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Saturday, December 03, 2016

Época de Natal






Christmas window

Dezembro, dia 1. É o início da preparação de Natal. Abertura oficial da época natalícia. Para mim, a festa da família. A doçaria que traz um aroma distinto à casa. Aromas de infância. Festa, luzes, cheiro a canela, creme queimado, risos das crianças, luzes feéricas que piscam intermitentes. Aconchego. Doçura. 

É o dia que aproveitamos para fazer a árvore de Natal, e decorar a casa. Dantes éramos mais a ornamentar a árvore ao som de Diana Krall ou WhamMelodias eternas que nos levam à magia da época.

Agora, a tradição é um pouco diferente, mas sempre especial. E há por perto um elemento inquieto que tem um papel bastante activo neste dia de montar a árvore: a gata siamesa que delira com as bolas e objectos decorativos, mete a patita nas caixas de cartão, rola as bolas pelo chão da sala, e espreita a possibilidade de atacar a árvore para retirar alguma decoração que lhe chame mais a atenção.

Bem diferente de uma outra gatinha, também ela siamesa, que viveu cá em casa durante muitos anos. E que partiu abruptamente. Muitas saudades.

Passava as noites, deitada na sua manta, poisada numa das cadeiras junto à árvore. E ali permanecia fiel, todas as noites, fascinada pelas luzes. Era a sua época de magia.

O passado de fazer o luto ainda presente, tenta colar-se. Mas sacudo. Deito fora com movimentos soltos que me ajudam a espantar todas as energias negativas porque tristes. 

A família virá. Estará de novo reunida. É preciso ter um sorriso lindo para oferecer. É a época de Natal.

Quero apenas as boas recordações que me apoiam no desapego dos sonhos que se desmoronaram tão completamente.

Sei que tenho vindo a criar novas rotinas, novas tradições que me alegrarão a alma. Não como acontecia antes. Não. Mas que me energizam para fixar no olhar esperança.

Porém, vou precisar de mais alguns Natais para lá chegar.

Miosótis (pseudónimo)

03.12.2016
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Wednesday, January 07, 2015

E chega o dia




credits : Jodi McKee

E chega o dia em que temos que desmontar a árvore de natal. É um pouco triste. Habituámo-nos a ver a sala mais alegre, luminosa. E quando chegámos a casa ao final do dia, fugindo do frio gélido que se faz sentir lá fora, é bom ver aquele cantinho iluminado, as luzes que ligam e desligam, imprimindo um briho mágico às noites de Dezembro. 

A sala vai ficar mais triste. dir-se-ia mais vazia, menos aconchegante. E o acto em si é tristonho, é como o desfazer de um sonho que durou até ontem, noite de Reis.

E o pior, é mesmo retirar um a um os enfeites vermelhos, os laços doirados, ver o chão, as mãos, as roupas cheios de brilhantes. Instala-se assim uma pequenina nostalgia no olhar. 

depois fechar os ramos, melhor hastes, despidos, solitários, que se vão dobrar para que o pinheiro possa caber de novo na caixa de cartão. Nem sempre fácil fazer a árvore entrar de novo, ficar tristemente aguardando até ao próximo Natal.  E as luzes? Tarefa difícil dobrar os fios, dado que a siamesa que por aqui habita, se entretém, emaranhando-se neles aos saltos, com divertida alegria.

Fica tudo demasiado triste a partir de hoje. Já uma pessoa se habituou a chegar a casa e a ver aquelas luzes que piscam tornando a sala toda imponente, mais quente.

Logo ao final do dia, quando regressar a casa e abrir a porta, não verei as luzes reflectirem-se nas paredes, iluminando até o hall da entrada.

É por isso que  não gosto muito da noite de reis. Embora a simbologia seja muito apelativa.  Marca a data para católicos, e ortodoxos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII, converteu em Melquior, Gaspar e Baltazar.


credits: non-identified (?)

Lá comi os vagos de romã que deveria ter sete bicos, mas não encontrei quando entrei apressadamente no supermercado, amontoado de gente. A euforia das lojas e supermercados ainda não acabou? 

Pois a romã, segundo a tradição, deverá ter sete bicos, para os mais supersticiosos, para se ter dinheiro todo o ano, ou pelo menos, para que o dinheiro não falte. 

Miosótis (pseudónimo)

07.01.2015
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