Saturday, January 27, 2007

Tempos de reflexão





Fotografia: Pierre Philippe Marcou|AFP 2006
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Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista?Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul à busca da beleza.

Mário de Sá-Carneiro, Partida, Paris Fevereiro de 1913



Sem dúvida que o meu espaço é peculiar! Os textos que vou deixando fluir espalham palavras de sensibilidade numa miscelânea de sentires, e eu abro fendas em minh'alma.

Não fujo a esse princípio!


Deixo vislumbrar afectos contidos, ternura no modo como vejo a Natureza que me envolve, solidariedade junto dos que sinto em sofrimento! 


Não sou muito optimista! Tenho plena consciência do mal que percorre o Mundo, mas devo deixar caídos meus pessimismos perante o Homem absurdo que hoje temos a vagabundear... e vislumbrar muito para além do Horizonte um espaço feito de afectos.

Ergo minha sensibilidade maior e deixo escorrer palavras de esperança que aspiro para todos os seres, e ardentemente para mim!


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite em que o silêncio se faz ouvir nas pausas do teclado

28.01.2007
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Wednesday, January 17, 2007

Babel - o filme






"Je ne sais pas s'il s'agit d'un instantané du monde. J'essaie de montrer ce qui se passe en nous. Nous considérons toujours "l'autre" comme une menace si on n'arrive pas à le comprendre. Cela concerne les pays mais aussi un père et son fils ou des époux. Nous ne sommes plus capables d'écouter. Le thème s'articule autour des idées préconçues, de nos préjugés, de tous ces archétypes qui nous viennent de la religion, de la race, de la culture. J'ai essayé de les mettre en exergue sans en être victime moi-même."

Alejandro Gonzáles Iñárritu


Estas as palavras com que Alejandro González Iñárritu fala sobre a mensagem do seu ultimo filme Babel.

Depois de Amores Perros, 21 Grams, o realizador dá por concluída a sua trilogia do sofrimento.

Vi os três! O que mais me impressionou foi sem dúvida o segundo - 21 Gramas - esplêndida e tocante interpretaç
ão de Sean Penn.

Babel carrega uma conotação fortemente bíblica e segundo as profecias estaria ligada à multiplicidades de idiomas falados a nível global.

Isso explica que o filme percorra três continentes e seja falado em cinco idiomas, para além da linguagem gestual.




O elenco de actores é apelativo! Cate Blanchett, Brad Pitt, Gael García Bernal são os mais conhecidos.

Sobre os dois primeiros, nada de interessante! E Gael García Bernal estava ainda muito presente com a sua terna e divertida interpretação no filme
A Ciência dos Sonhos
Confesso! Gostei bastante mais de o ver no papel de Stéphane!

Os actores desconhecidos é que me surpreenderam e me emocionaram!


A mexicana Adriana Barraza numa interpretação de coragem, doçura silenciosa e espírito de lealdade, a jovem japonesa Köji Yakusho no papel de uma adolescente surda-muda, enfrentando seus fantasmas, profunda solidão e estigmas próprios e o marroquino Mohamed Akhzam pela incansável solidariedade.


A mensagem passa pela miscigenação de culturas, povos, costumes, estados de alma e sentires, em diálogos babélicos.


Babel fez-me revisitar um filme que passou despercebido ao grande público, no momento da sua comercialização, antes de ser nomeado em 2004 - Crash.


Aqui, tudo se passa na mesma cidade, Los Angeles, e várias pessoas se vão entrecruzar tal como em
Babel, só que com uma intensidade tão autêntica e tão dramática que supera incondicionalmente Babel.

Babel acaba de arrecadar o Globo de Oiro na categoria "Melhor Filme Dramático". Talvez uma vitória de cariz político?!

Em arte, o factor subjectividade é tão avassalador que recomendo que vejam o filme para se deixarem conduzir pelas próprias impressões.

Cada ser gere a sua poética intimista com uma enorme componente de sensibilidade!



Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite com flores, World Citizen-I won't be disappointed, David Sylvian & Ryuichi Sakamoto (banda sonora do filme)

19.01.2007

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Saturday, January 13, 2007

Metáfora de um momento






Fotografia:Jean Philippe Ksiazek/ AP 2006


http://news.yahoo.com/photos




Hoje
num vazio
frio frio
desafecto
sem um gesto
de ternura
sentido
desilusão
em mim poisou.


Porquê?

Porque?!

Por vezes bastam coisas sem importância, outras com muita importância para coartar uma alma. E três palavras podem chegar como pedras lançadas em riste!



Então em doce olhar, melancólico, revoltado olhar, ela solta movimentos no areal da existência, ao som pungente e profundo do trompete que ecoa no silêncio da noite da cidade, levando mágoas soltas em organzas azuis como ondas oceânicas desabridas.

Por fim, em gestos brandos, ela baixa os braços e pára. Recolhe seu firmamento de esperanças.


Miosótis (pseudónimo)

fragmentos da noite de sábado sem flores, som Miles Daves, Round Midnight, Miles Cool & Collected, Sony BMG 2006

13.01.2007


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Saturday, January 06, 2007

Ciência dos Sonhos - o filme




Poster The Science of Sleep



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Another WILD SURREAL and endlessly FASCINATING film from Gondry

Dennis Dermody, Paper Magazine


Foi com agrado que me refugiei numa sala de cinema, durante esta época movimentada de festas, para tranquilamente ver a última obra de Michel Gondry, A Ciência dos Sonhos. Depois de O Despertar da Mente [2004] Gondry faz nova incursão ao mundo dos sonhos onde dá asas à sua imaginação.
Stéphane, um jovem mexicano recém chegado a Paris, desmotivado pelo seu dia a dia monótono, como colaborador de uma empresa de calendários, vive refugiado num mundo de sonhos que constrói a seu bel-prazer, numa transposição feérica de pequenas emissões televisivas, por trás de uma câmara e um cenário em papel de multicoloridas texturas.


A receita para sonhar com que Stéphane inicia a sua emissão é uma verdadeira iguaria de condimentos de vida que levará qualquer um de nós a querer repeti-la!

Ao lado do seu apartamento, vem instalar-se uma jovem, Stéphanie, que vai começar a participar, levada pelo acaso, deste mundo fantástico e encantador em que Stéphane mergulha tão frequentemente que dificilmente distingue a realidade da fantasia.


A partir daqui se desenrola uma história terna, divertida, imensamente fresca onde mergulhamos com simpatia e uma alegria quase pueril e bem gostosa ao descobrirmos que também nós podemos experienciar a fantasia onírica da personagem principal como permutáveis espectadores.

Nela se cruzam meia dúzia de personagens bizarras, divertidas, muito humanas, nos seus vícios e virtudes, cada uma a seu jeito, com imensos momentos de franca comedia dell'arte.
Sem dúvida que
Gael García Bernal imprime uma dinâmica fresca e jocosa que dificilmente nos retira o sorriso até final! Esplêndida lufada de ternura e boa disposição!

Há uma tentativa de lançar a filha do célebre compositor francês Serge Gainsbourg, Charlotte Gainsbourg que redunda em mero esquisso. Tal como mãe - aliás o aproveitamento da imagem física não passa de uma colagem - nunca conseguiu impor-se nem como cantora nem como actriz. É monótona demais.

Um filme onde se remisturam referências exuberantes de
Almodovar e Roberto Benigni.

O sítio web de apresentação do filme é uma criativa diversão, bem meritória da realização visionária de Gondry.

Close Your Eyes Open Your Heart



Miosótis (pseudónimo)

fragmento da noite com flores

06.01.2007



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