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Saturday, July 07, 2012

Frida Kahlo, visão quase intimista !





Frida Kahlo | Auto-retrato
 Nikolas Muray Collection, Harry Ransom Center, 
The University of Texas at Austin
http://upload.wikimedia.org/

"I am not sick. I am broken.
But I am happy as long as I can paint."


Frida Kahlo


Frida Kahlo! Deveria ter escrito ontem, dia do seu aniversário, esta homenagem. Mas a intenção perdurou e aqui estou. 

Um dos nomes incontornáveis da arte contemporânea, a pintora mexicana Frida Kahlo continua sendo fonte de inspiração quase 60 anos após sua morte. Mulher e criativa que muito admiro.






Google Doodle 103º Aniversário de Frida Khalo

Google homenageou a pintora em 2010 com um Doodle criativo que remete para a arte da Frida Khalo.

"Kahlo's paintings are mostly known for being  personal in the extreme; she tells her stories through vivid and surreal images that are both shocking and inviting. 

"I painted my own reality"

Frida Khalo




Frida Khalo & Diego Rivera
via Biography

Kahlo's work has encouraged many women to give voice to their experiences and pursue their passions, whatever obstacles life might pose along the way."

Frida Kahlo, a artista mais polémica da história do México, pela vida atribulada, pela força energética que emanava, pelos amores tempestuosos com Diego de Rivera e pelo envolvimento nas questões sociais do seu país.






Frida Khalo

Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón de seu nome, conhecida pelos seus auto-retratos, foi celebrada no México, seu país, como emblemática da tradição indígena nacional e pelo feminismo da sua representação intransigente da experiência feminina e da forma.

Kahlo sofreu de graves problemas de saúde ao longo da vida, muitos dos quais resultantes de um acidente na sua adolescência. Estas questões estão reflectidas  nas suas pinturas. Mais de metade, são auto-retratos de um tipo ou outro. 





Frida self-portrait with-necklace
credits: Frida Khalo Foundation

"A única pintora no mundo que ganhou prestígio fazendo auto-retratos. Todos conhecem sua obra através de suas feições.” 

Kahlo escreveu: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor." 






Frida Khalo | Auto-retrato

Amante da tradição cultural mexicana e ameríndia constante na sua obra, esta artista autodidacta, tantas vezes identificada como Arte Nativa (Native Art) ou Folk Art, descreveu o seu drama pessoal de forma muito crítica, através da figuração da dor, da paixão, das vivências, e da cor que introduziu de forma vibrante, perturbadora, por vezes, nos seus quadros.

In 1953, quando Frida Kahlo apresentou a sua primeira exposição individual no México (a única em vida), um crítico local escreveu:

"Impossível separar a vida e obra desta mulher extraordinária. A sua pintura é sua própria biografia."





Frida Khalo 
A Coluna Partida, 1944

Os seus quadros têm o fantástico, que muitos procuram ver ligado ao Surrealismo. Em 1938 André Breton qualificou a sua obra de surrealista num ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy em Nova Iorque.

Mas enquanto os surrealistas pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal, Frida pintava as emoções da sua vida.





Frida Khalo
retrato, 1932
Guillermo Khalo
 
"Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."

Frida Khalo

Há uns anos (2002) vi o filme Frida, realizado por Julie Taymor, uma biografia da artista que canalizou a dor de uma lesão incapacitante, o seu casamento tempestuoso que se projecta na sua obra.

Fiquei impressionada com Salma Hayek. Uma interpretação fabulosa. 






Frida 
Salma Hayek
Julie Taymor (2002)

Aconselho vivamente. Pelo argumento, fotografia, interpretação, riqueza pictórica, banda sonora. Poderá desvendar um pouco no trailer, se não viu ou lhe apetecer rever.



No centenário do seu nascimento (2006) foi criado um sítio web lindíssimo que não deve deixar de visitar aqui (versão bilingue, espanhol-inglês). 



Nesta noite fresca de Julho - ninguém diria que é verão - o tempo não convida a um passeio lá fora. Fim-de-semana. Para uns, o cinema ou a leitura. Para outros a actualização dos blogues ou a navegação na Internet.




Faces of Frida

Por falar na Internetnão deixe de aceder à exposição virtual Faces of Frida patente no Google Arts & Culture.







Frida Khalo
I paint my Reality
Christina Burrus,2008




Depois de uma ida ao cinema, em final de tarde, e da passagem obrigatória de sábado pela livraria, vim para casa. Revisitei Frida no Google Arts - tanto para admirar! 

E mais tarde, sentei-me por aqui, a partilhar um pouco da vida e obra de Frida, numa visão quase intimista. 





Miosótis (pseudónimo)

07.07.2012
Copyright ©2012-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com®


Sunday, December 03, 2006

Copying Beethoven - o filme






Copying Beethoven
Agnieszka Holland, 2006
https://www.imdb.com/



"Music is the language of God!
Musicians are the closest to God as men can be. We hear His voice. We read His lips."


Copying Beethoven

Copying Beethoven estava no meu roteiro de fim de tarde de cinema, há uma ou duas semanas.

Fugindo da azáfama consumista e desatinada que percorre o país nesta época pré-natalícia, procurei o filme cuja temática não atrairia o grande público.


Percorrer musicalmente alguns dias da vida de
Ludwig van Beethoven, mais propriamente os últimos três anos, era sem sombra de dúvida uma pausa que me agradava plenamente! Nesse silêncio feito de enleio estético, aventrei-me nos sons de excertos musicais de obras suas, num recolhimento e introversão salpicados por excelente diálogos.






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


Traduzido como "Corrigindo Beethoven", o que só por si demonstra alguma falta de cultura musical erudita por parte dos tradutores ou empresas que à legendagem de filmes se dedica, 'copying' deriva da palavra 'copyiest', o que traduzida para língua portuguesa dá origem à palavra 'copista', termo técnico para pessoa que copiava à mão as partituras dos grandes mestres e compositores.

Assim, já se atraiçoa sem querer a intrínseca intenção da realizadora que afirma:


"The journey during the film is to learn about the music, but also to learn about the man... to come closer and closer to the music and to the man."

Agnieszka Holland






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


A música é sem dúvida a personagem principal do filme onde o actor Ed Harris incarna com grande mestria os últimos três anos [1824-1827] da vida de Beethoven, mais propriamente os derradeiros que este dedicou à conclusão da 9ª Sinfonia na qual trabalhou durante dez anos.

"He changed the very notion of music, destroying rules, conventions [...] bombastic, brilliant, generous, unforgiving, yet kind hearted, Beethoven ruled over the cultural landscape of Europe in the first quarter of the 19th century."
Agnieszka Holland






Ed Harris & Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


A incrível caracterização e sublime interpretação de
Ed Harris quase nos leva a crer estarmos diante do próprio Beethoven.

Outra coisa não seria de esperar de um actor que personificara  em Pollock a figura emblemática da pintura norte-americana -
Pollock - outro ser verdadeiramente dilacerado no seu acto criador.

Copying Beethoven transmite-nos a pungente, silenciosa e desesperada solidão de Beethoven, através dos olhos de Anna Holtz, melhor aluna de Composição do Conservatório de Viena, uma personagem ficcionada a partir de componentes da época, aqui interpretada pela actriz Diane Kruger

Apesar de já se atravessar o século XIX, ainda não era reconhecido à mulher o direito e dom de criar, quer em música, literatura ou outra actividade artística. 

Anna Holtz demonstra aqui a incrível vontade de vencer pelo seus próprios méritos como criadora mulher, vendo em Beethoven a sua oportunidade maior de aprender, e se afirmar num campo que só era permitido aos homens.


"I may be a woman but I am the best student!"


Copying Beethoven

Em impressionante diálogo, somos transportados à visão divina da música.

"Musicians are the closest to God as men can be.
We hear His voice. We read His lips."


Copying Beethoven


Nas magens de incrível beleza cénica, numa fotografia cuidada que realça tantas vezes o divino da criação, sobressaem os momentos de precisão e perfeição da arte de copista musical, as fúrias de Beethoven em revolta permanente contra um Deus que lhe deu um dom tão divino e que depois lhe retira a capacidade de se ouvir, a profunda tranquilidade do mestre nos actos de composição, quer compondo ao piano ou violino, quer em momentos de retirada inspiração no silêncio da natureza onde se refugiava para percepcionar as vibrações que esta lhe transmitia... tudo isto até se chegar à première da 9ª Sinfonia.

Guiado pelos olhos e pelas mãos de sua fiel copista, que conhecia de cor a partitura, dando-lhe os tempos necessários para que frente à orquestra, como maestro, pudesse executar a sua obra-prima.


"I will help you, I will stand where you can see me, I'll give the bite for you."



Copying Beethoven






Anna Holtz/ Diane Kruger
Agnieszka Holland, 2006


E Anna Holtz, saindo do meio da orquestra, veio afectuosamente virar Beethoven para o público, para que este visse as pessoas a ovacioná-lo de pé. e sentisse as vibrações dos aplausos.

"You are the key to my release."

Copying Beethoven

Se mais não for, valerá a pena ver para ouvir a interpretação da 9ª Sinfonia, interpretada pela Orquestra Sinfónica Kesckemét Húngara com alguns instrumentos musicais do princípio do século XIX tocados com arcos da época (violinos e violoncelos) o que dá, sem dúvida, o timbre perfeito da música beethoviana.

A não perder o trailer e as entrevistas no sítio oficial
Copying Beethoven

O filme esteve representado em dois conceituados Festivais de Cinema:


Festival Internacional de San Sebastian (2006)

Toronto Film Festival Canada (2006)


No final, todos os espectadores permaneceram religiosamente ouvindo até ao último excerto musical do genérico.

Não houve pipocas!

Miosótis (pseudónimo)


03.12.2006
update 22.01.2024
Copyright ©2006-fragmentosdanoitecomflores Blog, fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com® 

fragmentos da noite, som Ludwig van Beethoven, 7ª Sinfonia in A major, Op. 92, la major/A-dur, Allegretto, Sinfonia Varsovia, maestro Yehudi Menuhin,Warners Classics, 2003


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