Showing posts with label José Saramago. Show all posts
Showing posts with label José Saramago. Show all posts

Saturday, June 19, 2010

A José Saramago [1922-2010] : Comemorações do Centenário a encerrar !





créditos: Kate Carter

"Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único."

José Saramago

in El País Semanal, Madrid, 29 Novembro 1998

Outros cadernos de Saramago, blogue

Morreu José Saramago. Independentemente das reacções que as suas palavras puderam despoletar, sempre distingui o homem do escritor. Assim, respeitei a sua postura na vida. Admirei essencialmente a sua escrita! 

José Saramago laureado com o Prémio Nobel da Literatura, 1998 é um dos maiores escritores portugueses. Reconhecido mundialmente, com obras traduzidas em mais de 30 países. 

Uma escrita inovadora, sem sintaxe escolástica, vocabulário cuidado, num estilo muito próprio.

Li uma parte substancial da sua obra, primeiro por missão, depois por gosto. Não amei todos os seus livros. Mas tenho afectos: O Ano da Morte de Ricardo Reis, Memorial do Convento, Ensaio sobre a Cegueira, A Caverna, entre  outros!





José Saramago [1922-2010]


"Há momentos assim na vida: descobre-se inesperadamente que a perfeição existe, que é também ela uma pequena esfera que viaja no tempo, vazia, transparente, luminosa, e que às vezes (raras vezes) vem na nossa direcção, rodeia-nos por breves instantes e continua para outras paragens e outras gentes."

José Saramago
in Manual de Pintura e Caligrafia
Ed. Caminho, 6.ª ed., p. 291
(selecção de Diego Mesa)


Outros cadernos de Saramago, blogue





Centenário José Saramago
créditos: Fundação José Saramago

No dia 16 Novembro 2022 terminam as celebrações do Centenário José Saramago que decorreram ao longo de um ano, desde 16 Novembro 2021. 

Foram muitas as manifestações culturais, desde a literatura à artes em geral. Consultar os Cadernos do Centenário




Centenário José Saramago


Um ciclo de cinema dedicado a José Saramago, leituras das suas obras, visitas guiadas à Fundação Saramago, em Lisboa, e à sua casa em Lanzarote encerram as comemorações do Centenário.

"Eu sou tão pessimista que acho que a humanidade não tem remédio. Vamos de desastre em desastre e não aprendemos com os erros. Para solucionar alguns dos problemas da humanidade, os meios existem e contudo não são utilizados. 

As palavras do viajante,  
in Expresso, Novembro 1991 (a propósito do conflito na Síria, ndr)

Nunca estas palavras foram tão actuais! Para mal da Humanidade. 

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores...  a Saramago

19.06.2010

actualizado 16.11.2021
Copyright ©20021-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®



Wednesday, June 03, 2009

Silêncios





Solitaire in Silence
painting : artista não identificado
http://artpridenj.com/

«É tão fundo o silêncio entre as estrelas.

Nem o som da palavra se propaga,

Nem o canto das aves milagrosas.

Mas lá, entre as estrelas, onde somos

Um astro recriado, é que se ouve

O íntimo rumor que abre as rosas.»


José Saramago


in Provavelmente Alegria *


Miosótis (pseudónimo)

Fragmentos da noite de silêncios

03.06.2009
Copyright ©2009-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®

* transcrito aqui

Sunday, November 02, 2008

Pensando...




Adriana Banfi (aguarela 1991)




Adriana Banfi (aguarela 1991)



flores brancas da pera

e uma mulher no luar
lendo uma carta


white blossoms of the pear

and a woman in moonlight
reading a letter


Yosa Buson

Um dia, não sei em que vida, em que passagem, mas um dia, eu sei, esse dia... o perfeito amor vai chegar e vai poisar em meu regaço duas mãos cheias de mar. E em uníssono, as estrelas cintilantes ouvirão pronunciar: "Quero-te profundamente"!


Nesta noite de Novembro frio, revejo muitas noites de luar que se transformavam em fragmentos de sinceros sentires, deixados aqui, com um toque de nostalgia, muita esperança, alguma alegria, sonoridades de paz, desassossego, impregnando assim meus pensamentos de flores com fragrâncias doces, aromas de maresias e alquimias.

Não vou dizer que nada mais sinto para escrever.... sinto, sinto! Mas se tenho vontade de escrever? Nem sempre! 
Como se uma mão poisasse em meus lábios um secreto gesto de silêncio. 


Já tentei algumas vezes, obedecer a essa invisível vontade, mas depois bate-me aquela vontade íntima de escrever. Por vezes!

Prefiro escrever à medida que vou sentindo desejo íntimo de cuidar...

"Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. Depois saberei tudo. Não se sabe tudo, nunca se saberá tudo, mas há horas em que somos capazes de acreditar que sim, talvez porque nesse momento nada mais nos podia caber na alma, na consciência, na mente, naquilo que se queira chamar ao que nos vai fazendo mais ou menos humanos."

José Saramago

Miosótis (pseudónimo)

©texto original

02.11.2009

Copyright ©2009-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


fragmentos da noite, em tonalidades gélidas que deste lugar descortino. Uma janela poisada sob os telhados da cidade calma.


Licença Creative Commons



Thursday, April 24, 2008

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor 2008





Woman in Blue Reading a Letter
Johannes Vermeer

"A Língua Portuguesa é um "bem precioso" e os portugueses devem tratá-la melhor."

José Saramago, 23.04.08/ LUSA

[1922-2010]*

No Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor nada melhor do que trazer a esta comemoração dois autores portugueses que muito aprecio ler.

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

[anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.]

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade.

Al Berto, Há-de flutuar uma cidade
[1948-1997]


*Nota: O Centenário de José Saramago celebrou-se em 2022 com um vastíssimo programa nacional e internacional

Miosótis (pseudónimo)

fragmentos culturais em noite tardia, Dia ou parte dele, entre livros e algumas leituras.

24.04.2008
actualizado 23.03.2023
Copyright ©2008-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®