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Tout ce que je connais de moi c'est ce que me raconte le vent: la médiunnité des branches qu'il agite. Natália Correia
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My lovely November,
Have you seen
my heart ?
Somewhere in
your castle of
yellow leaves ?
Anonymus
in a Leter to November, 2013
Novembro, mês triste. Folhas mortas, amarelaa ou pardas, espalham-se para cima e para baixo, esvoaçando sem rumo. O vento, com seu sopro forte não lhes dá tranquilidade. Nem a mim.
Mas de todos os meses em que a terra é mais verde, nenhum tem céus limpos. Limpos e claros e doces e frios.
Frio. Meu sentimento no mês de Novembro.
Enquanto as nuvens pós-tempestade navegam em silêncio. Sem destino. Embora os ventos sejam fortes. O silêncio envolve-me.
Nem o aroma da canela, das maçãs, e dos diospiros me trazem um semblante mais aberto.
Até a lua cheia que olha o planeta entristeceu. A terra está silenciosa. Escura.
Infeliz por tua falta, minha mãe. eu choro. No dia mais triste do ano.
Através do seu trabalho, ela incutiu em todos nós um sentido de responsabilidade e uma visão de esperança.
"Desde que as raparigas começaram a ler sobre a minha infância e o meu tabalho de pesquisa com os chimpanzés, (...) muitas se dedicaram à conservação ou ao comportamento animal por minha causa."
Jane Goodall
Este efeito cascata transformou a Primatologia de uma área dominada por homens, numa área onde as mulheres passaram a liderar, abrindo portas a inúmeras outras que seguiram os seus passos.
O legado de Jane Goodall não se desvanecerá com o tempo. É um legado de compaixão, dedicação e esperança. Um legado que continuará a inspirar as gerações futuras.
O trabalho da sua vida deu-nos um modelo para viver em harmonia com o mundo natural, para abraçar a responsabilidade que partilhamos no cuidado do planeta e de todas as suas criaturas.
“Each one of us matters, has a role to play, and makes a difference. Each one of us must take responsibility for our own lives, and above all, show respect and love for living things around us, especially each other.”
Jane Goodall, Reason for Hope: A Spiritual Journey
Nuno Guerreiro, a voz da Ala dos Namorados morreu ontem, dia 17 Abril. O cantor da voz límpida, da ternura no olhar triste.
Choque. Saudade, já. Obrigada pelo encantamento da tua voz, escreveu alguém. Belo pensamento. Verdadeiro.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Last day of January
E hoje termina Janeiro. Aquele mês que sempre achamos interminável, o mais longo. Sentimos mais o frio, a tristeza da natureza despida. O gelo que trespassa. A falta do sol. O excedente das nuvens plúmbeas. E tanta chuva caíndo de um firmamento que parece choroso do mundo que nos envolve.
Inexplicavelmente, este ano, Janeiro passou mais lesto. Como fugindo do mundo. Ou fugindo de nós.
Será que fomos nós que deixámos fugir Janeiro? Ficou tanta coisa por fazer, por dizer...
Janeiro foi, para além da natureza sem graça, das noites frias, dos dias fugidios que anoitecem tão cedo, um mês ainda mais triste.
Ficámos sem David Lynch, o grande cineasta, inventor do cinema surrealista que encheu nossos ollhos e sentimentos de coisas belas, inesperadas e jamais vistas. Não pela idade. Mas sim pelo tabaco que lhe causou um efisema pulmonar mortal.
"What bouillabaisse of ingredients combines to make something not just creepy, not just Surrealist, not just thrillingly unnerving, but uniquely “Lynchian,” that amorphous shorthand that we’ve thrown around ever since the director’s 1977 debut feature Eraserhead became a near-instant cult classic."
David Foster Wallace,
in Vogue, March 2017
Esta a autêntica definição académica de 'Lynchian'. Mas Lynch tornou-se imortal deixando para a história do cinema algumas das obras mais marcantes. Filmes enigmáticos, originais.
Filmes inesquecíveis como Mulholland Drive (2001), and Lost Highway (1997). E claro, Twin Peaks.
E quase a terminar Janeiro 30, veio outro triste desaparecimento. Marianne Faithfully, a cantautora, actriz e poeta britânica. Começou a sua carreira com uma balada de Mick Jagger e e Keith Richards, As Tears Goes Bye (1964). Mas Marianne foi muito mais além.
It is the evening of the day I sit and watch the children play Smiling faces I can see, but not for me I sit and watch as tears go by
(...)
It is the evening of the day I sit and watch the children play Doing things I used to do, they think are new I sit and watch as tears go by.
Marianne Faithfully, As Teas Goes Bye
Dexemos Janeiro, este primeiro mês de 2025! E esperemos um Fevereiro com saúde, paz, sol, amor... o resto? É só o resto!
Miosótis (pseudónimo)
31.01.2025
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