 2020 : Cartaz homenageia Anna Karina





Affiche 45e Cérimonie des Cesars 2020
© Photographie : Georges Dambier 1959

"Une femme sublime, souriante, élégante, et tournée vers l’avenir : une immense actrice !"

Les Cesars 2020

A 45e Cérimónie des Cesars divulgou ontem, 24 Janeiro, o cartaz que homenageia o ícone da Nouvelle Vague, Anna Karina.

A actriz Anna Karina, musa de Jean-Luc Godard, símbolo da Nouvelle Vague, morreu no final de 2019, 14 Dezembro, em Paris.

A Cerimónia de l'Académie des Arts et Techniques du Cinéma terá lugar na mítica sala Pleyel no dia 28 Fevereiro 2020, pelas 21:30, com transmissão directa via Canal +

"Anna Karina était la magnifique incarnation de la femme à la fois libertaire et ingénue. Ce mélange savoureux, cette beauté incandescente, l'évidence d'un immense talent d'actrice, ont alimenté nombre de films des grands réalisateurs de la Nouvelle Vague : Rivette, Varda, Visconti, Schlöndorff... et évidemment Godard, avec qui elle a tourné pas moins de 7 films."


Anna Karina foi companheira de Jean-Luc Godard, numa relação intensa, mas complexa.


Sob a sua direcção, Karina interpretou sete filmes. Entre eles, o marcante Pierrot Le Fou que Festival de Cannes homenageou na sua 71ª edição,  neste Cartaz do Festival. Belíssimo.





Cartaz Cannes 2018
Anna Karina & Jean-Paul Belmondo
Pierrot le Fou
© Photographie : Georges Pierre

As nomeações para Les César 2020 serão anunciadas no dia 29 Janeiro. 
Até lá, fiquemos com estas duas imagens encantadoras. 

"Je crois qu’on est toujours responsable de ce qu’on fait, et libre,"

Anna Karina, Vivre sa Vie (1962)


Miosótis (pseudónimo)

25.01.2020

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Sunday, December 22, 2019

Natal : A mais terna das noites





créditos: Tyler Delgado
via My Habitat



Eu vinha, pé ante pé, em busca da pequena porta
que dava acesso aos mistérios da noite,
daquela noite em particular, por ser a mais terna
de todas as noites que a minha memória
era capaz de guardar, com letras e sons,
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis.
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos,
a lembrança de outras noites e de outros dias,
os brinquedos cansados da solidão dos quartos,
os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis.
E todos me diziam que era ainda muito cedo,
porque a meia-noite morava já dentro do sono,
no território dos anjos e dos outros seres alados,
hora inatingível a clamar pela nossa paciência,
meninos hirtos de olhos fixos na claridade
enganadora de uma árvore sem nome. 

(...)


José Jorge Letria, Natal

Miosótis (pseudónimo)

22.12.2019


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Wednesday, November 06, 2019

Novembro : Lembrando Sophia & Jorge de Sena ! 100 anos





Sophia Mello Breyner
créditos: Daniel Rocha
via Público


A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres.
A folhagem cerrada das roseiras
Sophia, Novembro
«Eles escreveram, eles foram e são lidos. São estudados, são citados. Eles celebram o seu centenário entre estes primeiros dias do mês de novembro — assim, no presente, porque é preciso resistir “um pouco mais à morte que é de todos e virá” e, mesmo que se morra, “o poema encontrará uma praia onde quebrar suas ondas”.» 
in Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen: A Amizade, A Obra e a  Vida numa Conversa para ouvir em Cartas e Versos
Ninguém melhor para falar de Novembro do que Sophia de Mello Breyner. Nascida, neste dia, 6 Novembro, expressou Novembro tão poeticamente.

“Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter — nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite”.

Sophia, Obra Poética

Nesta semana de Novembro, nasceram dois grandes vultos das letras e cultura portuguesa. Sophia e Jorge de Sena. Celebram-se 100 anos do nascimento destes autores, em 1919.

Sophia tem com merecimento um Centenário Nacional a decorrer. Sena, com igual merecimento, a pátria amada continua a negar-lhe o reconhecimento. Até depois da morte.


Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço

A pouca sorte de nascido nela. 

Sena, A Portugal



Jorge de Sena
créditos: Eduardo Gageiro

Jorge de Sena nasceu no dia 2 Novembro e Sophia neste dia, 6 Novembro. Os dois em 1919.


Escrevi sempre sem ter consciência disso, quando era criança. E por volta de quando tinha 16 anos comecei a escrever conscientemente de que escrevia”,
Sena
"Há mesmo quem compare as várias e justas celebrações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen com as escassas iniciativas a propósito do centenário de Jorge de Sena, quatro dias mais velho do que Sophia."
Francisco Sarsfield Cabral



Jorge de Sena & Sophia Mello Breyner 
créditos: via Público


Recordem-se Sophia e Jorge de Sena. Sophia sempre viveu em Portugal. Sena exilado desde
 muito novo. Primeiro no Brasil, e depois nos Estados onde foi professor universitário.

Novembro de 1919. Apenas quatro dias separam os nascimentos de Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen, que viriam a crescer poetas. E poetas amigos, próximos,  apesar dos quilómetros que os separavam.

"A verdade é que Sophia e Sena eram admiradores mútuos e grandes amigos. Em 2006 foi publicado um livro (ed. Guerra & Paz) bem interessante, com a correspondência entre ambos."

Francisco Sarsfield Cabral

Apenas me vou focar na poesia que os unia. Tanto mais haveria a escrever. A música, as artes plásticas, o cinema.

O mar une-os. Talvez por isso eu os admire tanto! Não, não só. O mar foi de Sena e de Sophia, por diferentes motivos. O mar que os dois escreveram.


Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
Sophia, Mar

Conheço o sal que resta em minha mãos.
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Sena, Conheço o Sal

É quase difícil distinguir a poesia de Sophia e Sena sobre o mar!

Estes dois grandes vultos das letras portuguesas do século XX mantiveram em vida, uma profunda amizade que ficou registada. Entre outros escritos, na correspondência regular, desde o final dos anos 50, após o exílio de Sena, e que constitui não só uma obra da literatura e da estética, como um retrato da época, até aos anos 70.





Sophia de Mello Breyner
Jorge de Sena 
Correspondência de 1959-1970
editora Guerra & Paz

Desculpe o longo silêncio: você sabe que eu tenho a maior vocação para falar ao telefone e nenhuma vocação para escrever cartas.
Aliás ando terrivelmente dispersa sem conjugar ideias.

Sophia, Correspondência


Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
Jorge de Sena, Uma Pequena Luz Bruxuleante


Apagando a distância, Sena e Sophia falaram de tudo um pouco. Mas é notória a discussão em torno das suas obras e dos percursos criativos de cada um. Pelo meio das cartas surgiam, então, pedaços de poesia.

Belos instantes, neste sombrio mês de Novembro. Lembrar Sophia e Jorge de Sena!



Homenagem Google Doodle 103º Aniversário de Sophia Mello Breyner
doodler: Matthew Cruickshank

Neste dia, 06 de Novembro 2022, Google faz uma homenagem a esta grande poeta portuguesa com um Doodle alusivo à temática Mar, tão presente na sua obra

“When I die I will return to seek

The moments I did not live by the sea.”


Poem by Sophia de Mello Breyner which inspired the Doodle artwork


Fragmentos da noite com flores 

Miosótis (pseudónimo)

06.11.2019

actualizado 06.11.2022
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Sunday, August 25, 2019

Celebrando Leonard Bernstein !






Leonard Bernstein
via Greenville Symphonic Orchestra

"Music can name the unnameable and communicate the unknowable."

Leonard Bernstein

Leonard Bernstein faria neste dia, 25 de Agosto, 101 anos. Compositor, chefe de orquestra, pianista, educador marcou gerações com o seus concertos comentados.






De Agosto 2018, a Agosto 2019, celebrou-se em todo o mundo o seu Centenário. Concertos, exposições, e outros eventos ligados ao seu forte cariz pedagógico. Muitos jovens a ele devem o gosto pela música.

No dia 25 de Agosto 2018, a Google homenageou o 100º aniversário de Bernstein com um Doodle interactivo que me encantou! Transmite muito do que foi o homem, o músico e o pedagogo. Originalidade e muita admiração.







O cinema também o imortalizou com o musical West Side Story, a adaptação da obra de Shakespeare Romeo and Juliette, mas transportada para os bairros de Nova Iorque, anos 50. Música de Leonard Bernstein.






Para celebrar o seu Centenário, a exposição Leonard Bernstein: The Power of Music organizada pelo National Museum of American Jewish History, esteve patente de Março a Setembro 2018. Encontra-se agora em tournée.





Exposição Leonard Bernstein: The Power of Music
créditos: National Museum of American Jewish History

Pode fazer uma visita virtual aqui. Todas as images são clicáveis! Clique em qualquer foto para aumentar a imagem, ler o texto ou explorar um objecto mais de perto. Oiça Ivy Weingram, curador da exposição através dos video-clips.





Exposição Leonard Bernstein: The Power of Music
créditos: AP Photo/Matt Slocum


Leonard Bernstein é uma figura invulgar no meio musical. É considerado um dos maiores compositores e chefes de orquestra do século XX.

A sua obra pedagógica, nos célebres concertos comentados para jovens, continuam a ser uma referência para crianças e adultos 






Leonard Bernstein

"I'm not interested in having an orchestra sound like itself. I want it to sound like the composer."

Leonard Bernstein

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

25.08.2019
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Wednesday, June 05, 2019

Agustina Bessa-Luís : tributo





Agustina Bessa-Luís 
via Facebook

“Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração.”

Agustina Bessa-Luís
in Contemplação Carinhosa da Angústia" (2000)





Contemplação Carinhosa da Angústia
Agustina Bessa-Luís, 2000

“Eu tenho só uma [vocação], que é escrever. Usar a palavra, dar-lhe vida, confiar nela para que nela vejam verdades poderosas, como a de sermos destinados a coisas maravilhosas. Falar no maravilhoso, hoje em dia, é um risco muito grande. Que digo eu? Um risco, não; uma espécie de loucura. Sejamos loucos quando os sensatos falham, e vamos pensando como encarar o maravilhoso.”

Agustina Bessa-Luís,
in Dicionário Imperfeito, 2008




Agustina Bessa-Luís 
créditos: Autor não identificado 

“O amor está relacionado com a memória. Ama-se só o que nos recorda alguma coisa ou alguém. A memória é um estado de afeição. Em amor, a improvisação não existe.”

"Crónica da Manhã" Outubro, 1978


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores

05.06.2019
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Saturday, April 20, 2019

Páscoa : A simbólica de Notre Dame de Paris !






Notre Dame de Paris
créditos: Benoît Tessier/ REUTERS





Pietà
Notre Dame de Paris
créditos: Christophe Petit Tesson/POOL/EPA-EFE/
REX/Shutterstock


"Tous les yeux s’étaient levés vers le haut de l’église. Ce qu’ils voyaient était extraordinaire. Sur le sommet de la galerie la plus élevée, plus haut que la rosace centrale, il y avait une grande flamme qui montait entre les deux clochers avec des tourbillons d’étincelles, une grande flamme désordonnée et furieuse dont le vent emportait par moments un lambeau dans la fumée."

Victor Hugo, in Notre Dame de Paris, 1831

O drama a que assistimos, comovidos, em directo pela televisão e nos media, levou-me a reler este excerto da obra de Victor Hugo.  O simbolismo que em Notre Dame se quiser encontrar, leva-nos sempre a Victor Hugo. E o excerto então! Premonição?

A acreditar no seu biógrafo Graham Robb, o que entusiasmava a maior parte dos turistas, era o costume de um guia que, apontando para uma janela junto à torre do lado do Sena, dizia a quem o seguia, que Victor Hugo ali havia escrito Notre-Dame de Paris.

Os homens, quando querem, fazem nascer lendas. Ou renascer das cinzas um novo amanhecer. Contudo, nada será igual ao que antes estava erguido. 

Ficam as memórias das visitas, ao local sagrado. A Pietà que me levava sempre a emudecer perante tal cruel dor, espelhada na expressão.






Première page du manuscrit 
de Notre-Dame de Paris (BNF)

Memórias alimentadas também pelo romance histórico Notre Dame de Paris (1831) de Victor Hugo, estudado, revisitado tantas vezes. 

E pelo filme que meus pais me referiram, quando muito mais tarde visitei pela  primeira vez a catedral. Notre Dame de Paris, do realizador francês Jean Delannoy (1956). 

Embora os especialistas considerem que a melhor adaptação de Notre Dame de Paris date de 1939, com realização do alemão William Dieterle, radicado nos Estados Unidos

As Gárgulas resistiram ao fogo. Que sejam elas a manter a magia desta catedral na sua reconstrução. 

Que a luz de Paris ilumine o negro que caiu sobre Notre-Dame de Paris.






E a meditação de Páscoa seja mais doce, para que a serenidade do tempo se refugie na alma, com encantamento, ao som do chilrear fresco dos pássaros. A Primavera adentra-se. 


Miosótis (pseudónimo)

20.04.2019

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